Notas iniciais
Hey guys! Yeah, finalmente esse veio em uma velocidade buena. Mesmo não tendo muitos comentários e poucos acessos, estamos seguindo em frente! Não vou ter tanto tempo essa semana, então temo que não nos veremos por aqui tão brevemente. Então... aproveitem! E comentem, claro. Boa Leitura

Mesmo Nicole sabendo o local... ainda estava achando tudo aquilo um tanto estranho.

Mesmo àquela hora... a multidão cercava-a. O frio intenso parisiense não impedia que uma quantia considerável de seres agasalhados surgissem de todos os cantos, andando pelo seu campo de visão... e voltando a sumir, entre mais pessoas ainda. Sua pupila captava todos os tipos... de parisienses apenas querendo passar por ali, até turistas, fissurados pelo elemento mais próximo. Apesar das diferenças... todos pareciam estar agitados, bem agasalhados...

E, claro... encaravam-na com um olhar estranho, quando passavam perto.

Nicole, apesar de incomodada e pensativa... não culpava os seres, visitantes e locais, por estar ali e agora. Principalmente pelo que estava vestindo. Os longos e volumosos cabelos loiros estavam unidos em um coque, atrás da cabeça. A maquiagem deixava seu rosto ainda mais bonito do que já era. Os cílios estavam mais enegrecidos pela maquiagem, deixando o piscar dos olhos azuis incrivelmente belos. O vestido amarelo era simples, de fato. Uma saia descia até um pouco depois dos joelhos, e era decorada por minúsculos itens brilhantes, fixados no tecido. A parte de cima era um pouco mais pomposa, com tecidos mais escuros e sem brilho formando um delicado V em seu peito, e mangas, do mesmo estilo da saia, iam até seu pulso. Os sapatos de salto possuíam o mesmo tom de amarelo do vestido... e havia uma minúscula joia falsa, incrustada logo acima da ponta do sapato, imitando incrivelmente bem uma Safira brilhante.

Apesar de tudo isso... seus braços se cruzavam sob seu peito. O frio estava pior do que ela imaginava.

Seus olhos vasculhavam a multidão. Não entendia o que Klaus pretendia naquele lugar... era mais cheio do que ela pensaria que fosse. Mesmo sendo noite... algo não a agradava naquilo. Sim, a obra arquitetônica à sua frente era magnífica... mas nem isso dava um tom especial à paisagem. Ainda parecia um dos vários pontos cheios de gente da Cidade-Luz.

–Desculpa te fazer esperar...

Ela quase dá um salto para trás, espantada.

Mas a visão logo a deixou mais aliviada. Era ele... como ela deveria esperar. Estava mais chique do que ela pudera imaginar... vestindo um smoking negro, com gravata à borboleta da mesma tonalidade. As pontas do terno eram compostas de desenhos tribais em vermelho... mas tão minúsculos e bem feitos que Nicole teve dificuldade de identificar algo solido. Os sapatos eram de um couro preto muito bem polidos... chegando até a refletir boa parte da luz do local. Seus cabelos vermelhos havia sido penteados para o lado com gel... deixando o cabelo ruivo incrível, quando uma luz refletia no gel... fazia Nicole lembrar chamas. O que era realmente estranho... Klaus nunca penteava os cabelos. Até mesmo os pouquíssimos pelos de barba, que estavam começando a formar uma costeleta... complementavam a aparência perfeitamente.

Pela primeira vez... pôde notar melhor seus olhos. Os olhos de Klaus pertenciam a uma tonalidade verde incrível... seus tons variavam de claro para escuro... conforme chegava às bordas da íris. A grande quantia de luminosidade lançavam uma luz ao seu olhar, fazendo-o ter um brilho mais belo... fazendo parecer ele estar com os olhos brilhantes, contemplando uma ideia, algo.

E, nesse momento, ele olhava para Nicole, enquanto dava um risinho.

–Você poderia não usar suas habilidades de se misturar ao ambiente fora do trabalho?

–Eu gosto de assustar as pessoas. Elas ficam assustadas.

–Percebe-se! – apesar do assunto, Nicole não conseguia deixar de sorrir, ao lado do sorriso de Klaus.

Depois de um momento de silêncio... Nicole o quebra com a pergunta que a assolava pela noite toda.

–Bom... é aqui? Ou é apenas um lugar para nos encontrarmos... para depois ir ao lugar certo?

Ele a encara um pouco, pensativo. Enfim, responde:

–Digamos que é um pouco dos dois.

Ela revira os olhos, ainda mantendo um sorriso pequeno. Odiava quando ele fazia isso...

–Podemos ir até lá, então? Está fazendo muito frio aqui...

Ele aponta para um lugar estranho: Uma das bases da torre.

–Primeiro as Damas.

Ainda desconfiante, Nicole seguiu na direção indicada pelo dinamarquês, abrindo espaço entre a multidão tranquilamente. A Torre Eiffel brilhava acima deles, tanto em luzes quanto em grandeza, fama, beleza. Ambos rasgavam a escuridão... e se completavam com a intensa luz do resto da cidade. Nicole olha para cima, curiosa. O esqueleto da torre parecia se estender até o infinito... mas ela sabia bem que havia um fim. Conhecia o fim da Torre Eiffel... seu topo. Sabia estipular números e golpes com precisão. Mas ainda não sabia desvendar os segredos da mente de um jovem.

Sem questionar nada, Nicole continua seguindo na direção que Klaus indicava. Depois de atravessar a multidão, eles chegam até uma das bases da torre. Estava cercada por uma cerca móvel, vigiadas por um dos vários seguranças do monumento histórico. Apesar de ser uma das entradas para dentro da torre, aparentava estar fechada no momento. A circulação de pessoas ainda era alta naquela região... mas nenhuma delas parecia adentrar nas cercanias daquela base.

Foi por isso que Nicole estranhou, quando parou bem ao lado das cercas. Rapidamente, lança um olhar sobre Klaus, que para bem ao lado dela. Nicole abre a boca para dizer... mas é rapidamente impedida por Klaus, que une seu dedo indicador à boca, indicando silêncio.

Logo depois, se dirige ao guarda, que os olhava seriamente. Ele vestia uma camiseta de botões branca, que era completado por uma gravata azul escura, sapatos e calças da exata mesma cor. Aparentava ter em torno de 50 anos... com os cabelos negros ficando cada vez mais escassos no topo de sua cabeça, e pontilhado de vários fios brancos.

–Vadite ad súperos

Nicole pareceu entender a frase, em latim, ao mesmo tempo que o homem o fez. E, para sua surpresa, ele sorriu.

–Soyez le bienvenu, Klaus!

Nicole entendeu a frase imediatamente: “Seja bem-vindo, Klaus”. E, logo em seguida, o homem se vira para Nicole.

–C'est un honneur de vous avoir ici, Nicole !

‘’É uma honra tê-la aqui, Nicole ! ‘’. Mas... antes mesmo que ela questionasse os acontecimentos, o guarda afasta uma das cercas móveis. Logo depois, faz um movimento, indicando que os dois entrem. Nicole hesita no começo... mas segue, logo atrás de Klaus, para o interior de uma das bases da torre. Eles não param... mesmo quando chegam próximos ao elevador, que costuma levar turistas para os dois andares disponíveis e acessíveis da torre. Apesar de Nicole já conhecer tudo aquilo... ainda fica fascinada com o interior do elevador, feito para levar pessoas, com conforto, para deslumbrar o ícone da cidade.

O elevador era dotado de um considerável espaço... para o qual Klaus empurra Nicole, delicadamente. Após entrarem, Nicole observa, curiosa, o guarda se dirigir aos controles do elevador. Ele dá uma piscadela para os dois, antes de apertar um dos botões... e sumir gradualmente da vista dela.

Após alguns metros subindo... Nicole resolve matar suas dúvidas.

–O que acabou de...

–Digamos que ele é um amigo meu... – interrompe Klaus, sem encarar Nicole – ele é da Irmandade... e está infiltrado aqui.

–E porque ele nos deixou...

–Shiu! – diz ele, colocando a ponta de seu dedo indicador nos lábios de Nicole – vai estragar a surpresa.

Surpresa e curiosidade tomaram conta do interior de Nicole. Mas o exterior permanecia uma estátua, bela e séria, que voltara a encarar um ponto qualquer daquele elevador. Klaus retribuiu o gesto com um sorriso pequeno, enquanto também dirigia seu olhar para um ponto qualquer no elevador.

Conforme ele subia pelas entranhas metálicas da torre... mais e mais perguntas tomavam conta de Nicole. Suas mãos apertavam umas às outras... e ela olhava discretamente para Klaus, desviando o olhar quase que imediatamente. Sabia que o que estava fazendo iria deixar sua Mestre de Disfarce furiosa... mas não havia como não ficar. Estava sentindo mais dúvida e tensão agora do que nas missões mais perigosas que já fez. Eram tantas que nem notou o tempo passar... e só foi despertada quando as portas do elevador se abriram.

Nicole se vê a olhar para um lugar escuro. As paredes pareciam ser de ferro... ou algo do tipo, assim como o chão. Parecia um espaço para trabalhadores... ou para a manutenção da torre. Nicole já havia visitado todos os níveis disponíveis para tal na torre... mas não se lembrava daquela parte.

Antes de questionar... ou poder pensar mais a respeito, Klaus se adentra no aposento pouco iluminado. Antes de sumir pelos vãos, vira-se para trás, encarando Nicole com um sorriso encorajador.

–Venha!

Nicole, ainda séria e cheia de dúvidas, segue Klaus pelo aposento. Eles logo sobem um lance de escadas metálicas, com Nicole indo lentamente, por causa do salto alto. Subiram o equivalente a um andar... até que param em uma porta de metal, no topo da escadaria. Uma lâmpada fraca pendia sobre a porta... e iluminava o necessário, para que ambos não tropeçassem. Klaus se posiciona na porta, as mãos na maçaneta metálica, encarando Nicole, ainda com aquele sorrisinho.

–Pronta?

–A-Acho que sim...

E ele abre.

Nicole perde o ar com o que vê. A porta tava para uma vista incrivelmente deslumbrante... de toda a cidade de Paris, vista do mais alto ponto desta. Uma alta grade, cor de marrom, impedia que pudesse ver mais abaixo. Lentamente... Nicole caminhou para fora da pequena edificação lentamente... seus saltos ressoavam no metal, abaixo de seus pés. Nunca havia visitado o topo da Torre Eiffel... mesmo vivendo em Paris desde que se conhecera por gente. As luzes da cidade se misturavam com as luzes da própria torre... lançando ao céu estrelado um tom alaranjado incrível.

Mesmo com toda essa beleza... não foi com isso que Nicole mais se impressionou.

No curto espaço, que havia entre a porta e a grade de proteção, estava algo impressionante para Nicole. Uma mesa redonda, de dimensões médias, estava no pequeno espaço, cercada por duas luxuosas cadeiras de madeira clara, detalhadas e completadas com acolchoamento de um couro vermelho. Sob a mesa, repousava uma toalha, de um branco puro e límpido. Pratos de um tom de prata incrivelmente brilhantes eram cobertos por tampas arredondadas, lembrando Nicole as catedrais da Itália. Talheres do mesmo material pendiam ao lado do prato. No centro, haviam duas taças vazias, que faziam companhia a uma garrafa de vinho tinto. No centro, havia um pedestal, que apoiava duas velas brancas e límpidas. Apesar do vento, que fazia a toalha de mesa tremular um pouco, tudo estava muito bem montado e feito.

Estupefada, Nicole se vira para Klaus, que a olhava, sorrindo.

–O que você...

–Digamos que não são todas as vezes que eu tenho a oportunidade de jantar com alguém... então, quando acontece, eu costumo dar uma certa... “caprichada”.

–Mas... Klaus... isso é... – Nicole logo fica sem palavras. Sua face estava levemente corada.

–Não diga nada – disse ele, com aquele permanente sorriso, com uma leveza adicionada em sua voz.

Ele faz um leve movimento com o braço, apontando para a mesa.

–Me daria a honra de um jantar com a senhorita?

Nicole cora ainda mais, enquanto Klaus oferecia sua mão para ela. Ela pousa lenta e delicadamente suas mãos sobre as de Klaus. Com um sorriso, Klaus a conduz para a cadeira dela. Apesar de ser obviamente perto... Klaus parecia fazer questão de tal mordomia. Ela senta delicadamente na cadeira, enquanto Klaus se posicionava na sua. Nicole mal conseguia olhar para ele... de tão corada que estava ficando.

–Abra – diz ele, sorridente – eu mesmo que fiz.

A surpresa ,logo voltou a tomar conta da face de Nicole, ao remover a tampa do prato. Um pedaço de carne repousava sob a porcelana branca, no formato de um pequeno bife, mergulhado em um molho avermelhado. Ao lado, havia uma pequena coxa amarelada, decorada com uma folha pequena no seu topo, de alecrim. Fazendo companhia aos dois estavam três pedaços de batata assada, cobertos por um molho esbranquiçado, com pontos verdes... parecendo molho de salsa.

Ela olha estupefada para Klaus, que já se preparava para degustar seu prato, idêntico ao dela.

–Mas... Klaus! Você que fez isso?

–Digamos que é uma das minhas virtudes.

–Mas é... incrível! Como Jacques nunca notou isso em você?

–É que eu não costumo fazer isso para qualquer pessoa... se é que me entende.

Ele sorri para ela, enquanto abria a garrafa de vinho, e derramava um pouco nas duas taças. Nicole cora, enquanto desvia o olhar.

–Vamos! Experimente!

Nicole leva uma garfada à sua boca com delicadeza, degustando cada partícula de matéria. Conhecia aquela coxa... eram as clássicas coxas de rã, típica comida francesa. Mas Nicole nunca havia provado daquele tipo... havia sido preparado de um modo que realçava tremendamente o sabor, fazendo até sua língua vibrar. Logo também provou a carne... descobrindo rapidamente um sabor incrível.

–Isso é carne de ganso – comenta Klaus, enquanto degustava as batatas – aprendi a fazer com minha tia, receita especial da família.

–E essas batatas? – perguntava Nicole. Não as havia provado, mas aparentavam ótimo sabor.

–Também veio da tia Giovanna. É um prato típico da Dinamarca.

–Sério? Qual é?

–Você não vai saber pronunciar...

–Tente.

–Você quem pediu... originalmente se chama Stegt flæsk, costumando vir com carne. Mas eu tirei, e coloque o ganso.

Klaus dá uma risada, depois de ver a cara de espanto de Nicole com a palavra. Logo, os dois estavam rindo.

–Sabe... – comenta Klaus, logo após as gargalhadas sumirem – você fica uma graça quando está rindo.

Nicole começa a ganhar uma tonalidade de vermelho no rosto, enquanto tentava responder. Abria a boca para falar... mas dela nada saia. No final, só conseguiu sorrir, enquanto voltava a comer, mal vendo a reação de Klaus depois disso.

Porém... logo após degustar as batatas e provar do vinho, Nicole resolve perguntar... apesar de muito corada.

–Klaus... isso é tudo muito lindo. A cidade brilhando lá embaixo, nós aqui encima... simplesmente maravilhoso. Mas... eu pergunto... porque?

Pela primeira vez, desde que conhecia o garoto... Klaus pareceu hesitar, engolir seco. Por fim, dá um suspiro.

–Nicole... é que eu...

Antes que ele pudesse terminar a frase, um som constante irrompe o local. Parecia... um toque... de celular? Nicole observava Klaus enfiando a mão no bolso do Smoking, retirando dele seu aparelho. Ele o analisava com um olhar indecifrável.

–Adivinha: Jacques.

Tanto Klaus quanto Nicole pareciam ficar deprimidos com essa última fala. O sorriso e a cor vermelha do rosto de Nicole rapidamente desapareceram, assim como as expressões felizes de Klaus.

–O que ele quer...?

Klaus dá uma risadinha... nada alegre.

–Que eu volte imediatamente para a base. Assunto sigiloso.

–Mas... agora?

Nicole logo se arrependeu por ter perguntado isso. Ela lentamente abaixa a cabeça, sua pele facial ia corando rapidamente. Sim... agora sua Mestra não só iria mata-la, como iria fazer isso da pior maneira: Lenta e dolorosamente. Não se ela fizesse isso consigo mesma antes... não poderia acreditar que disse aquilo, logo na frente dele.

Mas, novamente, a surpresa toma conta de sua face, ao a mão de Klaus no seu ombro. Ela se vira lentamente... para encarar Klaus às suas costas.

–Tudo bem – diz ele, sorrindo – sabia que o Destino ia interromper um momento tão bom quanto esse. Mas foi bom enquanto durou.

Nem se ela tivesse algo a dizer... não poderia. De um segundo ao outro, os lábios de Klaus tocam os de Nicole. O choque foi enorme... mas logo a surpresa no rosto de Nicole é tomada por outra sensação... uma sensação que ela estava começando a ter apenas à pouco tempo atrás. Seus olhos se fechavam... enquanto suas expressões se suavizavam. A sensação a dominava... consumia toda sua sabedoria, todo o seu ser. Não queria que aquele momento acabasse... nunca. Era mágico... simplesmente isso. Não havia mais palavras que pudessem descrever...

Até que acabou.

Os lábios dos dois se desencostaram lentamente. Os olhos de Nicole foram se abrindo lentamente, apenas para encontrar Klaus, sorrindo para ela. Seu olhar estava alegre... energético.

–Conhece a saída. Eu iria leva-la pessoalmente para lá... mas sabe que Jacques não gosta de esperar.

Ele dá um sorriso maior, piscando os olhos alegremente no processo. Nicole o observava, enquanto andava até uma das grades, e escalava elas sem dificuldade alguma, apesar do smoking. Ela levantava seus dedos à boca, como se nem acreditasse no que acabara de acontecer.

Pouco antes de Klaus saltar para as luzes parisienses, ele dá uma última olhada para Nicole, acompanhado por um sorriso feliz. Enquanto ela só podia olhar para ele... sem conseguir pronunciar quase nada.

–...Klaus...

Tarde demais. Ao dizer, o ruivo já havia despencado. Mas era em direção à cidade-luz... ao concreto... ou ao que o Destino tinha lhe reservado?

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Notas finais
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