A Joia da Loucura

7 Elizabeth – Capítulo 7


Notas iniciais
Então, decidi postar logo esse capítulo pois estou ansioso para saber qual será a reação de quem lê, pois eu adorei escrever ele e espero que dê para imaginar a situação da qual acontece por aqui :p

Durante os dois dias que sua amiga Heather dormiu, Elizabeth não havia sido reclamada, o que era estranho segundo os outros semideuses. A garota queria descobrir de quem era filha e se mudar logo para o seu chalé. Claro que tinha gostado dos filhos de Hermes, mas era ainda mais óbvio que não era o seu chalé. Não era rápida e nem astuta como eles. Não era boa em roubar — já tinha tentado ao lado de Myra — e definitivamente não era boa com pegadinhas.

"Será que meu pai, ou minha mãe, esqueceu de mim?" Elizabeth acabou pensando depois de ouvir o sonho de Heather na Casa Grande. Agora, seguindo em direção da aula que Quíron iria ministrar seus pensamentos voltavam. "Não, eu não fui esquecida... Espero."

A aula aconteceria na Arena de Combates, local onde as aulas de esgrimas e treinos muitas vezes aconteciam apesar do lugar ser mais usado para lutas entre semideuses. A Arena parecia com as usadas por gladiadores da Era Antiga, com arquibancada e tudo. Vários outros semideuses, além de Quíron, Argos e alguns sátiros da enfermaria estavam por ali.

– Tenham uma boa tarde campistas! Devem estar se perguntando o que há de especial com a aula de hoje, não é? – Exclamou o centauro sorrindo como sempre e portando uma espada. Era diferente ver o centauro com uma lâmina, já que em boa parte do tempo, este sempre estava com um arco e flechas pronto para a luta. Porém este sussurrando voltou a falar. – Pois então, hoje vocês terão o privilégio de lutarem contra Argos e contra mim.

Elizabeth percebeu a surpresa, deduzindo a raridade do acontecimento, e nenhum semideus aparentou gostar da novidade. Nem mesmo os filhos de Ares comemoraram. Claro, Quíron e Argos eram imortais. Quíron era o treinador de todos os heróis e Argos anteriormente servia a deusa Hera quem o criou, ou seja, ninguém teria uma chance real contra eles.

– Vamos, não quero ninguém com cara de enterro! Quem conseguir atingir Argos e me desarmar, conseguirá ser o último integrante da missão. Sendo direto, quem quer ser o primeiro a tentar?

Elizabeth observou durante as lutas de Argos com outros semideuses um ponto cego nas costas dele causado pela luz do sol. Mas, nenhum outro semideus havia usado aquele detalhe como vantagem, talvez nem houvessem notado, de qualquer forma não conseguiam chegar perto do segurança. Nem mesmo os filhos de Atena estavam com chances. Os combates seguiam rápidos com Argos desarmando um por um em segundos, até restar apenas Elizabeth como combatente. A novata guardava poucas, ou nenhuma, esperança depois de ver os semideuses experientes falharem. Mesmo com conhecimento do ponto cego seria improvável se aproximar.

– Vamos Elizabeth, só falta você tentar! Não tenha medo, apenas pense em uma estratégia! – Quíron incentivava a garota para luta. Ele deveria estar maluco para ver ela se ferrando.

– Desiste Quíron, se ninguém dos melhores conseguiu, não vai ser essa novata que vai conseguir! – um dos filhos de Ares comentou e seu comentário fez com que seus irmãos de chalé gargalhassem, e alguns semideuses de outros chalés também.

O modo que o garoto falou da garota, a deixou com raiva e lhe motivou a esfregar na cara deles seu potencial, mostrar ser capaz de triunfar onde os outros falharam. Uma chama de determinação acendeu no estômago da garota, e a incendiou de coragem. E assim ela correu contra Argos erguendo sua espada que acabou sendo bloqueada pelo homem. Argos realmente era rápido nas defesas e nos ataques. Ele moveu a própria espada levando a da garota junto em um arco capaz de desarmá-la, ou então, atacar com uma estocada.

– E é agora que a perdedora descobre o que acontece com perdedores! – Elizabeth ouviu uma garota de Ares comentar com seus irmãos, o que claro voltou a lhe dar mais raiva.

"Mova sua espada da mesma forma que ele, não deixe sua mão ser torcida. Ande! Não pode ficar parada. Deixe-o de costas para a multidão, e espere até notá-lo tentar desarmá-la novamente. Então jogue seu peso contra o punho de sua espada para impulsioná-la para frente!" escutou em sua mente a voz masculina mais uma vez, era a mesma que tinha ouvido no ataque dos Hipaléctrions e agora estava lhe dizendo o que deveria fazer naquela luta.

Elizabeth não sabia dizer se era sua consciência, ou insanidade, no entanto obedeceu. No início, quando impulsionou seu corpo para frente, pegou Argos de surpresa e o homem acabou deixando a própria espada cair. Talvez o chefe de segurança não esperasse tal habilidade de uma novata, muito menos sua velocidade para se defender. Quando desarmou o segurança, saltou para trás preparando uma segunda investida, então o sol refletiu na ponta de sua espada. Um líquido dourado escorria da ponta, e ao prestar atenção em Argos finalmente viu o pequeno corte no abdômen do homem de onde escorria também o mesmo líquido dourado. Era o tal de Ícor, sangue dos imortais. A verdade era apenas uma: ele estava ferido. O arquejo de surpresa vindo da platéia foi tão prazeroso quanto beber chocolate quente numa noite fria de inverno. Ela tinha conseguido ferir Argos, algo que ninguém tinha conseguido. Até os filhos de Ares estavam de boca aberta.

– Parabéns, Elizabeth! Não precisa se preocupar com Argos, ele está bem. E como você passou por ele, tente me desarmar! – Quíron falava num tom divertido embora um pouco surpreso, parecia ter finalmente encontrado o herói procurado por éons.

Infelizmente, Elizabeth seria a primeira a lutar contra Quíron. Foi um golpe de sorte aquela voz ter a ajudado, a estratégia de fazer Argos encarar o sol e criar mais pontos cegos só poderia acontecer uma vez por milênio. Perdera o trunfo da sorte, ganhar do treinador de heróis seria tão improvável quanto enfrentar Argos sem pontos cegos.

"Olhe nos olhos dele na hora do ataque, simule fazer um ataque direto contra o abdômen dele e aguarde a defesa, para atingir as patas dele" novamente a voz estava a ajudando e como havia funcionado antes voltou a obedecer.

"Só posso estar ficando louca, mas vamos lá!" respondeu em pensamentos, enquanto avançava contra Quíron. Simulou um ataque no abdômen do centauro e quando começou a descer a espada, acabou levando uma joelhada do centauro. Por sorte, ela usava um corselete de couro ou teria quebrado uma costela com o impacto, só precisou suportar a dor forte quando caiu no chão arenoso que amorteceu sua queda.

– Uuuuuh! – o coro veio da multidão de semideuses, que aplaudiam cada golpe.

– Levante-se Elizabeth. Tente de novo, não desista! – Quíron estava sorrindo, realmente se divertindo. – Há tempos não vejo um semideus tão rápido quando você, isso é bom! Mas não pense que só por ser uma novata irei pegar leve com você!

"Não, eu não vou conseguir, não tem como desarmar ele!" pensava pronta para desistir. Não teria como vencer o centauro treinador de heróis. Foi ele quem havia treinado os famosos Hércules, Aquiles, Teseu, entre outros, e não conseguiria ter como vencê-lo.

"Avance pequena" uma voz melodiosa e feminina soou em sua mente.

"Não desista, um guerreiro de verdade nunca desiste!" voltou à voz masculina.

"Afinal quem são vocês? Estão querendo a minha morte? Minha própria consciência quer a minha morte?" gritou em pensamentos para as vozes. Semideuses poderiam ser esquizofrênicos?

"A ajudaremos, e você saberá quem somos quando conseguir ganhar. Se prepare!" as duas vozes disseram juntas.

Elizabeth estava louca, porém tinha que continuar ou seria chacota de todo o acampamento por ter desistido de sua mais importante batalha. Ao correr contra Quíron começou a gritar. O golpeou e suas espadas colidiram. Os golpes eram rápidos, diretos, e deveriam ser certeiros, porém o centauro sabia exatamente cada movimento seu, como se conseguisse ler seus golpes antes mesmo dela realizá-los.

As espadas chocavam-se com tanta veracidade, que as mesmas soltavam fagulhas com os impactos. Mais nenhum som era ouvido pela arena além do clang dos metais se chocando. Elizabeth tinha a impressão que toda a platéia estava sem respirar, só assistindo a luta da garota contra o centauro. Até que finalmente a semideusa descobriu um ponto para derrotar Quíron, ele conseguia parar os golpes diretos, e movia sua espada junto com ela, mas pelo jeito, ele não teria a velocidade suficiente para parar um golpe que mudaria de direção no instante em que as espadas se chocassem. A garota não perdeu tempo, lançando sua espada contra o torso de Quíron. Como imaginou, a espada do centauro seguiu a sua e no instante em que as duas se chocaram, a garota não perdeu tempo ao girar o pulso, prendendo sua arma na do homem, que foi pego de surpresa e deixou sua mão frouxa. Desta forma Elizabeth havia desarmado Quíron, fazendo com que a espada dele voasse para outro lado da arena. Finamente conseguiu venceu a luta, sem nem mesmo acreditar, mas realmente havia vencido o treinador de todos os heróis gregos.

Lizz então se virou para os semideuses aguardando as palmas de congratulações. Mas não foram palmas que recebeu. A garota observou atônita enquanto Quíron, Argos, sátiros e semideuses, se ajoelhavam na sua frente, como se estivessem reverenciando uma rainha. Era incomum, já tinha observado outras lutas e o máximo de comemorações que tinha visto, fora vinda dos filhos de Hermes que dançaram quando um de seus irmãos derrotou um filho de Ares. Estava pronta para perguntar o que havia acontecido com todos, quando olhou para cima e viu o brilho vermelho e rosa, então olhou as próprias mãos que também brilhavam. Uma luz vermelha emanando e conforme se afastava de seu corpo ganhava um tom rosa. Sua roupa também estava mudando, antes ela estava vestida com um jeans e uma camiseta do acampamento, com o corselete de couro por cima, agora estava usando vestido vermelho com um laço dourado em volta da cintura, o corselete se transformou em bronze tão brilhante quanto se fosse feita de um puro ouro.

Na entrada da arena um bufar animalesco chamou sua atenção, pertencia a uma espécie de porco marrom peludo, o suíno mantinha-se parado com presas enormes branquíssimas. O animal semelhante ao pendurado acima da porta do chalé de Ares. Aquele bicho era um javali tão grande que batia na altura de sua cintura. No momento que reconheceu o animal, este iniciou uma corrida em sua direção. Pensou que seria atacada, mas não. O javali apenas a rodeou antes de se sentar ao seu lado e esfregar o focinho peludo e molhado em sua mão como um cachorro.

O dia ainda não estava louco o suficiente, logo um piar foi ouvido e uma pomba pouco maior do que a maioria pairou sobre a arena até pousar diretamente em seu ombro. Se fosse outra ocasião a ave já teria tomado uma tapa, mas Elizabeth estava estática demais para saber o que fazer. Finalmente, Quíron e todos os outros ergueram os olhos em sua direção, encarando-a diretamente. Estava cada vez mais complicado entender a reação deles. Os filhos de Ares estavam com a mesma cara de ódio de antes. Os filhos de Afrodite estavam com expressão de nojo, como sempre também. Já os outros semideuses pareciam possuir certo brilho no olhar, brilho de admiração?

– Ave Elizabeth Cristinna Saltarelli! – Quíron pronunciou todo o seu nome. Como ele sabia? Como era possível se nunca tinha dito para ele? Bem, apenas seus amigos sabiam, será que algum deles havia contado para o centauro? Não teve tempo de decidir. O centauro possuía um brilho nos olhos, como se estivesse vendo finalmente o verdadeiro potencial da garota. Algo que nem mesmo a garota sabia exatamente o que tinha feito. O que era aquilo? Era a tal reclamação que os semideuses enfrentavam? Mas havia visto a de seus amigos, e nenhum deles tinha passado por nenhuma transformação daquelas. Nem mesmo Ethan havia mudado tanto quando Apolo o reclamou.

A garota não teve muito tempo para pensar, pois Quíron já voltava a falar, e foi algo que a pegou completamente de surpresa. – Ave a filha de Afrodite, deusa do amor e da beleza, e filha de Ares, deus da guerra e da força bruta!

Notas finais
Entãããão? Como foi? Bom? Bom demais? Mais que demais? USHAUSAHSUAH to ansioso para saber qual foi a reação de vocês hein :v
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.