A Ilha
14 Medo, Descanso e Discussão
Mesmo vendo que seu adversário não tinha medo, o número oito avançou para o ataque, com punhos rápidos, socou o ar várias vezes antes de chegar próximo ao número treze, que desviou de todos os golpes sem um mínimo de esforço, então abaixou e sumiu da vista do número oito, que ficou olhando e procurou ao redor da arena inteira sem encontrar nada.
\"... Incrível a velocidade do número treze, ele simplesmente deixou seu adversário com grandes problemas, agora como o número oito vai se sair dessa\".
A torcida lutava ao lado do número oito e com isso, gritava quando o número treze se aproximava, deixando em grande desvantagem a estratégia dele. O número oito, constrangido em ter de recuar, irritado, começou a rondar pela arena, sabia que se ficasse parado seria mais fácil para seu adversário. Pisou em alguma coisa diferente e parou para ver, era uma foice, abaixou e pegou.
\"... E aí está, o número oito encontrou a poderosa foice, um dos cinco equipamentos que foram escondidos no gramado. Agora parece que a luta passa a ficar mais igual\".
O número treze continuava rastejando como uma serpente venenosa, esperando a chance de atacar sua presa sem lhe dar chances de escapar. A presa, no entanto espionava ali e aqui, buscava uma chance de ser a caça e não a presa, e com sua foice aparava a grama por onde passava, deixando agora grande parte da arena um gramado mais baixo, fácil de visualizar qualquer coisa ao chão.
O tempo passava e o número treze não aparecia, quase setenta por cento da arena já havia sido cortada pelo número oito, que havia encontrado a espada que havia sido usada pelo número dezesseis na batalha contra John, e uma clava, possuía três equipamentos de batalha, a torcida delirava enquanto esperava o momento em que pudessem ver o número treze derrotado ao chão.
A foice passou sobre a cabeça do número treze que se encontrava abaixado na região, já era hora de contra-atacar, mas esperou pelo movimento de seu adversário.
- Encontrei você! — Com uma certa fúria nos olhos, o número oito rodou a clava e baixou sobre o número treze, que para a surpresa de todos, com grande velocidade, levantou um escudo, fazendo a clava apenas rebater.
Mais uma vez os olhos entre eles se encontraram, e dessa vez um certo medo invadiu a mente do número oito, ao ver o mesmo olhar frio e maligno de seu inimigo. Tirou a espada que estava encaixada em seu cinto, levantou e agitou, e com movimentos surpreendentemente rápidos o número treze se defendeu com o escudo ainda abaixado, mas dessa vez recolheu alguns passos.
O número oito viu a chance e golpeou. Então a batalha se encerrou com um desfecho fantástico, no momento em que avançou, o número treze revelou estar com o último equipamento restante, uma lança. Ele a levantou o suficiente para que seu adversário sozinho se empurrasse contra a lâmina, e assim, perfurando o estômago e logo, conseguindo atravessar o corpo.
A vitória foi declarada pelo narrador que também não acreditava, Develin estava enfurecido no camarote, não esperava perder um favorito naquela batalha, agora só teria dois favoritos para encarar Zudin, que parecia contente.
O número treze foi levado para a cabine pelos guardas, ao chegar John reparou em seus olhos e viu o quão frio eram. Ignorou a todos e sentou em sua cabine.
- Em alguns instantes levaremos vocês daqui para um descanso, para amanhã estarem em condições de batalha. — anunciou um dos guardas, saiu da cabine e John ouviu o estalido da fechadura trancar a porta.
O silêncio pairou na região ninguém dizia nada, nem ousava virar o rosto para encarar um ao outro, todos ficavam com os olhares constantes nos homens que reformavam a arena e agora começavam a preparar uma nova arena de combate. O número treze então quebrou o silêncio:
- Vocês estão aqui desde que venceram suas batalhas?
Ninguém respondeu, todos apenas acenaram a cabeça positivamente.
- Esse silêncio me perturba, sei que seremos adversários amanhã, um terá de lutar contra o outro, e não será nada legal eu ter de vencê-los...
- Espere, eu irei vencer essa porcaria de torneio, e irei escapar daqui. — disse John convicto.
Assim, uma discussão entre os dois começou, e logo entraram ao meio dela os números doze e três.
- Acho que vou indo por hoje, espero que esse seja apenas o início de sua má sorte Develin, assim vou faturar bem. — disse Zudin na porta, saindo do camarote.
- Não se gabe Zudin, eu ainda tenho dois homens ao meu favor, e pra jogar mais lenha nessa nossa fogueira, temos uma zebra que pode tirar o lucro de nós dois. — disse Develin se referindo ao número treze.
Zudin saiu acenando para Develin que se manteve sentado, pensativo e olhando a arena. “Já sei, minha sorte vai mudar, me aguarde Zudin\".
Pulik era o último homem a sair do camarote, e antes disso, passou para falar com Develin e lhe propor um acordo que mudaria o rumo do torneio.
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