A Ilha

30 Cofre, Ouro e Salão


O escritório era enorme, com as paredes pintadas de azul claro, tendo uma das paredes um quadro com o retrato do próprio Develin, e na outra parede só havia um relógio que combinava com o escritório. Ao fundo havia uma cadeira e uma mesa com um computador e muitos papéis espalhados pela mesa, atrás onde a única parede era de cor diferente, toda cinza e com uma pequena tranca ao canto onde Develin foi. Girou para a esquerda e para direita várias vezes, Zudin e Pulik estavam na porta de entrada do escritório apenas esperando.

- Entrem, por favor. — Chamou Develin.

Os dois entraram e depararam com a parede do fundo que não encostava mais ao teto, e repararam que era aquele o cofre dele, e a porta agora descia vagarosamente até chegar ao chão. Mas pouco antes de ficar visível o lado de dentro para os dois Develin travou a porta.

- Bom, como vocês sabem, guardo toda minha relíquia aqui, assim como vocês guardam a de vocês em seus cofres particulares, estou certo? — Começou Develin e os dois acenaram. — Então espero que o que vocês verão a partir de agora seja mantido no mais puro segredo, o que eu reservo aqui dentro é altamente sigiloso.

Zudin e Pulik concordaram em não contar nada do que poderiam ver no cofre, e logo Develin baixou a porta. Estava tudo escuro, não era possível enxergar nada, e nessa escuridão Develin afundou, Zudin e Pulik se entreolharam e quando deram dois passos à frente as luzes se acenderam. A luminosidade era forte, o que atrapalhou a visão de Zudin e Pulik por alguns instantes, mas ao voltar ao normal eles conseguiram finalmente ver o grande cofre de Develin.

Pulik arregalou os olhos e Zudin tirou sua máscara para conseguir compreender o que ele estava vendo. Develin estava em cima de uma empilhadeira, e havia um enorme corredor onde não era possível ver o fim dele, e a cada três metros um corredor diferente cruzava com aquele principal, mas o motivo do fascínio pelo cofre, foi ver que havia montanhas e mais montanhas de barras de ouro empilhadas em cada corredor cruzado, o que dava uma luminosidade ainda maior para o lugar. Develin chamou os dois, que seguiram a empilhadeira pelo corredor principal, nesse momento a porta do cofre fechou, e Develin disse para não se preocuparem. Passaram por mais de dez corredores e cada um deles tanto para direita como para a esquerda deveria ter pelo menos dez metros de cada corredor, e todos eles com muros e mais muros de barras de ouro, que subiam até o teto. Develin os avisou para virarem no corredor com a placa escrito \"salão\", e assim obedeceram e ao encontrarem a placa foram para a esquerda e perceberam que assim que atravessassem os muros chegariam em algum lugar aberto. Develin separado deles levou a empilhadeira mais longe e sumiu de vista no corredor principal.

- Isso é incrível. — disse Pulik.

- Chega a ser assombroso ver a quantidade de dinheiro que esse cara possui. — falou Zudin com sua máscara na mão.

- Não sei ao certo, mas fico imaginando como ele conseguiu tanto dinheiro assim, é praticamente impossível conseguir tal coisa.

- Eu quero saber o que existe nesse salão, porque ele ignorou as barras de ouro e não nos deu o suficiente para o pagamento logo de cara?

- Parece que ele queria que nós conhecêssemos todo o seu cofre, para que possamos ver o quão incrível ele é. — disse Pulik.

E continuaram por mais um minuto até chegarem ao salão e se surpreenderem mais uma vez. Dessa vez, encontraram um salão de tamanho razoável comparado ao que foi visto desde que entraram no cofre, mas as paredes eram feitas de vidro e atrás dela o dinheiro enchia por completo, deixando o formato de fundo das paredes com o enorme amontoado de cédulas de Tabolts, sendo a grande maioria de cem Tabolts, a nota de maior valor.

Ficaram olhando por pelo menos dez minutos até finalmente Develin aparecer com duas malas nas mãos.

- Bom, não tem muito o que discutir nem nada. — colocou as duas malas ao chão, abriu-as e mostrou o dinheiro. — Podem contar se quiserem. Eu coloquei sete milhões e meio de Tabolts em cada mala, para que cada um fique com uma parte, assim, daqui dois dias o vencedor entrega essa mala para o outro e mais quinze milhões de Tabolts, fazendo assim o prêmio de trinta milhões. — disse Develin com um sorriso seco, não gostava muito da idéia de ter perdido tal dinheiro.

- Está errado Develin. — disse Zudin.

- Está faltando dinheiro? — perguntou Develin, apesar de reparar que Zudin nem havia contado o dinheiro.

- Não, o que está faltando aqui foi nossa aposta completa.

- Como assim, não me lembro disso.

- Nossa aposta, ou melhor, nossas apostas, lembra-se que você mesmo fez uma segunda aposta em cima da primeira? — Develin ficou quieto só esperando ele continuar. — Você apostou que quem ganhasse o torneio levaria os trinta milhões, mas em seguida você disse que faria um desafio antes da final e que se eles passassem você pagaria o dobro. Recorda-se disso? — Pulik ficou apenas olhando admirado para Zudin, vendo como ele lembrava de tudo o que apostado, e antes que Develin pudesse dizer alguma coisa Zudin terminou. — Você é um homem de palavra não é? E pelo que vejo aqui, dinheiro não lhe é problema algum. Sendo assim o prêmio deve ser de quinze milhões para mim e quinze milhões para Pulik, já que Tico sobreviveu ao desafio. E no final o vencedor ficará com apenas uma maleta do adversário e mais quinze milhões, ou seja, esses sete milhões e meio eu já ganhei.

- Não me lembro de tal aposta. — disse Pulik.

- Você não estava presente quando fizemos. — disse Develin. — E sendo assim ele não deve receber essa quantia dobrada.

- Está errado novamente Develin. — disse Zudin.

- Lembra-se que Pulik disse que entraria em todas as nossas apostas para vencer. Pois então automaticamente ele também participa dessa aposta e também recebe quinze milhões.

Develin fechou a cara, irritado e triste por não ter nenhum argumento abaixou a cabeça e saiu dizendo que logo voltaria com mais duas maletas de dinheiro.

Pulik agradecia a Zudin pelo dinheiro já ganho, lhe dizendo que mesmo que perdesse a final, o prêmio que teria de ser pago seria menor agora.

- Então Pulik, o que acha de apostarmos tudo? — disse Zudin.

- Como assim, tudo?

- Eu quero dizer, quem ganhar ficará com as quatro maletas contendo os trinta milhões de Tabolts e mais o pagamento de quinze milhões pela derrota. Vamos?

- Antes de aceitar isso eu preciso averiguar a situação de Tico que se feriu no desafio. Mas depois de ver como ele está e ter certeza de que ele estará bem, posso pensar seriamente nessa aposta. — disse Pulik cheio de energia.

Develin chegou com mais duas maletas, colocou-as no chão e abriu igualmente fez com as outras antes.

- Assim nossa aposta se encerra e eu desejo boa sorte aos dois depois de amanhã, afinal, um de vocês dois ficara igual eu e perderá a aposta também, não é?

Os dois concordaram e voltaram para o escritório conversando como amigos, falando coisas inúteis e logo Zudin ressaltou o fato da reunião que haverá daqui uma semana no estádio.

- Nessa reunião haverá muitas coisas surpreendentes, precisaremos de reforços e muitas homens prontos para lutar em breve. — disse Develin. – Afinal, não faço idéia do que pode acontecer nesse dia, e hoje mesmo estarei enviando o recado da reunião para os outros líderes.

- Pensando em tudo isso, Develin, eu gostaria de lhe fazer um pedido. — disse Zudin, na porta do escritório, pouco antes de sair.

- Pois não, diga. — Develin o encarou e Pulik parou para prestar atenção.

- Eu gostaria que a final do torneio fosse adiada.