A Irmandade do Pentagrama
1 Capítulo 1 - Lua de Prata
A lua brilhava pálida no céu como há muito não se via na França. Pelas sombras das casas caminhava uma mulher de semblante aflito. Sob o manto vermelho bordô que a cobria, escondia com cuidado um pequeno embrulho amarrotado.
Ainda era possível ouvir o corre corre no centro da cidade. O som dos gritos dos comerciantes que soavam ao longe fizeram com que a jovem caminhasse ainda mais rápido, embrenhando-se pelas vielas apertadas de Eguisheim, um pequeno vilarejo no interior da França. De repente, estacou à frente de uma pequena casa de aspecto sombrio, meio encoberta pelas altas árvores. Estendeu o braço livre e tocou a sineta ao lado do portão em três intervalos. Os segundos pareceram se estender até alguém abrir a porta. Um homem de expressão sisuda meteu o nariz torto para fora e pareceu considerar atender ou mão a jovem parada em seu portão. Abriu a porta silenciosamente, o manto bordô desbotado que cobria seus ombros não disfarçavam sua baixa estatura. Ele se aproximou do portão receoso. Eram tempos sombrios aqueles que viviam e todo cuidado era pouco frente ao perigo que aqueles de sua raça corriam. Percebendo que conhecia a jovem, o jomem estacou: -Magda, presumo que tenha sido cautelosa. Já faz três horas? — perguntou para a mulher. — O senhor não muda, mesmo. Sempre muitas perguntas. — e percebendo que ele não responderia — Três horas, conforme solicitado, senhor Avicena.- respondera-lhe com certa ironia. Dando uma risadinha frente à ousadia da jovem, o homem abriu o portão enferrujado, tomando o pequeno embrulho para si com cuidado. -Diga à Corine que tomarei as providências necessárias.A mulher se recompôs e não se contendo, perguntou num sussurro quase inaudível:-Para onde irá enviá-lo, senhor? -Qualquer lugar é melhor que aqui, não concorda, Magda? -revidou o homem com ironia. — De fato, vivemos tempos estranhos... Nenhum lugar é seguro, não se pode comfiar em ninguém- sussurrou mais para si mesma que para o homem. — devo ir agora. Meu mestre me aguarda no laboratório para finalizarmos os preparativos. Embarco no vôo para Paris antes do amanhecer. - Uma decisão sábia, não é seguro estar na rua a essa hora. Não preciso dizer que o que aconteceu essa noite é... Bem, sabe do que estou falando, não? — a jovem assentiu — Mande saudações à Leroy — prosseguiu Avicena enquanto adentrava a casa escura. A jovem mulher, como se despertasse de um torpor, fez uma breve reverência com a cabeça e percorreu o caminho pelo qual viera. Não pode evitar pensar em como seria sua vida dali para a frente. Os dias de paz já eram lembranças distantes.
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