A Inútil Capacidade de Ser Artificial
5 Quatro – MINHA TRÁGICA VISITA AO CIRCO
Eu tinha dez anos na época e estava no quarto ano.
Meu pai nunca foi do tipo que sai comigo e com minha mãe para qualquer lugar que fosse – a não ser os jantares em datas especiais na casa da minha avó em Belo Horizonte –, mas como o circo estava na cidade naquela época minha mãe insistiu até que ele decidiu nos levar para ver um espetáculo.
Eu estava completamente animado, eu ficava repassando na minha cabeça sobre às vezes em que eu vi algum programa na TV falando sobre circos e sobre todas as apresentações que têm na maioria dos circos – meu desejo maior era ver o trapezista, eu sempre ficara fascinado com a ideia de alguém ter coragem de ficar se jogando de balanços em cordas suspensas no ar sem nada que os protegesse; eu estava muito ansioso!
Quando chegou o dia que iríamos ao circo eu me comportei o máximo que pude para que meu pai não desistisse de nos levar, e eu estava totalmente arrumado quando já de noite chegou à hora de irmos. Quando chegamos ao local em que estava o circo meu pai comprou nossa entrada e nós nos acomodamos em um lugar na arquibancada de madeira que estava toda decorada com velas de diferentes cores já acesas.
De repente toda a luz da tenda se apagou – restando apenas a luz das velas – e um homem começou a falar por um auto-falante sobre o circo e todas aquelas baboseiras.
Mas então começou uma movimentação estranha por debaixo da arquibancada e eu comecei a me sentir assustado, e então de repente algo segurou em minha perna e em um ataque de reflexo puxei minha perna, chutei uma vela que caiu sobre a madeira e começou um pequeno incêndio repentino.
Assustada com o fogo que se iniciara minha mãe começou a gritar, o que assustou as outras pessoas que começaram a sair correndo derrubando mais velas e começando mais focos de incêndio e então todos nós tivemos que sair apressadamente da tenda – já que essa mesma acabara se incendiando também.
Do lado de fora nós descobrimos que o que pegou em minha perna foi um dos atores da primeira apresentação do circo, e que eu acabei me assustando à toa.
E embora todo o ambiente do circo fosse de risco por causa das velas acesas encima da madeira, até hoje corre na justiça um processo do dono do circo contra meu pai pedindo que ele pague o prejuízo que eu causei.
E bem, até hoje eu ainda tenho esse receio de entrar em qualquer circo que seja.
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