Notas iniciais
Primeira parte da aventura de Lucas e Bia nas terras de Lemúria.

Era uma quarta-feira no início das férias de verão dos gêmeos Lucas e Beatriz, que realizavam um passeio de barco com Melissa, sua mãe. As crianças eram idênticas à mãe, com seus belos e lisos cabelos loiros e olhos verdes. Estavam em um passeio de barco, que sempre havia sido o sonho dos irmãos.

Melissa, durante aquele dia, passou a tarde inteira narrando histórias para as crianças, que não se cansavam de ouvir uma após a outra. O dia estava belíssimo, ensolarado, a maré estava calma, porém, após o escurecer, iniciava-se uma grande tempestade.

– Meus filhos, cuidado! Entrem, eu fico aqui e tento proteger o barco. Se acontecer alguma coisa comigo, meus amores, saiba que eu os amo.

Os gêmeos assentiram e adentraram ao interior do navio, correndo para suas respectivas camas. O barco vibrava e sacolejava cada vez mais, causando um surto de pânico nas duas crianças, que corriam desesperadas pelo cômodo, até que Lucas, mais desesperado que a própria irmã, resolveu sair do local e ir à busca da mãe.

Chegando ao lado de fora, as crianças procuraram desesperadamente pela mãe. Fitaram todos os lugares possíveis do barco. Melissa desaparecera.

– MAMÃE! – berraram os dois. Inúmeras lágrimas desciam como cascata de seus olhos. Os gêmeos se abraçaram fortemente.

O forte abraço foi interrompido por mais sacolejadas no barco. O barco sacudia e tremida cada vez mais. Um forte impacto tirou o equilíbrio de Lucas e Beatriz, fazendo com que os dois batessem de cabeça no navio.

Horas depois, repentinamente, Lucas havia despertado. Ao acordar e observar em volta, soltou um grito. Olhava para todos os lados, e a única coisa que via era um barco em pedaços na areia de uma grande praia, a alguns metros de distância dos irmãos, e uma grande floresta um tanto longe dos dois. As simples roupas dos irmãos estavam rasgadas.

Caminhou em direção ao antigo barco, em pedaços.

– Então tudo que aconteceu foi verdade. Mamãe foi embora. – lamentou o menino, sentando-se na fria areia, abraçando as pernas. – O que eu e a Bia vamos fazer agora?

Depois de alguns minutos, contemplando o céu nublado e todo o local, correu até onde estava dormindo Bia, passando levemente a mão em seu rosto, sussurrando:

– Bia, acorda. Olha aonde nós estamos! – com delicadeza, o menino levantava o corpo da menina, que abria os olhos calmamente, relaxando nos braços do irmão.

– Lucas... O que aconteceu? – perguntava a menina, que ainda não tinha recobrado a consciência completamente.

– Tenta lembrar, maninha. O barco, a mamãe... Estamos aqui agora. – ao ouvir as palavras do irmão, a menina recobrou a consciência rapidamente, levantando-se em um piscar de olhos.

– EU QUERO IR PRA CASA! EU QUERO A MAMÃE!

Lucas, que desde pequeno havia puxado o pai, era uma criança extremamente compreensível, que estava extremamente triste devido ao desaparecimento da mãe, mas seu pai sempre dizia: “Caso alguma coisa acontecer a algum de nós, você deve cuidar da sua irmã”. Devido à isso, o menino adquiria coragem e estava pronto para enfrentar custe o que custar para proteger a irmã gêmea mais nova. Sabia que era preciso coragem, e coragem o menino tinha de sobra!

– Irmã, não podemos fazer nada. A gente tem que comer alguma coisa e procurar um lugar para dormir.

Conseguia convencer tranquilamente a irmã aos poucos. Os dois caminharam pela areia da praia em direção à floresta, que parecia não chegar por mais que caminhassem muito. Próximo a algumas árvores, havia uma enorme placa de madeira, que não havia sido notada por Lucas antes. Nela estava escrita bem grande uma única palavra: “Lemúria”.

– Lemúria! Acho que já ouvi falar sobre esse lugar. Mas não sei de onde. Parece desabitado. – pensava Bia, lembrando-se de algo que fazia parte de seu passado.

As crianças caminharam entre as árvores, adentrando a grande e bela floresta de Lemúria, que mais parecia ser uma grande ilha, devorando algumas frutas contidas ali. Depois de muita caminhada, chegaram à uma grande clareira, que possuía um grande lago. Um pouco distante dos dois, situava-se uma cabana de madeira, que aparentava ser antiga, como a grande placa. Deram a volta pelo rio e adentraram a cabana, que pelo visto estava desabitada, pois estava completamente empoeirada e não havia mais nada no local, além de duas camas cujos lençóis estavam mofados, uma estante próxima e uma pia na parede oposta aos leitos.

Enquanto Lucas explorava a estante e os inúmeros livros contidas nela, Bia caminhou curiosa em direção à pia. Era o único objeto do local que não estava com um pingo de poeira. Parecia que havia sido conservada e limpa dia pós dia. Ao girar a torneira, soltou um berro. Não era água que saía da bica, mas sangue. Ao tentar fechá-la, não conseguiu. A torneira simplesmente não fechava, como se tivesse sido colada com algo, fazendo com que o sangue inundasse a pia, escorrendo para todo o quarto.

Lucas puxou o braço da irmã e os dois correram para o lado de fora da casa.

– Que lugar assustador! Será que não tem mais ninguém por aqui? – resmungava o garoto, sentando-se na margem do lago, pondo os pés no interior da água. Retirou do bolso um pergaminho e uma espécie de caneta antiga, que havia encontrado na estante antes do sangue inundar a cabana. – Isso vai servir mais tarde. – e os guardou novamente.

Deram mais uma volta pelo lago e adentraram as árvores, deixando a clareira. Caminhando pelas matas extremamente escuras, que pareciam não ter fim e que nunca mais veriam luz, surgiram em um local extraordinariamente belo. Um enorme e belíssimo jardim composto de todos os imagináveis tipos de flores existentes no mundo, completamente envolto por uma grande muralha que o separava da floresta.

– Que lindo! São tantas flores diferentes que fica difícil dizer qual é a mais bonita. – comentou Bia, se ajoelhando próxima a uma rosa, removendo-a com delicadeza, sentindo seu grande aroma.

Lucas caminhava pelo outro lado do jardim, a procura de algo que pudesse explicar mais sobre a grande Lemúria. Seguiu a direção da grande muralha e depararam-se com uma estátua de porte médio, com vários rostos de animais nesta.

– Parece um totem... E tem um código! Bia, vem aqui! – chamou o irmão, demasiado curioso para descobrir o segredo da ilha deserta. A menina corria em sua direção, se aproximando da estátua, mais curiosa do que o próprio irmão.

– O que está escrito aí?!

– E é pra mim que você pergunta? Acho melhor anotarmos! – retirou o pergaminho e a antiga caneta do bolso, se ajoelhando no paralelepípedo onde se situava a estátua, anotando os códigos contidos na estátua.

Fitaram a estátua por mais tempo, contemplaram o jardim por mais tempo e se retiraram do mesmo, pois estavam famintos.


Ilustrações do Capítulo!

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Notas finais
Gostaram da História? E das ilustrações? Sinceridade e por favor, reviews não matam (: