A Lógica Do Amor
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Esse capítulo é recheado de emoções. Finalmente vamos conhecer os pais de Sesshy! Boa Leitura!!
—Mesmo assim, vou matá-la. Rin postou-se entre ele e a menina. — Não precisa se dar ao trabalho. Os pais dela vão fazer isso. — Ah, não, eu cheguei primeiro!Se Vick se assustava com o tema da conversa, não o demonstra. Aparentemente, já assistira a cenas semelhantes antes. — Vamos Sesshoumaru, encare como um treinamento de paternidade para quando Abbey estiver mais crescidinha. — Eu consigo arrumar tudo — garantiu a menina, mordiscando o lábio inferior. — Só preciso de mais tempo. — Não se incomode — adiantou-se Sesshoumaru, aproximan do-se do computador. — Pode deixar que eu cuido disso. Após digitar algumas instruções, desligou a máquina da tomada. — Vá em frente, Gem. O caminho está livre. — FAVOR AGUARDAR. ASSIMILANDO. — Situação? — CANCELAMENTO COMPLETO. VERIFICAÇÃO EM ANDAMENTO. SISTEMA ELÉTRICO AGORA RES TABELECIDO. — As luzes se acenderam. — TRAVA MENTOS DESATIVADOS. ELEVADORES AGORA EM OPERAÇÃO. FORMAS DE VIDA VAGANDO EM ALTA VELOCIDADE NOS ANDARES DOIS A CINCO. OPERAÇÕES MECÂNICAS AINDA EM PROGRESSO NO QUARTO ANDAR. — Que operações mecânicas? — Viki ajeitou os óculos. — Está falando das aranhas e robôs. — Eles nos protegem — explicou um dos gêmeos. — Dos bandidos — completou o outro. — Porcaria! — gritou um homem, no corredor. Uma tarântula entrou voando pela porta. — Victória! Você está em maus lençóis, mocinha! — Pai! — exclamaram os gêmeos, e foram se esconder atrás de uma mesa. Stephen St. Clair assomou à porta, soltando fogo pelas ventas. — Desta vez, vou fazer com que aprendam a lição! Kit St. Clair juntou-se ao marido, tentando arrancar uma aranha das costas. — Stephen, foi sem querer, tenho certeza. De trás da mesa, os gêmeos esticaram o braço e apontaram para a irmã. — Foi a Viki! Nós só ficamos olhando! — Linguarudos — murmurou a menina. O dono da fábrica dirigiu-se a Sesshoumaru. — Desculpe o transtorno. Não sei o que foi que essa menina fez... — Acessei Gemini através de uma falha em seu código de autorização — explicou Viki. Sesshoumaru olhou pasmo para a pequena. — Você o quê? — Digitei Taisho zero-zero-um, porque ouvi você comentar que era o código de acesso ao computador. Fiquei umas duas horas mexendo no programa e consegui as sumir o comando. Comecei a dar ordens a Gemini e ela fez tudo o que mandei. Rin suprimiu o riso. A julgar pelos grunhidos que Sesshoumaru emitia, ele estava prestes a explodir, a exemplo de Stephen St. Clair. — Não entendo — declarou o pai da menina, perplexo. — Por que não consegui cancelar o sistema? Pensei que o meu código controlasse o funcionamento de Gemini. Viki deu de ombros. — Parece que o cancelamento do senhor Taisho cancela o seu. — O cancelamento do senhor Taisho sempre cancela o de todo mundo — especificou Rin, amuada. Seguiu-se um silêncio pesado. Então, Sesshoumaru encarou o cliente. — Peço desculpas. Trata-se de uma medida de segurança. Pelo menos, eu assim considerava. Amanhã, vou instalar um programa de cancelamento de ativação por voz, que só aceitará a sua voz e a de Kit. — Elevou o tom. — Gem, limpe todo o computador. Quero Gemini fora do sistema. Reinstale com acesso de retaguarda licitado. Somente códigos de voz. — AFIRMATIVO. LIMPEZA DE MEMÓRIA EM ANDAMENTO. Stephen balançou a cabeça, já quase sorrindo. — Acho que não se lembrou de minha filha quando planejou esse sistema, hein? — Não mesmo, o que me faz lembrar... — Quer que barremos a entrada de Viki pelos próximos vinte anos? — sugeriu o cliente. — Com prazer. — Não, quero ser o primeiro a oferecer-lhe um emprego quando se formar na universidade, daqui a alguns anos. — Melhor tê-la a seu lado do que contra você? — adivinhou Stephen. — Mais ou menos isso. — O que diz, Viki? Gostaria de trabalhar com o senhor Taisho? A pequena pensou um pouco, mordiscando o lábio. — Depende. Vou poder trabalhar com Gem? — Sesshoumaru confirmou. — Se quiser. Poderá até criar sua própria Gem. — Os olhos castanho-dourados fulguraram. — Ah, então eu quero! — Combinado! — Sesshoumaru apertou a mão da menina. — Peça a seu pai para me telefonar no verão, quando você entrar em férias. Temos na SSI um programa de aprendizagem pelo qual pode se interessar.
— Vou poder usar os computadores? — Somente aqueles sem acesso direto a Gem. É perigoso deixar vocês duas trabalharem em conjunto. A hora seguinte transcorreu rapidamente. Sesshoumaru certificou-se de que Gemini fora removida do sistema e instalou uma versão modificada. Quando tudo funcionava a contento, deixou a fábrica. — Você foi um amor — elogiou Rin, enquanto seguiam para o estacionamento. Ele ergueu o sobrolho. — Eu? — É — Rin acomodou-se no assento. — Com Viki. Divertido, Sesshoumaru instalou-se atrás do volante. — Ela fez um bom trabalho, não? Até Gem ficou impressionada. — Imagino. — Rin bocejou. — Vamos para casa. Abbey logo vai sentir fome. — Obrigado por ter vindo. Você ajudou muito. — Não fiz quase nada, mas gostei de vir, mesmo assim. Rin sentiu-se em paz durante todo o trajeto de volta. Chegando, pensou que a casa fosse desmoronar, tamanho o alvoroço lá dentro. Sua família inteira ocupava-se em encaixotar todos os seus pertences. — Alguém pode me informar o que está acontecendo aqui? — indagou, polida, tentando não explodir. Ninguém lhe deu atenção, exceto a mãe, que lhe sorriu de trás de uma caixa de papelão. — Oh, querida, desculpe-nos. — Desculpá-los? — Por não termos pensado nisto antes. Já faz um mês que se casou. Sem mais esclarecimentos, a mãe voltou a colocar objetos dentro da caixa. — Continuo não entendendo! — protestou Rin.A mãe sentou-se sobre os tornozelos. — Você foi uma santa, Rin. Não reclamou nem uma vez desta situação, apesar de agonizante. Então, seu pai sugeriu que a ajudássemos... Aquela falta de clareza era mau presságio. Muito mau presságio. — Ainda não entendi, mãe. O que foi agonizante para mim? — Não poder se mudar, por estar de resguardo — explicou Izara. — Estamos empacotando o básico. A transportadora se encarregará do resto. Marcamos para o sábado. Está bom para você? — Só um minuto, mãe! Ainda não explicou por que estão fazendo isso! — Porque você não está podendo cuidar de si mesma, querida. Não estamos querendo interferir... — Mas estão interferindo! A mãe repuxou o canto da boca. — Rin, Abbey já está com um mês. Você e Sesshoumaru não podem estar felizes morando cada um numa casa. — Isso não é da conta de vocês. — Está na hora de você pensar primeiro na família— orientou a mãe, severa. — Deve se mudar para a casa de Sesshoumaru. Rin estava boquiaberta. — Não acha que cabe a nós decidir isso? — Já está decidido, Rin. Se Sesshoumaru não se opõe, por que você se oporia? Rin empalideceu. — Sesshoumaru? Ele arranjou tudo isto? — Para empacotarmos? Claro que não. Nós nos oferecemos. Ele disse que era capaz de fazer tudo sozinho, mas duvido de que encontrasse tempo... — Mãe... Izara calou-a com um gesto. — Não precisa agradecer! Rin murchou, derrotada. — Eu não ia agradecer. — Está sendo um prazer, acredite. Considere como mais um presente de casamento. Agora, sente-se, relaxe e tome conta da minha netinha. Deixe tudo por nossa conta. Na semana que vem, quando levarem o resto da mudança, você, Sesshoumaru e Abigail serão uma pequena família feliz sob o mesmo teto. E sabe o que mais? Rin tinha até medo de saber, mas perguntou: — O quê? — Os lençóis com o monograma de vocês bordado chegaram hoje. Não é maravilhoso? — Maravilhoso, mãe. Maravilhoso demais para ser verdade.— Gem. Instantaneamente, o monitor de televisão se iluminou, mostrando o quarto de Abigail na casa de Rin. Sesshoumaru já não precisava especificar a instrução. Visitar a filha pela manhã tornara-se rotina, assim como tomar banho. Gem assimilara o fato. Enquanto se enxugava com a toalha, contemplava a filha aninhada no berço, desperta e satisfeita, olhando o mundo com seus grandes olhos âmbar. O móbile sobre o berço girava devagar, o sol matinal refletindo-se nos personagens de histórias em quadrinhos. O computador a distraía. Podia ouvir Gem "sussurrando" uma historinha. Sesshoumaru não pôde evitar um sorriso ao se vestir. O sistema computadorizado gostava mesmo de narrar contos de fadas para o rebento feminino. Abigail parecia apreciar Os Três Porquinhos, ainda mais com efeitos sonoros. Minutos depois, Rin entrava no quarto. — O que está acontecendo aqui? — indagou, brava, com as mãos na cintura. — PESQUISA REVELA QUE REBENTOS HUMANOS APRECIAM NARRATIVAS DE HISTÓRIAS FICTÍCIAS SOBRE CRIATURAS FANTASIOSAS. — Está contando histórias para Abigail de novo? — AFIRMATIVO. — Mas, Gem, já lhe expliquei que ela ainda é pequena demais para entender. — O REBENTO FEMININO NÃO COMPUTA? — Não, ela não computa, Gem. Talvez daqui a alguns anos. — O telefone tocou, e Rin instruiu: — Avise-me se Abbey chorar. — PEDIDO DESNECESSÁRIO. O CHORO ACIONA O NÍVEL DE SEGURANÇA ALERTA UM. — Ah, é mesmo... Rin saiu do quarto. Dali a segundos, a tela mostrou-a na cozinha, atendendo ao telefone. Só podia ser a mãe dela. Então, Sesshoumaru viu inúmeras caixas de papelão empilhadas por todo lado. — Gem, conhece as regras — advertiu, alisando a camisa branca. — O quarto de Abigail é o único lugar que pode mostrar, salvo em caso de emergência. — AFIRMATIVO. A tela voltou a mostrar Abigail no berço. O uivo de um lobo encerrava a história do dia. Sesshoumaru balançou a cabeça. — Esperar Rin sair do quarto para retomar a história não é certo, Gem. Não me lembro de ter programado isso em você. — A PROGRAMAÇÃO FOI ACESSADA NA TOY COMPANY. — Também já discutimos a respeito de pegar programas avulsos, Gem. Pode comprometer seu sistema. Descarregar arquivo no computador trinta e quatro. Vou examiná-lo mais tarde. Desligar monitor de vídeo. — AFIRMATIVO. O telefone tocou em seguida. Atendeu ao segundo toque: — Taisho. — Sesshoumaru? — Era Rin, nervosa. — O que foi? — Preciso de sua ajuda. Estou com um problema. — O que aconteceu? Rin hesitou por alguns segundos, então revelou: — É que minha família esteve aqui ontem e encaixotou todas as minhas coisas. Sesshoumaru disfarçou o divertimento. — Vai se mudar? Rin explodiu: — Sesshoumaru, minha mãe deixou escapar que você arranjou tudo isto! Para morarmos juntos! — É, parece que comentei com ela que trataria disso. — Pois saiba que eles tomaram a dianteira. Minha mudança chega aí no sábado. — Por mim, tudo bem. — Sesshoumaru escolheu uma gravata. — Mas ainda não disse qual é o problema. Rin ofegou ao telefone, a ponto de explodir. — O problema é que não quero me mudar para a sua casa! — Por que não? — Porque não faz parte do nosso acordo. — É uma objeção só sua. — Após fazer um nó caprichado, ele fixou a gravata com um belo alfinete dourado. — Eu nunca me opus. — Sesshoumaru... — O que espera que eu faça, Rin? Que arranje uma saída para você? — Ele adotou um tom frio. — Não tem saída. Quero minha mulher e minha filha aqui, morando comigo em minha casa. — Eu devia saber que não podia contar com você! — Devia mesmo! Até sexta-feira. — Sexta? — Esqueceu que vamos jantar com meus pais? Rin refletiu um segundo. — Não, não esqueci. Era mentira, e Sesshoumaru recuperou o bom humor. — Ótimo. Aliás, Raven Sierra e a filha também vão jantar conosco, no sábado. Você vai mostrar a eles como é fácil operar Gem, está lembrada? — Ora, Sesshoumaru... Ele tirou o paletó do suporte. — Sim? Rin suspirou profundamente, resignada. — Sexta-feira a que horas? — Às cinco e meia. Ah, só mais uma coisinha. — O quê? — Xeque-mate. Rin bateu o telefone em resposta, mas ele ouviu seu riso antes. — Vamos parar e comprar comida chinesa — avisou Sesshoumaru, estacionando numa esquina diante de um restaurante. — Pensei que seus pais tivessem nos convidado para jantar — comentou Rin, confusa. — Convidaram. — Por que vamos levar comida, então? — Sesshoumaru deu de ombros. — Para ganhar tempo. — Sua mãe cozinha tão mal assim? — Pode ter-se aprimorado desde a última vez que provei, mas duvido. Não se preocupe, Rin. Não vai passar fome. — Não é isso. Só não quero ofendê-la.
— Ela não vai se ofender. Rin resignou-se. Sesshoumaru devia conhecer bem seus pais. Quanto a ela, ansiava pelo primeiro encontro, na esperança de desvendar o passado misterioso de Sesshoumaru. Queria muito saber por que ele se empenhava tanto em sufocar as emoções. Talvez os pais dele lhe dessem alguma pista. Depois que Sesshoumaru comprou a comida chinesa, percorre ram um caminho tortuoso na área de Berkeley, até chegarem a um casarão protegido por cerca de ferro no alto de uma colina. — Nossa, Sesshoumaru, foi aqui que se criou? — espantou-se Rin. — Aqui mesmo. Rin contemplou a fachada desbotada. Ao contrário das residências vizinhas, aquela necessitava urgentemen te de pintura nova e pequenos reparos. Com um grande azevinho de um lado e uma magnólia imensa do outro, a mansão permanecia nas sombras, obscura por fora e por dentro. Arbustos, superdesenvolvidos meio que bloqueavam o caminho até a porta frontal. O gramado, se um dia existira, estava completamente tomado por ervas daninhas. — De quando data esta construção? — indagou, arrepiada. — Tem mais de cem anos. Foi construída em 1906, logo após o terremoto. — E impressionante. — Você está sendo gentil — percebeu Sesshoumaru. — Esta casa é como uma mulher velha tentando esconder a idade atrás de um monte de maquiagem. Apesar dos artifícios, não consegue. Rin quis discordar, mas Sesshoumaru fora acurado na descrição. Tendo se criado naquela casa, até que ponto suas características influenciaram no homem que se tornara? — Já passa das seis — observou ela. — Vamos entrar? — Vamos. Por que não pega a bolsa? Eu levo Abigail.Rin pegou a bolsa com os apetrechos do bebê e subiu os degraus de madeira à varanda. Chegou a espiar pelas janelas que ladeavam a porta, mas não viu sinal de vida dentro do casarão. — Esqueça a campainha — avisou Sesshoumaru, com Abigail nos braços. — Não funciona há anos. Bata na porta. Bem alto. Rin bateu sonoramente na porta maciça. Silêncio. — E agora? — Pegue o bebê. Livre da pequena, Sesshoumaru tirou um molho de chaves do bolso, separou uma dourada e introduziu-a na fechadura. Não sem esforço, abriu a porta e empurrou-a. Logo localizou um interruptor antigo. Luzes fracas se acenderam no imponente saguão de entrada. — Será que erramos o dia? — cogitou Rin, descon fortável na mansão que mais parecia uma cripta. — Ela não disse sexta? — Disse. — Onde estão eles, então? — Provavelmente no porão. Rin espantava-se cada vez menos. — São cientistas loucos, por acaso?Sesshoumaru encarou-a gélido. — Acertou em cheio. — Fez um gesto para a sala. — Acomode-se. Vou pegar a comida no carro e depois os procuro no porão. Rin engoliu em seco. — Vai me deixar aqui sozinha com Abigail? Com um casal de cientistas loucos por perto? Sesshoumaru riu, descontraindo-a. — Não vou demorar. Acomode-se. Ainda relutante, Rin adentrou a ampla sala e sentou-se na beirada de um sofá desbotado, sempre com Abigail nos braços. O ambiente estava razoavelmente limpo, mas não parecia ser muito frequentado. Os móveis e objetos permaneciam arrumados, intocados. Que infância incomum Sesshoumaru devia ter vivido naquela casa. Os pais seriam mesmo cientistas loucos, ou ele apenas se divertia a suas custas? Um minuto depois, a porta frontal se abriu de novo. O rangido acordou Abigail, mas ela não chorou. Bocejando, levou o pequenino punho cerrado à boca. Dano sorriu enternecida e passou a mão por seu sedoso cabelinho castanho. Considerava-se abençoada. Kohako não pudera dar-lhe filhos, nunca desejara nenhum, na verdade. Ainda que ele não houvesse optado pelo divórcio, teriam enfrentado uma série crise conjugal em algum momento, pois família significava muito para ela e nada para ele. Evidentemente, ela não o culpara pela esterilidade, mas teria adotado uma criança, algo a que ele sempre se opusera. Olhou para Sesshoumaru. Como ele era diferente do falecido marido. Não fosse seu dom de encontrar momentos felizes e uma imprevista noite de enlevo, talvez jamais conhe cesse as alegrias da maternidade, nem experimentasse o incrível prazer que Sesshoumaru lhe proporcionara. — Trouxe o assento de Abigail — comentou ele. — Assim, não vai ter de segurá-la no colo o tempo todo. — Pousou o acessório no chão. — Vou levar a comida para a cozinha. — Vou com você. Antes que Sesshoumaru contrariasse, Rin levantou-se. Tomaram um corredor rumo aos fundos da mansão. A cozinha espaçosa fora reformada e modernizada havia uns vinte anos. Quando Sesshoumaru abriu a geladeira, Rin se assustou. — O que é isso? — Fórmulas. Muitos elementos químicos devem ser mantidos a baixa temperatura. E terra vegetal. — O que seus pais fazem exatamente? — Já disse: são cientistas. Rin estudou um recipiente de vidro com uma espécie de esponja disforme coberta por uma mistura de substâncias laranja, azul e verde. — Mas que tipo de cientistas? — Minha mãe é química e meu pai é biólogo. — E eles fazem experiências aqui, em casa? —Não se trata de explosivos, se é o que teme.Rin continuava contemplando o frasco com substâncias coloridas. — E os vírus? Sabe, do tipo que acabam de descobrir, aquele que corrói a gente de dentro para fora. — Eles não mantêm aqui nada que ultrapasse o nível quatro de segurança. Eu juro. Rin estreitou Abigail nos braços. — Por favor, diga que é tudo brincadeira. Sesshoumaru olhou-a por sobre o ombro, a luz da geladeira destacando o ângulo de suas faces, revelando o humor em seus olhos. — Estou brincando — afirmou. — Não se preocupe, é perfeitamente seguro aqui. Meus pais se recusam a trabalhar para corporações, são free-lance. Coisa da década de sessenta, acho. O laboratório deles é dos melhores.. — Esse que fica no porão. — Esse mesmo. — Vamos ter de ir lá? Sesshoumaru negou balançando a cabeça. — Não temos acesso ao laboratório. É lacrado. — Fechou a geladeira e caminhou até um pequeno painel, digitando um código no teclado. — Agora já sabem que estamos aqui. Instalei o dispositivo quando garoto. De fato, em poucos minutos ouviram-se passos na escada que levava do porão à cozinha e Rin se viu diante dos sogros. O senhor Taisho lembrava muito Sesshoumaru, apenas engordara e se curvara um pouco com a idade. Mas foi do senhor Taisho que Sesshoumaru herdou os cabelos platinados e os grandes olhos âmbar, sem dúvida. — Não vai nos apresentar? — indagou a mãe a Sesshoumaru. — Rin, gostaria que conhecesse meus pais, Satori¹ e Inu Taisho. — Sesshoumaru olhou para os pais friamente. — Lembram-se de Rin, pois não? — Rin é Rin? — exclamou o pai, surpreso. — Sim, eu me lembro. É um prazer revê-la, querida. A mãe balançou a cabeça. — Eu não me lembro. Quando a conhecemos? — No meu casamento — esclareceu Sesshoumaru. — Não, não me lembro dela — declarou a mãe. — Aliás, não me lembro do seu casamento. — Voltou-se para o marido. — Quando foi, Inu? Ele deu de ombros. — Eu esqueço esses detalhes, se não escrever. Não foi no ano passado? — Durante a experiência da fotossíntese? Não teríamos podido comparecer. InuTaisho olhou para o filho. — Foi na primavera? Amargamos um fracasso monumental com o musgo. Estávamos de saída para o seu casamento quando o musgo morreu. — Foi há cinco semanas — declarou Sesshoumaru, paciente. — Estavam acompanhando a taxa de crescimento do centeio, lembram-se? — Claro, o centeio! — exclamou Inu. — Foi um sucesso. Muito promissor. Mas o que o traz aqui hoje, filho? — O jantar. — Maravilha! — O cientista olhou em torno. — O que vai ser? — Vocês nos convidaram, lembram-se? — esclareceu Sesshoumaru. — O que preparou, mãe? — Deixe-me ver... — Izaoi abriu a geladeira. — Ah, é comida chinesa! O pai esfregou as mãos. — Perfeito! Adoro comida chinesa. Tem carne de porco, querida? — Tem! Rin acompanhara toda a cena em silêncio, cada vez mais confusa. Por fim, desabafou: — Não estou entendendo nada! O sogro fitou-a de cenho franzido. — Qual o problema, querida? — Vocês agem como seja tivéssemos nos conhecido antes, mas não é verdade. Sou a mulher de Sesshoumaru. Não podem se lembrar do nosso casamento, porque não compareceram. O sogro confirmou. — Se foi durante a experiência com o centeio, não pudemos. Rin retraiu-se. Sesshoumaru fitava-a sereno, apenas esperando que compreendesse. — O que quero dizer é que... bem, este é o primeiro encontro entre mim, vocês e Abigail? Izaoi voltou-se da geladeira. — Abigail? Quem é Abigail? — Rin descobriu o rostinho do bebê. — Sua neta. — Temos uma neta? — espantou-se Inu. — Não me lembro de ter sido avisado. Quando ela nasceu? — No mês passado — respondeu Sesshoumaru, pegando pratos no armário. — Deixei gravado na secretária eletrônica. — Faz tempo que não verifico os recados — explicou Izaoi. — Por isso não ficamos sabendo. Sesshoumaru encarou a mãe. — Se não recebeu o recado, por que nos convidou para jantar? — Porque é lua azul, é claro! — esclareceu Izaoi, exultante. Aliviada, Rin viu Sesshoumaru tão espantado quanto ela. — Lua azul — repetiu ele, sem entender nada. — Exatamente. A segunda ocorrência de uma lua cheia no mesmo mês. Na última vez em que esteve aqui, você disse que devíamos nos ver de novo nessa ocasião. Anotei no calendário. Por isso o convidamos. Sesshoumaru passou a mão nos cabelos. — Eu comentei que nós só nos víamos em mês de lua azul, ou seja, muito raramente. Foi uma crítica, mãe. Alheio à conversa, InuTaisho promovia uma pesquisa em seus neurônios. —Abigail... Abigail... estou quase me lembrando o significado. Rin olhou para o sogro, impressionada. — Sabe o significado de todos os nomes? — Claro. — Olhou carinhoso para a esposa. — Meu pai tem memória fotográfica — explicou Sesshoumaru. — Tem gravado tudo quanto é lista de informações. Só não consegue se lembrar de coisas sem importância. Rin conteve a indignação. O jantar para o qual tinham sido convidados não era importante, então? A julgar pela expressão de Sesshoumaru, não era. — Precisam de ajuda? — ofereceu-se, simplesmente.Se Sesshoumaru captou o duplo sentido da pergunta dela, não o demonstrou. — Por que não coloca Abigail no assento e depois se junta a nós na sala de jantar? Vamos pôr a mesa. InuTaisho suspirou aliviado. — Significa "meu pai alegra-se" — informou. — Muito bom gosto. É um nome de família, Rin? Rin sentiu um aperto no coração e seu olhar encontrou o de Sesshoumaru. — Não. Foi Sesshoumaru quem escolheu. — Pois agora sabe por quê — concluiu InuTaisho. — Não sou o único aqui com memória fotográfica, querida. É evidente que ele escolheu um nome com um significado. — Sesshoumaru? Ele não respondeu de forma alguma. Sem palavras. Sem expressão. Sem emoção. Nada. Mas era tudo fingimento. Toda aquela indiferença. Como não percebera antes?
Notas finais
Gostaram da dobradinha???
Espero que a fic esteja agradando.
Aguardo reviews!
beijocas
Espero que a fic esteja agradando.
Aguardo reviews!
beijocas
Fale com o autor