Notas iniciais
Eu sei que eu to demorando, mas é que eu não quero que acabe! rs

Rin olhou furiosa para Sesshoumaru.

— Seu computador não quer me dizer onde está a geladeira.

— Gem!

— A SRA. TAISHO ESTÁ LIMITADA AO NÍVEL DE SEGURANÇA DOIS. PEDIDO PARA INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA NÍVEL UM NEGADO.

— Conceder nível de segurança um à senhora Taisho. De agora em diante, responder a todas as perguntas e obedecer a todas as ordens dela. Todas. Está claro, Gem?

— AFIRMATIVO. — Rin cruzou os braços.

— Agora, diga onde está a geladeira!

— PROCESSANDO. A GELADEIRA ENCONTRA-SE DOIS METROS À SUA DIREITA. QUER QUE EU ABRA A PORTA?

— Quero! — rosnou Rin. — Quero também que meu marido explique por que os eletrodomésticos se referem ao nível de segurança um, bem como por que eu, sua esposa e companheira, não tinha acesso a esse nível.

Sesshoumaru olhou para o chão.

— Vamos ter que adiar esta discussão até que nossos convidados tenham ido embora.

Rin teve uma sensação estranha. Sesshoumaru escondia algo. Tinha certeza. E devia fazê-lo explicar-se agora, antes que tivesse tempo para inventar uma resposta convincente.

— Seja breve — sugeriu, autoritária. — Tenho certeza de que Raven não se importará em esperar mais trinta segundos.

Após alguma hesitação, Sesshoumaru esclareceu:

— Eu era o único com acesso ao nível de segurança um, com exceção do pai de Kohako. Você nunca teve. Nem Kohako.

— Por quê?

— Porque o acesso ao nível um possibilita mudar a programação de Gem. — Os olhos de Sesshoumaru se obscure ceram, meio sarcásticos. — Acho que entende minha relutância em lhe conceder tanto controle.

Rin concluiu que ele dizia a verdade, se bem que não toda.

— Está bem, Sesshoumaru. Estou satisfeita. Por ora. — Virou-se para os armários negros. A porta da geladeira estava aberta. Gem era a responsável. Incrível. — Minha nossa. Mostrou isto a Raven?

— Pensei em mostrar, mas então me lembrei de que você ainda não conhecia o sistema. Considerando sua preocupação quanto a Raven descobrir que você acaba de se mudar, sua reação podia entregar o jogo. — Ele pôs um dedo sob o queixo dela e fechou-lhe a boca. — Gem, pode preparar o café?

— AFIRMATIVO.

Numa das extremidades do balcão, um cilindro negro começou a emitir sons típicos da preparação do café. Rin balançou a cabeça.

— É incrível.

— Que bom que está impressionada. — Sesshoumaru fitou-a por um segundo, então inclinou o rosto e beijou-a. Sem pressa, iniciou uma lenta e sedutora exploração. Aparentemente, concluíra que o cliente podia esperar mais um pouco. — Bem-vinda ao lar — saudou, por fim.

Rin apertou-se contra ele, vendo promessa nas palavras possessivas. Pela primeira vez em muito tempo, a esperança retornava a sua vida.

A noite fechou-se sobre a casa em que Sesshoumaru abrigava havia muito um silêncio doloroso. Sofrendo de insônia desde a infância, muitas vezes recorrera ao trabalho como panaceia. Dessa vez, porém, o trabalho não estava consolando. Uma hora antes, ouvira Rin ir de mansinho ao quarto de Abigail. Mais que tudo, quisera juntar-se a elas. Mas hesitara, inseguro quanto à recepção que teria e ainda mais quanto à própria capacidade de manter-se a distância da esposa.

Sem fazer barulho, levantou-se da cama e postou-se à porta entreaberta do quarto de Rin. O abajur estava aceso. Entrou. Ela dormia com um livro aberto no colo. Colocou o volume de lado e ajeitou-lhe as cobertas. Pelo jeito, não era o único com dificuldade para adormecer.

Vinha tendo sorte, nas últimas semanas. Após cinco longos anos, finalmente convencera Rin a desposá-lo. Ela o presenteara com uma filha e, agora, dormia sob seu teto, comprometida com um casamento de um ano. Bem antes de completar-se esse prazo, esperava vê-la partilhando também sua cama. Tinha tudo. Tudo o que sempre desejara.

Restava-lhe agora descobrir uma maneira de manter o que conseguira.

Não seria fácil. Ela não confiava nele, graças a Kohako. Aliás, o fato era mais compreensível do que ela imaginava. Ela esperava do casamento um compromisso total, o que ele era capaz de conceder. Só que ela queria também amor. Eis algo difícil para ele ceder. Já não sabia nem se era capaz de tal emoção. O desejo físico, entendia-o e a ele podia entregar-se plenamente. Mas amor? Retraía-se à possibilidade.

— SENHOR TAISHO? — sussurrou o computador.

— Sim, Gem?

— ESTÁ ACONTECENDO ALGO ANORMAL? — Ele abriu um sorriso tenue.

— Não, Gem. Só estou cuidando de minha família.

— NENHUM DESVIO EM ANDAMENTO?

— Até agora, não. — Sesshoumaru estendeu a mão para tocar em Rin, mas conteve-se. Não devia, ainda. Não até que pudesse oferecer mais do que luxúria. Baixou a mão. — Apague as luzes, Gem. Avise-me se ela precisar de algo. De qualquer coisa.

— AFIRMATIVO, SENHOR TAISHO.

Três semanas após aquele jantar em casa de Sesshoumaru, Raven Sierra concordou em testar Gem. Rin e Sesshoumaru trabalharam juntos no projeto, aproximando-se de uma maneira que ela nunca imaginara possível. Todo dia, após o expediente, relaxavam juntos, conversando sobre os mais variados assuntos, divertindo-se assistindo a televisão ou a algum vídeo. Mas o que mais gostavam de fazer era ficar juntinhos no sofá, com Abigail entre eles, passatempo bastante raro, infelizmente.

—Rin? — Sesshoumaru saiu do estúdio. — Onde tinha ido?
Ela parou no corredor, com o bebê nos braços, surpresa por vê-lo tão tenso.

—Oh, esqueci de dizer a Gem que tinha consulta no médico hoje.

—Com o pediatra de Abbey? — quis saber ele, amuado. Só então Rin compreendeu.

—Não roubei nenhuma lembrança de você, Sesshoumaru — afirmou, suave. — Jamais faria isso. Fui ao meu médico. Já faz dois meses que Abbey nasceu e... — Corada, não completou.

— Sesshoumaru relaxou.

— E está tudo bem?

— Está.

Rin receou alguma indiscrição, mas ele só comentou:

— Que bom.

— Obrigada. — Sem jeito, ela fez um gesto para o corredor. — Vou estar no quarto do bebê, se precisar de mim. Está na hora da mamada.

— Claro.

Sesshoumaru fez que ia entrar de novo no escritório, não antes que Rin detectasse um flash saudoso nos olhos dele. Por instinto, indagou:

— Quer vir também?
Ele balançou a cabeça.

— Acho que não vai conseguir relaxar se eu estiver assistindo.

— Consegui em todas as outras vezes. — Era verdade. Ele a deixava um pouco constrangida, atiçando sentimentos que deviam ser suprimidos, mas apesar disso conseguia fazê-la relaxar o bastante para amamentar Abigail. — Não quer mesmo? Não me importo.

Ele se pôs de lado junto à porta do escritório.

— Se tem certeza de que não vou atrapalhar, venha.

— Aqui?

— Por que não? Pode se sentar no sofá e me contar como foi seu dia enquanto amamenta.

Acomodou-se na beirada do sofá e olhou-o curiosa. Conhecia-o havia cinco longos anos, crente de que ele não diferia em nada de seus computadores. Tal ideia parecia ridícula agora.

—Vá mais para lá — sugeriu ele.

Sentando-se na ponta do sofá, recostou-se contra o braço e estendeu uma das pernas ao longo do assento, deixando a outra apoiada no chão. Indicou com o olhar, convidando-a a instalar-se entre suas coxas. Ela não se retraiu, permitindo que ele a puxasse de encontro ao vão estreito. O encaixe foi perfeito e delicioso, como sempre. Ele segurou Abigail enquanto ela abria a blusa e a frente do sutiã.

— Sesshoumaru?

— Hum?

— Você não é como Gem, é?

— Claro que sou. — Ele colocou o bebê nos braços dela. — Somos almas-gêmeas, querida. Não é o que sempre disse?

— É. — Rin observou o bebê abocanhar o mamilo o começar a sugar com sofreguidão. — Mas agora sei que estava errada.

—O que está tentando dizer, querida?

Rin não sabia. Não mesmo. Seria bom mudar de assunto.

— O que é aquilo atrás de sua mesa?

— Um monitor de vídeo. Pode mostrar até dezesseis imagens diferentes ao mesmo tempo. Os outros só acessam uma de cada vez.

— Há um em cada cômodo?

— Exato.

— O que você monitora?

— Tudo o que está conectado ao sistema de vídeo. A casa, o escritório. A televisão. E até alguns de nossos clientes cujos contratos determinam isso.

— Não sabia... — Rin enrijeceu-se de repente. — Um momento. Todos os cômodos estão no sistema de vídeo? Todos têm uma câmera?

— Isso mesmo. Em caso de emergência, Gem liga a câmera para que eu possa avaliar a situação.

— Mas ela não grava a imagem o tempo todo?

— Não. Ela só grava com autorização. — Após uma pausa tensa, Sesshoumaru suspirou sonoramente. — Saiba que havia câmeras em sua casa. Kohako mandou colocá-las quando instalamos Gem. Mas ele nunca as ativou.

Rin lembrou-se de que Sesshoumaru interligara as moradias de ambos logo que Abbey nasceu. Mais um segundo e ocorreu-lhe a lógica questão seguinte:

—E você? Alguma vez as ativou?

Ele apertou os braços em torno dela, como que para impedi-la de fugir.

— Ativei.

Sesshoumaru respondera em tom tão brando e pesaroso que Rin sentiu sua raiva morrer antes de nascer. Afastou o bebê do seio.

— Por que, Sesshoumaru? Por que invadiu minha privacidade desse jeito?

— Na primeira vez, foi quando você não conseguia amamentar Abigail. — Sesshoumaru tinha a voz embargada. Para um homem sem emoções, o incidente parecia tê-lo afetado bastante. — Gem me disse que estava havendo uma emergência e eu ordenei que ligasse a câmera. Você estava sentada na cadeira de balanço, chorando quase tanto quanto o bebê...

E ele saíra correndo para ajudá-la, trajando apenas uma calça jeans. Não obstante, precisava saber.

— Mandou Gem ligar a câmera outras vezes?

— Mandei. — Ele se mexeu, e ela sentiu os músculos do peito másculo contra suas costas. — Eu dava uma olhada em Abigail todas as manhãs. Precisava vê-la. Falar com ela. Passar algum tempo com ela. Estava errado, eu sei, mas, Rin, ela é minha filha. Eu queria vê-la. Não só de vez em quando, mas todos os dias. Pode entender isso?

— Sim, eu entendo. Mas devia ter pedido, Sesshoumaru. — Rin achou que era o momento de se arriscar a excitar a bomba dele. — Você ama Abbey, não ama?

— Ela é minha filha — esquivou-se ele.

— Mas você a ama, não ama?
Ele estava tenso.

— Eu daria minha vida por ela — esquivou-se de novo.— Faria tudo o que estivesse a meu alcance para protegê-la. Quero fazer parte da vida dela e tê-la como parte da minha.

—Diga as palavras, Sesshoumaru. Diga.
Silêncio. Rin fechou os olhos.

Sentindo as lágrimas aflorarem, ela baixou a cabeça.

—Não é suficiente — murmurou. — Não posso viver assim. Pensei que pudesse, mas não dá.

Levantou-se apressada do sofá, com Abigail nos braços. Sesshoumaru seguiu-a pelo corredor, alcançando-a à porta do quarto do bebê. Pegou a filha, acomodou-a no berço e só então encarou-a, os olhos âmbar frios e distantes.

— O que quer de mim? Que mais posso oferecer que já não tenha dado?

— Por que fez amor comigo na véspera de ano-novo, quando vim aqui trazer aqueles documentos? Por que me beijou?

— Sabe por quê.

— Desejo.

— Também.

— Só isso? — Rin estudou-lhe o rosto desesperada, tentando adivinhar seus pensamentos mais íntimos, descobrir algum sinal de que ele sentia algo. — Aquela noite significou tão pouco para você? Foi uma maneira divertida de saudar o ano-novo?

— Eu nunca disse isso?

— Você nunca disse nada! — Ela balançou a cabeça. — E impossível que eu tenha só imaginado a ligação entre nós. Não pode ter sido só fantasia. Não posso acreditar. Não vou acreditar!

— Palavras? É sem elas que não consegue viver? Quer mentiras confortadoras? Do tipo que Kohako lhe contava?

— Não!

— Ou é isto o que quer?

Sesshoumaru tomou-lhe a boca, ávido, exigente e suplicante. Puxou-a contra si, tão apertada que ela não deixaria de perceber sua reação masculina ao contato. Ele a queria com um desespero que se equiparava ao dela, avassalador, devastador.

— Não, Sesshoumaru. Não podemos.

— Já fizemos. Nossa filha é a prova.

— O que não significa que seja certo. Você não me ama. Você não ama nem sua filha.

Ele contraiu os lábios.

— Estou aqui, comprometido a fazer este casamento vingar. Estou me dando inteiro a você e Abigail. E queremos um ao outro. Vai negar?

Os olhos dela encheram-se de lágrimas.

— Não, não vou. Mas isso não quer dizer que seja certo. Não foi certo quando concebemos Abbey e não é certo agora.

— Faltam dez meses para o término de nosso acordo, pretende mesmo passar todo esse tempo em celibato?

— Pretendo.

— Rin, por favor. Vamos ter um casamento de verdade.

— Casamentos de verdade devem durar para sempre. Não era isso o que Kohako queria. — Ela o encarou firme. — E o que você quer, Sesshoumaru?

Ele fechou os olhos, encurralado.

— Kohako era um idiota. Não era digno nem de seu amor, nem de sua confiança.

— Você não respondeu. Quer um casamento para sempre?

A questão pendeu entre ambos. Rijo, Sesshoumaru raciocinava furiosamente em busca de mais uma resposta evasiva.

— Não vou abandonar você e Abigail. Vou fazer tudo ao meu alcance para que sejam felizes. Pode confiar em mim, Rin. Não vou traí-las.

— E o amor?

Como Sesshoumaru não respondia, Rin concluiu que cabia a ela decidir. Podia viver sem amor? Assim vivera com Kohako. E quem podia predizer o futuro? Talvez o amor chegasse mais tarde, com o convívio. Talvez conseguisse quebrar o gelo em que se encarcerava o coração dele, ou derretê-lo com seu calor. Sabia que Sesshoumaru não a magoaria. Ele não era Kohako.

Sesshoumaru pareceu adivinhar sua decisão. Erguendo-a nos braços, carregou-a para o quarto. Assim que transpuseram a porta, pousou-a de pé. Diante dele, ela viu nos olhos dele aquilo que devia estar evidente nos seus. Cautelosos, ambos queriam aproximar-se, mas hesitavam. Temiam arriscar aquele último passo avante.

Foi só ao respirar fundo que Rin percebeu que sua blusa continuava aberta. Perturbada com a frieza de Sesshoumaru, esquecera-se de abotoá-la após amamentar Abbey. Não fechara o sutiã, tampouco. Sesshoumaru também percebeu. Erguendo as mãos, afastou ainda mais as abas da blusa.

Longe de protestar, ela permitiu que ele apreciasse seus seios.

— Você mudou.

Ela riu brandamente.

— Experimente ter um bebê.

— Quero ver as outras mudanças. Todas. — Sesshoumaru puxou a blusa por sobre os ombros dela, e ao longo dos braços. O sutiã também foi descartado. Com os polegares, acariciou os mamilos rígidos, contornando os bicos escurecidos. — Estão maiores. Mais escuros. — Sopesou os seios. — E mais cheios.

Um arrepio percorreu-a toda.

— Acha ruim?

— Nem um pouco. Quando fizermos amor, o leite vai sair?

Apesar do espanto, Rin conseguiu murmurar:

— Não sei.

— Vamos descobrir juntos, então. — Ele baixou as mãos.

Sem fala, ela apenas aquiesceu nervosa, concordando. Ele lhe desabotoou a calça e abriu o zíper, baixando-a até os quadris. Então, agachando-se, livrou-a da peça erguendo primeiro um pé, depois o outro. Ela enterrou a mão nos cabelos dele, cônscia de que só lhe restava sobre o corpo uma pecinha de algodão branco com elástico na cintura. Estremeceu.

Para surpresa de Rin, Sesshoumaru não a despiu imediatamente. Em vez disso, pousou a mão na suave curvatura de sua barriga, aquecendo-a.

— Difícil acreditar que, há poucos meses, Abigail estava aqui.

— Difícil para você. Para mim, nem tanto.

— Gostaria de ter estado aqui o tempo todo. Eu teria gostado de acompanhar todos os estágios da sua gravidez. — Ele a fitou no rosto, os olhos âmbar flamejantes. — Talvez da próxima vez.

Ainda nem recuperei a forma, e você já está falando na próxima vez?

— Sou filho único. Não quero que Abigail também seja. Quero que ela tenha uma família como a sua, não como a minha.

Segurando-a pelos quadris, Sesshoumaru roçou a boca nas linhas brancas sobre o abdômen dela.

— Estrias — explicou Rin, pesarosa. — São como fios corridos na meia-calça, só que piores. Infelizmente, não se pode arrancar a pele e comprar outra nova, como se faz com as meias.

— Nesse caso, pensemos nelas como cicatrizes de guerra. Condecorações de honra. De qualquer forma, ninguém irá vê-las, a não ser eu. — Não se tratava de uma pergunta, mas de uma declaração. — E eu as acho lindas.

Antes que ela pudesse responder, ele introduziu os polegares por dentro do elástico da calcinha e puxou-a ao longo de suas pernas. Ela podia ter-se sentido vulnerável e exposta, mas não se sentiu. Graças a Sesshoumaru, sentia-se bela e desejada. Ele se pôs de pé e despiu-se em poucos movimentos, atirando a camisa e a calça sobre as roupas dela empilhadas no chão. Num minuto, estavam um diante do outro, sem artifícios.

E juntaram-se, espontâneos e seguros, redescobrindo seus pontos secretos à medida que transferiam as lembranças para a realidade. Ao sentir a boca ávida de Sesshoumaru em seus seios, Rin passou as mãos pelas costas dele, deliciando-se com o contato. Ele foi baixando o rosto, detendo-o entre o ventre e as coxas generosas, aos quais aquecia com a respiração ardente. Contendo seus instintos mais íntimos, Sesshoumaru introduziu sua língua delicadamente sobre o sexo dela, sentindo o gosto do mel que brotava da cavidade quente. Rin puxava a cabeça de Sesshoumaru em direção ao corpo dela, fazendo-o entender que ela queria mais.

— Ah, Sesshoumaru... — Ela detinha os olhos vidrados no homem de cabelos platinados. Ele introduziu o dedo indicador juntamente com sua língua na entrada dela, fazendo movimentos de ida e vinda.

— Sesshoumaru....- Sua respiração estava cada vez mais forte — Por favor...

Sentindo que ela estava quase no ápice, Sesshoumaru interrompeu o ato. Ela gruniu em protesto.

— Essa noite, seremos um só, minha hime. — Ele disse com a voz rouca pelo desejo bem no ouvido dela, deixando-a arrepiada.

Rin passeava seus dedos pelas costas fortes e largas de seu amado. Descendo as mãos sobre os quadris estreitos dele, ela contornou o quadril, segurando firme no mastro duro do homem. Sesshoumaru levantou um pouco seu quadril para que desse passagem para Rin conhecer melhor seu corpo. Ela o envolvia com uma das mãos fazendo movimentos de vai e vem.

Haviam resistido àquele momento, sabendo que corriam de encontro a ele, tragados por uma gigantesca onda de desejo. Rin abriu-se para Sesshoumaru, rebolando os quadris com graça, prendendo-o entre as coxas macias. Ele planejara possuí-la devagar, ela via nos olhos dele, mas não conseguia controlar a tempestade, assim como não conseguira na véspera do ano-novo. Ele avançou, introduzindo-se fundo, deslizando pelo caminho de doçura indescritível. Ele a beijava com paixão enquanto ela gemia cada vez mais alto entre os lábios.

— Diga que será minha, Rin.

— Ah, Sesshoumaru, eu serei sua....sua para sempre. — Ela tentava dizendo entre os gemidos.

— Olhe para mim, Rin — Os orbes castanho foram ao encontro daqueles pedaços de âmbar em chamas.

— Oh, Sessho....

A explosão final atingiu-os. Foi uma bênção, uma celebração, uma fusão de coração e alma. Passara-se quase um ano, meses intermináveis de morte emocional.

Quando Rin despertou, já estava escuro. Sesshoumaru permanecia abraçado a ela, envolvendo-a toda com seu calor.

—Luzes — sussurrou ela. — Dez watts.

Com cuidado, desvencilhou-se dos braços dele, assolada por uma inexplicável inquietação. Vestindo uma camisola, foi ao quarto do bebê, embora não estivesse na hora de amamentar. Apoiou-se na cerca do berço e observou a filha no sono, acariciando-lhe a bochecha rosada. Passou a vaguear pela casa então, até chegar à sala de estar. Diante da imensa janela, sentiu a proximidade da aurora, bem como o gradual despertar da própria alma.

Era como seu amor por Sesshoumaru. Sempre estivera presente, ainda que oculto, encerrado numa noite de cinco anos até romper o horizonte, quente e radiante.

— SENHORA TAISHO?

— Sim, Gem?

— ESTÁ OCORRENDO ALGO ANORMAL?

Sim, está, pensou Rin. Dois anos de escuridão chegam ao fim e a manhã está chegando. Riu divertida.

— Não, Gem. Não está ocorrendo nada anormal.

— TEM ALGUMA SOLICITAÇÃO? Rin surpreendeu-se.

— Por que pergunta?

— O SENHOR TAISHO DETERMINOU QUE EU O AVISASSE SE A SENHORA PRECISASSE DE ALGUMA COISA.

— Não preciso de nada.

Não era bem verdade. Queria fazer uma pergunta à qual Sesshoumaru nunca respondera satisfatoriamente. No entanto, hesitava. Mais tarde, atribuiria à premonição. Mesmo apreensiva, deu vazão à preocupação:

— Gem, por que a SSI está em dificuldades financeiras?

— ACESSANDO. PERDA DE ATIVOS RESULTOU NA REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO. RELATÓRIOS FINANCEIROS DISPONÍVEIS NO TERMINAL PRINCIPAL DO COMPUTADOR.

Rin franziu o cenho.

— Perda de ativo? Como isso aconteceu?

— ATIVO FOI REMOVIDO ILEGALMENTE DA SSI.
Rin levou alguns segundos para entender. Então, foi tomada por um mau pressentimento.

— Dê explicações detalhadas, Gem.

— EXPLICAÇÃO REQUER ACESSO AO NÍVEL DE SEGURANÇA UM.

— Eu tenho acesso ao nível de segurança um! — protestou ela, nervosa. — Agora, explique o que acabou de informar.

— PROCESSANDO. — Passou-se um tempo que pareceu interminável. Por fim, Gem retomou a palavra. — FUNDOS DAS SEGUINTES CONTAS FORAM REMOVIDOS ILEGALMENTE PELO SENHOR KOHAKO OZAWA. CONTA NÚMERO...

— Encerrar transmissão — ordenou Sesshoumaru.

Notas finais
Então tive que dividir o último capítulo em duas partes. Primeiro ia ficar GIGANTE e segundo deixei vocês com água na boca! rs
Posto ainda hoje a segunda parte!
Beijocas