A Ilha
24 Espera, Plano e Distração
John quase não piscava enquanto assistia todos aqueles homens prepararem o campo de batalha para as finais. Estava no camarote inquieto e ao seu lado, sem dizer nenhuma palavra estava Tico, também apreensivo.
Ao redor da arena de batalha, foram colocados quatro enormes postes de madeira, formando um retângulo entre eles. Alguns homens estavam subindo ao topo para colocar umas enormes lonas negras, que depois de fincada com muitos pregos ao topo do poste foi levada até a outra ponta, onde se encontrava outro enorme poste, e ao passar do tempo, conseguiram fechar todos os quatro cantos com a lona, escondendo de todo mundo o que poderia haver dentro. O sol estava bem em cima da cabeça de todos, deveria ser quase meio-dia, e John e Tico não conversaram por meia hora, até que Tico não agüentou:
- John, você acha que podemos encontrar um jeito de escapar desse lugar e ficarmos completamente livres? — Tico agora encarava o rosto apreensivo de John que se virou para ele.
- Neste exato momento este é o meu sonho, mas parece que preciso aprender algumas coisas.
- Como assim aprender? O que você poderia aprender num lugar desses?
- Eu penso que posso aprender em como me livrar daqui, aprender a lutar melhor, aprender com meu corpo de forma que eu o use da melhor maneira possível e assim ficar mais forte e poderoso o bastante para sair daqui e conseguir escapar deste lugar. Meu corpo sofreu uma transformação depois de um acidente, mas eu ainda não consegui descobrir nenhum ponto negativo com meu corpo desde aquele momento, e só venho sentindo melhoras, e espero aprender algo de muito útil para que eu possa utilizar a favor da minha fuga. — John tentou explicar um pouco do que estava sentindo com seu corpo, mas ainda era difícil conseguir decifrar o que ele sentia.
- Entendo, então eu lhe proponho que tentemos de toda maneira possível tentar escapar daqui, e para isso, tive um pequeno plano.
- E qual seria? — John pareceu se interessar no plano de Tico, parecia ter adquirido certa confiança nele, depois que seu último plano deu certo na noite antecedente as semifinais.
- Bom, vamos ver como será esse desafio para a final, e nele faremos o máximo para enrolar o maior tempo possível em batalha, pois, na minha opinião, penso que eles não tentariam algo que nos matasse rapidamente, e sim algo que o público aplaudisse ou algo como o número Zero.
- Lembro bem daquele número Zero. Certo, não me pareceu bem um plano, mas acho que poderemos ganhar algum tempo para pensarmos numa estratégia de fuga.
- Certo, enquanto eles preparam esse desafio, nós teremos de fazer alguma coisa. — Tico martelava, e não lhe surgia nada na cabeça.
- É, nunca pensei que seria tão difícil conseguirmos traçar um plano ou uma estratégia. Apesar, de que agora eu fico imaginando como seria essa ilha, fora dessa região. Eu não conheço nem um pouco desse lugar, e talvez, eles... — Tico interrompeu John, quando quase que dando um grito, mostrando um largo sorriso, apontou o dedo indicador ao alto dizendo que tinha uma idéia.
- Caso não consigamos pensar em anda até o momento de nossa batalha, faremos o possível para enrolar em nossa luta, e no final, encenaremos um empate, o que você acha?
- Isso seria uma ótima idéia, mas se acabasse num empate, eles considerariam os dois campeões ou nos jogaria de volta aquele horrível calabouço, esperando sermos chamados novamente. — John esfregava as mãos nos cabelos, arrumando-os.
Logo o som do narrador pôde ser ouvido por John e Tico, e eles prestaram atenção em toda a explicação que fosse possível ser dada.
\"... Nesse momento, teremos um atrativo para vocês, a batalha nas cordas. Prestem atenção no centro do buraco e vejam aquelas estalactites de pedras pontiagudas, esperando alguma carne cair dentro, ou podemos imaginar grandes dentes esperando sua presa cair, de todo modo, está pronto para dilacerar o que quer que caia nele. Agora peço para que entre dois concorrentes\".
John apenas podia ouvir, e com sua única lembrança daquele barulho, conseguiu lembrar, que era o ranger da arena se abrindo para o calabouço, e imaginou se estavam colocando aquela enorme escada ao fundo e se já haviam escolhido algum prisioneiro que teria de lutar e tentar sobreviver.
\"... A nossa esquerda o guerreiro de azul e a nossa direita o guerreiro de vermelho. Faça suas apostas, número um para azul e número dois para vermelho. Esperaremos mais alguns segundos, e já temos o resultado, o favorito é o guerreiro de azul\".
A torcida gritava e berrava insultos para o vermelho, enquanto o guerreiro azul estendia os braços ao céu comemorando e tentando se impor ao adversário. Na sala especial John e Tico pularam de susto ao ver o teto se abrindo e ver descer uma pequena televisão preta, onde apareceu à imagem da arena e os dois puderam ver o que acontecia.
O guerreiro de azul pegou sua parte da corda e deu duas voltas dela em torno de cada braço seu e se posicionou atrás da linha branca demarcada no chão, o guerreiro de vermelho fez o mesmo logo em seguida, havia três guardas que estavam de juízes, um com um apito na boca, na ponta do buraco com as pedras espinhosas, e os outros dois, um em cada lado dos guerreiros.
O apito soou, era cada um por si na disputa, o azul demonstrou grande explosão inicial de força, conseguindo fazer o guerreiro vermelho dar três passos à frente e ficar muito próximo do grande buraco, por sorte conseguiu conter a força de seu adversário e igualando-a pareciam imóveis ao público, mas faziam grande esforço para um romper a fraqueza do outro.
De repente com um grito de fúria, o guerreiro vermelho esbravejando e soltando toda a sua fúria conseguiu deslocar o guerreiro azul que andou dois passos á frente. O guerreiro vermelho tentou criar uma forma de desequilibrar seu inimigo, e pensando estrategicamente, o que lhe valeria a vida, afrouxou a corda por menos de um segundo, e foi tempo suficiente para o guerreiro azul quase tombar ao chão, e no momento em que ele percebeu a estratégica do inimigo, forçou com toda a energia que tinha dentro de si, colocando o guerreiro vermelho apenas um passo e meio do fosso de espinhos.
Novamente o guerreiro vermelho afrouxou a corda, fazendo o guerreiro azul cambalear, e no momento em que ele estabeleceu suas forças, sentiu um puxão da corda, levando-o a meio passo de ser derrubado, viu os espinhos e permaneceu calmo, tinha só mais uma chance de sobreviver, e novamente afrouxou a corda, fazendo o azul cambalear novamente, e dessa vez quando eles restabeleceram a igualdade de suas forças, de imediato o vermelho afrouxou uma segundo vez, fazendo com que o azul que mal conseguia se equilibrar, cair, e nesse momento com tudo o que tinha, puxou a corda e correu para o mais longe possível do buraco aterrorizante, e sem ver, sentiu a corda travar, nesse momento parou de forçá-la, virou e com o olhar seguindo a corda a partir de seus braços, viu que ela terminava dentro do buraco, soltou-a de seus braços e começou a pular de alegria, havia vencido.
Surpreendendo mais uma vez a maioria das pessoas, a minoria vence, e se salva, o guerreiro vermelho ao se aproximar do enorme buraco olhou de relance para ele e rapidamente voltou o olhar, paralisado, quase em choque, ao ver o corpo de seu adversário atravessado por mais de seis estalactites.
John e Tico estavam horrorizados, e John não deixava de se perguntar se o desafio antecedente a grande final poderia ser uma disputa parecida com essa.
O narrador anunciou a entrada de John e Tico, a porta foi aberta e os dois saíram, seguiram lado-a-lado em direção ao manto negro que cobria toda a visão deles. John e Tico se entreolharam.
- Boa sorte, espero que consigamos escapar desse lugar logo. — Disse John.
- É, Boa sorte pra você também, e que nossos planos ocorram da melhor maneira possível.
E mais uma vez o narrador entrou em ação com suas palavras de comando:
\"... Que soltem as lonas para vermos mais uma grande final\".
Fale com o autor