O motorista se levanta e começa a se transformar em um monstro horrivel, com garras enormes e uma pele escamosa. E então eu percebo que é o mesmo monstro que eu havia visto no meu pesadelo, o mesmo que estava prestes a atacar Brian, Carly e Charlotte. E eu não deixaria isso acontecer.


Levanto da cadeira em um pulo e retiro minha pulseira do pulso, que automaticamente se transforma em um chicote de couro que eu havia ganhado de minha mãe no meu aniversário de 13 anos, quando me tornei conselheira sênior do chalé.


– Pulem! — Eu grito, segundos antes do monstro me atacar.


Os meninos conseguiram pular, mas eu estou caida no chão com um monstro em cima de mim. A sorte está com certeza ao meu favor.


Fico paralisada alguns instantes e então o empurro pra longe. Se eu não tivesse surpreendido ele, provavelmente nunca conseguiria tira-lo de cima de mim. Lanço o chicote na direção dele, e o mesmo se enrola no pescoço do monstro, que, em segundos, vira pó.


Percebo então que o ônibus está parado e começo a sentir uma dor horrível no braço. Aquela peste havia feito um corte enorme e profundo, mas nada que um pouco de ambrosia e néctar não curem.


Desço do ônibus e Ian enfaixa meu braço e me dá um pouco da comida dos deuses. Depois que meu braço meu braço já está sendo curado, David começa a dizer que mandou uma mensagem de Iris para Brian, que disse que era pra eles não me impedirem na luta e se preocuparem com o ônibus. Então Brian realmente acreditava que eu podia vencer a luta. Ele acreditava em mim. Depois disso ele começou a dizer como pararam o ônibus, admito que não entendi uma palavra do que ele disse, filhos de Atena são complicados.


Digo que vou mandar uma mensagem de Iris para Melanie e saio andando. Me perco em meus pensamentos até que escuto um barulho de água, olho pro lado ele ele está lá. O rio Hudson. Chegamos! Volto correndo para onde estava com os meninos e os aviso sobre nossa localização. Seguimos então para a margem do rio e eu mando uma mensagem de Iris para Brian.


– Lu? Onde você está? Aconteceu alguma coisa? Os meninos me contaram sobre o monstro, você está bem?- Diz Brian.


– Estou ótima Bri. Escute, estamos na margem do Hudson, o que fazemos agora?


– Façam uma fogueira e esperem.


O rosto de Brian desaparece antes que eu pergunte mais alguma coisa. Fazemos uma fogueira com folhas de papel que David havia trago e sentamos em volta para esperar. Falo para os meninos dormirem, já está quase amanhecendo, eu sou a única que havia dormido e eu quero um tempo sozinha para rever os fatos. Eles se deitam e em instantes estão em um sono profundo.


A fogueira está quase se apagando, David tinha trago bastante papel, mas nem tanto para mante-la por mais de uma hora. De repente, alguma coisa me agarra por trás, eu grito bem alto e recebo um beijo na bochecha. Viro pra trás e lá está Brian, rindo de mim. Ele sempre está de bom humor, é impressionante.


– Você quase me matou do coração! -Digo, dando um tapinha em seu braço.


– Desculpe.- Ele diz, em meio a uma risada.


– Prepare-se Purpurina, porque vai ter volta.


– Tenta então pombinha.- Começamos a rir e os meninos se aproximam.


Subimos a colina e chegamos na caverna onde Brian e as meninas estão escondidos. Charlotte está tão branca quanto uma folha de papel. Ian se apressa e senta ao lado da garota, ele e Brian estão concentrados, tentando curá-la e Carly está deitada em um sono profundo.


Sento-me ao lado de David e percebo que ele está com algo na mão.


– O que é isso? -Pergunto.


– Nada- Diz ele e rapidamente esconde o objeto.


– Você está bem?


– Sim, não se preocupe.


– Tem certeza?


– Tenho.


– Bem, qualquer coisa pode falar comigo.


– Tudo bem, obrigada pombinha. — Vejo Brian quase o fatiando com o olhar, ele odeia que alguém alem dele me chame de pombinha.


– Me chame de Lu. — Eu digo, então Brian olha pra mim, sorri. e volta a se concentrar em Charlotte. Me encosto em uma parede e , quando percebo, já estou sonhando.


Quando acordo já está quase escurecendo. Charlotte já está bem melhor, Ian está ao seu lado dormindo. Carly e David estão concentrados em uma discussão, deve ser algo sobre ferramentas e mecanismos, digo, sobre o que mais filhos de Atena e Hefesto devem conversar? Saio da caverna e encontro Brian na colina, sentado.


Desço a colina correndo e quando estou chegando perto dele grito:


– Pensa rápido, Purpurina!


Brian vira pra trás e se levanta quando eu pulo. Ele me pega no ar e saímos rolando até o fim da colina. Estamos rindo, como sempre, nos levantamos e nos abraçamos. O silêncio predomina e continuamos abraçados por alguns minutos, até que finalmente nos sentamos, um do lado do outro, observando a linda vista.


– Você acha que eu sou capaz?- Diz ele.


– Capaz de que Bri?


– De completar a missão, Luh. Quero dizer, mal saímos do acampamento e houve um problema e tivemos que chamar vocês.


Olho pra ele.


– Quem é você e o que você fez com meu melhor amigo? Onde está o Brian confiante e brincalhão que eu conheci?Não há alguém no acampamento mais capaz de fazer isso, eu confiaria minha vida á você Purpurina, se eu confio em você assim, você mesmo devia confiar.


Passamos algum tempo sem dizer nada, de repente ele olha pra mim, respira fundo e diz:


– Eu amo você, Pombinha. Você é a melhor amiga do mundo. Obrigada.


Eu me levanto, puxo ele e faço algo que exige mais coragem do que tudo que já fiz na minha vida. Eu o beijo. De repente não existe mais nada, apenas eu e ele. Nos beijamos por um longo tempo até que eu digo:


– Eu também amo você, Purpurina.


Então abro os olhos e vejo Brian em minha frente, na caverna, me entregando um sanduiche .

Notas finais
-C