A Jornada de Aeglo.
1 Capítulo 1 - Começa a Jornada.
O Bosque Vivo em geral não era um lugar indicado para humanos, você precisa ter a alma em sintonia com o Bosque para permanecer nele sem consequências e cada parte do Bosque é especial.
Aeglo era filho de um imigrante, seu pai tinha sido de um planeta muito comum, assim como sua mãe, e tinham sido enviados por uma turbulência multidimensional, assim como muitos de lá. Eles se conheceram quando ambos já estavam devidamente instalados em Vêda, Aeglo nasceu em um ambiente estruturado, apesar de tudo.
Seus pais tinham sido devidamente tratados pelos guias da região, não tinham dúvidas ou dor intensa em seus corações, fizeram uma nova vida em Vêda sem arrependimentos.
Quando tiveram Aeglo, tiveram uma leve surpresa, seu filho se mostrava cada dia mais interessado pelo Bosque, ele aprendeu sobre ele na rede, e se encantou com toda a fauna e flora do lugar, queria conhecer as várias sub-raças de ninfas, sereias, fadas e o que quer que o Bosque tivesse a mais para oferecer, seu coração o empurrava violentamente para o lugar.
O Bosque Vivo era um dos continentes daquele mundo, ele era muito difícil de mapear, e não era tão comum seres de Vêda e Partizan se relacionarem com seres do Bosque Vivo e Tenebrarum. Aeglo começou a se vestir como um nativo do Bosque, seus olhos já eram tão selvagens quanto os de um tritão, e ele se movia como um ninfo, tudo isso fruto de sua insistência emocional, que puxava sua alma cada dia mais para o seu lugar tão desejado.
Se o destino o puxou para lá, ou ele puxou o seu destino para o lugar, nunca saberemos.
Quando atingiu uma idade aproximada da que a raça de sua mãe adquiria a total liberdade, ele foi para Partizan, lá ele se alistou no exército, ele queria fazer algo por aquele planeta que acolheu tão bem sua família, como não tinha nenhuma habilidade essencialmente especial, além é claro de sua graça, que era algo amplamente reconhecido em Partizan, ele se armava muito bem, dês do uniforme até as armas, ele gostava de facões, mas sempre guardava uma pistola de dor para emergências, afinal apenas armas brancas eram bem vistas no lugar.
Aeglo estava no planador, esperando as ordens para pular, usava um macacão cinza que fazia seus olhos verdes ficarem ainda mais verdes, e seu cabelo rebelde recocheteava contra o vento. Ele pulou.
Os monstros pareciam mais terríveis a cada semana, parecia que quanto mais matavam, mais criaturas horrendas apareciam, mas era necessário, se deixassem, as criaturas procriariam a nível de sair de Redeme e invadir os outros continentes, coisa que ninguém queria, porque mesmo que apenas Partizan organizasse a guerra, todos os continentes se envolviam de alguma forma, seja mandando soldados, generais, armamento ou suprimentos.
Ele não deveria ter saído do campo aberto, agora que estava encurralado, várias criaturas indescritivelmente monstruosas o cercavam, ele queria vomitar, mesmo depois de meses lutando contra eles, nunca se acostumaria, afinal, eram seres do profundo submundo.
Ele tinha perdido suas facas a alguns minutos, e sua arma tinha estranhamente desaparecido, ele não tinha adfectus, ou coisa parecida, e só com sua força não venceria eles.
Ele se preparou para a morte e fechou seus olhos.
Silencio.
Então um som foi ouvido, o de uma espada cortando o ar, e ele sentiu, fluídos espirrando em seu rosto.
Estavam todos mortos, e em cima dele, um menino, ou homem, quem saberia? Ele tinha cabelos rebeldes cor canela, seus olhos ele nunca saberia se eram verdes ou azuis, e ele não vestia uniforme, mas sim um macacão verde-água com bordados extremamente bem trabalhados em vinho e prata e um quimono de seda do Bosque, com padrões de dragões, não usava sapatos e tinha um olhar tão intenso que ele temeu olhar diretamente em seus olhos.
Ele era um nativo.
Estes monstros eram os últimos, a guerra do dia terminou quando aquele nativo o salvou, e sem ele, Aeglo provavelmente morreria, como pagar uma dívida dessas?
Com toda a graça e calma do mundo, o nativo pulou para o solo, limpando sua espada em seu quimono e a guardando na bainha trabalhada que tinha na cintura, ele esboçou um sorriso calmo.
- Deveria tomar mais cuidado, eles sempre se juntam contra grupos pequenos no final, se não podem vencer, querem levar o máximo consigo. Qual o seu nome, soldado? — Disse o nativo.
- Aeglo, senhor. Digo, soldado, bem, eu... não sei como agradecer, posso saber o nome de meu salvador? — Aeglo disse desajeitadamente, ainda fascinado com o menino de roupas estranhas.
- Asariel, me diga, porque veio para este lugar?
Aeglo estava fascinado, era realmente um nativo do Bosque Vivo, ele tinha certeza.
...
As semanas se passaram, e entre uma missão e outra, ficou muito amigo de Asariel.
Aeglo contou sobre sua vida e ambição e conseguiu tirar várias coisas de Asariel, como que ele foi criado a infância e juventude inteiras em Partizan, ele não sabe quem são seus pais verdadeiros, mas foi criado por um alfaiate militar, que morreu a muitos anos, quando Aeglo descobriu que Asariel estava indo na próxima semana para o Bosque, viu sua chance.
- Deixe-me ir com você. — Disse Aeglo, suplicante, seguindo Asariel pelo corredor do segundo quartel.
Asariel parou e suspirou, virando-se, disse calmamente antes de partir:
- Esteja pronto quando eu partir.
....
Aeglo levou apenas o necessário, carregando sua pequena sacola de pano vêdano amarrada as costas, quando encontrou Asariel vestido de um uniforme verde-água sem mangas simples e de tecido confortável, estranhou ligeiramente, ele parecia tão em paz que se sentiu culpado por atrapalhar seu momento, mas antes que pudesse dizer algo, Asariel disse:
- Quando eu me transformar em dragão, não toque nos chifres nem na crina, mas segure bem nas escamas, não quero ter que te salvar de um afogamento, digo isto agora pois detesto falar com aquela boca enorme, os dentes atrapalham muito e estarei muito ocupado me concentrando em voar para te mandar uma mensagem mental.
Aeglo tinha quase se esquecido do poder dos nativos, de repente se sentiu pequeno, mas apenas acenou, em concordância. Minutos depois Asariel estava em chamas brancas, ele leu sobre isso, a cor de sua aura determinava o estado de espírito, ele estava em uma paz centrada incrível para sua aura ter essa tonalidade. Logo as chamas de sua aura consumiram ele e um grande dragão em formato de cobra com quatro garras tomou o lugar dele, não tinha asas, mas quando viu o olhar do dragão, decidiu apenas obedece-lo.
A viagem durou algumas horas, o dragão serpenteava levemente no céu, e ele se sentia levemente enjoado. Quando pensou que não aguentaria mais, viu terra, uma linda praia com areia brilhante e águas cristalinas, onde ele poderia ver o fundo, cheio de criaturas maravilhosas, incluindo sereias e tritões, essa era a parte conhecida como a mais suave do Bosque, ele estava maravilhado. Quando chegou em terra firme, Asariel voltou a sua forma humanoide novamente, apenas suas unhas mudaram levemente, agora parecendo mais garras de dragão que unhas normais, ele também ouviu sobre isso, nativos tem uma forma natural, mas ela não é tão imutável assim, e por vezes sofre pequenas mudanças intencionais ou não intencionais, ele não saberia dizer.
- Aqui nos separamos, tente não se perder. — Aeglo pensou ter visto Asariel esboçar um pequeno sorriso antes de adentrar na floresta espeça, mas talvez fosse apenas imaginação, ele ainda se perguntava o que ele fazia no Bosque, o que poderia deixar alguém como ele tão suave?
... continua...
Notas finais
Um dos personagens da original apareceu neste capítulo.
Se quiserem ver desenhos dos personagens, aqui o link: www.facebook.com/thearyeh.
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