—Tudo bem – Thomás fala meio que cuspindo enquanto tenta se segurar para não rir.

—Isso foi bem diferente – Aline também tenta segurar o riso.

—Podem rir, é engraçado mesmo – digo e os dois começam a gargalhar, e eu acabo sorrindo também.

—Agora eu acredito realmente que você tenha que ir com a gente – Thomás fala ainda sorrindo. – O melhor jeito de curar um trauma é enfrentando o que o causou, não é o que dizem?!

—Bem, como fui eu mesmo que causei esse trauma acho que vou ter que me enfrentar para ir ao circo com vocês. – Digo.

Ficamos conversando sobre outras coisas que podem causar traumas – assédio, brigas, assaltos, lagartixas raivosas – até que os nossos pedidos chegam e depois de Thomás chamar Larissa e o amigo dela nós começamos a falar sobre o tipo de comida que gostamos – Aline estranhamente ama misturar comidas do almoço com as comidas que normalmente comemos no café da manhã.

Quando já é quase três horas da tarde decidimos ir embora e Thomás sai com o carro indo em direção à sua casa para deixar Larissa com a babá.

A casa de Thomás é enorme, ela tem dois andares e ocupa um espaço muito (muito) grande, quando saio do carro na entrada da garagem e olho para os lados percebo que o espaço murado do terreno da casa deve ser o mesmo que um ou dois quarteirões inteiros.

—A gente podia comprar umas roupas bem diferentes para ir ao circo hoje – Aline fala enquanto nós três andamos em direção à cozinha, a irmã de Thomás subiu para tomar banho.

—Algo tipo umas fantasias de palhaço assassino? – Thomás fala sorrindo.

—Eu não tinha pensado em algo tão macabro, mas podemos estar vendo as opções. – Ela diz. – O que você acha Alexandre?

—Eu estou andando com vocês, façam o que quiserem comigo. – Digo sentado em um banco junto ao balcão da cozinha.

—Bom, já que você deu permissão nós iremos realizar nossos maiores desejos em relação a você! – Thomás fala e eu acabo rindo.

Dez minutos depois Thomás estaciona o carro no estacionamento do shopping (que não estranhamente pertence à família dele) e nós entramos juntos já indo em direção à loja de fantasias.

—Posso ajudá-los? – Uma moça diz assim que entramos na loja.

—Nós gostaríamos de ver as fantasias mais diferentes que vocês tiverem – Thomás fala e nós seguimos para dentro da loja junto com a vendedora.

Então Thomás e Aline pegam algumas fantasias e entram juntos em um provador – o que deixa a vendedora um pouco assustada – e alguns segundos depois voltam vestidos com fantasias de piratas iguais – a de Aline ficou muito grande nela.

Então eu vou junto com os dois e continuamos entrando e saindo do provador usando diferentes fantasias: Peixe gigante, leão, mulher maravilha, mulher gato (quem provou essa foi Thomás, a fantasia era tão apertada que amassava seus países baixos), bruxa, Batman, etc.

—Não gostei de nenhuma – Thomás fala depois que tira uma fantasia de sereia.

De repente eu vejo alguns daqueles macacões/pijamas de pelúcia em tamanho grande em uma arara.

—Já sei o que vamos usar – falo andando até a arara e pegando o macacão de urso pardo.

—Eu vou querer a de tigre – Aline fala toda sorridente, vindo em minha direção.

—Vou ficar com a de dinossauro – diz Thomás.

Depois de provar e ver que os macacões nos servem, pedimos para a vendedora embrulhar e Thomás paga os três sem nem mesmo piscar quando ela fala que cada um daqueles macacões custa exato CENTO E SESSENTA E SETE REAIS E QUARENTA E CINCO CENTAVOS (ele não pede desconto nem nos centavos).

—Por que essa cara de assustado? – Ele pergunta quando saímos da loja.

—Você pagou isso tudo sem nem ao menos pedir um desconto. – Digo simplesmente.

—Quanto vale a felicidade? – Ele diz sorrindo, e eu fico sem resposta.

Continuamos andando pelo shopping até que chegamos a uma daquelas cabines de tirar fotos e Aline e João decidem que hoje estão super fotogênicos.

—Eu seguro as sacolas para vocês – digo e Aline ri.

—Você disse que podíamos fazer o que quisermos com você – ela fala e me puxa pelo braço. – Você vem com a gente.

Deixamos as sacolas na porta da cabine, nos sentamos no pequeno banco do lado direito dela (Aline se senta em meu colo), e cinco segundo depois que Thomás aperta o botão as fotos começam a ser tiradas – tiramos o suficiente para que cada um fique com uma montagem com cinco fotos.

—Guarde com carinho! – Thomás fala quando saímos com as fotos.

Saímos do shopping e depois de chegarmos ao carro guardamos os macacões no porta-malas e alguns minutos depois saímos com o carro indo em direção ao escritório do Sr. Lavorini. Pego o telefone em meu bolso para ver as horas e me assusto ao ver que tem 10 ligações perdidas do meu pai – ele deve estar uma verdadeira fera!

Ligo para ele no mesmo minuto.

—Estava começando a pensar que você tinha perdido o telefone – ele fala assim que me atende.

—Desculpa pai, eu esqueci que o telefone estava no silencioso.

—Eu já busquei a sua mãe e nós estamos hospedados no M Hotel, não demore – ele diz e então desliga.

—Por favor, me diz que esse “M Hotel” não é da sua família, porque esse nome é muita falta de criatividade. – Digo para Thomás.

—Ah não, se minha família tivesse um hotel ele com toda certeza se chamaria “Hotel Lavorini”. – Ele responde sorrindo. – E eu já entendi que é para lá que temos que ir.

Fico olhando pela janela enquanto seguimos em direção ao hotel e fico encantado quando entramos em uma rua em que está cheia de rosas plantadas pelas calçadas dos dois lados dela.

—É lindo aqui não é? – Aline diz ajoelhada no banco e virada para trás olhando para mim.

—Muito lindo.

—Fica ainda melhor depois de alguns dias de chuva, nós sempre damos uma passada aqui quando chove só para ver toda essa maravilha.

Minutos depois Thomás para o carro em frente ao hotel com um M enorme na entrada e eu desço rapidamente.

—Ás sete a gente passa aqui pra te buscar.

—Tudo bem. – Digo e entro no hotel indo em direção ao balcão onde está a recepcionista. – Qual o número do quarto do Sr. Ferraz, por favor, eu sou...

—Alexandre? – A recepcionista diz me interrompendo e eu digo que sim balançando a cabeça. – O quarto dos seus pais é o 23 no segundo andar.

—Obrigado – digo e ando em direção ao elevador já imaginando o sermão que meu pai vai me passar.