O caminho foi longo e silencioso, o clima pesado e desconfortável só era quebrado pelas poucas palavras de seu marido ou pela música pesada vinda do rádio.As batidas repetidas da bateria e dos acordes furiosos das guitarras deixavam a qualquer um furioso.Inclusive nossa incineradora.

-Dá pra você abaixar isso?- Rosnou ela.

-Calma!Você está tão estressada querida...Aposto que quando chegarmos em nossa casa você se alegrará!

-Aposto que deve ser algo bem ridículo, assim como você...-Resmungou ela.

-Se a casa for ótima para você, terá que me pagar.Agora, se você não gostar, pode destruí-la, queimar...O que for!

-Então está apostado, querido.Huhuhu, mal posso esperar...

-Mas, espere!Não quer saber qual será o seu preço?

Ela parou de rir naquele momento.E então o encarou com curiosidade.

-Que preço?

-Se por um acaso você gostar...Terá que aceitar ser minha esposa, e nunca mais se queixar de nada.Ser somente minha e agradecer por isso.Está bem?

Ela esperou algum momento até que pudesse pensar em algo que seria chamado de “plano” mas tarde...E logo respondeu.

-Tudo bem!-Disse ela se recuperando de seu estado irritadiço.

Ela logo pôs se a arquitetar um plano.Iria matá-lo, isso era fato.Mas deveria pensar em todos os detalhes, como iria fugir e apagar as pistas?Tudo deveria ser arquitetado com cuidado.Deveria ter muito cuidado com todas as suas ações...Seria um pouco difícil não sucumbir à tentação de matá-lo rapidamente.

Quando chegaram à sua nova casa, ainda estavam no inicio da tarde...”Hmm, acho que em menos de 7 horas poderei finalmente me ver livre dele...”.

-Bom, aqui estamos!Então, o que acha?-Perguntou ele animado ao deixar suas malas na sala de estar.

Ela analisou o lugar com os olhos: a casa ficava localizada em meio a uma clareira rodeada de árvores, dando um aspecto de isolamento ao lugar.A casa em si era grande, dois andares amplos com uma grande varanda no quarto principal, uma sala arejada e equipada com móveis brancos, como toda a casa.Isso a dava um ar de hospital, como o branco enloquecedor utilizado para acalmar a todos...Mas isso só a irritava ainda mais, ela queria levar tudo a baixo e oferecer o resto ao seu amante.Mas não o fez, mentiu e pôs seu plano em pratica.

-Adorei.Principalmente o fato de ser longe de tudo e de todos...Poderemos nos divertir muito aqui, não é?-Disse ela se enroscando em seu pescoço.

-Estou gostando disso, acho que finalmente você está entendendo que agora é minha esposa...-Disse ele vitorioso por enfim “domar” nossa incineradora.

Oh, pobre homem!Ninguém seria capaz de doma-la...Talvez ele achado que agora ela se entregara totalmente, pois não relutou ao ser levada para o quarto.Mal sabia ele que aquilo era somente parte de seu plano.

Quando o crepúsculo finalmente chegou, eles já haviam terminado com a sua diversão e se preparavam para o jantar.

-Deixa que eu preparo!Esse não é o papel de uma esposa?-Gritou ela ao ver que ele se apossava do avental.

-Sério?Você não irá me envenenar, não é?-Brincou ele.

“Eu não te matar de um jeito tão simplório, não seria justo depois de todo o que passei em suas mãos...”.

-Hahaha, pode deixar querido!Alias, eu já não te provei que eu quero ser sua esposa?Aquilo lá em cima não foi o suficiente?

-Acho que prefiro ignorar esse seu argumento.Se bem que ele é bem convincente...

Depois de um tempo na cozinha, a refeição já estava pronta.A incineradora não conseguiu comer, a ânsia por mata-lo era tanta que não a deixava ingerir nada.

Ela teve que se deixar levar para o quarto novamente.Ele provavelmente era alguém insaciável.Mas isso logo teria um fim...

Quando ele já dormia, ela se levantou e vestiu uma roupa.Fitou novamente a figura dele deitado, desprovido de roupas e aninhado em um sono longo.

Desceu as escadas e pôs se a analisar sua estratégia de fuga.Depois era a vez de analisar como iria dar um fim em seus documentos, já que iria ter que “morrer” para a sociedade depois daquilo...Pegou uma tesoura e cortou seus longos cabelos, que agora estavam muito curtos.Jogou as mechas na lareira e foi então que se lembrou de algo muito importante: não havia o sedado ainda.

Correu para o quarto levando consigo, sua bolsa.Acalmou-se ao ver que ele ainda dormia.Pegou a seringa e rapidamente aplicou seu conteúdo nele.”Isso só dará para uma hora, isso será o suficiente... Desse jeito ele acordará quando não houver mais escapatória. É uma pena não poder vê-lo desesperado...”.

Desceu e continuou com seu plano.Recolheu papéis, garrafas de álcool, toalhas, roupas, vinhos e qualquer líquido inflamável.Com muito cuidado, encharcou tudo com o álcool, vinho e alguns produtos de limpeza que também encontrara.Lembrou-se do pequeno galão de gasolina de reserva que seu marido a mostrara.

Correu para o carro e o retirou com grande triunfo do porta-malas.Derrubou um pouco de seu conteúdo nos sofás caríssimos de couro e nos tapetes felpudos que tanto odiara, depois equilibrou o galão no braço da poltrona que ficava ao lado da lareira.Amarrou um barbante em sua ponta, e deixou o carretel em cima do primeiro degrau da escada.

Espalhou as roupas das malas e as malas por toda casa.Recolheu alguns gravetos do quintal e os jogou no quarto de visitas ao lado do seu.Certificou-se de que o colchão que colocara no jardim estava no lugar certo.”Não seria muito legal cair daqui de cima, tudo o que eu menos quero é um pé torcido...”.Sim, ela pularia do segundo andar da casa quando chegasse a hora.

Com muita alegria ela acendeu a lareira, ver seu amante a deixou muito feliz.Rapidamente, ela foi acendendo todas as velas, gravetos espalhados pela casa.Derrubou um isqueiro em um sofá e saiu em disparada ao seu quarto, levando consigo o carretel de barbante.Chegando lá, atirou os sapatos no andar debaixo (que já estava sendo consumido pelas chamas) e os trocou por outros secos.”Não seria agradável queimar minha perna por causa de um descuido”.

Deitou-se na cama, exausta.Olhou para o lado e viu seu marido que se remexia bastante.”O efeito já deve estar passando, é melhor eu me adiantar”.Mas foi impedida pela mão que segurava fortemente seu braço.

-Aonde você pensa que vai, querida?

Notas finais
Huhuhu..E agora,hein?