A Hóspede
2 “Não são costumes se são novidades"
Notas iniciais
Beijos, até mais.
Estava na cozinha preparando o jantar. Geralmente eu como pizza ou macarrão instantâneo, mas hoje eu teria companhia e, seria muito indelicado eu lhe servir miojo.
–Senti o cheiro de molho do quarto! –Comentou com a voz mais limpa, com menos rouquidão.
–Gosta de lasanha? –Perguntei sem olhá-la.
–Eu como qualquer coisa que não tenha canela!
–Hunf! –Me virei e vi que o moletom não ficou tão grande como imaginei que ficaria. Estava bom assim. Nem muito folgado para ela não tropeçar na barra da calça enquanto andava e não muito justo para não me provocar.
–Você tem uma bela casa! – Ela comentou observando a cozinha. –Quem vê sabe que dinheiro para você não falta.
–Eh... –Tentei cortar o assunto. Não gosto quando reparam em detalhes da minha vida, incluindo eu, meu passado e minha amada casa.
–Quer ajuda? –Perguntou sentando-se no balcão. –Já trabalhei como ajudante de cozinha em um restaurante no centro da cidade.
–Não. Obrigado. –Respondi cobrindo o presunto e a o queijo de carne moída com molho.
–À propósito, valeu mesmo por deixar eu ficar na sua casa –“Valeu” não é “obrigada”. Não para mim, mas considerei. -, pelas roupas... Por tudo!
–Não se preocupe com isso. –Coloquei a lasanha no forno e marquei o tempo no meu relógio de pulso e me voltei para ela novamente. –Você só iria congelar se eu não a trouxesse para dentro. –Ela riu do meu sarcasmo e começou a brincar com os cordões do capuz do casaco. –Avisaram horas atrás no noticiário sobre a tempestade.
-Achei que desse para chegar em casa... –Respondeu sorrindo. –Geralmente cometo idiotices piores do que essa. Desculpe-me incomodá-lo com minha estupidez.
-Me incomodaria mais deixá-la morrer de frio lá fora enquanto tenho uma casa grande, confortável e vazia.
-Você mora só?
-Viu alguém rondando pela casa além de mim?
-Não. –Respondeu com a voz baixa, sem graça pela grosseria.
-Ou seja: vivo sozinho e muito feliz. –E acrescentei um sorriso sínico .
-Não sei como consegue viver num casarão desse sozinho! –Falou, ignorando minha rispidez. –Moro num apartamento com três amigas e me sinto solitária, imagino você, nessa imensidão... –Falou olhando ao redor.
-Não me dou bem com outras pessoas. Minha companhia basta.
-Acho que quem te conhece também deve preferir sua própria companhia ao invés da sua. –Falou irônica, com uma sinceridade que me deixou interessado. –Você é bem...
-Impertinente?
-Eu ia dizer emo.
-Não sou emo! –Falei magoado.
-Isso é o que todo emo diz... –Sorriu insinuosa. Parecia acreditar mesmo que eu fosse um desses góticos chorões. Por Deus! Sou uma pessoa não refinada para aquelas coisas melancólicas.
–Nossa! Eu não tenho nem tatuagens e metais da cara. Não me maquio e não pinto as unhas!
–Você pode ser um emo disfarçado.
–Que? –Perguntei bestificado.
–Emos odeiam ser emos e se disfarçam de não-emos para não parecerem emos. Compreende?
–Você é bem doidinha, hein? –Comentei indo retirar a lasanha do forno.
–E você é bem chatinho! –Ela retrucou triunfante. Seu sorriso de vitória me deixava nos nervos. –Oh! Me desculpe Sr. Anti social, não quis magoá-lo!
–Não me magoou.
–Aham! Tá bom. Não tem uma hora que te conheço e ainda não o vi dar nem um sorrisinho espontâneo. –Ela desceu do balcão e foi em direção ao fogão. –Pra mim, tudo o deixa irritado. Você precisa rir mais!
–Rir mais?
–Sim! –Ela amontoou uns panos sobre a palma das mãos e retirou a lasanha do forno. –Rir mais, é disso que precisa!
–Rir de quê? –Perguntei pegando pratos e talheres enquanto ela cortava a lasanha em pedaços perfeitamente quadrados.
–Da vida. –Colocou um pedaço em cada prato sem desmanchar as camadas. –A vida em si é uma coisa engraçada. Ela ri de você, mas você pode rir com ela...
–Você trabalha em circo ou o quê? –Ela me olhou ofendida pegando seu prato e sentando no balcão. –Desculpa Sra. Alto estima, não foi minha intenção ofendê-la!
–Provei do meu próprio veneno! –Disse apoiando o rosto sobre braço esquerdo, me olhando daquela forma doce e chia de harmonia. Seus olhos brilhavam como esmeraldas. –Que foi?
–Nada. –Respondi arrumando minha postura e saindo da cozinha com o prato nas mãos. –Coma logo antes que esfrie.
–Sim, senhor! –Respondeu zombeteira.
Que mulher! Ela consegue me irritar e me encantar ao mesmo tempo... é diferente de qualquer mulher que eu conheço.
–Posso? –Depois de alguns minutos, lá estava ela parada ao lado do meu sofá, com aquela expressão repleta de sinais.
–Já comeu? –Perguntei dando espaço para ela sentar.
–Sim. E lavei os pratos e talheres. –Avisou se sentando.
–Parabéns. –Falei irônico.
–Estava ótimo. –Ignorou minha indiferença.
–Eu também achei. –Ela riu.
–Sua gabolice é incrível, nunca vi mais convencido. –Comentou.
–Eu? Convencido? Está sendo precipitada. –Falei prestando atenção no filme.
–Não estou não, é você que está se gabando da sua lasanha. –Disse de uma forma infantil.
–Mas você mesma disse que estava gostoso. Eu concordei, pois de fato estava. Isso não prova que eu sou convencido. Isso prova que eu me garanto, o que é bem diferente.
–É a mesma coisa, pois você não se garante.
–Como tem tanta certeza disso? –Perguntei, como um teste. Quem se calasse primeiro concordava que o outro tinha razão.
–Você não se garante comigo, por exemplo. -Disse me olhando com vitória.
–E quem disse que quero garantir algo com você? –Ha! Agora ela vai ficar bem sem graça e se calar. Venci.
–Não é questão de querer. Essas são as regras.
–Tenho minhas próprias regras.E também estou adquirindo novos costumes.
–Não são costumes se são novidades. –Ela tem razão. –Que homem dispensa sexo?
–Não estamos falando de sexo!
–Eu estou falando. –Realmente ela tem resposta para tudo. –Se não tem argumentos não fuja do assunto.
–Acho que não temos intimidade o bastante para falar disso. –Falei por fim.
–Está fugindo do assunto de novo... –Disse entediada.
–O que quer que eu diga? –Eu estava confuso.
-Você é um homem, suponho. –Como assim suponho? –Me diz se você dispensa sexo?
–Por que quer saber?
–Não se responde uma pergunta perguntando.
–Não se faz perguntas desse tipo.
–Então eu digo a resposta.
–Homens solitários que têm medo de se apaixonar? –Arrisquei, com medo que ela tirasse conclusões por mim e prolongasse aquela conversa tão desconfortável.
–Eu diria um gay. –Gay dispensa sexo? Desde quando? Acho que um homossexual sozinho transa por ele, por mim e por mais um bando.
–Gay? Gays transam também, muito, aliás, só que com as pessoas erradas.
–Você sabe muito sobre gays, hein! –Falou em um tom de voz desconfiado. –Você é um? –Era só o que me faltava. Eu? Gay? Perdi mesmo a moral com essa mulher... Só porque gosto de deixar esses assuntos íntimos para a prática e não para uma conversa amena entre dois estranhos não significa que eu seja um... Arg! Só a palavra me deixa arrepiado. Não! Não pensem besteiras você que está lendo, por favor! Não tenho preconceito algum, pois cada um escolhe o que quer para sua vida, só que no meu caso, coitadinho de mim, me mataria se suspeitasse que estivesse indo para esse lado do contra.
–Claro que não! Onde está com a cabeça? Já me chamou de emo, gay... o que mais vai achar aí dentro da sua cabeça para encaixar em mim? –Perguntei nervoso.
–Humm... Vejamos: aqui dentro há unicórnios, pedófilos, bombeiros, homens e bipolares. Espero que você se encaixe perfeitamente no quarto item ou irei ficar chateada. –Homem. Sim, me encaixo sem sombra de dúvidas nesse item.
–Me identifico com o quarto, com certeza! –Falei meio irritado com esse assunto que de nada valia. –Como pode me provar? –Provar? O que ela quer dizer com isso? Se for um joguinho, é bom que ela desista. Não quero problemas para mim e um caso de inverno é sinônimo de problemas, muitos problemas, problemas o bastante para lotar a casa toda.
–Minha palavra já é uma prova. –Falei me voltando para a TV, até agora ignorada por nós dois.
–Como posso ter certeza?-Insistiu se aproximando de mim.
–Lembre-se de duas regras sobre mim: primeira, eu sempre estou certo; e segunda, se eu estiver errado, volte à primeira regra e lembre-se novamente que eu sempre estou certo. Entendeu? –Falei seco.
–Nossa! Eu não tenho piercings nem tatuagens. Não me maquio e não pinto as unhas!
–Você pode ser um emo disfarçado.
–Que porra é essa? –Perguntei incrédulo.
–Ah! Que ignorância! –Falou impaciente. –Emos odeiam ser emos e se disfarçam de não emos para não parecerem emos.
–Você é bem doidinha, hein? –Comentei indo retirar a lasanha do forno.
–E você é bem chatinho! –Ela retrucou triunfante. Seu sorriso de vitória me deixava nos nervos. –Oh! Me desculpe Sr. Anti social, não quis magoá-lo!
–Não me magoou.
–Aham! Tá bom. Não tem uma hora que te conheço e ainda não o vi dar nem um sorrisinho espontâneo. –Ela desceu do balcão e foi em direção ao fogão. –Pra mim, tudo o deixa irritado. Você precisa rir mais!
–Rir mais?
–Sim! –Ela amontoou uns panos sobre a palma das mãos e retirou a lasanha do forno. –Rir mais, é disso que precisa!
–Rir de quê? –Perguntei pegando pratos e talheres enquanto ela cortava a lasanha em pedaços perfeitamente quadrados.
–Da vida. –Colocou um pedaço em cada prato sem desmanchar as camadas. –A vida em si é uma coisa engraçada. Ela ri de você, mas você pode rir com ela...
–Você trabalha em circo ou o quê? –Ela me olhou ofendida pegando seu prato e sentando no balcão. –Desculpa Sra. Alto-estima, não foi minha intenção ofendê-la!
–Provei do meu próprio veneno! –Disse apoiando o rosto sobre braço esquerdo, me olhando daquela forma doce e chia de harmonia. Seus olhos brilhavam como esmeraldas. –Que foi?
–Nada. –Respondi arrumando minha postura e saindo da cozinha com o prato nas mãos. –Coma logo antes que esfrie.
–Sim, senhor!
Que mulher! Ela consegue me irritar e me encantar ao mesmo tempo... é diferente de qualquer mulher que eu conheço.
–Posso? –Depois de alguns minutos, lá estava ela parada ao lado do meu sofá, com aquela expressão repleta de sinais.
–Já comeu? –Perguntei dando espaço para ela sentar.
–Sim. E lavei os pratos e talheres.
–Parabéns. –Falei irônico.
–Estava ótimo. –Ignorou minha indiferença.
–Eu também achei. –Ela riu.
–Sua gabolice é incrível, nunca vi mais convencido. –Comentou.
–Eu? Convencido? Está sendo precipitada. –Falei prestando atenção no filme.
–Não estou não, é você que está se gabando da sua lasanha. –Disse de uma forma infantil.
–Mas você mesma disse que estava gostoso. Eu concordei, pois de fato estava. Isso não prova que eu sou convencido. Isso prova que eu me garanto o que é bem diferente.
–É a mesma coisa, pois você não se garante.
–Como tem tanta certeza disso? –Perguntei, como um teste. Quem se calasse primeiro concordava que o outro tinha razão.
–Você não se garante comigo, por exemplo. -Disse me olhando com vitória.
–E quem disse que quero garantir algo com você? –Ha! Agora ela vai ficar bem sem graça e se calar. Venci.
–Não é questão de querer. Essas são as regras.
–Estou adquirindo novos costumes.
–Não são costumes se são novidades na sua rotina. –Ela tem razão. –Que homem dispensa sexo?
–Não estamos falando de sexo!
–Eu estou falando. –Realmente ela tem resposta para tudo. –Se não tem uma resposta não fuja do assunto.
–Acho que não temos intimidade o bastante para falar disso. –Falei por fim.
–Está fugindo do assunto. –Disse exausta.
-O que quer que eu diga? –Eu estava confuso. -Você é um homem, suponho. –Como assim suponho? –Me diz se você dispensa sexo?
–Por que quer saber?
–Não se responde uma pergunta perguntando.
–Não se faz perguntas desse tipo.
–Então eu digo a resposta.
–Homens solitários que têm medo de se apaixonar? –Arrisquei.
–Eu diria um gay. –Gay dispensa sexo? Desde quando? Acho que um homossexual sozinho transa por ele, por mim e por mais um bando.
–Gay? Gays transam também, muito, aliás, só que com as pessoas erradas.
–Você sabe muito sobre gays, hein! –Falou em um tom de voz desconfiado. –Você é um? –Era só o que me faltava. Eu? Gay? Perdi mesmo a moral com essa mulher... Só porque gosto de deixar esses assuntos íntimos para a prática e não para uma conversa amena entre dois estranhos não significa que eu seja um... Arg! Só a palavra me deixa arrepiado. Não! Não pensem besteiras você que está lendo, por favor! Não tenho preconceito algum, pois cada um escolhe o que quer para sua vida, só que no meu caso, coitadinho de mim, me mataria se suspeitasse que estivesse indo para esse lado do contra.
–Claro que não! Onde está com a cabeça? Já me chamou de emo, gay... o que mais vai achar aí dentro da sua cabeça para encaixar em mim? –Perguntei nervoso.
–Humm... Vejamos: aqui dentro há unicórnios, pedófilos, bombeiros, homens e bipolares. Espero que você se encaixe perfeitamente no quarto item ou irei ficar chateada. –Homem. Sim, me encaixo sem sombra de dúvidas nesse item.
–Me identifico com o quarto, com certeza! –Falei meio irritado com esse assunto que de nada valia. –Como pode me provar? –Provar? O que ela quer dizer com isso? Se for um joguinho, é bom que ela desista. Não quero problemas para mim e um caso de inverno é sinônimo de problemas, muitos problemas, problemas o bastante para lotar a casa toda.
–Minha palavra já é uma prova. –Falei me voltando para a TV, até agora ignorada por nós dois.
–Como posso ter certeza?-Insistiu se aproximando de mim.
–Lembre-se de duas regras sobre mim: primeira, eu sempre estou certo; e segunda, se eu estiver errado, volte à primeira regra e lembre-se novamente que eu sempre estou certo. Entendeu? –Falei seco.
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