A Jornada de Abraham
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Notas iniciais
Abraham havia respondido uma de muitas perguntas. Mas só aquilo não era o suficiente, ele queria mais, ele queria alcançar a sanidade suprema e de alguma forma levar isso para a mente das pessoas.
Abraham logo sai da cidadezinha, descobriu o que tinha que descobrir. Decidiu voltar para o templo budista que o resgatou, apenas para fazer uma breve visita. Logo ao chegar ele vai direto para uma sala de meditação e começa a meditar...
Um anfitrião do templo começa a se aproximar da sala onde Abraham se encontra e logo chega.
— Quem bom te ver. — Diz um anfitrião do templo para Abraham
— Também é bom te ver Sr. Meehiel — Diz Abraham continuando a meditar.
— Porque não fica aqui por mais tempo? Seria ótimo ter você como um budista. — Pergunta Meehiel.
— Você sabe que minhas perguntas não serão respondidas apenas nesse templo. — Diz Abraham parando sua meditação e se levantando.
— Você ainda continua buscando por isso meu caro. — Diz Meehiel dando uma leve risada roca.
— Já falei mestre, busco a verdadeira paz, busco um sentido para a vida e se eu ficar apenas aqui não descobrir nada disso. — Afirma Abraham quase saindo da sala quando seu mestre o diz:
— O que você quer Abraham é a habilidade de questionar a tudo e todos, quer que os humanos alcancem a consciência suprema. Você ainda se sente indignado pelo que aconteceu com seus pais, eu entendo, mas questionar os Deuses é algo que pode te levar para um caminho bem tosco. Acha que eles deixarão um humano questioná-los assim? Sem dúvidas eles tomariam alguma providência. — Diz Meehiel com um olhar instigador. — Você alcançou o Nirvana, o estado mais elevado da consciência, a paz suprema. Mas mesmo assim você continua com esse seu apego à suas ideias. Se você quer alcançar a consciência suprema se desapegue disso tudo. Viva no mundo e não deixe o mundo viver em você.
Pensa Abraham: — O Sr. Meehiel pode ter razão, mas como vou achar as resposta de algo sem me apegar à elas? Será essa mas uma pergunta à ser respondida?
— Eu te entendo mestre. Mas de alguma foma eu tenho que achar essas respostas. Afinal, esse é o propósito da minha vida.
— É incrível que mesmo com o Nirvana transbordando em você, você ainda insista nesses ideais. Mas não vejo isso em você como um apego, mas sim como um propósito a ser resolvido. — Completa Meehiel se retirando do local.
Abraham como sempre fica pensativo e migra até um dos quartos do templo e se deita pensando muito em tudo que ouviu. Aos poucos ele cai no sono e acaba dormindo. Abraham acaba sonhando e se lembrando de tudo o que aconteceu na "Grande Maré", tragédia causada por Poseidon em um dos mares da Grécia, no qual várias pessoas que estavam em um pequeno navio morreram, inclusive seus pais. Poucas pessoas sobreviveram ao incidente. Logo após esse sonho torturoso ele acorda com um leve delírio e alimentando mais ainda sua vontade de encontrar suas respostas.
De repente o ar começa a ficar meio tenso, é como se tudo tivesse calmo demais. E do nada Abraham começa a ouvir uma voz um tanto que astuta. Quando percebe-se que tem um homem com uma aparência opaca e sem os pés no chão. Abraham acredita está sonhando e ainda se encontra em um leve delírio após seu sonho.
— Então você realmente vai insistir nisso não é?. — Diz o homem.
— Quem é você? — Diz Abraham ainda meio atordoado.
— Sou Agenor, filho de Poseidon!
No mesmo instante da resposta Abraham passa a ficar em alerta e com dúvidas sobre o que está acontecendo.
— O que você tá fazendo aqui? — Diz Abraham
— Estou cumprindo uma ordem. Ressalta Agenor.
— Que ordem? Vocês tão matando os sobreviventes da Grande Maré seus idiotas? É isso. — Diz Abraham com muito raiva mas com um tom de voz controlado.
— Não, você está entendo errado. Aliás todo o seu caminho de vida está errado. — Diz Agenor com bastante calma.
— O que você quer dizer com isso?. — Pergunta Abraham.
— Apenas tenho que lhe dizer que os Deuses não estão gostando da sua atitude. Sabe, uma coisa superior não gosta de ser questionada por uma coisa inferior. Mas você meu caro, você é um sobrevivente. É um homem tão sábio mas ao mesmo tempo com ideais tão tolas. Você é só um humano, porque não procura viver sua vida e espera feliz o momento de sua morte. — Ressalta Agenor.
— É só isso que vocês Deuses pensam de nós? Nós nascemos para morrer e pronto? Nós humanos somos mais que isso, podemos ser. Mas vocês Deuses nos impedem não é. Não veem porque acatar um humano fraco e sem poder. — Diz Abraham
— Sabe você é um cara esperto, mas é nesse ponto que quero chegar. O poder é tudo, e nós temos esse tudo. Diz Agenor
— Ás vezes o poder não é tudo! Se não é certo não fazemos, mas se não é certo e para vocês é certo fazemos. Me diga qual a lógica disso? Não busco vida eterna, não busco superar os Deuses, não, nada disso. Só busco a ética, a ética da vida. A superação da vida humano e a verdadeira paz que jamais foi sentida pelo homem.
— Você é um questionador tolo, apenas isso!
Com a profundidade da discussão Agenor sente uma energia vital muito forte vindo Abraham, algo que o fazia ficar mais intenso, ficar mais determinado. Ele sentia uma enorme vontade vindo de seus sentimentos e emoções, algo que era muito forte para apenas um simples humano.
Com isso o quarto entrou em um momento de silêncio e Agenor disse suas últimas palavras antes de retirar: — Não tenho que lhe dizer muita coisa, mas diante disso espero que saiba para onde esse caminho irá te levar.
Abraham apenas olha para o chão e fica mudo diante de tudo que disse para Agenor. Ao mesmo tempo ele pensa: O quê, é só isso? Ele não veio para me matar?... Não teve nenhum impulso para tentar pará-lo ou fazer mais perguntas, é como se o tempo estivesse em transe para ele. Tudo aquilo despertou mais ainda sua curiosidade, aliás, tudo vem despertando sua curiosidade. Abraham voltou ao seu leve delírio e acabou caindo no sono novamente.
No dia seguinte ele acordou, porém foi como se nada estivesse acontecido. O ar estava calmo diferente de quando Agenor apareceu. Diante disso ele ficou pensando se tudo aquilo foi uma ilusão da sua mente ou se foi uma marcante realidade.
— Droga o que aconteceu! — falou Abraham bastante confuso com o que tinha acontecido. — Não posso mas perder tempo, tenho que responder minhas perguntas logo.
Abraham se levantou bocejando e foi até a porta, abriu-lá e começou a observar a movimentação. Levou as mãos à cabeça e logo começou a se lembrar do que conversou com Agenor. — O que aquele cara tava tentando me dizer. O que será que acontecerá comigo se eu for longe demais?
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