Eu sempre me senti estranha perto dele, deve ser porque éramos amigos... Éramos, será que a gente deixou de ser amigo quando nos beijamos? Bem, esperava eu que não já que Diego era meu único amigo. Mas pra falar a verdade eu não me importava, uma hora ou outra a gente se afastaria de qualquer jeito e eu como sempre ficaria sozinha. Não havia motivos para sofrer por algo que se esperava.

Parecia que a lua brilhava ainda mais no céu, o que era meio clichê já que estávamos sentados em um banco na praça completamente sozinhos. Isso não deveria estar tão romântico.

–Então, o que você pretende fazer durante as férias, Laura? – Diego disse se sentando em sua perna e ficando de frente para mim.

–Na verdade nada, isso nem é férias de verdade. – Digo olhando em seu rosto. – São apenas alguns dias de descanso que fazem os alunos se sentirem ainda mais ansiosos pelas férias de verdade.

A gente fica em silêncio por alguns minutos e então me lembro de que me esqueci de perguntar a ele o que irá fazer durante suas “férias”.

–Mas e você Diego, o que vai fazer durante seus dias sem aula?

–Vou passar uma semana na casa do meu avô em Belo Horizonte. – Ele diz sorrindo, acho que foi porque eu finalmente fiz a pergunta para ele; como disse eu me sentia estranha perto dele, mas muito mais que isso eu agia de forma estranha. – Talvez quando eu voltar à gente possa combinar de sair...

–Tipo um encontro? – Eu o interrompo; aquilo era meio fictício demais, mas eu tinha que perguntar.

–Se você quiser.

Eu com toda certeza não deveria ter ficado com ele, antes quando éramos apenas amigos sem nenhum envolvimento carnal tudo era mais fácil, mas claro que eu tinha que querer ficar com ele só porque ele tem os olhos verdes e um abdômen definido. Claro que eu tinha.

–Acho melhor não, Diego – me levanto ainda ficando de frente para ele. – Seria ótimo se continuássemos sendo apenas amigos, mas acho que não dá mais para ser assim. – Começo a andar indo em direção ao caminho que vai para minha casa.

–Laura, espera!

Paro e me viro para ele, nós não podíamos ser amigos, mas parecia errado simplesmente fazer as coisas acabarem assim. O certo seria ele me deixando de lado e não o inverso.

–A gente conversa quando você voltar, tudo bem? – Falo forçando um sorriso.

–Tudo bem! – Ele sorri também.

Me viro e corro na direção da minha casa. Espero que ele não esteja me olhando.

Meu nome é Laura Azevedo, tenho 16 anos, estou no segundo ano do ensino médio, sou do signo de gêmeos; e você acaba de conhecer o garoto que estou fazendo de tudo – ou pelo menos o que posso – para não gostar.