A Ilha

5 Pesca, Montanha e Fome


John colocou a mão nas rochas da montanha, e lhe pareceram muito lisas, percebeu que não havia como subir, a água do mar ainda batia um pouco abaixo de seus joelhos. Então com fome, resolveu pescar. Sua missão agora seria encontrar algum peixe. E com muita fome, ficou observando atentamente e se distanciando um pouco da montanha.

O mar estava pouco agitado, e para complicar um pouco as coisas para John, a maré parecia estar aumentando, teria dificuldades para encontrar algum peixe naquele lugar, então andou, distanciou ainda mais da montanha e sentiu algo bater em seu tornozelo, então ele ficou paralisado, vendo aquele magnífico cardume de peixes passar, mas logo percebeu que era aquilo que estava procurando, então com um movimento sutil, abaixou e colocou a mão próxima à água, esperou a passagem de alguns peixes, então, veloz com sua mão colocou-a debaixo d\'água e pegou o peixe, que começou a se debater em suas mãos e sem querer escapou, para a infelicidade de John.

Mas sem desistir, passou mais de uma hora tentando desenvolver sua habilidade para capturar um peixe sem deixar escapá-lo, assim logo ele conseguiu, e finalmente pôde correr de volta a montanha, que lhe mantinha seguro apesar de tudo.

Ao chegar do lado da montanha novamente, percebeu que a maré havia aumentado e agora estava acima de seus joelhos, o que poderia lhe proporcionar algum perigo mais tarde.

Com o peixe na mão, começou a pensar em como fritaria ele, como iria fazer fogo no meio da água, como iria comer um peixe sem produzir algum calor. Agora teria de usar todo o seu raciocínio, e da melhor forma possível. Durante dez minutos pensou, e nesse tempo seu estômago o advertia pedindo algum alimento.

Tentou arrancar alguns pedaços de pedra com uma mão, tinha medo de soltar e perder o peixe, que já estava morto, mas, poderia ser levado pela corrente do mar, o sol estava próximo do centro do céu, John percebeu que era quase meio-dia.

Colocou o peixe entre as pernas e com as duas mãos conseguiu arrancar duas pequenas lascas de pedra. Agora teria de descobrir como criar as faíscas e onde faria, se ao seu redor era somente água.

Não sabia mais o que fazer, a fome era tanta que não conseguia mais pensar direito, qualquer coisa que imaginava era desviado por algum prato suculento. Parecia estar delirando, a fome lhe era enorme e estava consumindo suas energias aos poucos, e apesar de tudo John não conseguia explicar a si mesmo como tinha tamanha força ao socar a montanha.

Largou o peixe, levou as mãos à cabeça, tinha sede, tinha fome, e não conseguia nem ao menos escalar a montanha que lhe parecia completamente seca e sem vida, mas poderia ser sua única chance de sobrevivência, caso houvesse algum cogumelo ao algo do tipo comestível mais acima.

Pensando em tudo isso colocou as mãos na enorme rocha da montanha e tentou se apoiar. Em vão, escorregou facilmente. Começou a sentir que sua vida não passaria daquele dia. Desespero começou a tomar conta de John, que por acaso pensou em dar uma volta ao redor da montanha.

De repente ele tinha alguma força, esperança renovada, desespero apagado, começou a correr como um lunático ao redor da enorme montanha, mas parecia ser mais fundo um pouco aquele lado, e logo não dava mais para ficar com os pés no fundo do mar, teve que nadar. Sentiu aquela força monstruosa de novo e foi veloz como antes contornar a montanha, mas algo diminuiu bruscamente sua velocidade. Agora ondas batiam fortes como bolas de máquinas enormes demolindo edifícios.

John teve que retornar um pouco e se afastar bruscamente da montanha, e mesmo assim em poucas braçadas já se encontrava muito próximo à montanha de novo, nesse momento agradecia por ter recebido aquela força monstruosa, assim mesmo com fome e sem energias, retornou tudo, e tentou novamente, mas dessa vez ficou há mais de um quilômetro de distância da montanha, o que lhe deu a oportunidade de ir bem longe dessa vez, mas o mar lhe era muito imprevisível, e bem à frente John sentiu algo o puxando com uma força violenta, percebeu que um redemoinho estava se formando na região, virou e tentou nadar contra a força do mar.

Logo conseguiu escapar, algo realmente estranho havia acontecido com seu corpo, John tinha muita força ainda, e percebeu que deveria voltar todo o caminho e seguir pelo outro lado da montanha, este lhe seria impossível.

Atravessou todo o caminho de volta, voltou à parte rasa, que agora estava na altura de sua cintura, mas com ritmo e força, seguiu caminho e foi para o outro lado, dessa vez o caminho raso se estendeu por grande parte, finalmente pôde enxergar uma pequena curva na montanha.

De repente afundou, não percebeu um enorme buraco a sua frente, quase se afogou, mas prosseguiu nadando, queria encontrar algum canto acessível o mais rápido o possível, o sol já estava baixo, o dia inteiro se passou e John não havia ingerido nada, então de repente a montanha a sua frente acabou, lhe parecia cortada ao meio, á sua frente ele conseguiu ver sua salvação.