A Inconstância de Thara
4 Um bar, uma cerveja, uma conversa
Se passou uma semana, como outras tantas qualquer. Albert saia para trabalhar deixando Thara em casa para ir a academia, spa, salão de beleza e etc, além de vigiar a empregada Juliana arrumando a casa.
Albert era um empresário, dono da Racatapum, rede de vendas legais de armas de fogo. Sua loja já tinha sede em várias cidades além da Arcopy, e estava em fase de expansão: a atual meta da empresa era ter uma loja em cada cidade do estado. Por isso, Albert estava tendo muito trabalho: não tinha aberto sociedade com ninguém, e estava encarregado de definir as próximas cidades a receber sedes, bem como o posicionamento delas dentro da cidade.
Um dia, chegou em casa e decidiu ligar para Richard. Marcaram de se encontrar no sábado, em um bar no centro da cidade. A semana então, para Richard, passou voando.
Logo era sábado, 19 horas. Albert tinha acabado de se deitar com Thara, que agora o ajudava a se arrumar. Saíram juntos do banho, e Albert vestiu uma camisa branca estampada, com uma calça jeans escura. Vestiu uma blusa de frio, e foi para o bar.
Chegou antes de Richard, e teve que ficar sentado esperando um pouco. Richard chegou cerca de 10 minutos atrasado.
–Albert!- ele disse, quando chegou. -Você está mesmo morando aqui! Mal consigo acreditar!- Richard puxou uma cadeira e se sentou.
–É, vim pra cá ganhar a vida. Montei um negócio pra mim com as armas do papai, e agora sou dono da Racatapum. Garçom! Trás uma cerveja aqui na mesa!
–Você é o misterioso dono da Racatapum? Meu Deus, mal posso acreditar! Se deu bem na vida, então?
–Sim, a empresa está indo muito bem, você sabe. Ganho dinheiro só de respirar.- Albert riu. -E você, o que tem feito da vida?
–Bem, eu me tornei um arquiteto. As vezes ganho muito dinheiro com meus projetos, também. Sabe a mansão que o Sr. Osvald vai fazer no centro? O projeto é meu.
–Você, fazendo projetos para o Velho Osvald? Quem diria! Tem ganhado muito dinheiro também, então, não é?
–É, mais ou menos. Os projetos são caros, e as vezes fico muito tempo sem receber nenhum.- o garçom chegou, trazendo a cerveja. Serviu o copo dos dois, que começaram a beber.
–Mas se você já está fazendo projetos pro Velho Osvald, deveria ser o mais requisitado dessas bandas!
–Foi meu primeiro grande projeto. Acho que agora as coisas vão melhorar… peguei uma parte desse dinheiro e fui pro interior, rever minha mãe.
–Aquela velha. Me diz, ela ainda está careta como sempre?
–É, ela não mudou muito.- Albert riu, um pouco escandaloso. Richard acabou por rir também, um pouco mais contido.
–Você também não mudou nada, não é? Sempre querendo ver as coisas se encaixando perfeitamente. A vida não é assim amigo, a vida não é assim
–E você, sempre muito honesto, hein.
Os dois riram, já começando a sentir o efeito do álcool. Albert pegou o cardápio, e vasculhou-o em busca de algo.
–Garçom!- gritou Albert. -Venha cá! Traz pra gente uma dessas costelas aqui. E traz também um pouco de molho de churrasco.
Os dois conversaram sobre assuntos aleatórios, enquanto a carne não chegava. Carro, futebol, politica. Quando as costelas chegaram, Richard não quis comer muito.
–Não vai comer isso ai não?- Albert pergunto.
–Não sou muito fã…
–Entendi. Por que você não me falou quando eu estava pedindo?- Richard não respondeu. -Droga, Richard, você ainda se comporta como uma garotinha, não é?- Albert riu. -Tudo bem, certo. Por falar em mulheres, como está o nosso namorador, hein.?
–Não estou, cara. Me apaixonei por uma mulher casada.
–Que burrice, hein.! O que ela tem?
–Ah, ela é linda, tem um corpo esculturar… é romântica, adora ficar abraçada comigo
–Espera ai, ela tá metendo a galhada no marido! Oh, Richard, em que encrenca você se meteu. Quem diria!
–Eu acho até que ela vai se separar do marido pra ficar comigo.
–Por quê?
–Pelo o que ela me conta, o relacionamento deles não está muito bom. Ele é um grosseirão, foi acampar e não convidou ela…
–Acampar?- Albert perguntou, com o coração disparando de susto. Afinal, ele tinha ido acampar, e não tinha convidado Thara. Será que era apenas uma coincidência?
–É, ele ia voltar no dia que nos encontramos na rodoviária. Eles nem se amam mais, diz ela que tem meses que não se deita com ele.
–Meses que o corno não come a mulher?- Albert riu, aliviado -Que susto você me deu, por alguns instantes achei que fosse a minha Ruivinha. Mas não é, aquela mulher fogosa quer dar pra mim quase todos os dias, e como é selvagem… nada desse seu romantismo ai. Você tem que conhecer ela, vai esquecer da sua casada rapidinho.- Albert riu. -Que mulher deliciosa a minha, uma ruiva branquela, com uma carinha de santa, mas só tem cara, viu. E que corpo, meu Deus Richard, você vai babar com o corpo dela!-
Quem tinha uma cara assustada agora era Richard. Engoliu um copo de cerveja inteiro de uma vez.
–Albert, onde você está morando?
–Num prédio lá no bairro das Cabeças…
Albert encarou Richard. Este, tinha uma cara extremamente assustada, como quem tenta procurar uma saída para o labirinto. Falou, por fim.
–Não me diga que sua mulher chama Thara.
–É, como você adivinhou, conhece ela?
–Oh, Albert… muito melhor do que você vai gostar de saber.
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