A Lack Of Color
9 Feel Good
Notas iniciais
A minha vida não poderia estar mais perfeita. Faziam duas semanas que eu estava "ficando" com Paul e tudo era lindo. Eu acordava sorrindo, passava o dia sorrindo e dormia sorrindo. Eu comia sorrindo também.
Nem preciso dizer que Jane ficou louca. Disse que tudo era possível e deu ênfase a parte que ela já tinha dito que eu e o Paul íamos ficar juntos. James, por outro lado, parecia triste.
– Então, você conseguiu — perguntou ele a mim e eu o olhei, parando de falar com Jane.
– É, é o que parece — falei e dei de ombros — Parece que persistência é tudo!
– Entendo — respondeu ele — Parabéns.
– Obrigada — disse e sorri — Ouvi dizer que pegou alguém na festa do Josh.
– Peguei — respondeu ele
–Entendo — falei
– É — acabou o assunto. Foi isso. Há uma semana atrás eu conversava com ele normalmente, sobre tudo e agora somos quase estranhos.
Só não somos estranhos, pois sabemos coisas um dos outros.
Estranhos com memórias. Era o que eramos.
Porém, apesar de tudo, eu estava feliz. Feliz e mais feliz. Eu estava com Paul, minha vida era ótima e nada mais era vazio. Nenhum mínimo pedaço do meu coração estava com um espaço.
Eu só tinha uma sensação de que isso não estava certo.
Era tão pequena, mas tão incomoda ao mesmo tempo. Senti aquilo o dia inteiro na escola. Era quase que comum já, mas não estava me acostumando. Sai da escola alegando que eu estava bem e, acreditem se quiserem, nem dei tchau para Paul. Queria voltar para casa, deitar e pensar.
Eu venho fazendo muito isso, mas acontece que funciona.
Funfa, porra.
E se funfa tá de boa. Acho. Só acho, mas não tenho certeza.
Cheguei em casa, abri a porta, deixei a mochila na escada, subi rapidamente e peguei o computador.
É, eu sei, eu ia deitar e pensar, mas PC sempre primeiro. É a filosofia lógica da nossa vida, sabe? Não sabe? Nem eu.
Abri o Ask.fm. Normalmente acho ask.fm inútil, nunca recebo perguntas, só as do dia, mas, mesmo assim, fui pra lá depois da ask do admirador secreto no meu tumblr. Eu tinha esperanças que ele falasse comigo por lá, sabe. Poucas pessoas me curtem (eu sei disso, mesmo que não dê para ver) então nós teríamos mais privacidade e ele poderia vir em anônimo.
Era mais ou menos isso que passava pela minha cabeça quando abri minhas perguntas e vi lá, escrito:
"Eu não sou o Paul. Não acredito que fez isso comigo" não falei? Sou psíquica.
"Como assim fiz isso com você?" comecei respondendo "Eu não sei quem você é!" isso era verdade. Como é que eu ia saber quem era aquela pessoa se aquela pessoa nunca chega em mim e fala "Então, sabe o admirador secreto? Prazer eu, agora vamos casar" ok, não assim.
Não assim.
Enfim, eu só acho que se a pessoa VERDADEIRAMENTE gostasse TANTO ASSIM de mim, talvez, só talvez, ela se identificasse. Dei F5 e, surpreendentemente, recebi uma resposta.
"Mas você deveria ter consideração com as pessoas" consideração?
"Então me diz quem é" cara de pau. Mais um F5
"Não, valeu. Agora estou muito magoado com você, de verdade"
"Se foder então"
"Vai você, mina!"
"Você"
"Você"
"Não."
"Ok, então. Eu só passei pra dizer que a consideração passou, deu tchau e se foi. Eu verdadeiramente amo você, Aut e faria qualquer coisa pra fazer você terminar com o Paul"
"Então você me ama, mas não deseja minha felicidade?"
"Eu desejo sua felicidade.Contanto que seja comigo"
"Ah, ótimo!"
"Eu sei, sou um anjo. Agora é sério, o que eu posso fazer?"
"Sei lá! Eu não quero terminar com o Paul!"
"Eu sei que não... Mas, eu tenho uma chance de conseguir ser melhor?"
"Hmm, não sei"
"Tenho certeza que sim, eu tenho"
"Hmm, talvez"
"Hmm, não"
"Hmm, está bem"
"Sério?"
"Não. Foi só pra entrar na personagem"
"Merda. Vai Aut, me dá uma chance"
"Então, faça uma coisa até amanhã e quem sabe você não tem uma chance. Não quero coisas GAAAAYS"
"GAAAAAAAAY"
"GAAAAAAAAAAAAAAAAAY. Não, é sério."
"Ok, tudo bem, eu faço. O que por exemplo?"
"Não sei, seja criativo!"
"Criativo como?"
"É por isso que se chama criatividade, criatura. Tem uma imensidão de coisas para se fazer..." e depois dessa, eu fiquei uns dez minutos sem perguntas. Já, quase cansando, dei o ultimo f5 do dia e vi lá escrito
"Porque você não vai até o parque amanhã? Sei lá, umas duas?"
"É, tudo bem."
O parque estava frio, bem frio. Parecia até inverno, para falar a verdade. Estava congelando, mesmo que de dia.
– Ah, legal, deveria ter trazido uma blusa — olhei o relógio. 1:58. Daora a vida.
Acontece que a burra aqui chegou, o que? Meia hora adiantada?
É por ai.
O cara pode estar zoando comigo e eu não ligo. Simplesmente não ligo.
– Ai, que porra? — perguntei e olhei pra cima. Garoa. — Sério? Chuva? Isso é muito manjado, cara. Esse é o puro romantismo mais manjado da porra desse mundo! — olhei no relógio. 14:05 — FODAM-SE, EU VOU PRA CASA! — e então eu me virei.
Ele estava do outro lado, parado, encostado em uma árvore. Olhou para mim com os olhos azuis e eu abri a boca o máximo que ela podia ser aberta. Ele sorriu para mim, enfiou a mão nos bolsos do casaco e andou em direção a mim.
– Oi, Aut — falou e riu — Surpresa?
– Criatividade é de sobra... Sobrou.
– Me dá uma chance, vai. Só hoje! — falou ele, olhando diretamente pra mim.
– Quantos anos você é mais velho que eu, Kenny? — ele ponderou.
– Hmm, quatro? — tentou
– Por ai. Qual minha idade?
– Quinze anos.
– Que dia é meu aniversário?
– Nove de Abril.
– Porque eu to te perguntando isso?
– Pra saber se eu gosto mesmo de você como eu não tenho hesitação em dizer que sim — respondeu e me olhou — Gosto. Muito. Mais do que deveria — Ok, isso meio que derreteu meu coração. Olhar pra ele, muitas vezes causava isso, mas é porque nós éramos amigos.
Amigos... Amigos...
– Ok, Kenny — suspirei enfim — Eu resolvi que vou te dar uma chance de um dia.
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