A Lágrima que Ninguém Pode Ver - Os restos mortais
1 Sobreviver
Notas iniciais
Capitulo 1
Mais um dia de escola estava começando. Primeiro dia de aula. Eu acordei com o despertador tocando. Acabei derrubando o aparelho irritante com a mão em uma tentativa falha de dormir mais um pouco. Me levantei em um pé só, recolhendo os meus materiais novos e a mochila. Deixei a mochila na cadeira e me caminhei para o banheiro. Encarei o espelho e só consegui enxergar uma garota de 17 anos com os cabelos castanhos despenteados e os olhos cansados e cheios de sono. Tirei a minha roupa e entrei no chuveiro.
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Assim que desci a escada minha mãe estava preparando o café da manhã. Ela me olhou por uns dois segundos e virou para o meu irmão que analisava a sua vitamina de frutas como se fosse algo mortalmente venenoso.
–Torta salgada? A sua preferida-ofereceu minha mãe.
–Eu estou atrasada e eu realmente não consigo comer nada de manhã.
–Bons estudos então-disse enquanto obrigava com um olhar severo o meu irmão à tomar a vitamina.
–Tchau chata-Pietro fez a cara de manhoso como sempre.
– Tchau tampinha-acabei rindo dele.
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Cheguei em uma hora respeitável. Os alunos se espalhavam no estacionamento com uma aura de energia eletrizante. Deixei o meu carro na última vaga como sempre. Puxei a minha mochilha de tachas metalizadas e joguei nas costas, abraçando o meu exemplar de O Morro dos Ventos Uivantes. Puxei a manga do meu moleton por causa do frio e fiz uma revisão do local.
–Holly! -alguém gritou atrás de mim, em um tom muito alto para que qualquer um pudesse ouvir.E eu sabia exatamente de quem era. Tessy, a minha colega de classe.
–Quais são as "boas novas",gótica?
–Eu não sou gótica- corrigi Tessy com um olhar ameaçador.
–O.k. Mas você usa preto, curte essas bandas de heavy metal, punk e...Espera...esse não é o Otávio e a Vick?
–Vick?-perguntei sem ao menos algum interesse.
–Meus novos amigos. Eles não são legais? Conheci no dia de pegar os horários de aula. Vou ir até eles e não me esqueça de contar as novidades mais tarde.
–Vai lá.
Puxei os meus da mochila e coloquei os fones de ouvido, rolando a playlist do Iphone até achar o que eu estava procurando. Animal Instinct do The Cranberries se tornou um paraiso aos meus ouvidos. Mais um típico dia de escola. Eu iria sobreviver. Como sempre.
Caminhei para dentro do colégio, tentando não fazer contato visualmente com ninguém e ao mesmo tempo observando em terceira pessoa a vida de cada um. Alguns beijavam os seus namorados, outros pulavam e contavam como foi as férias e alguns caras se exibiam ao contar com quantas garotas tinham ficado (algumas garotas não escapavam dessa também). Olhei o papel com o registro das aulas . História. Que surpresa espetacular.
O professor de história, o sr.Mittche, estava de costas para a lousa, enquanto os alunos conversavam animados. Procurei o local da frente, porém, Ashley e o seu clube de seguidores já haviam ocupado o local. Passei para o fundo, onde me ignoraram plenamente enquanto eu passava. Joguei a minha mochila no chão, puxando de dentro o livro didático. O professor se virou para frente e declarou, quando todos se calaram e olharam fixamente para ele:
– Bem, turma, vocês já me conhecem e por esse fato, nada de cerimônia. E para exercitar esses cerebros fora de usos, vou entregar uma folha em branco para que todos façam um relatório do conteúdo inteiro do ano passado — ele bateu a caneta com força na mesa acordando um garoto que estava dormindo.
Enquanto o sr.Mittche passava as folhas, uma garota de top rosa cutucou a garota da frente passando um papel para ela. Ela abriu o papel e dando risada olhou para mim. Me analisei e puxei as pontas do meu cabelo castanho com a ponta das minhas unhas pintadas de roxo escuro. Tudo normal, fique calma. 1...2...3...2...1...0. Contar me ajudava, as vezes. Era um sistema estranho que eu criei aos dez anos de idade. Basicamente consistia em contar até um certo ponto e depois contar de trás para frente a partir do número que parou.
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