Notas iniciais
Finalmente saiu! Desculpem pela demora... Estava ocupado com as festas, brigas, revelações e muito mais coisas que as pessoas passam em suas vidas. Juro não demorar tanto assim nunca mais!

Haviam se passado três dias desde a luta contra o Rei Snow. Durante esse tempo, o portão havia sido aberto, os danos que o Salão Real sofreu por causa da luta foram reparados e todos os presentes que os cidadãos tinham dado ao rei foram devolvidos. O reino se encheu de felicidade e festança. Snow organizou alguns banquetes em homenagem à abertura do portão e ao seu novo amigo, Khal Lockrage. Deu-lhe um quarto em uma torre do castelo para o homem guardar suas coisas, descansar e meditar. Porém, já estava na hora dele ir embora de White Kingdom.

– Tem certeza que não quer ficar mais um pouco? Vou mandar prepararem mais um banquete em sua homenagem! — o rei urso insistia, mas o homem estava decidido.

– Tenho que continuar minha busca. Vou encontrar a Pedra Filosofal nem que tenha que vasculhar o mundo inteiro.

– Então é isso o que você quer, hein? Veio aqui porque pensou que eu estava com ela? — Khal assentiu — Muitos foram atrás dela e nenhum deles voltou! Afinal, por que a procura? E se for apenas uma lenda? — a fera esperava boas respostas, mas não teve nenhuma. Khal com a cabeça abaixada, absorto em pensamentos que ninguém além dele saberia. A Pedra tinha que existir. Era a única esperança de...

– Aí está você, forasteiro! — era Cuddly, o general urso, que havia chegado de repente, interrompendo os pensamentos do homem. Usava uma bengala, uma das consequências de sua luta contra o Punhos de Ferro– Soube que deu uma lição nesse velho ranzinza aí do seu lado!

– Cale-se, irmão! Eu tirei tanto sangue dele quanto ele tirou de mim.

– Mas é claro que tirou, eu deixei! — Khal brincou, e os três começaram a rir, porém o rei pareceu um pouco ofendido. Por isso, resolveu mudar de assunto -Vocês são irmãos? Não são nada parecidos!

– Bem, nós somos sim. E parece que agora ganhamos um novo irmãozinho! — Snow deu uma risada e um "pequeno" tapa nas costas de Khal que faria qualquer humano comum cair no chão e não conseguir mais levantar.

– Acho que já chega de conversa. Preciso continuar minha busca. Tenho que ir arrumar minhas coisas agora, para depois partir, senão não vai adiantar nada eu ter saído de minha cidade natal.

– Pelo menos deixe que alguns dos meus homens acompanhem-no. Vai precisar de alguns guardas-costas para não ganhar mais cicatrizes — mais risadas. Khal também havia rido, mas apenas para manter as aparências. Aquelas cicatrizes haviam lhe custado muita dor e sofrimento, e não estavam ali apenas de enfeite. Eram o que representava o passado sofrido do homem.

– Não há como eu negar. Agora, com licença — e subiu para o seu aposento, silenciosamente.

Depois de meia hora, de muitas despedidas e de vários pedidos para algum dia ele voltar para um banquete, Khal estava em frente ao portão, usando uma armadura nova e brilhante que lhe protegia o tronco e carregando uma bolsa com água e comida, além de um pouco de ouro.

No portão, dois ursos o esperavam. Um deles era Scone, o guarda que ajudou Khal a entrar no castelo, que revelou ser filho de Cuddly.

– Meu pai disse para eu e o Berry te acompanharmos — falou o urso, apontando para o outro, que tinha uma pelugem de cor bege — Na verdade, eu implorei para ele me deixar vir junto.

– Sim ele me disse. Então, vamos? — e os três saíram da cidade. A ponte que dava para fora de White Kingdom, já que era imensa, demorou uma hora e meia para ser atravessada. Quando chegaram no continente, continuaram a caminhada por uma estrada coberta de neve, que era "observada" de perto por uma imensa floresta de pinheiros, que assim como a estrada, eram cobertos de neve.

Depois de muita estrada, neve, árvores e falatório por parte de Scone(que não parava de contar histórias sobre White Kingdom e as seus grandes acontecimentos históricos, além das aventuras que seu pai já teve como guarda da cidade), avistaram uma diferença: mais à frente, a estrada se dividia em duas. Khal decidiu ir pela direita, e Scone o contou que dava direto no litoral, parecendo um pouco temeroso.

– Cara, tem certeza de que quer ir por esse lado? Lá na cidade, dizem que...

– Me desculpe, Scone, mas eu acho que você já contou coisas demais sobre a sua cidade, então pode fechar o bico? — falou Khal, tentando não parecer muito bravo. Estavam perdendo tempo ali parados.

– Mas cara... — Scone tentou continuar, mas o homem o impediu. Khal foi por aquele caminho sem esperar os dois ursos, que ficaram parados o observando. Se entreolharam com medo no olhar.

– Não se preocupe, se o forasteiro conseguiu derrotar meu tio, ele consegue passar pelo que tem nesse caminho. Se ele realmente existir, é claro... — murmurou Scone para Berry, que assentiu balançando a cabeça. E saíram correndo atrás do forasteiro.

Naquele caminho, não haviam mais pinheiros, apenas alguma mudas espalhadas para lá e para cá. O terreno era montanhoso, mas dava para ver o mar ao longe, as ondas azuis vindo e se quebrando. Naquela região havia pouca neve, mas ainda assim era frio, principalmente por causa da brisa do mar.

Estava estranhamente silencioso, sendo que apenas se escutava o uivo do vento, a respiração farfalhante dos dois ursos e o barulho das ondas se quebrando ao longe. Nenhum animal rastejava, nenhum pingo de água caia. Apenas o misterioso silêncio.

A praia era linda, porém gélida. O mar dali só não congelava porque aquele local pegava um pouco de sol. No lado direito, um pequeno monte tampava a visão de quem estivesse ali, já no esquerdo não havia monte algum. O mar era de uma cor azul celeste e estava agitado. O céu ao horizonte estava ficando escuro, o que revelava que em breve haveria uma tempestade.

Mas por mais linda que a praia fosse, e mesmo que Khal estivesse com vontade de ficar ali deitado observando aquela paisagem, um cheiro horrível de carne podre impregnava o ar, que expulsaria qualquer um que estivesse no local. E tinha mais um cheiro que um humano não sentiria, mas que um animal com olfato apurado sim. Um cheiro que ficava escondido "atrás" do cheiro ruim.

Cheiro de sangue.

– Khal, vamos embora daqui. Além desse fedor terrível, eu sinto cheiro de sangue! Tem algo morto aqui! — Scone tapava a narina com sua manzorra, e Berry fazia a mesma coisa. Foi a primeira vez que a fera tinha chamava o humano pelo nome, em vez de chamar de forasteiro.

Khal olhou para o pequeno monte da esquerda e percebeu algo que não havia visto antes: um rastro de sangue que vinha de trás do monte e se estendia até as águas. De repente, escutou um tilintar de correntes que saiu dali.

– Esperem... — murmurou, e levantou uma das mãos em sinal de silêncio. Caminhou em direção ao monte, e viu no canto do seu olho os dois ursos atrás de si tremendo. No meio do caminho, um barulho na água. "Splash". Algo ou alguém havia pulado na água, que agora chegava nos joelhos dos ursos. A maré estava subindo rapidamente...

– Estou com um mal pressentimento... — foi a primeira coisa que Berry havia falado desde que tinham saído do reino.

Foi então que Khal percebeu. Cheiro de carne podre, rastro de sangue, barulhos estranhos, movimentos na água e um silêncio mortal. Havia algo muito errado ali.

Mas já era tarde demais. Outro barulho na água, e Berry urrou.

– SCONE! ELE PEGOU SCONE! ELE EXISTE DE VERDADE! — estava com as garras e os dentes à mostra, e uma expressão de horror quase imperceptível em seu rosto animalesco. No lugar onde antes estava Scone, agora tinha uma mancha de sangue que desaparecia nas águas.

Com um impulso suicida, Khal pulou nas águas, procurando o corpo, que poderia estar sem vida, de seu amigo. Então percebeu que uma grande mão humanoide com garras afiadas e sujas de sangue vinha na direção de seu rosto, pronta para lhe partir em dois.

Notas finais
Agradeço por terem lido esse capítulo. Não esqueçam de comentem e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.