Notas iniciais
Espero que gostem! No último capítulo: “Não penso, só deito. Posso ter tido uma alucinação por causa do choque sobre minha avó. Afundo meu rosto no meu travesseiro e logo durmo."

Acordei no dia seguinte com a minha cabeça latejando, enviando pequenos choques para minha nuca. Meu corpo tremia e eu estava mais pálida do que um boneco de neve. Percebi que havia dormido com a mesma roupa de antes. Jeans, uma camiseta velha rasgada do Bob Esponja e meias.

Levantei e fui até o banheiro. Liguei a torneira e senti a água jorrando em minhas mãos. Levei-os ao rosto. Fiquei um bom tempo desse jeito, até a dor de cabeça amenizar. Assim que eu as baixei, percebi um brilho estranho em meu pulso. De primeira, achei que fosse o sol que entrava pela janela, refletindo em minha pele molhada. Minha visão estava meio turva por conta da água em meu rosto. Esfreguei meus olhos com a ponta dos meus dedos, fazendo minha visão clarear. Olhei de volta para meu pulso. Nele havia um símbolo. Fiquei observando esse símbolo por uns 15 minutos. Parecia uma tatuagem, a unica diferença é que este brilhava. Toquei com a ponta de meu dedo o símbolo, mas nada de incomodo acontecia, nem mesmo uma pequena dor. A pele estava normal, tirando pelo fato de um símbolo esquisito brilhando bem ali. Parecia um olho. Era um círculo com um cone dentro, dois círculos pequenos em sua direita e três em sua esquerda. Me despi e segui para a banheira ao lado da pia. Esfreguei aquele símbolo tão forte que minha pele ficou vermelha e sensível, mas o símbolo permanecia lá. Apenas desisti de tentar removê-lo quando ouço batidas na porta.

— Quem é? — Pergunto.

— Sua mãe. Posso entrar?

— Não, estou no banho! — Respondo batendo na água.

— Ah, deixa disso! Sou sua mãe já a vi nua tantas vezes. Lembre-se, fui eu quem limpou seu bumbum! — Debochou ela rindo agora.

— Pode entrar então. A porta está aberta, mas fique sabendo que essa pequena lembrança vai ter volta! — Digo com um sorriso no rosto.

Ouço um clique, a porta se abre e ela entra.

— Pois não? — Digo olhando para ela.

— Vim te chamar para almoçar, você dormiu a manhã inteira. Fiquei preocupada!

— Não fique. Estou bem, não vê? — Disse para ela com um sorriso torto acenando para mim mesma. — Aliás, está vendo isso no meu pulso? — Pergunto para ela com receio. Assim que ela visse o simbolo, iria explodir. Gritar tão alto que todos no bairro a ouviria, mas ela só me olhou sem entender.

— Exatamente o que tem no seu pulso? — Perguntou ela com um tom de deboche.

— Esse símbolo brilhando bem aqui, mãe! — Digo apontando para o símbolo.

— Não tem nada aí, Annie! Tem certeza de que você está bem? — Perguntou ela agora preocupada. Por que ela não podia ver o símbolo? Estava praticamente piscando agora e ela não via. Por quê?

— Sim, estou bem mãe, é sério! — Digo com o sorriso já de volta em meu rosto.

— Sou sua mãe e me preocupo com você! Só me prometa que vai descer e comer um pouco. Não quero mais uma pessoa doente.

Aceno com a cabeça concordando. — Eu prometo.

Com isso ela sai, me deixando só no banheiro. Fico pensando do porque ela não conseguir ver o que eu vejo, sentir o que sinto, ouvir o que ouço. Primeiro o mundo para, literalmente, para. Agora esse símbolo aparece em meu pulso. O que está acontecendo comigo? Por que só eu consigo ver essas coisas e eles não?

Afundo minha cabeça na água da banheira e fico desse jeito até não aguentar mais e quando saio meus dedos estão enrugados. Pego minha toalha e enrolo em meu corpo. Vou até a pia e me olho no espelho. Sou alta e com cabelos ruivos. Meus olhos são castanhos claros, tenho sardas no meu rosto e sou magra. Tenho um nariz mediano e meus lábios são pequenos. Meus cabelos estão desarrumados, pois não os penteio. Nunca.

Saio do banheiro e me visto. Coloco uma simples camisa laranja com escrita borrada na frente, um jeans preto surrado e tênis pretos. Meus cabelos vão até a altura do ombro, por isso não os prendo.

Atravesso o corredor que liga os quartos a cozinha. Todos estão lá, esperando-me para comer. Aqui em casa ninguém come até que todos se juntem para comermos à mesa e depois de uma oração. Não tenho religião, mas fui criada para tal. Apenas acredito.

— Está com fome? — Pegunta meu pai empurrando um prato com salada, frango e ervilhas para mim.

Minha mãe faz uma pequena oração agradecendo a comida que temos hoje e pedindo que me avó melhore. Assim que ela termina, pego o prato e o limpo em questão de segundos. Não havia percebido que estava faminta desse jeito. Lembrei-me do símbolo em meu pulsos e automaticamente o levanto para olhar. O símbolo havia parado de brilhar, agora no seu lugar havia uma mancha preta.

— Annie, você está bem? — Continuou meu pai.

— Sim, estou... Eu só preciso descansar um pouco mais, está bem? — Respondi para ele.

Todos fizeram que sim com a cabeça. Os deixo na cozinha e vou em direção ao meu quarto. Assim que eu entrei, havia um bilhete na cama. Vou em sua direção e o abro.

“ Cuidado! Eles procuram por você. Há milhares de coisas que você não sabe sobre si mesma. Se esconda até que eu possa achá-la. Fuja. Quanto mais longe de sua casa, melhor. Contarei o necessário quando eu encontrá-la. Não se assuste.

T. ”

Notas finais
Espero que gostem! Próximo capítulo em alguns dias