A Inconstância de Thara

2 Reencontro dos antigos


A noite de sexta feira fora um sucesso, com várias repetições daquela cena. Richard acabou por dormir na casa de Thara, e no sábado, só saíra de lá para entregar o projeto do Sr. Oslaud. E então voltara para o apartamento, onde passou o dia entrelaçado com Thara. Seus corpos se abraçaram por toda a casa, e passaram a maior parte do dia nus; foi um sábado prazeroso com Richard não tinha a muito tempo.

No fim do dia, foi convidado para dormir lá novamente, mas recusou. Tinha que ir pra casa, para arrumar as malas para viajar no dia seguinte. Além disso, Thara não tinha certeza de que horas seu marido voltaria no dia seguinte; resolveram não arriscar.

Thara acompanhou Richard até a porta de seu apartamento então, onde se despediram.

–Boa viagem, meu querido. Volte logo para meus braços!

–Não tenha dúvidas de que voltarei. Sentirei saudades.- e se beijaram.

Então Thara olhou fundo nos olhos de Richard, e suspirou. Disse, por fim:

–Eu te amo.

–Eu também te amo.- era a primeira vez que declaravam amor naquele fim de semana.. Richard não teve problemas em falar; “ela falou primeiro”, ele pensou.

Mas aquelas palavras tinham certo poder, que o homem ainda não conhecia bem. Antes que Richard pensasse em descer as escadas, o amor se consumou mais uma vez, ali no sofá, com roupas apenas levantadas ou abaixadas, mas não retiradas. Thara dormiu nos braços de Richard, que aproveitou o momento para ir embora.

Ele chegou em sua casa, exausto pelo cansativo sábado. Pensou em tomar um banho, mas não teve forças; deitou-se em sua cama, e colocou seu celular para despertar. “O ônibus amanhã só sai 14 h… vou ter tempo de arrumar as malas amanhã.” conseguiu pensar, antes de cair no sono.

Seu domingo foi extremamente corrido. Seu celular despertou, e ele levantou e tomou um banho rápido. Então percebeu que as roupas que queria levar em sua viagem estavam espalhadas pela casa; algumas estavam sendo lavadas, outras secando no varal que havia no quintal, outras estavam dobradas e guardadas nas gavetas de seu guarda-roupa preto, e algumas empilhadas em um amontoado confuso de peças. Demorou um longo tempo para conseguir reunir e passar todas as roupas.

A casa de Richard tinha uma decoração toda rústica. As paredes eram cobertas com tábuas, que davam a impressão de que a casa era feita de madeira. A mesa da sala também era de uma madeira de acabamento rústico, e o sofá era feito de couro marrom. Em seu quintal, árvores frutíferas diversas cresciam.

Quando acabou de arrumar as roupas, mal teve tempo de engolir a lasanha que acabara de sair do micro-ondas. Enquanto comia, ligou para uma empresa de táxi. Quando saiu de casa, o veículo já o aguardava na porta.

–Vá para a rodoviária. Te dou 30 reais a mais se você chegar lá em menos de 20 minutos.

O taxista saiu disparado pelas ruas, e quase bateu o táxi algumas vezes. Ainda assim, não conseguiu fazer o tempo esperado, e em vez de ganhar a gorjeta, escutou alguns xingamentos de Richard, que quase vomitara a lasanha.

O homem disparou pela rodoviária, arrastando sua mala pelo saguão. O ônibus sairia em 5 minutos. O bom é que, por ser um ônibus, não teria que fazer cheque-in. Já corria para as escadas que davam acesso à área de embarque, quando esbarrou com uma parede.

–Você não olha por onde anda?- A parede disse. Não, não era uma parede. Era um homem, extremamente alto e forte, de pele negra e careca.

–Me desculpe… O homem encarou Richard no olho.

–Espere… Richard?- Perguntou de repente. Richard olhou no rosto do homem, tentando reconhece-o. O rosto era familiar. Richard tentou puxar da memória, talvez algum cliente…

–Eu te conheço?- Perguntou, por fim.

–Meu Deus, Richard, eu reconheceria esses seus olhos de qualquer lugar! Você não lembra de seu velho amigo Albert?

O nome foi com um chicote estalando na memória de Richard, que fez com que ela funcionasse. Ele lembrou-se de sua adolescência. Albert fora seu melhor amigo da juventude, os dois estavam juntos para tudo, até que Albert brigou com a mãe de Richard. Desde então, a mãe de Richard não permitiu mais que os dois saíssem juntos, e perderam contatos pouco a pouco.

–Albert! Que saudades de você cara! O que você faz aqui na capital!

–Ué, eu moro aqui agora!

–Sério? Eu também! Temos que nos voltar a nos falar, mas agora estou com tanta pressa…

Albert pegou o celular de dentro do seu bolso.

–Me passa logo seu número ai, e vai então

Richard falou seu número, um pouco embolado. Albert, sem paciência, entregou o celular para Richard, que digitou o número, devolveu o celular e disparou pelas escadas.

O ônibus tinha um acolchoamento interno em um tom de azul-marinho, com poltronas macias e extremamente confortáveis. Richard mal teve tempo de se sentar em sua poltrona antes do ônibus arrancar. Estava numa das primeiras linhas de cadeiras, sentado na janela direita. Olhou para trás, e viu que uma criança estava sentado atrás dele. Sabendo que não a incomodaria, reclinou sua poltrona para trás. Encostou sua cabeça na janela, e dormiu mais uma vez, ainda se sentindo cansado pelo fim de semana de festa.