A Inútil Capacidade de Ser Receoso

6 Cinco - COMO CONHECI MEUS MELHORES AMIGOS


Foi no início do primeiro ano.

A escola chamou os pais para a reunião regular de início de ano para falar daquelas coisas chatas como uniforme, atraso do pagamento da mensalidade e outras baboseiras.

O fato é que lá estava eu sentado ao lado dos meus pais me segurando para não dormir porque eu havia passado a noite toda assistindo pornografia pela internet quando vi Aline se levantando e indo em direção a saída do auditório. Eu achei ela linda, eu nunca havia visto ela na escola e fiquei realmente interessado.

Disse para meus pais que estava com sede e que ia até o bebedouro e sai do auditório.

Quando cheguei lá fora ela estava conversando no telefone — meses depois eu descobri que ela estava falando com Marcos (que não havia ido a reunião) sobre mim, porque ela já tinha me visto e decidiu sair do auditório pra chamar minha atenção.

Assim que eu me aproximei ela desligou o telefone e se virou me olhando.

—Oi — eu falei.

—Olá — ela respondeu toda sorridente.

—Você não é daqui de Rosa Maria. — Falei, eu lembraria se já tivesse visto ela.

—Não, meus pais já moram aqui a algum tempo, mas eu morava em São Paulo, em um colégio interno.

—Colégio interno? Não sei se suportaria isso.

—É, era horrível, por isso decidi vir morar aqui com meus pais.

A gente ficou por um minuto desconsertante em silêncio até que ela disse:

—Olha eu sei porque você veio atrás de mim, que tal fazermos isso logo?

Então eu a segurei pela mão e a levei até o carro do meu pai no estacionamento, mas como as portas estavam trancadas começamos a nos agarrar alí fora mesmo.

Quinze minutos depois nós estávamos sem as blusas e eu apertava o peito esquerdo dela por cima do sutiã quando escutamos passos vindo em nossa direção. Nós olhamos por cima do carro e tomamos um susto ao ver que todos estavam saindo do auditório e ironicamente nossos pais vinham juntos conversando.

—Merda! — Eu disse enquanto vestia rapidamente a blusa e ela também. E saímos escondidos por trás dos carros pra dar a volta e encontrar nossos pais sem nos despedir.

Quando estávamos no carro voltando para casa minha mãe disse que havia convidado uns amigos para o jantar e que eles iriam levar a filha e o sobrinho que moram com eles. Eu não pensei que fosse os pais de Aline porque não tinha visto eles com garoto algum.

Na hora do jantar a campainha tocou e assim que eu desci pela escada vi Aline parada ao lado de seus pais e atrás dela um garoto alto de cabelos escuros.

Quando eu cheguei lá embaixo meu pai disse:

—Thomás leve Aline e Marcos para conhecer a casa.

—Claro, pai — eu disse me segurando para não rir.

Depois que nossos pais foram para a sala de jantar eu comecei a rir e Aline e Marcos também.

—Então você é o garoto do carro? — Marcos disse quando paramos de rir, mas então começamos a gargalhar de novo.