Era uma vez uma questão: "Esperança? O que é isso?" "Boa pergunta!" Nunca realmente responderia tamanha dolorosa dúvida.

Tudo o que acontece naquela cidade de São Paulo, fazia com que nada mais aconteça, e nada mais aconteça. Todo evento que acontecesse faria com que ele mesmo se repetisse, realmente, nada de novo, e então é uma pena, pois se alguém pudesse fazer algo sobre isto, uma catástrofe poderia ser evitada — ou pelo menos, teria que encontrar outra maneira de acontecer.

Ian Irons era um escritor de 30 anos sem família, contava histórias trágicas na coluna do JNSP sobre pessoas, pessoas tristes que não se davam bem em nenhum final, hora morriam de acidente, de um desastre, nunca "felizes para sempre". Ian tinha o mal do século dado como as próprias vidas que perambulavam por aí. Milhares de invenções foram criadas p/ tentar acabar com as dificuldades de todos os seres humanos, mas a ignorância e o narcisismo conseguia vencer as boas intenções, até se Jesus nascesse outra vez, o que dava sentido á frase bordada em sua almofada "Mesmo com todos os problemas de onde eu vim, são melhores do que viver aqui."

Todo mundo tem uma grande oportunidade na vida. Se você por acaso perder a única importante oportunidade, todo o resto se torna incrivelmente chato. A única oportunidade que Ian não perdeu fora sua namorada Elena, uma mulher de 28 anos, meiga, que sofria de ataques do coração frequentes nos últimos anos.

Questionava-se Ian todas as noites, o que uma mulher tão doce e amena fazia com um merda como ele. As pessoas não costumam ser gentis umas com as outras á toa em Campinas.

Porém, numa rotina monótona, ele sempre a indagava: "Você está feliz?" Elena respondia "sim" com um sorriso cândido. No decorrer dos anos, ela debilitou-se e sempre que Ian gritava "Você está feliz?" A moça só chorava e assentia, chorava, assentia. Ian gritava, Elena chorava, e com passados dois anos, a mulher morreu de desgaste, durante o sono com uma parada cardíaca. Realmente muito triste.

Médicos diziam ao escritor que não se culpasse, contudo ele tratava de não aceitar o fim de uma vida, ou o inicio de outra

Ian começou a achar que o mundo oscilava vertiginosamente ao seu redor, sem motivos, ainda que mínimos de que algo valesse á pena, nenhum, nem umzinho. A primeira coisa a fazer era tentar tapar o buraco em seu peito, mas o que fazia antes em três horas, levava três dias, então duas semanas após a morte de Elena, respirar e desejar coisas tornaram-se prioridades duvidosas. Ás vezes, desejava tanto que ficava ofegante precisava recompor-se, sozinho, em sua casinha, longe de tudo que uma vez sonhara.

Já que ontem sua amada estava sentada no banco ao lado, e de um minuto ao outro ela sumiu, sem vestígios, o assento nem sequer estava quente, e as outras pessoas não sabiam o desespero.

A consequência é que Ian desejou um corpo em plena necrose, apodrecendo por dentro e é por esta razão que rapidinho ela putrificou e evaporou remotamente sem que ele pudesse abraçar sua nuvem de fumaça.

Sem aguentar mais um minuto, Ian Irons matou-se na banheira, com uma garrafa de vinho branco na mão enrugada, deixou sua parte mais detestável e cabisbaixa inanimada em espirito, resultado de toda a vaidade do mundo. Uma coisa em comum em todas as pessoas: amar o que não possuí desígnio vertente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!