A Ilha

12 Camarote, Favoritos e Perigo


Os guardas retiraram as vendas dos dois que se surpreenderam com a nova arena. Impressionados e fascinados com o novo campo quase esqueceram de iniciar a batalha que lhes foi lembrada pelo locutor. Os dois correram um de encontro ao outro para trocar golpes.

Dentro do camarote especial Zudin conversava com outros homens, mantinha seu rosto escondido sob a aterrorizante máscara de caveira, e então Develin retornou:

- Ei Zudin, parece que você escolheu bem o homem desta vez. Vai continuar apostando no número quinze mesmo depois de ver o poder do número oito e do número doze, e ainda por cima aquela força desconcertante do número treze, ninguém esperava que um magricela como aquele tivesse força para derrubar um leão em cinco golpes.

- É, incrível, aqueles homens batalhando, mas eu continuo apostando no número quinze. Quando eu o capturei, eu senti que esse cara realmente poderia me dar algum lucro.

- Se ele ganhar o lucro vai ser enorme. Então combinemos assim, na final, se ele chegar até lá criaremos uma surpresa especial para ele e o outro finalista. Se ele ganhar da nossa surpresa, eu pago o dobro do preço do título.

- Um bom acordo. Eu aceito. — Zudin nem ao menos hesitou na proposta e logo aceitou. Develin se demonstrava um pouco irritado e tentava persuadi-lo, mostrando que o número quinze não venceria de jeito algum.

- Certo, vamos torcer então. Vamos aumentar um pouco mais a nossa brincadeira?

- Qual seria o novo acordo? — Zudin perguntou friamente apenas ignorando o contato visual com Develin, e assistindo a batalha ao centro da arena.

- Bom, digamos que será algo bem injusto, mas se você tem tanta convicção de que esse número quinze irá vencer... — Parou para verificar o que o narrador havia dito, esticou o pescoço e viu que o número três havia derrubado o número sete e estava preste a dar o golpe final. — Voltando aos negócios, se você acha que ele pode vencer, então faremos assim, se ele vencer o prêmio combinado vai ser pago em dobro, mas se qualquer um dos três favoritos vencer, você me paga esse valor todo. Que tal?

- Realmente, muito injusto, mas eu aceito sim, tenho plena convicção de que esse número quinze seja diferente dos outros homens lá em baixo. — Concordou mais uma vez sem hesitar o que fez com que Develin ficasse realmente irritado, mas se conteve, apertou a mão de Zudin e saiu do camarote novamente.

\"... Que incrível essa batalha. Parece que temos um vencedor. Para a alegria da torcida o vencedor é o número três. Que parece estar gostando de sua torcida\".

O número três foi retirado e levado para a mesma cabine em que ficou na primeira fase, estava sozinho apenas esperando, guardas correram pela arena e retiraram o corpo do número sete.

\"... Então que entrem os próximos concorrentes, o número quatro e o número doze\".

John ficou olhando para o número quatro, um homem de estatura baixa, mas forte, e logo comparou com seu adversário, o número doze, que era musculoso, e seu rosto circundava uma aura maligna, que fazia com que qualquer um que o encarasse, se amedrontasse por no mínimo alguns segundos. Eles saíram e John agora deu uma olhada de relance para a arena e rapidamente percebeu a mudança que havia ocorrido com ela, agora o estádio não possuía uma arena coberta de areia e sim um gramado alto, em sua mente, John mediu e lhe parecia que poderia chegar à altura dos joelhos. Seria realmente diferente e complicada uma batalha numa arena gramada. Logo John se desligou desse assunto por ter ouvido a rápida vitória do número doze, a batalha havia durado pouco mais de dois minutos.

Estava sentindo o mesmo calafrio que sentiu há algum tempo atrás, mas sabia que ainda teria de esperar mais um pouco, a sua batalha seria a última.

\"... Então depois da surpreendente vitória de mais um de nossos favoritos, agora entraremos no terceiro combate, onde não haverá nenhum favorito. É o que chamamos de a batalha da zebra. Por favor, que entrem os números quinze e dezesseis\".

Ao ouvir aquilo John resmungou e não concordou, os guardas foram buscá-lo e ele tentou escapar deles, se recusando, dizendo que a sua era para ser a última batalha, mas nenhum dos guardas falava nada. John irritado acabou cedendo e saiu da cabine. Viu a platéia agitada mais uma vez, ignorou-a e tentou prestar atenção no gramado. Havia errado os cálculos, o gramado estava na altura de sua cintura.

Seu ex-companheiro ficou olhando atentamente alguma coisa dentro do alto gramado, tomaram certa distância, agora um encarava o outro.

\"... Quem disse que amigos não podem virar inimigos mortais? Estamos vendo homens que se juntaram para vencer o inimigo e agora se separam para conquistarem sua sobrevivência. Que comece a batalha\".

O número dezesseis correu para o lado, se abaixou e sumiu por alguns instantes, deixando John um pouco preocupado. De repente ele subiu e seus olhos pareciam que tinham aceitado o inimigo e estava pronto para matar, levantou a espada em suas mãos e correu para John.