A Hóspede

41 Bônus - Ino


Notas iniciais
Gente, esse capitulo é mais enrolação, nem era para eu ter escrito, mas achei que ia ficar incoerente para vocês se eu não o fizesse.
Quero agradecer as hospedeiras pelos reviews e desejar boa leitura.

Ino’s POV on~

Assim que saí da vista de Sakura, me tranquei no banheiro e gritei loucamente com duas toalhas de rosto na boca para abafar o som. Quando me senti vazia e calma, fiquei por lá agachada praguejando coisas incompreensíveis até pra mim. Não sabia o que tinha me ocorrido para eu ao menos cogitar a ideia de contar à Sakura o que eu pretendia fazer. Claro que ela não iria aceitar, mesmo que dissesse que sim, e é claro que ficaria tão furiosa comigo que não só faltaria na minha festa como me ignoraria pelo resto de nossas vidas. Ela jamais me perdoaria por simplesmente ter mencionado tal coisa, mas era fato e eu não poderia esconder por muito tempo.

Todos me conhecem, sabe como eu sou instável e a todo momento to mudando, isso inclui de humor até namorado, mas ninguém percebeu que ultimamente eu não ando saindo nem arranjando namorados que não duram mais do que duas semanas. Ninguém percebeu que eu ando mais centrada e de menos vadiagem como costumava, que visito o Sasuke com mais frequência do que o conveniente.

Não, eu e Sasuke, infelizmente, não tínhamos nenhuma relação que não fosse de amizade. Não chegamos nem perto de um selinho ou de um abraço mais demorado e explorador. Tudo era aulas de piano e companhia quando ele se isolava no ateliê e não saía mais por nada no mundo. Isso para mim era algo novo, já que a vida toda sempre tive, na hora que eu desejava, tudo o que eu queria, isso vai de vaidades banais à homens em minha cama. Com Sasuke era diferente. Eu poderia ficar a noite toda flertando com ele, me insinuando, ele riria e diria algo que me fizesse rir mais do que ele. Acredite, eu tentei. Nosso nível de intimidade estava tão elevado que eu já andava pela casa só com calcinha e camisetas dele nos raros dias de verão que estava realmente quente. Eu o pegava me olhando as vezes, mas nada insinuante que me desse segurança para tomar a atitude que ele não tomaria.

Eu não sabia o que sentia pelo Sasuke, mas com certeza era algo totalmente diferente do que senti por outros caras com quem saí ou me envolvi casualmente. Eu o queria, mas não só por uma noite, eu o queria por completo para mim, queria exibi-lo como uma conquista, queria tê-lo submisso, mas não para depois de um tempo despachá-lo, o queria para me fazer companhia sem esperar que ele me cobrasse um orgasmo ou dois em troca. Ele era o único homem que não me fazia querer ser uma santa, mas eu não era a única na disputa por ele, tinha minha melhor amiga, e era esse o ‘x’ da questão.

Esta noite eu tomaria atitude com o Sasuke, não importa o que me impedisse de ao menos tentar. Não queria ir em frente nutrindo esse sentimento por alguém que fosse me rejeitar, precisava saber logo se Sasuke me corresponderia e Sakura que me desculpe. Ela teve um ano para se ajeitar com o Sasuke e o fez porque não quis, nem ele. Por não conversarmos sobre esse assunto estritamente proibido entre nós, não poderia saber como agir, mas agora Sakura me disse com todas as letras que no máximo quer deixar os pratos limpos com ele, nada de sentimentalismos. Ou seja, nada me impedia. Poderia fazer o que eu quisesse sem remorso. Agora só dependia do Sasuke.

-Alguém? –Era Hinata. Guardei as toalhas rapidamente e saí do banheiro disfarçando meu nervosismo. Precisava confessar a Hinata, pois era melhor ela saber, assim Sakura ficaria brava com nós duas, do contrário, Sakura ficaria brava só comigo . Eu não queria perder logo duas amigas de vez por um pequeno deslize de hormônios ou sanidade, porque eu devo estar louca para andar sentindo essas coisas pelo Uchiha. –Ah, aí está você. Sakura já chegou? –Colocou a bolsa no sofá, depois foi para a cozinha amarrando os cabelos longos e sedosos.

-Ela deve estar tomando banho. Não sei. –Falei a seguindo, hesitante, insegura. Via ela lavar as mãos na água abundante que saia da torneira, tirando os fios de cabelo caídos sobre a testa com o dorso da palma. Conto ou não conto?, pensei. Não iria assumir a canalhice sozinha, precisava de uma cúmplice e conselheira, apesar de que nada do que Hinata disser vai mudar minha cabeça. Eu queria o Uchiha, e o queria naquela noite.

-Por que tá me olhando assim? Tá me estranhando? Eu hein! –Revirei os olhos com as suposições maliciosas de Hinata. Desde aquela noite eu não posso encará-la por muitos segundos que ela já pensa que eu a quero nua na minha cama. Se bem que eu queria mesmo, mas queria o Sasuke primeiramente, então Hinata fica para outra hora, sem contar que ela tá de caso sério com o bobo do Naruto e talvez não dê moral para mim.

-Deixa de paranoia, Hinata! Eu só estava pensando... –Comentei olhando de canto de olho para o corredor onde estava o quarto de Sakura. –Sabe.. –Comecei. –Preciso te falar algo muito sério.

-Qual o grau de gravidade?

-Oito. –Ela soltou um ‘vish’. –Oito e meio, talvez. –Daí ela se voltou para mim, com as mãos apoiadas na pia e com cara de indignada. Talvez eu tenha exagerado na escala. –Ino. O que é? –Verifiquei a porta do quarto de Sakura, estava fechada abafando o Linkin Park depressivo e gritante que ela ouvia. Melhor.

-Vou ser direta. Estou gamada no Sasuke, mas gamada mesmo, tipo, eu não paro de pensar nele e então decidi que esta noite vou partir para a ação, já que por um ano ele esteve disponível para a Sakura e ela não o quis! –Falei em um fôlego só, assistindo a expressão de Hinata se modificar em mais indignação ainda, se é que era possível. –Poxa, Hinata, modera com essa cara aí. Está me deixando nervosa.

-Nervosa estou eu a ponto de te estrangular de raiva!!! –Secou as mãos molhadas nas bordas da blusa e passou pelos cabelos. –Eu bem que desconfiei... Você não tem mais trazido homens para casa, nem tem dormido fora, só fica na casa do Sasuke ‘aprendendo tocar piano’! Você nem gosta de música clássica!!!

-Fala baixo Hinata! Pelo amor de Deus! Se eu quisesse que a Sakura ouvisse eu mesma ia lá e falava! –Disse irritadiça com o drama dela. Não era a pior coisa do mundo, comparado a outras que fiz.

-Há quanto tempo tem caso com ele?

-Que caso?! Não chegamos nem à um selinho! Ele é cavalheiro ao extremo! Não sei que diabos Sakura fez para ele se entregar à ela nos dias da nevasca. Acredita que eu ando seminua pela casa e ele não fala nada?

-Por que ele tem respeito! O que te falta!

-Hinata!!! Eu preciso de ajuda!

-Para que? Para arruinar com os dois? Ino, me desculpa, mas o meu apoio é da Sakura.

-Depois de tudo o que ela fez você ainda prefere ela?!

-Não é questão de preferência e sim justiça! Ela não admite mais ainda gosta dele, nem que seja um pouco. Só está insegura porque não sabe que Sasuke também sente a mesma coisa. Eu aposto todas as minhas fichas nos dois e, creio que dessa vez, você não vão conquistar ele só porque quer.

-Foi assim com todos os outros, por que não o Sasuke?

-Porque ele é diferente!

-Agora eu estou achando que você também está apaixonada por ele!

-Se toca, loira! Eu amo o Naruto! Sasuke para mim não passa de um cretino, mas nem isso me impede de notar que ele não é como qualquer um por aí, ele tem valores.

-É por isso que eu gosto dele.

-Ino. Você gosta dele porque ele é o único homem que você não abateu na cama.

-Você acha mesmo que eu sou uma vadia fútil não é?

-Agora eu acho. Dar em cima do Sasuke é a gota d’água! Pensei que honrasse sua amizade com a Sakura.

-E honro, mas não posso mais esperar a boa vontade dela de perceber que o Sasuke é um homem perfeito. Se eles não se acertarem essa noite, mil perdões a você e a ela, eu vou tomar atitude e agir por mim.

Ino’s POV off~

No caminho de volta para casa, decidi passar no hospital para ver Itachi. Naruto e uma equipe milagrosa de neurocirurgiões e médicos especializados em caso como esse ficaram horas e horas trabalhando em cima dos diagnósticos de Itachi e, para minha felicidade, conseguiram despertá-lo. Isso foi há seis meses, assim que ele chegou dos Estados Unidos. Consegui contatar meu pai, residente no Alasca, mas tudo o que ele fez foi me pedir dinheiro para pagar os fiados que tinha plantados nos bares afora. Cedi uma boa quantia, mas sabia que ele não ia usar o dinheiro para as dívidas e sim encher a cara de bebida e a casa de prostitutas, se é que ainda tinha casa. Decidi deixar Fugaku com seu vício e cuidar para que meu irmão não se sentisse deslocado no meio de tanta gente desconhecida.

Eu me ponho no lugar dele. Em um dia qualquer, estou em uma festa, caindo de bêbado, meu irmão mais novo me liga afobado, pede para eu ir no quinto dos infernos e carregar nossa mãe junto, eu como um bom irmão vou, mas estou tão bêbado e desorientado e capoto o carro em uma lombada, caio em um sono e só acordo dez anos depois em um hospital com um monte de enfermeiros em cima de mim. Daí a primeira pessoa conhecida que eu vejo é meu irmão mais novo que não é mais baixinho e magricela, nem tem um cabelo bizarro.

Deve ser desesperador.

De qualquer forma, Itachi estava desperto, não corria risco de vida, mas estava com algumas deficiências: os médicos não davam fé de que ele pudesse voltar a andar, talvez, no máximo, ele pudesse movimentar os braços e o tronco, mas isso depois de muita fisioterapia e tempo. Ele ficara tanto tempo sem se movimentar que era como se seus nervos estivessem enferrujados, o que indicava que no hospital dos Estados Unidos ele não tinha o devido cuidado; ele não falava, mas ouvia muito bem, outra coisa que só poderia ser recuperada com tratamento; O mais impressionante é que ele tinha a memória intacta. Ele se lembrava de tudo há dez anos atrás, mas o tempo que ele ficou em coma era como um vazio na vida dele. Em sua consciência, ele ainda tem 21 anos, tem uma namorada o aguardando no Japão e trabalhos da faculdade para entregar.

Quanto a isso, três vezes por semana eu ia visitá-lo e contar tudo o que aconteceu nesse tempo em que ele ficou inanimado. Toda vez que menciono o fim trágico que teve os nossos pais ele chora, então decidi não falar mais sobre. Contei que havia subido na vida e que tinha mais dinheiro do que o porquinho que ele me deu poderia guardar; que havia conhecido vários ídolos dele e pedido autógrafo para casa um, então levei a caixa com os papéis e os mostrei à ele, que se emocionou novamente; contei sobre Naruto e Hinata, contei sobre como havia me apaixonado e como ela era. Ele me lanço um olhar sério, mal piscava, e foi como se eu pudesse sentir ele me estrangulando e me chamando de viadinho por ainda estar ali com ele.

Um dia ele falou ‘mais’ quando a enfermeira queria levar embora o prato de comida sem que ele havia terminado de comer. Vendo isso, exigi que aumentassem a porção do almoço e do jantar, porque quanto mais ele movimentasse o maxilar para mastigar, mais rápido ele ia recobrar os movimentos da língua para a fala, além de fazer com que ele ganhasse mais peso. E foi o que aconteceu. Graças a mim e eu não cansava de jogar na cara do Naruto isso. Atualmente, Itachi falava algumas palavras básicas, inclusive palavrões para xingar eu e o Naruto. Ele estava voltando aos poucos e isso me deixava mais contente do que qualquer outra coisa no mundo poderia me deixar. Meu irmão estava de volta. Isso me inspirou a compor uma canção ‘I’m coming home’ que me rendeu bastante.

Quando fui cumprimentá-lo, ele parecia ter sentido a tensão que me envolvia. Antes de eu ir embora, sua voz rouca e arranhada proferiu ‘vai’, para mim. Eu sabia o que queria dizer. E se até meu irmão vegetal me aconselhava a ir vê-la, era porque eu realmente precisava ir. Então tive certeza do que fazer.

_.o0o._

Notas finais
comeeeeeentem a vadiagem da Ino