Aline e Marcos pegaram algumas das roupas super chiques que eles compraram na última viagem que fizeram ao Estados Unidos e quando chegamos em casa deixamos as bolsas dentro da caminhonete do meu pai. Eu e João vamos até o escritório para que eu possa pegar a chave do carro e ele avisar ao tio que vai até a fazenda conosco, quando chegamos lá os dois estão conversando sobre o piso de alguma coisa.
—Nós estamos indo a fazenda – eu digo interrompendo a conversa. – Preciso da chave da caminhonete.
—Vocês vão ficar quanto tempo lá? – Meu pai pergunta quando se levanta e vem trazer a chave do carro.
—O necessário – pego a chave da mão dele.
—Qualquer coisa eu ligo – João fala antes de sairmos.
—Vou pegar a câmera no meu quarto. – Digo para João e subo a escada correndo.
A minha câmera está no meu quarto encima da escrivaninha, é uma Canon alguma coisa que não sei bem, ela foi um presente da minha mãe porque ela sempre gostou de fotografia, mas como nunca se deu bem com produtos eletrônicos me deu uma câmera de presente para que quando ela quebrasse a sua, pudesse usar a minha, então quando estava com vontade de tirar fotos ela tirava meu cartão de memória e colocava o seu e ao terminar deixava a câmera comigo.
Corro para a garagem os três já estão dentro do carro: Marcos no banco do lado do motorista e Aline e João atrás. Entro e rapidamente saímos de casa; já na rua dirijo o carro em direção contrária à saída da cidade.
*
Meia hora depois estamos cantando todos juntos uma música que toca no rádio quando chegamos á Fazenda Lavorini— como está na placa de madeira na entrada. Marcos desce e abre a grande cancela de madeira para que eu entre com o carro e eu paro para esperar por ele; quando ele abre a porta do passageiro e se prepara para subir eu ando um pouco para frente e ele quase cai; eu, Aline e João caímos na gargalhada. Depois que Marcos sobe continuo a dirigir.
Estaciono embaixo da sombra da grande árvore que fica perto do casarão construído á tipo uns cinquênta anos antes de eu nascer – ou mais – e nós vamos andando sobre a grama já imaginando quais serão nossos cenários para as fotos.
—Bom dia, Thomás! – Melquiades, o caseiro, diz ao nos receber na entrada da casa. – Bom dia garotos e garota.
—Bom dia – respondemos juntos e então eu digo: – Nós viemos hoje para tirar algumas fotos, Joana pode preparar um almoço para nós? Desculpa se está meio encima da hora. – Joana é a esposa dele.
—Sem problemas, seu pai ligou para avisar que viriam, quando sentirem fome tudo já estará pronto. – Ele diz e então entra.
—Então, mãos á obra. – Digo e vamos para o maior quarto do casarão.
Jogamos todas as roupas sobre a cama – e algumas no chão – e começamos á escolher o que vamos vestir; algumas das roupas de Marcos são largas e servem em mim e em João então temos menos opções, mas isso não diminui nosso entusiasmo com a seção. Aline escolhe as primeiras roupas que vai vestir e começa á se trocar em nossa frente, mas isso deixa João um pouco constrangido e nós rimos dele.
Quando já estamos todos vestidos, Aline começa a nos maquiar, depois de Marcos é a minha vez e quando olha meu rosto ela diz:
—Thomás você está com olheiras horríveis – e então começa á passar algo em meu rosto.
—Eu não tenho dormido muito bem – falo simplesmente.
Depois de maquiar João e á si mesma vamos os quatro para fora. Os três se sentam na grama fazendo “pose de modelos” e eu tiro algumas fotos. Então eles se levantam e fazem mais poses enquanto eu clico.
—Agora eu tiro as fotos – João diz e eu entrego a câmera para ele.
—Vamos para perto do carro como se fossemos garotos propaganda – Aline diz e nós vamos até o carro e fazemos várias poses. Minutos depois ela diz: — Hora da próxima troca de roupa.
Corremos para dentro de casa e escolhemos as próximas peças, me visto rapidamente para colocar um coturno preto de Marcos que parece ser um pouco difícil de calçar.
—Vamos tirar fotos no mesmo lugar? – João pergunta.
—Podíamos ir para a ponte – Aline diz.
—Aquele troço ta muito velho – digo rindo.
—Tudo pela arte – Marcos diz e Aline concorda com ele.
—Vocês podem fazer o que quiser, mas eu não fico encima de nada que tenha uma pequena possibilidade que for de cair. – João diz de forma dramática e nós rimos.
Pegamos as roupas que estão espalhadas sobre a cama e o chão e guardamos nas bolsas e á levamos para nos trocarmos depois. Quando saímos da casa andamos um pouco para a parte da fazenda onde o mato está alto e passamos por um pequeno caminho até chegarmos á ponte. Ela foi construída porque antes um rio passava por aqui, mas ele secou um pouco desse lado, ainda há água, mas como foi possível abrir um caminho para passar por ele perto da entrada da fazenda a ponte ficou esquecida – a parte cheia do rio passa no fundo da propriedade, meu pai mandou fazer uma cerca de madeira com uma porta em cima de um pequeno morro próximo á ele para que quando a porta estivesse aberta e você olhasse de longe parecesse que você olhava para o mar; quando está nublado lá é um dos lugares mais bonitos que já vi.
Há mais ou menos duas semanas houve um pequeno “acidente” com uma fogueira que os filhos do caseiro fizeram e parte do mato perto dessa parte do rio pegou fogo, agora olhando de um determinado ângulo a cinza perto da água parece com neve.
—Você vai na frente – Marcos diz para Aline assim que paramos na ponte. Ele está usando uma camiseta branca, um casaco cinza de lã, uma calça justa do mesmo material do casaco com um short de estampa floral por cima, e um sapato de camurça marrom; por fim ele pegou uma bolsa pequena de couro e a colocou sobre o ombro.
Aline vai andando na frente — ela está usando apenas uma camiseta preta, um casaco preto e branco quadriculado e uma saia preta; ela calçou meias brancas e marrons que chegam até o começo da canela e sapatos marrons – quando ela está um pouco a frente Marcos vai atrás e eu tiro uma foto dos dois de costas; olhando pela câmera a ponte velha parece nova, mas então escutamos a madeira estalar.
—Pode voltar – Aline diz se virando e Marcos começa á correr de costas, quando chegam ao fim da ponte os dois caem um sobre o outro e eu tiro algumas fotos.
—Essas com toda certeza serão as melhores – digo rindo.
Vamos para perto de algumas árvores e tiramos mais fotos e então decidimos trocar de roupa quando Aline diz que quer uma foto só de nós dois.
Visto uma calça jeans com aparência de velha e um casaco preto sem nada por baixa então simplesmente o fecho. Aline veste um vestido branco de manga longa e coloca um cinto de couro; ficamos os dois descalço em um ponto onde o mato está um pouco alto.
—Fiquem de frente um para o outro – Marcos diz segurando a câmera. – Agora Thomás coloque a sua mão sobre a dela. – Estico minha mão direita até a de Aline e ele tira a foto.
—Não que eu esteja querendo acabar com a seção de fotos – João fala de repente. – Mas será que não podemos ir comer agora?
—Tudo bem vamos! – eu falo.
Pegamos todas as nossas coisas e voltamos para o casarão depressa, quando chegamos lá o almoço já está todo disposto encima da grande mesa na sala de jantar. Conversamos sobre as fotos enquanto comemos e quando já estamos satisfeitos olhamos o resultado na câmera, ficaram todas ótimas.
—Vamos continuar com as fotos ou já se cansaram? – Pergunto e os três sorriem.
Vamos para o lado de fora e nos sentamos debaixo da árvore onde o carro está e escolhemos nossa próxima roupa. Tiro o casaco preto e acalca jeans e visto uma calça de moletom preta, quando me sento para calçar um tênis o telefone de Aline toca avisando que chegou uma mensagem.
—Vocês não vão acreditar – ela diz. – Aparentemente Frederico está indo dar uma super festa hoje.
—Frederico meu tio? – João pergunta.
—Não, Frederico Batista aquele idiota – ela responde.
Paro por um momento pensando quando de repente tenho uma super ideia.
—Nós vamos embora agora – digo.
—Por quê? – Marcos pergunta.
—Porque eu vou dar uma festa lá em casa hoje e ninguém vai aparecer na festa do Frederico. – Me levanto ainda segurando o tênis com a mão direita. – Aline você dirige, Marcos você e João levam as outras coisas para o carro. – Corro para dentro do casarão e encontro Melquiades e Joana retirando a mesa. – Nós já estamos indo, muito obrigado pelo almoço estava tudo ótimo.
—Sem problemas, Thomás – Melquiades responde.
—Vai com Deus, filho – Joana diz sorrindo.
Volto correndo para fora e Aline já está manobrando o carro para a saída, quando ela para abro a porta do carona e ela diz:
—Não estamos esquecendo nada?
Olho para trás para ver se tem alguma coisa caída no chão, automaticamente enfio a mão no bolso procurando por meu celular e então escuto um clic. Olho para Marcos que está no banco de trás.
—Essa foto vai ficar ótima em preto e branco – ele fala e eu sorrio.
—Seu telefone está aqui – Aline diz me entregando o celular. – Vamos!
Entro no carro e fecho a porta com força.
—Vamos, temos uma super festa para organizar. – Falo sorrindo. – Alguém pode me dar uma camisa, por favor?!
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