A Ilha do Crepúsculo

1 Capítulo 1 - A Queda


Notas iniciais
Bem, esse é o primeiro capitulo da minha história. Ele é um pouco curto, mas eu espero que você termine de lê-lo com vontade de ler mais e com uma curiosidade enorme para descobrir os misterios da história de Ethan. Estou totalmente aberto para criticas construtivas e opiniões.

Ethan abriu e os olhos e percebeu que estava caindo numa escuridão infinita. O susto não eliminou o desespero e ele tentou gritar o mais alto que pode. Mas a voz não saiu, simplesmente ficou engasgada. Depois de muito tempo caindo, nove mãos brotaram daquela escuridão e o agarraram, barrando sua queda. As nove mãos eram exatamente iguais. No lugar de unhas, possuíam olhos multicoloridos. Na palma, uma boca com caninos amarelados e alguns dentes podres. As mãos começaram a falar, mas o som que elas emitiam era semelhante a cobras silvando. Ethan estava desnorteado, mas conseguiu pegar um trecho de uma discussão entre as mãos:

- O garoto é fraco — Disse a mão que agarrava o seu pé.

-Ele não vai durar nem um dia — Disse a outra mão, que agarrava sua coxa.

-É provável que ele morra logo na queda — Disse mais uma mão, mas dessa vez ele não conseguiu descobrir de onde o som vinha.

-O garoto é fraco, mas sua hora chegou. Não podemos esperar mais. Ele recebeu avisos para se preparar, mas não deu atenção. Temos que entrega-lo a Queda, antes que o Deus se irrite conosco – Disse a mão que apertava o seu ombro.

-Que os moradores desse maldito lugar tenham piedade desse garoto desprezível – Falou novamente a mão que agarrava seu pé.

-É uma pena desperdiçar um garoto com tanto potencial. Nós assistimos enquanto ele crescia, nós tentamos ajudar, mas ele não é uma pessoa dificil. – Choramingou uma das mãos.

-Vamos solta-lo e acabar logo com isso. – Disparou a mão que segura sua cabeça.

Ethan sentiu as mãos se desprendendo dele lentamente. Sabia que iria continuar caindo denovo, e o desespero voltou totalmente. Tentou recuperar os sentidos e suplicou:

- Por favor! Por favor! Não me soltem, eu imploro – Ele começou a chorar. — Eu não fiz nada de errado, por favor! Não me deixem cair, por favor...

- Não fez nada de errado? Oh, meu querido garoto. Você ainda tem muito que aprender. – Disse uma das mãos, com maldade na voz. — Apenas feche os olhos e aproveite a sua morte.

Após a mão proferir essas palavras, Ethan foi largado e voltou a cair na escuridão abstrata. Lagrimas de desespero e medos brotaram sem dificuldade nos seus olhos. Enquanto caia, viu diversas imagens: viu ele e mais três pessoas rindo e bebendo; viu uma família jantando e sorrindo; viu uma garota botando um pedacinho de papel colorido na língua; viu uma casa lotada de gente rindo e dançando; viu um bebê recém-nascido na porta de um orfanato; viu pessoas fumando; viu uma menina de cabelos negros se mutilando no banheiro; viu uma mulher esfaqueando um homem. Nenhuma dessas imagens fazia sentindo e ele não conseguia lembrar-se de nada parecido com aquilo que via na escuridão.

Depois de perder todas as esperanças, um céu laranja e roxo começou a se abrir embaixo dele. A escuridão sumiu e Ethan conseguiu avistar uma Ilha enorme. Em baixo dele, um mar de água azul e cristalina se abria para e imensidão. Ele voltou a ter um pouco de esperança, mas a sensação logo passou quando ele lembrou que cair na água pode ser tão ruim quanto cair em concreto.

Voltou a chorar e sentir medo, enquanto a mancha azul se aproximava mais e mais. Ethan estava se preparando para a queda, com a certeza de que iria morrer.

’’ É o meu fim, as mãos estavam certas ‘’ pensou.

Quando finalmente atingiu a água, sentiu como se o seu corpo tivesse caído em uma nuvem fofa. Por incrível que pareça, não sentiu nenhuma dor e a água parecia restaurar toda a força dele. Revigorado, começou a nadar em direção ao litoral. Nadava extremamente rápido, avançando velozmente para praia. Deu um mergulho e maravilhou-se com o que viu: peixes enormes e coloridos, nadando em cardumes gigantescos; corais vermelhos e vivos; animais semelhantes a tubarões de um azul muito escuro; um animal, que parecia um polvo, com uns cem tentáculos. Tudo aquilo era maravilhoso, tanto que ele mal conseguia acreditar.

‘’ Talvez não seja tão ruim assim ‘’ Ele pensou. ‘’ Talvez eu tenha morrido e acabei vindo parar no paraíso ‘’.

Enquanto avançava para a praia, parou para pensar e descobriu que não se lembrava de muita coisa. A única lembrança era o seu nome e o nome de duas garotas: Lizzy e Bonnie. Não se lembrava de seus rostos, apenas dos nomes. ‘’ Isso é tão estranho. Sinto um vazio enorme na minha cabeça ‘’.

Em pouco tempo, já estava dando de cara com a areia. Cansado, se jogou no litoral e sentiu um alivio enorme entrando em suas entranhas. Era como se o peso do mundo tivesse saído de seus ombros. Ethan demorou a notar, mas ele não estava sozinho. Olhou ao seu redor e viu um aglomerado de pessoas segurando tochas. Um homem negro e músculo se aproximaram dele e estendeu uma mão para ajuda-lo. Após se levantar, o home abriu um sorriso e disse:

-Meu nome é Miguel. Seja bem-vindo a Ilha do Crepusculo.

Notas finais
Ficou curioso? Espero que sim.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.