A Janela, A Árvore, O Garoto
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Com paixão e carinho, que escrevo esse capítulo ♥
Eu me virei e o encarei. Nathan sorria pra mim enquanto se equilibrava no galho da árvore, abri a janela devagar e esperei ele entrar.
– Não tem medo desse galho quebrar? — ele sorriu.– Se eu tivesse, acha que eu me arriscaria assim? – É, acho que não.– Exatamente. — Nathan sentou na minha cama e eu comecei a guardar as coisas que estavam em cima dela. Por algum motivo desconhecido, eu senti o olhar dele em mim e estranhei. Tentei não olhar pra ele, mas a curiosidade estava me matando. Eu me virei para encará-lo e ele estava realmente olhando pra mim.– O que foi? — perguntei e ele sorriu sem graça.– Estava olhando pra você.– Isso eu percebi, mas por que? — ele deu de ombros.– Você está de short. — tentei não ficar sem graça.– E daí?– Nunca tinha visto as suas pernas antes. — eu sorri.– E o que tem? São só pernas.– Eu sei, mas elas são firmes e fazem curvas. Você malha? — eu quase gargalhei na cara dele, mas me controlei.– Não, eu fiz balé a minha vida toda. Acho que as minhas pernas se acostumaram a ficar assim.– Deveria mostrar mais suas pernas.– Eu deveria deixar meu cabelo solto e minhas pernas a mostra. Anotado, tem mais alguma dica? — ele riu.– Pensarei em alguma coisa. — andei devagar em direção a minha cama, fiquei meio receosa de sentar perto dele.– Tem perguntas essa noite? — sentei a um palmo de distância e ele percebeu porque chegou mais perto.– Eu não mordo, sabia?– Ah desculpe. E então, perguntas? – Não essa noite. Achei que a gente podia conversar apenas.– E quer falar sobre o quê?– Sua amiga, Charlotte, eu tenho a impressão de que não gosta de mim. — eu enrolei o cabelo no dedo.– Não é isso, é que ela tem medo por mim.– Como assim?– Ela conhece o Nathan Gilbert que todo mundo conhece e acha que você está apenas se divertindo e fingindo ser meu amigo, enfim ela está com medo por mim. — ele ficou em silêncio por um tempo.– Você contou sobre o beijo, não foi? — eu assenti sem graça.– Ela é minha melhor amiga, precisava saber. E para falar a verdade, quem contou foi você. — ele deu de ombros.– Então é por isso que ela não gosta de mim, porque eu te beijei? Mas pode avisar pra ela que eu me importo mesmo com você, e que jamais iria te magoar. — eu fiquei sem saber o que dizer por um tempo.– Eu aviso sim. — eu comecei a desenhar círculos na minha perna com o dedo e ele pegou a minha mão.– Jessica, se eu te beijasse agora você ficaria chateada comigo?– E por que você faria isso? — ele sorriu.– Porque sim. — eu levantei o rosto e o encarei por um momento. Somente a luz do abajur estava ligada e seus olhos castanhos pareciam brilhar na pequena luminosidade. Antes que eu me arrependesse, o beijei. Nathan, com certeza, não esperava por isso, mas se recuperou rapidamente e me beijou com mais intensidade. Ele pegou no meu cabelo e o puxou levemente o que provocou uma sensação nova e impressionante. Coloquei as minhas mãos na sua nuca e o puxei mais pra perto com vontade, antes que eu percebesse eu estava escorregando da cabeceira e deitando no colchão. Dessa vez, Nathan nem pensou e deixou o seu corpo encostar no meu. Minha mente parecia explodir em pleno frenesi e eu queria mais, e mais, e mais. Antes que eu pudesse protestar, para minha surpresa, ele tirou a sua blusa cinza e eu olhei para o seu abdômen provavelmente com uma cara engraçada, porque ele riu.– Nathan, eu...– Faz um favor pra mim, fica quieta. — eu obedeci prontamente, já que ele me beijou. E eu fiz aquilo que estava com vontade de fazer desde aquele dia da mudança. Passei os dedos devagar e pude sentir todos os músculos do seu abdômen enrijecidos. E em momento nenhum, Nathan parou de me beijar. Eu sinceramente não esperava que aquele momento acabasse nunca. Suas mãos saíram do travesseiro e começaram a contornar o meu corpo devagar, eu tinha consciência da mão dele em cada parte do meu corpo, das pernas até a cintura onde ele começou a desenhar círculos com a ponta dos dedos suavemente. Eu sabia o que ia acontecer em seguida, então antes que as coisas ficassem perigosas, eu me afastei devagar.– Eu só... — comecei, mas ele me interrompeu.– Eu sei, eu sei... — ele disse me fazendo sorrir. Nathan deitou ao meu lado e encarou o teto do meu quarto, meu coração estava acelerado e minha respiração descontrolada, pior do que se eu tivesse corrido uma maratona. Não falamos nada nesse tempo, mas ele pegou a minha mão e ficou fazendo círculos com o polegar. E a única coisa que eu pensava era: "Eu fiz tudo errado e Charlie vai me matar. E eu não posso contar isso pra minha mãe de jeito nenhum."– Jessie? — sussurrou Nathan.– O quê?– Acha que eu fui longe demais? — eu sorri.– Você lembra de me ouvir dizendo "não faça isso, por favor?". — ele sorriu e se virou para me olhar. Ficamos de frente um para o outro, mas ainda deitados.– Acho que isso não vai fazer sua amiga gostar de mim, não é?
– Realmente Charlotte vai ficar decepcionada comigo. Ficamos em silêncio novamente e inconscientemente passei o dedo devagar pelo seu abdômen ainda descoberto. Quando ele riu, eu fiquei tão sem graça que enterrei o rosto nas mãos.– Desculpe, eu fiz sem pensar.– Ei, não se preocupe com isso. — ele puxou as minhas mãos e olhou pra mim. — Eu não acho nada demais.– Que vergonha!– Jessica, você faz isso com tanta inocência que chega ser um pouco engraçado.– Eu não sei se isso é algo bom ou ruim.– É bom, acredite em mim. É diferente.– Mas mesmo assim, eu não deveria fazer. Eu sou uma idiota.– Você não é idiota. Acha que não tem noção de como é sexy. — eu não pude deixar de rir. Sexy é demais pra mim.– Eu tenho noção de algumas coisas e uma delas é que eu não sou sexy.– É sim e o fato de não saber só faz você ser mais sexy ainda.– Ainda não acredito em você.– Você me deixou tão maluco que quando eu percebi estava sem blusa. Eu quase me arrependi, mas aí você me olhou com desejo e medo ao mesmo tempo e a minha mente enlouqueceu de novo. — eu não sabia como responder a isso, eu não sabia como agir diante dessa informação.– Isso sai tão fácil da sua boca.– Acha que eu não fico sem graça? Eu só não deixo isso atrapalhar. Estamos conversando, estamos sendo sinceros.– Na verdade, você está sendo sincero. Eu não falei nada.– Então diga, fala a verdade. Fala pra mim o que sentiu ontem e hoje. — eu pensei em falar que gostava dele desde do primeiro ano, mas isso podia assustá-lo e eu não queria estragar tudo, então deixei apenas as palavras saírem da minha boca.– Ontem foi diferente de hoje. Ontem foi fofo e quase romântico, eu sabia que você se controlava para não me assustar, afinal era meu primeiro beijo. Você criou toda uma cena como um filme. Mas hoje eu percebi que a última coisa que você queria era se controlar, eu senti coisas que nem sabia que eu sentia como desejo e vontade, eu esqueci que precisava respirar, na verdade eu acho que nem queria respirar... — eu fiquei vermelha assim que terminei de falar, isso que dá falar tudo o que vier a cabeça. Nathan não respondeu, apenas me encarou e eu pensei que finalmente tinha conseguido estragar tudo.– E depois diz que não é sexy. — sussurrou e antes que eu pudesse responder, ele me beijou novamente com vontade e desejo. Eu quase podia prever seus movimentos, mas mesmo assim não deixou de ser surpreendente. Ficamos assim por tempo indeterminado, na verdade a gente só se separou porque o meu relógio na escrivaninha apitou. Nós nos assustamos e nos separamos rapidamente, depois rimos de nós mesmos.– Sabe, Nathan, são duas da manhã. Acho que você tem que ir embora.– Está me expulsando? – Não, mas uma hora você tem que ir. Senão vai dormir aqui.– Isso é convite?– Nathan! — ele riu.– Eu sei, estou brincando. Pode, por favor, me dá a minha blusa? — eu assenti sem jeito e joguei a blusa pra ele. Enquanto Nathan colocava a blusa, eu pensava no que ia acontecer agora e se isso ia virar uma rotina. Não que no fundo eu me importasse, mas mesmo assim isso ia gerar consequências e eu sabia disso.– Jessie?– O que?– Boa noite. — falou, eu me levantei para abrir a janela pra ele.– Boa noite. — antes de ir, ele beijou a minha bochecha (o que eu achei meio irônico). Fechei a janela e depois a cortina com um sorriso, as coisas estavam tomando proporções grandes e estavam cada vez mais complicadas.>>o Acordei alguns minutos antes do meu despertador tocar, então me dei o luxo de ficar pensando na cama. Eu tinha que tomar uma atitude, afinal as coisas estavam ficando sérias pelo menos pra mim e eu não podia deixar isso continuar. Assim que levantei mandei uma mensagem para Charlotte, eu simplesmente não podia ir para a escola com Nathan de novo. As coisas tinham que mudar e a mudança ia ter que partir de mim. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa quente e larguinha, respirei fundo e prendi o cabelo em um rabo de cavalo. Coloquei um All Star e desci com a mochila.– Bom dia, filha. — minha mãe estava começando a fazer o café.– Bom dia, mãe. Dormiu bem?– Dormi sim e você?– Também.– O que aconteceu? — perguntou sentando de frente pra mim.– Como assim?– Você está parecendo a Jessica de sempre, sem roupas mais justas, de cabelo preso. Eu achei que você estava começando a mudar. — eu dei de ombros.– Ah, eu gosto do meu eu antigo.– Sei, agora vamos falar a verdade. Quer se afastar do Nathan? — eu sorri.– Quero.– Eu sabia. Querida, faz um favor pra si mesma. Seja feliz!– O que quer dizer com isso?– Ah, Jessie. Você tem que fazer o que quiser. Se estiver feliz com ele, não me deixe influenciá-la. Muito menos Charlotte.– Mas você disse...– Eu sei o que eu disse e mantenho a minha opinião, mas mesmo assim se quiser ficar com ele eu não vou impedir.– Pensarei sobre isso também. — ela sorriu e levantou.– Vai com o Nathan hoje?– Não, com a Charlotte.– Está bem. Tenha um bom dia.– Eu terei. Mal consegui terminar o café antes da Charlotte buzinar, assim que saí de casa vi Nathan saindo pela porta. Eu desviei o olhar e me concentrei no carro de Charlie. Eu sabia que ele estava me olhando, mas mesmo assim eu não o olhei de novo.– Está tudo bem? — perguntou Charlie antes que eu pudesse fechar a porta.– Claro, por quê?– Estou vendo o Mr. Perfect encarando o carro confuso. — eu não respondi e ela deu partida no carro.– Nós... é...– Vocês brigaram? — "Bem longe disso!"– Não, é que...– Vocês se beijaram de novo.– Hum...– Não foi uma pergunta. Agora eu quero saber o que aconteceu.– Nada, nós nos beijamos e só.– Eu te conheço, Jessica. Conte a verdade pra mim. — eu engoli em seco.– Dessa vez o beijo foi mais...– Intenso? — perguntou e eu assenti encarando a janela.– Acho que eu não deveria ter feito isso.– Foi tão ruim assim?– Claro que não. — eu falei tão rápido que Charlie riu.– Sei, então o que foi?– Eu não sei aonde isso vai levar e não quero que isso continue só por fazer.– Eu te entendo. Não se preocupe, isso é super normal. Mas você tem que falar pra ele.– Eu sei, eu só não queria que fosse tão cedo.– Tudo bem, qualquer coisa não abra a janela pra ele.– Isso seria muito maldoso. Eu vou ser honesta com ele.– Toma cuidado, tá? — eu assenti calada. Não falamos mais nada até chegar na escola, desci do carro calada presa nos próprios pensamentos e indecisa sobre que atitude tomar.– Ei, está tudo bem? — perguntou alguém atrás de mim. Eu me virei devagar e lá estava ele, mais lindo do que nunca.– Está sim, por quê?– Nada, eu só achei você estranha. — eu dei de ombros.– Estou normal. — ele me encarou por um momento e foi embora com as mãos no bolso do casaco ainda confuso. Charlie estava do meu lado e me encarou com um sorriso nos lábios. Eu apenas encostei a cabeça no meu armário e fechei os olhos. Como agir perto do garoto que você é apaixonada, mas que apenas te vê como amiga?– Jessie, hora de ir para a aula. — Charlie me olhava preocupada.– Vamos. — peguei um livro e bati a porta do armário com força.– Você está totalmente encrencada, querida.– Eu já percebi isso, querida.>>o– O que você vai fazer hoje? — perguntou Charlie.– Acho que vou ficar em casa. — falei e ela me olhou incrédula.– Fazendo o que?– Arrumando meu quarto, fazendo dever de casa, não sei.– Tudo bem, qualquer coisa me liga.– Pode deixar. Resolvi ir andando para casa, ia demorar mais, só que pelo menos ia me dar a chance de pensar. Fiquei tão perdida em meus pensamentos que nem percebi quando cheguei em casa. Hoje era o dia da minha mãe chegar mais tarde, então eu ficaria em casa sozinha por um bom tempo. Troquei de roupa e me preparei para um dia agitado. Liguei o som no volume mais alto que julguei certo e comecei a faxina no meu quarto. Arrumei meu closet, varri e passei pano em cada cantinho do chão, organizei minha prateleira de livros e também a de CD's. Eu precisava manter a minha mente ocupada por um momento e para que isso acontecesse, eu abri a janela mas fechei a cortina. Não queria falar e nem ver o Nathan para poder dar certo. Quando finalmente terminei, fiz pipoca e fui assistir a um filme de ação e aventura, com muito tiro e sangue. Eu não podia me dar ao luxo de querer a presença do Nathan comigo. O dia se passou tranquilo e só vi que a hora tinha se passado quando minha mãe abriu a porta.
– Oi, filha. Como foi a escola?– Normal e o trabalho?– Normal. O que fez o dia todo?– Arrumei o quarto e assisti filme. Nada muito importante.– Sem planos com Nathan? — eu revirei os olhos.– Ele vai sempre entrar nas nossas conversas agora?– Desculpe, achei que gostasse dele.– E gosto por isso preciso que me deixe esquece-lo. — ela levantou uma sobrancelha.– Então se decidiu.– Sim, eu não posso ficar gostando desse garoto enquanto ele me vê como uma amiga.– Está certa. Boa sorte.– Obrigada. – Vou tomar banho para fazer o jantar. Quer algo especial?– Sim, pizza. — falei e ela sorriu.– Ótimo, bom que eu nem preciso cozinhar.– Como se você fosse cozinhar. — ela riu e assentiu. Resolvi subir para fazer o dever de casa e dessa vez abri a cortina. Nathan estava fazendo flexões no chão do quarto, o que era uma covardia tremenda comigo. Ele estava sem camisa, suado e indiscutivelmente lindo. Eu tinha que me concentrar, então fechei a cortina novamente, sentei na cama e tentei fazer o exercício. E eu realmente consegui, até estudei um pouquinho antes da minha mãe me chamar para jantar.– Estou descendo.– Não demora, se não a pizza esfria. Abri a cortina novamente e Nathan estava sentado na cama olhando na minha direção. Fiquei sem reação por um momento, mas antes que ele pudesse dizer algo virei de costas e saí do quarto. Desci as escadas pensando exatamente nisso, e o porquê dele está encarando a minha janela.– O que aconteceu? — perguntou minha mãe olhando pra mim.– Nada, vamos comer?– Claro. Quer comer no chão da sala? — eu a encarei surpresa.– Quer parecer legal?– Eu sou legal. Só pensei em fazer algo diferente.– Está certo. Ela já tinha arrumado tudo em cima do tapete, o que me fez sorrir. Minha mãe era meio psicótica com limpeza (acho que puxei a ela), mas ás vezes tinha essas ideias para me agradar. Desde que... Enfim, ela tem sido mais legal de um ano pra cá.– Então filha, quer conversar?– Na verdade, não. Ah não ser que você queira falar algo específico. — ela pareceu pensar por um momento.– Não, nada. — eu sabia que estava acontecendo alguma coisa.– Mãe, o que aconteceu? Quer conversar comigo sobre algo?– Não, não quero. — ela pressionou os lábios, o que significa que está mentindo. E isso não é nada bom. Mas resolvi não comentar nada, se ela quisesse me contar, contaria.– Então está bem. — voltamos a comer nossa pizza em silêncio. Alguma coisa tinha mudado nela, mas não ousei pressioná-la. Ligamos a televisão e começamos a ver um programa humorístico, rimos um pouco enquanto terminávamos de comer. Eu sabia que minha mãe se preocupava com o fato de que eu ia para a faculdade no ano seguinte e ela ficaria sozinha naquela casa, mas não parecia ser isso dessa vez.– Mãe, eu vou subir. Está tudo bem mesmo?– Claro que está. Aproveita e manda um beijo para Nathan. — eu revirei os olhos e eu podia ouvi-la rindo enquanto eu subia as escadas. Tomei um banho tranquilo certa do que ia fazer e tentei relaxar. Nem seus olhos, nem seu sorriso ia me atrapalhar de tomar a decisão certa. Coloquei uma roupa normal, confortável e quente. Antes que eu terminasse de pentear o cabelo, eu ouvi a batida na janela, respirei fundo e saí do closet.
Notas finais
Eu sei, eu sei... Eles são apaixonantes!
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