A Jornada
9 Quem é Blake Foster?
Notas iniciais
Capítulo 9 – Quem é Blake Foster?
Kimberly abriu a porta da sorveteria e olhou para as pessoas sentadas nas mesas, procurando por madeixas negras e olhos dourados. Quando finalmente o avistou, Kim abriu um sorriso e caminhou lentamente até o rapaz. Ela vestia um vestido com estampa de gatinhos e uma botinha de cano baixo, seu cabelo caramelo estava solto e seus olhos brilhavam.
— Oi, Adam! Chegou faz muito tempo?
Adam levou um leve susto. Estava tão distraído com seus pensamentos que não viu a garota se aproximar. Ela estava tão linda que ele demorou alguns minutos para responder.
— Kim! – ele exclamou e, ao notar que havia dito muito alto, baixou a cabeça, envergonhado. Coçou a nuca e indicou para que ela se sentasse na cadeira a sua frente. – Cheguei faz uns cinco minutos. Ainda não pedi nada. O que você vai querer?
— Acho que vou querer um milk shake de morango. – ela respondeu e esperou que ele fizesse os pedidos. Kimberly se ajeitou na cadeira e o olhou, curiosa. – Certo. O que aconteceu?
Ele soltou um suspiro alto e torceu o nariz.
— Minha mãe surtou. Eu sabia que ela era preconceituosa, mas não ao ponto de expulsar a Wendy de casa. Ela simplesmente disse que ela devia ir embora e nunca mais voltar, porque ela não tinha uma filha anormal. – ele balançou a cabeça enquanto Kim arregalou os olhos violeta. – Eu não podia ficar só olhando, então disse que ia junto, porque não fazia sentido eu continuar ali sendo que a minha irmã não ficaria. Achei que, quando eu dissesse aquilo, ela talvez mudasse de ideia, mas ela não disse nada.
— Ela não tentou ligar para um de vocês?
— Não. – Adam suspirou novamente. Aquele assunto lhe dava dor de cabeça só de pensar. – Então, estamos provisoriamente passando uns dias na casa da Mary até conseguirmos encontrar um emprego de meio período para conseguirmos alugar um pequeno apartamento.
— Meu Deus, Adam! Sua irmã deve ter ficado muito triste com toda a situação.
— Isso foi o pior. A Wendy acreditava que a nossa mãe, em um primeiro momento ia resmungar e dizer algumas coisas preconceituosas, mas não acreditava que ela agiria daquele jeito. Ela parecia cega, como se aquilo fosse uma doença contagiosa e que ela queria distância o máximo possível. Isso abalou muito a Wendy.
— Sinto muito. – Kimberly disse e tocou a mão de Adam, tentando confortá-lo.
Ele sorriu com aquele gesto. Então, os pedidos chegaram e ele resolveu mudar o rumo da conversa.
— Certo. Agora vamos falar de você. Conversou com seu pai? Sabe onde encontrar a sua mãe biológica?
— Sim. – Kim assentiu e assumiu uma postura séria. – Ela trabalha como enfermeira na maternidade do hospital do centro da cidade e mora em uma sessão de apartamentos modestos perto do hospital. Pensei em tentar encontra-la e, não sei, dizer que estou fazendo uma pesquisa para a universidade sobre filhos perdidos. O que acha?
— Não sei. Não faço ideia de como agir numa situação dessas. – Adam abaixou a cabeça para tomar um gole do seu milk shake enquanto pensava naquela situação. – Talvez, quando você a vir, vai saber o que fazer. Acho que a sua estratégica daria certo se você a encontrasse no trabalho, mas fora do hospital, não sei se daria certo.
— Acha então que eu devo procura-la no hospital?
— Talvez seja melhor. – Adam deu de ombros e então se lembrou de uma coisa muito importante. – Você sabe como ela é?
— Sim. – Kimberly respondeu e procurou algo na sua bolsa. Retirou então uma foto, a qual entregou ao rapaz.
Adam ergueu as sobrancelhas ao ver a mulher da foto. Era muito parecida com Kimberly, menos o cabelo. A mulher da foto usava um enorme sobretudo preto e um cachecol vermelho intenso, que se misturava com os cachos vermelhos fogo. Mas, o que mais chamou a atenção de Adam foram os olhos, os mesmos olhos violeta de Kimberly estavam presente no rosto daquela mulher.
— Então essa é sua mãe.
— Sim. – Kim pegou novamente a foto e a examinou mais uma vez. – Acha que ela é parecida comigo?
— Se você tivesse o cabelo vermelho e estivesse enrolada em um cachecol eu diria que eram irmãs gêmeas. – ele brincou, fazendo com que a menina risse. Ele tomou o último gole do milk shake e olhou para ela com uma sobrancelha erguida. – Então, vamos?
— Para onde?
— Ora, para o hospital. Vamos conhecer Blake Foster! – Adam levantou e foi pagar a conta enquanto Kimberly terminava de tomar seu milk shake. Quando ele voltou à mesa, Kim estava tomando o último gole. – Preparada?
Kimberly não respondeu de imediato. Caminhou junto a Adam até a porta da sorveteria, em silêncio. Ela realmente estava pronta? O que diria quando encontrasse a mulher da foto? Será que ela lhe reconheceria? Será que Blake gostaria de conhecê-la? Sentiu seu estômago revirar com a ansiedade e o nervosismo.
— Não. – ela resmungou baixinho e Adam sorriu com ternura.
— Vai dar tudo certo, Kim. E, se não der, eu estou aqui. – ele piscou o olho dourado e Kimberly sorriu.
— Quem é você e o que fez com o Adam que eu conhecia? – Kim brincou, arrancando uma risada do rapaz.
— O tempo passa. – ele deu de ombros, mas se arrependeu do que disse no momento que as palavras saíram de sua boca.
— Eu queria ter acompanhado essa evolução.
— Você pode acompanhar a evolução futura. – Adam replicou, tocando a mão de Kimberly delicadamente. Ela sorriu e assentiu, afinal o que havia acontecido no passado, não poderia ser mudado de qualquer forma.
Andaram o restante do caminho até o hospital em um silêncio reconfortante. O hospital não ficava muito longe dali e a presença de Adam ao seu lado, acalmou minimamente o coração de Kimberly. Ela estava ansiosa para conhecer a mãe biológica, mesmo que não fosse como ela esperava.
O clima estéreo os atingiu em cheio assim que adentraram as portas do hospital. Havia muitas pessoas pelo lugar e as paredes brancas fizeram com que Kimberly se sentisse perdida. O que deveria fazer primeiro? O que deveria dizer? Tinha fugido daquelas perguntas durante todo o percurso até ali, mas se arrependeu daquela decisão.
Adam, totalmente confiante, agarrou o pulso de Kimberly e a guiou até a recepção, mas ela permaneceu alguns passos de distância.
— Boa tarde. – cumprimentou com um sorriso, que foi correspondido pela recepcionista. – A minha namorada é estudante de medicina e está fazendo um trabalho sobre o tema de gravidez, e gostaria de entrevistar a enfermeira responsável por cuidar da maternidade a respeito disso.
— Eu não sei se isso será possível. – a recepcionista disse, mas ao ver a feição desanimadora no rosto do rapaz a sua frente, ela se compadeceu. – Mas, vou perguntar para a enfermeira se ela se disponibiliza a conversar com a sua namorada. Qual é o nome dela?
— Kimberly Hayes.
Assim que o sobrenome foi dito, a recepcionista arregalou os olhos. Adam quase se estapeou, tudo poderia ter sido facilitado se tivesse dito o nome de Kimberly desde o começo.
— Vou falar imediatamente com a enfermeira e tenho certeza que ela irá se disponibilizar para conversar com a senhorita Hayes. – ela sorriu e, então, se voltou para o telefone ao seu lado.
Adam voltou para onde Kimberly estava e observou a palidez da garota. Ela parecia prestes a desmaiar ou vomitar e Adam não sabia se aquilo era engraçado ou trágico.
— Para o pessoal daqui você é minha namorada, já aviso antes de tudo. – ele começou numa tentativa de aliviar a tensão em Kimberly. Mas, não pareceu funcionar, pois ela arregalou os olhos violeta e ficou repentinamente vermelha. – Está tudo bem, Kim?
— Por que eu sou sua namorada?
— A recepcionista achou que você era e não me deu tempo de negar. – o rapaz mentiu, decepcionado com a reação negativa de Kim.
Kimberly ficou envergonhada com aquilo, mas de alguma forma aquela notícia acalmou seu coração. Inconscientemente, procurou a mão de Adam e a agarrou, tentando se acalmar ainda mais. Foi então que percebeu que não havia feito a pergunta mais importante. Porém, quando olhou para o rapaz, ele estava rubro.
— O que houve?
— É... Nada. – ele negou, coçando a nuca nervosamente. – A recepcionista vai falar com a enfermeira. Tudo ficou mais fácil quando eu disse seu nome. Logo, ela deve chamar você para ir conversar com ela.
Kimberly assentiu e olhou para a recepção, onde a moça acenava para Adam, tentando chamar a sua atenção.
— Adam, ela está te chamando.
Ao notar que era verdade, ele correu até a recepção para saber o que havia acontecido. Logo, ele estava de volta.
— A enfermeira vai conversar com você. Ela vai chamar o seu nome e te levar até a maternidade para conversarem. – ele contou e Kimberly assentiu. Ela, afinal, iria conhecer a sua mãe.
Alguns minutos depois, seu nome foi chamado. O coração de Kimberly falhou uma batida, enquanto seu estômago revirou. Ela se levantou e olhou para Adam, que sorriu e fez um sinal de positivo. Então, Kimberly começou a caminhar em direção da mulher da foto com o coração batendo forte no peito.
Antes de seguir até a enfermeira, ela olhou novamente para Adam, que continuava sorrindo para si, cheio de confiança. Kim respirou fundo, adquirindo um pouco daquela confiança de Adam e seguiu a mulher.
[...]
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