A Incrível Capitã "Pepper Nose" Yennipher
4 A fazenda de batatas do Senhor Humbelt
Sir Slepphenir se aproxima da porta do armazém com esperança nos olhos. Fazia uns bons anos que ele não via o Senhor Humbelt, ele serviu a seu pai durante toda sua vida, quando Sir Slepphenir nasceu o Senhor Humbelt tinha quase vinte anos de idade e estava no seu primeiro ano de serviço como guarda da Família Slepphenir. Durante toda sua infância foi ele quem ensinou como portar uma espada e se defender, por mais que Sir Slepphenir não gostasse de violência. Pouco depois de Sir Slepphenir completar vinte e um anos de idade, o Senhor Humbelt já era um veterano nas fileiras da guarda e foi culpado por um ato hediondo que nem Sir Slepphenir nem seu pai, que era o duque acreditavam que fosse ele, mas a pressão popular era muita, então invés de pagar a pena capital o duque resolveu exilá-lo com lágrimas nos olhos. E aqui está ele, plantando e vendendo trigo! Alguns quilômetros de casa...
—Bom dia – diz Sir Slepphenir já adentrando no armazém – Senhor Humbelt?
O armazém inspirava uma aura de casa de vô, com um pouco de cada coisa exposta pra vender: pães, cereais, óleo, lenha, bolo, comida seca, ferramentas como pás, picaretas, cordas... enfim, de tudo, pendurado nas paredes e espalhados por todos os cantos. E no meio daquilo tudo os dois senhores de idade conversando e rindo.
Os dois senhores de idade se viram em direção a porta. São bem parecidos, como se fossem irmãos, vestiam roupas parecidas, feitas de linha, grossa, eram enrrugados como bons velinhos e magrinhos. A maior diferença entre os dois eram o cabelo, um não o tinha, era careca e vestia galochas enquanto o outro tinha um belo topete branco e sapatos de couro.
M-Sim, meu jovem? Eu sou Humbelt. — Diz o senhor careca enquanto erguia seu dedo indicador na altura do peito. — E você, quem é? -
—Senhor Humbelt! Sou eu, o pequeno Slepphenir, aquele que o senhor tanto bateu na cabeça por não querer segurar uma espada direito! Como o senhor envelheceu… — Sir Slepphenir parecia estar se exaltando de alegria e já soltara a mão de Yenni enquanto adentrava o armazém.
Yenni não estava entendendo nada, aquele não era ninguém que ela conhecia, mas parecia que seu pai gostava muito dele...
—Sim! Slepphenir, lembro desse nome, você não é nada pequeno, senhorzinho, nem parece aquele garoto de mão frouxa. — Humbelt começa a rir enquanto cutuca o outro senhor. — O garoto não queria nem por um milagre pegar na espada, o pai dele me pediu pra ensinar ele e ele nem aí, acredita, Hans?
— Pois é claro que acredito! — respondeu o outro senhor — ninguém é obrigado a ser um bruto como você! — e começaram a gargalhar juntos, os dois senhores.
Depois de uns minutos rindo juntos, Humbelt resolve que já é hora de voltar pra casa.
—Bom, Hans, daqui a pouco a noite cai e eu ainda estou aqui rindo com você e aparentemente eu tenho visitas hoje, eu vou indo pra casa, já que as batatas estão entregues! -
—Perfeitamente, Humbelt, pode ir. A! Pegue um desses pães aqui, pão feito das suas batatas!-
Então senhor Humbelt pega o pão das mãos do senhor Hans e faz uma espécie de saudação baixando a cabeça e se curvando levemente e logo em seguida sai do armazém seguido por Sir Slepphenir e a pequena Yenni.
A pequena Yenni puxa as vestes do pai que logo se agacha para escutar-la
—Papi, quem é esse vovô?
—Esse vovô é um velho conhecido do papai e agora vamos ficar na casa dele, uma fazendo muito quentinha.
Ao perceber que ela não irá mais passar frio Yenni fica muito mais feliz e caminha saltitando enquanto segura na mão de seu pai.
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