A Joia da Loucura

2 Elizabeth – Capítulo 2


Notas iniciais
E ai? Será que temos leitores? Não sei, apenas uma pessoa comentou :c Bem, gostaria de pedir que comentassem né D: escrever para leitores fantasmas não tem graça, é bom saber se está ou não agradando as pessoas >< Enfim, ai vai o novo capítulo. Espero que gostem >

Talvez não fosse a sombra que a assustou mais, nem mesmo o que era aquela sombra, mas sim o momento em que viu Pólux tirando sua calça, enquanto pessoas ao redor começavam a correr. Quando o garoto retirou seus tênis e sua jeans, ela não entendeu muito bem. Ele estava vestindo outra calça felpuda por baixo da roupa? Foi seu primeiro pensamento, porém aos poucos notou não ser uma calça e muito menos felpuda. Eram patas. Patas de um animal. Patas de bode. Também notou que ele tirara o boné e agora podia ver chifres no topo da cabeça de seu amigo.

– Que droga é essa? – conseguiu ouvir Heather gritar, ao ver Pólux daquele jeito.

– Não sei! Mas isso é maneiro! Olha aquela sombra! – Ethan era o mais animado, sem dúvidas. Enquanto apontava para a sombra que aos poucos se aproximava do chão, Lizz teve que olhar naquela direção e com pavor conseguiu identificar o corpo da tal "criatura".

A parte da frente do animal poderia muito bem enganar, se, claro, fosse visto de frente e no chão. Era como dorso e cabeça de um cavalo completamente branco quase prata. Em seu pescoço tinha uma espécie de "coleira" e devia ser dali o brilho que Lizz via. Mas, a parte assustadora vinha em seguida. Em vez de o animal possuir dorso para "baixo", parte de um cavalo, possuía um corpo de galo. Suas patas traseiras traziam garras amarelas e bem afiadas — a grama que o diga, pois quando o animal pousou no solo, abriu buracos na terra enquanto "trotava" ou sabe se lá o que aquele bicho conseguia fazer. Claro que também tinham as asas, enormes asas vermelhas fortes o suficiente para suportar todo peso do animal em vôo, e assim como a cauda, estavam cheia de penas. Para completar, os dentes da sua boca de cavalo não pareciam nada amigáveis. Se uma mordida de cavalo comum já dói, o que uma mordida desse bicho faz? Não, Elizabeth não podia pensar naquilo, ou melhor, não queria saber daquilo.

Pólux de alguma maneira não aparentava medo, o que deixava Elizabeth orgulhosa daquilo, só não sabia exatamente o porquê.

– Pólux... Que... Que coisa é essa? Aliás, que coisa você é? – Perguntou Ethan, agora não tão animado quanto antes.

– Olhem amigos, desculpem por tudo, mas tenho coisas que preciso contar a vocês... Se sairmos vivos desta! – Sua voz fraquejou um pouco, nem olhara para trás, não tirara momento algum seus olhos do animal.

– Mas essa coisa ai, é apenas uma e somos quatro! Podemos... Ajudar?! – Lizz não sabia exatamente de onde vinha sua coragem para falar aquilo, mas aos poucos a garota foi dando alguns passos à frente, se aproximando de Pólux.

"Não..." Falou uma voz em sua cabeça. "Fuja, estão vindo mais, não pode sentir, criança?!" De quem era aquela voz? Era uma voz feminina? Ela nunca tinha ouvido antes.

Dito e feito, assim que a voz parou de ecoar em sua mente, Elizabeth viu mais algumas sombras no solo e ao olhar para cima, notou mais cinco criaturas iguais a primeira, cercando os quatro amigos em um circulo. 'Ótimo, agora estamos cercados por seis cavalos-galinhas.' Pensou a garota, enquanto os amigos se aproximavam mais um dos outro e encostavam seus ombros, cada um virado para uma direção.

– Esses são Hipaléctrions! São cavalos galos! Todos desconfiavam que estivessem extintos, mas tinham alguns no Rancho Triplo G. E desconfio que estes vieram de lá, como voaram não sei, já que são pesados, mas estes acabaram aprendendo a voar e vieram justamente para cá! – Pólux falava algumas coisas tentando explicar a eles, mas apenas os deixavam confusos. – Olhem, mantenham distância de suas patas, aquelas garras tão mais afiadas do que os dentes de um cão infernal e eu sei exatamente a diferença! Também tem a sua boca, procurem não serem mordidos, não terei como cuidar de vocês e impedir uma infecção!

'Cães infernais? Aqueles bichos não são de uma história antiga... Talvez, da Grécia?' Foi o que pensou Lizz, tentando se lembrar o que era um cão infernal, já tinha estudado na escola um pouco sobre a Grécia e desta forma teve que estudar sua mitologia. Mas ela tinha certeza que aquelas coisas eram apenas mitos.

"Mitos?" Perguntou uma voz em sua cabeça, mas agora não era a feminina e sim era uma voz masculina. "Acha realmente que são mitos? Então você está me dizendo que essas coisas ai na sua frente, não existem? Abra os olhos, veja você mesma, ou melhor, sinta você mesma."

E no momento em que a voz sumiu, Elizabeth se viu fora do chão, sentindo algo apertando seus ombros e notou que estava voando. Quando olhou para o chão, teve medo de cair e morrer. Lá em baixo enxergava seus amigos ou caídos no chão, ou apuros e ao olhar para cima, apenas via parte de um corpo de um cavalo, enquanto as patas de galo estavam presas em seus ombros, levando-a cada vez mais alto.

"Vamos garota! Você não é covarde, mostre do que é capaz para essa galinha assada!"

Era novamente a voz do homem em sua mente, de alguma forma aquela voz deu alguma coragem, que fez com que a garota agarrasse nas patas do galo e aos poucos começasse a puxar suas garras de seu ombro. E aquilo doía, mas ver seus amigos lá no chão, passando por algo parecido com o que ela passava, era bem pior. Em segundos, com uma força não conhecida, a garota já estava solta, escalando as patas do galo, enquanto este ciscava no ar, tentando derrubá-la.

Foi complicado, por vezes se agarrou a penas que simplesmente se soltavam do corpo do animal, porém conseguiu escalar até o dorso, onde se sentou, cruzou as pernas entre a barriga do animal e segurou em suas orelhas. Já tinha montado antes e sabia como domar um cavalo, bem, não era um cavalo voador metade galo, no entanto devia ser o mesmo contexto. Com solavancos, relinches e até sons de galo, conseguiu controlar o animal e o fazer descer.

O seu erro, talvez, pois agora o bicho não queria parar de forma alguma e se continuasse iriam beijar o chão, e virar uma panqueca de frango, ela teria que pular antes. Infelizmente ou felizmente, Pólux estava justamente onde ela caiu assim, ambos rolaram pela grama, deixando o cavalo-galo voltar ao normal e novamente voar, provavelmente procurando sua nova vítima.

– Ai! Avisa da próxima! – reclamou Pólux enquanto se punha novamente em pé e olhava ao redor.

– Como acabamos com estas coisas? Hein, garoto felpudo?

– Primeiro, o nome politicamente correto é Sátiro. Segundo, tome isto, é apenas um empréstimo, então não perca ou terá que me pagar! – logo o "sátiro" Pólux, entregou para ela o que aparentava ser uma mini espada, com o tamanho de metade do seu antebraço era feita de bronze, conseguiu perceber. Mas, aquela coisinha destruía aqueles bichos? Bem, era melhor usar aquilo dali, do que uma flauta de bambu, como Pólux estava usando no momento, tocando uma melodia.

– Ótimo, música para a minha morte, continue! – assim ela correu. Correu segurando a arma que tinha acabado de ser emprestada do seu amigo sátiro. Avançou contra o Hipaléctrion mais próximo, que estava atacando Heather e assim moveu o braço, quase automaticamente, como se alguém estivesse movendo seu corpo por ela e causou um corte próxima as asas do animal.

Este nem teve tempo de revidar, apenas conseguiu dar um fraco relincho, antes de se transformar em um pó dourado bem a frente da garota, sujando ela e sua amiga. Com os outros cinco animais foi fácil, já que sabia o que fazer. Em um cravou o punhal — descobriu o nome logo em seguida — em outro, arrancou a asa fora com apenas um golpe, em mais um atingiu a barriga do bicho. No penúltimo atingiu a pata de galo, próximo a coxa e com o último, que estava se equilibrando em suas patas de galo, talvez para cacarejar ou dar um coice nela, vai saber, cravou o punhal onde deferia ficar o coração do cavalo. Ela acabou notando que nenhum dos animais reparara sua aproximação, de algum modo ela tinha conseguido correr sem fazer som algum, como se estivesse suspensa no ar, não se cansou também em segundo algum. Como aquilo era possível? Boa pergunta a ser respondida depois.

Bem, lá estava ela, repleta de poeira dourada. Com um punhal em mãos, parada de frente ao sátiro, Pólux, esperando explicação dele, junto com Ethan e Heather.

– Esperem! Aqui não é um lugar bom para explicar! Já vai ser complicado apagar da memória destes mortais, o que eles viram! – e assim apontou para algumas pessoas ao redor. Antes Lizz não notara, mas tinha platéia o tempo inteiro e agora que a poeira tinha abaixado — literalmente falando — as pessoas começavam a se aproximar do grupo. – Eu vou contar para vocês no... Olhem! Vejam, eles estão chegando!

Ao seguir o olhar de Pólux, Elizabeth viu outra sombra no céu, mas esta parecia bem maior do que a dos Hipaléctrions. Algo pior talvez? Então, claro que teve que perguntar.

– Mais bichos daqueles?

– Não. Melhor! Amigos!

E assim que Pólux terminou de falar a garota notou que enquanto a sombra chegava mais perto, o formato de cavalos alados ia surgindo. Era quatro animais brancos e pretos, que puxavam algo grande, uma caixa? Não, uma carruagem, ela reconheceu dos livros sobre a Grécia. Uma biga grega voadora! Sendo puxada por... Pégasos? Ok, aquele dia não poderia ficar mais complicado do que já estava.

Notas finais
E então? Gostaram? Não gostaram? Algum erro? Comentem com suas opiniões D: agradeço muito saber que não estou escrevendo isso por nada D: Além do mais, a fic é movida a opinião do publico. Gostaria de saber se tenho leitores antes de continuar. Pode ser? Okay! Aguardo os comentários ansiosamente :3