A Jogada Do Herói
1 Capítulo 1
Outubro de dois mil e dez. Ocorria na cidade de Washington a primeira e ultima condenação de Brian Manson. Um ato não rigoroso e com poucos meses de prisão domiciliar. Não havia motivos para queixar-se. Estava conformado, apenas pode demorar para piscar os olhos azuis quando ouviu da boca do juiz que teria de desembolsar cento e quarenta e cinco mil dólares por difamação e calunia, o dinheiro iria ser dado para instituições que teriam sido prejudicadas graças a suas acusações, consideradas falsas e tentativa de roubo de informação privada.
Saiu do tribunal passando a mão destra sobre o queixo quadrado podendo sentir a barba da semana passada penicar sua pele. Inflou os pulmões derrotado, enquanto alguns poucos jornalistas o rodeavam e lhe enchiam de perguntas chatas e repulsivas sobre o ocorrido. A única coisa que disse a eles, foi que o procurassem mais tarde, não estava se sentindo muito bem no momento. Eles o seguram até seu carro mas o perderam de vista assim que o Mustang 66 preto tomou a outra esquina, cantando pneus.
Brian, nunca havia sido preso na vida. Nunca havia feito nada para isso lhe acontecer. Apenas tentou provar que, o dinheiro salarial de onde trabalhava, junto dos companheiros de carreira publicitária estavam sendo desviados para a conta do chefe da revista York's, Algust Norton e seu primo Carl Norton. Mas os furos que havia conseguido, foram confiscados e queimados por alguns agentes particulares dos primos. Eram pessoas malignas, sem dúvidas, acusaram o revisionista Brian Manson e conseguiram a vitória logo depois. A empresa iria deslanchar com o dinheiro ganho na batalha, mas teriam de esperar em torno de dois meses para que ele começasse a pagar a dívida. Quanto ao emprego, seria difícil para que Manson conseguisse outro.
* * *
Ao chegar em sua casa. Um apartamento pequeno e robusto. Não era caro, ao contrário. Apenas o aluguel que, comia seu salário diminuído dia a pós dia. Trancou a porta de madeira lascada e deixou os tênis jogados na sala. Pegou o controle do rádio e o ligou, deixando a música que estava ouvindo pela última vez tocar novamente. “ Aerosmith – crazy “ Sussurrou sorrindo para si mesmo.
Retirou a camisa preta e sua calça jeans surrada e as colocou de lado. Seu corpo era de pele branca, muculos definidos, apesar de sua estrutura ser magra e pouco larga. Havia em sua costela uma tatuagem de um dragão chines e a altura na nuca um código de barras. Havia apenas vinte e três anos. Morava sozinho. Pouco recebia uma carta de seus pais que, moravam em New York. Decidiu morar sozinho assim que completou sua faculdade. Não conseguiu muito sucesso como jornalista então, partiu para outra coisa. Mas que fosse do mesmo ramo.
Abriu o chuveiro contra seu corpo. A água sempre gelada, gastava menos e sobrava mais para o fim do mês. E agora, teria de ter muita sorte para conseguir um emprego novo. Só iria começar a pagar sua pena de prisão domiciliar depois de um mês, assim como o dinheiro que teria de retirar de sua poupança e ainda nem conseguiria pagar tudo. Ficou passando as mãos nos cabelos loiros, não muito compridos. A parte da nuca cobria a tatuagem, e deixava o resto do cabelo levemente jogado para frente, bagunçado, nunca armado eram lisos. As laterais cobriam apenas a ponta das orelhas.
Brian era jovem ainda, não davam a ele a idade que tinha. Parecia um adolescente rebelde que, não temia nada, mas não se metia em complicações com facilidade. Apenas quando era necessário. Quando uma vez brigou com um rapaz em sua escola, por ter chingado sua mãe. Sentiu mais raiva do que estava sentindo no momento. Despejando no rosto do rapaz um pouco mais alto que ele, socos fortes e centralizados. Assim que o corpo do outro caiu no chão, não deixou de dar chutes, ponta-pés em seu estomago e outras partes mais sensíveis. Fora expulso da escola no dia seguinte. Indo para uma escola particular e longe da cidade onde morava na época. Porem, nunca deixou de lado, as roupas escuras de estilo pesado. Nunca fumou e nem pretendia, bebidas? Eram raras as vezes que saia para beber com os amigos.
Pensava seriamente como iria conseguir as coisas partir de agora. E perguntava-se o por quê de ter feito aquilo. Se ficasse quieto não iria pagar tão caro. Mas estavam roubando a todos e estavam fazendo os mesmos trabalharem igual cavalos! Não podia deixar barato. Enquanto as provas queimadas, sentiu a cabeça doer e o corpo arder em ódio. Sabia muito bem quem aqueles caras eram. Diziam ser de um lugar, mas eram de outro. Acabaram com seu plano. Brian imaginava como teria sido se pudesse ter prestado mais a atenção na porta enquanto puxava de uma gaveta em uma sala particular dos Norton as fixas sujas que eles guardavam.
Pode sair de seu transe assim que sentiu a pele de seus dedos enrugarem. Fechou o registro e enrolou-se em uma toalha. Passeou pelo apartamento, ainda pingando, com os cabelos tampando os olhos. Abriu a geladeira e retirou uma garrafa de vidro contendo refrigerante de cola. Seu preferido por sinal. Retirou a tampa de metal fraco e tomou direto da boca da garrafa. O ruim de seu rádio era que ele estava quebrado, fazendo com que a música repetisse sempre. Já poderia ser a terceira vez que estava tocando a mesma parte até a faixa acabar e começar tudo novamente.
Sentou-se no sofá passando a toalha sobre o corpo secando seus braços e peitoral. Assim como os cabelos. Deixou que a toalha ficasse pendente sob os ombros e foi colocar alguma coisa. Samba-canção preta, sem detalhes. Desligou o rádio e em troca, ligou a TV em algum canal que pudesse estar passando futebol. Mal sabia ele, o que estava a lhe esperar.
* * *
Distraiu-se com o primeiro tempo do jogo Coreia x Japão. No intervalo, levantou-se para pegar mais do refrigerante. Apenas mudou seu rumo para a TV que, já estava passando a volta do jogo para poder atender a porta. Seus olhos estavam virados para a tela colorida, vendo os gols feito pelo time do Japão, deixou a porta aberta e somente virou os olhos quando ouviu uma voz feminina tocar seus ouvidos com malicia.
-Senhor Brian Manson?
-Sim? O que deseja? -Respondeu o rapaz, fitando a moça.
-Meu nome é Alexa Morgan. Advogada particular.
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