A Jornada pelo Apocalipse
2 Capítulo 2 - A casa Verde
Tomei rumo em direção a casa do apocalipse, que por sorte se localizava apenas a duas quadras do shopping.
A rua estava um caos. Havia gente correndo, pessoas sem entender e zumbis pegando os desinformados pelas costas. Corpos no chão, carros arrombados, batidos, quebrados, mais corpos, mais caos.
–Tape os olhos do seu irmão. -Falei — e feche os seus também. -Olhei pelo retrovisor, ela colocou a mão esquerda na frente dos olhos de Zack e olhou pela janela.
–O que é que ta acontecendo aqui?! -Perguntou, assustada. -Parece um tipo de filme de terror... -Estremeceu.
O portão da casa estava aberto. Entrei com o carro.
–Vocês vão ficar aqui no carro até segundas ordens. Vou ver o que consigo por aqui... Ligue para seu pai. -Desci do carro.
Peguei uma vassoura na frente da casa, onde parecia ser a área de serviço. Tirei a parte de cima e fiquei apenas com o cabo, bati com ele na quina da parede, o que o fez quebrar e formar uma ponta. Segurei firme.
Olhei para o carro e consegui ver Caitlyn falando ao telefone. Fui até o portão, abri o motor e desconectei o fio da bateria. O fechei à mão e travei a bateria novamente. Apertei o cabo da vassoura com as duas mãos e me dirigi à porta da casinha mais próxima no andar de baixo.
A maçaneta estava manchada de sangue, a porta estava entre-aberta. Me encostei na parede e empurrei a porta com o cabo, esperei. Nada. Espiei pela porta. Só uma cozinha vazia, algumas marcas de luta, mas tudo no lugar. Entrei. Fui andando pé-ante-pé pelo interior. Era pequena. Cozinha, quarto e banheiro, apenas. Completamente vazio. Deixei a casa, encostei a porta. Olhei em volta, tudo quieto, nem sinal de ninguém. Apenas as crianças no carro. Fui até a outra porta na casinha ao lado. Trancada. Subi as escadas, segurando o corrimão com a mão esquerda e o cabo na direita. Minhas mãos tremiam. Um rastro de sangue e cabelo pelo chão, tentei não pisar, continuei. A porta estava esgaçada, o rastro vermelho seguia em frente, hesitei. Respirei fundo e me encostei na parede ao lado da entrada, tentei escutar algum barulho que pudesse ser considerado suspeito, só ouvia a rua, os carros acelerando e os gritos. Soltei o ar, apertei o cabo com toda a força, entrei.
O rastro seguia pelo interior da casa, em direção ao banheiro. Segui. Senti um arrepio na espinha e rapidamente olhei para traz, nada. Parei ao lado da porta do banheiro, escutei algo que parecia plastico se mexendo, espiei o interior, tudo cheio de sangue, porém nenhum sinal de vida (ou morte). A cortina que separava o chuveiro estava fechada. Era esse o barulho. Apontei o cabo para a cortininha e o abri com a ponta lentamente. A parede estava repleta de sangue até o teto. O líquido escarlate escorria ralo a dentro. Empurrei o que sobrava da cortina, me aproximei. Nada. Quem quer que seja que por um acaso esteve sendo atacado ali, já deveria estar em outro lugar atras de alguém para comer.
Novamente senti um arrepio nas costas. Meu coração acelerou, minhas mãos tremeram. Apertei o cabo com força e as duas mãos, virando o rosto devagar enquanto o levantava. Prendi a respiração.
–Calma. -Disse uma voz familiar -Uma paulada desse negócio aí deve machucar... -Virei o rosto completamente e abaixei o cabo, olhei em seus olhos. Ele sorriu.
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