A Incineradora
4 A proposta
E assim se passaram 3 longos anos na vida da incineradora.
O garoto realmente demonstrava seu amor pela garota, por meio de cartas, presentes e carinhos.Já a garota...Bem, ela também demonstrava os seus mais sinceros sentimentos...Entregando ao seu amante todas as cartas e presentes que recebia.
Ele fotografava toda e qualquer “demonstração de afeto” da garota, assim, poderia usa-las contra ela, quando esta o desobedecesse.
Mas então ela se encheu dele.Foi naquele dia...O sol brilhava como em qualquer outro dia de primavera.
O garoto a levara a um parque para contemplar as flores que desabrochavam ali.
Foi em meio a um buquê te flores que um anel se apresentou.
-Querida, bem...Já faz muito tempo que estamos juntos.E seus pais acharam mais adequado que...Bem, que nós nos casássemos...
-Você está louco?Eu não vou me casar!Ainda mais com você!O combinado foi que nós namorássemos!
-Sendo assim eu mostrarei aquelas lidas fotos que tirei de você e seu “amante”.
-Faça o que quiser,eu não me importo.
E assim, ela finalmente se soltou das garras do primo...
E este cumpriu sua promessa: entregou todas as fotos que tirara aos seus pais.
E eles ao virem o que sua, até então, ”amável” filha fazia decidiram mantê-la em seu quarto até que resolvessem o que fazer com ela.
Passou-se muito tempo até que alguém lhe dirigisse a palavra novamente, e quase sempre esta pessoa era um psicólogo...
Ele fazia perguntas friamente, tinha um tom de desprezo em sua voz aspira.
Quando ele dirigia perguntas sobre seu amante, ela repetia a mesma coisa:
-Encontrá-lo, preciso.Apresentá-lo, preciso.Vê-lo, preciso.Queimá-lo, preciso.
E o psicólogo intrigado perguntava:
-Quem você precisa encontrar?
-Meu querido...
-Quem você, ou o que, precisa queimar?
-Aquele desgraçado...Preciso vê-lo e apresentá-lo ao meu querido...
Os pais assistiam desesperados às seções do psicólogo.Ele já chegara a mencionar a palavra “manicômio”...
-Creio que seja necessário.Sua filha tem um gênio perigoso, perturbado...Chega até a ser...
-O que doutor?
-Assassino...
-Mas minha filha não é louca!E nem muito menos assassina!
-Acalme-se senhora!Eu só sugeri uma solução, mas se você insiste...
E a garota assistia a toda cena calada, sentada em um canto do quarto.Repetindo as mesmas palavras murmuradas...
-Querido, preciso reencontrá-lo.Preciso sentir seu cheiro, preciso vê-lo consumindo aquele desgraçado do meu primo...
Seus olhos vagos brilhavam ao dizer isso.
“Ainda vejo aquele sorriso bobo que me irrita tanto, ainda sinto suas mãos tocando nas minhas... Quando fecho meus olhos, é a sua imagem que vem a minha cabeça...”.
Pensava ela quando olhava pela janela da varanda de seu quarto.
-Por que?Por que, meu Deus?Por que ainda penso nele se o odeio tanto?
-Por que talvez você me ame...
A garota se virou e se deparou com seu primo, que estava do lado de sua mãe.
-Como, por que?O que este desgraçado está fazendo aqui!
-Acalme-se minha filha!Isso lá é jeito de se falar com seu noivo?
-Noivo?!Mas que droga é essa afinal?!
A garota agora berrava, não entendia o que se passava ali.
“O que é isto? Um circo de loucos? Eu não vou me casar com ele! Nunca!”.
Mas foi necessário que a fúria da garota passasse para que então lhe explicassem o motivo de tudo aquilo.
Seu pai e sua mãe não sabiam o que fazer com a garota, já que estava louca e não era aceitável que ela fosse para um manicômio.
Pois então, a palavra “casamento” foi mencionada.
O pretendente?Seu primo.
Ele se comprometera em ajudá-la com seus “problemas mentais”.
Os pais aceitaram.E foi assim que a incineradora se tornou noiva.
Fale com o autor