A Horda Final
8 Capítulo 8
O alimento armazenado no laboratório estava nos últimos dias quando decidimos sair do lugar para conseguir mais na cidade. Manuela teve a ideia de criar uma pequena plantação de feijões em vasos colocados nas janelas onde o Sol batia pela manhã. Mas estes ainda não estavam prontos para serem colhidos, por isso da necessidade da missão de busca.
O laboratório era uma construção de dois andares. O térreo possuía algumas salas onde eram realizados os exames e que mantínhamos fechadas. A recepção do lugar utilizávamos para passar o dia conversando, jogando alguns jogos de baralho e tabuleiro e lendo os milhares exemplares de revistas e livros de medicina que encontramos inspecionando o laboratório. As salas do andar de cima antes utilizadas como escritórios tornaram-se nossos quartos. Um para cada um. Devido às complicações encontradas nesse novo mundo seria a primeira vez que pisaríamos, de verdade, no lado de fora depois de semanas confinados naquele lugar.
Levávamos conosco mochilas e bolsas vazias onde guardaríamos os suprimentos. Cada um levava consigo uma faca e um bastão improvisado. Henrique estava bem nervoso e eu tinha lá minhas dúvidas sobre as capacidades de defesa do garoto.
Tiramos os móveis que trancavam a porta de entrada e a abrimos. A luz do dia nos cegou por alguns segundo. A sensação dos raios de Sol em meu rosto havia sido esquecida já que pouca luz entrava no laboratório fechado.
Então depois de um pouco de proveito da situação nos concentramos no mais importante.
Chegamos a um pequeno mercado. Recolhia os potes de comida enlatada quando Nicolas veio correndo silenciosamente em minha direção. Não precisou dizer nada porque já tinha visto pelos vidros da loja as pessoas que passavam nas ruas. Fugimos pelos fundos antes de terem tido a mesma ideia e entrarem no estabelecimento.
Corremos por entre as vielas tentando chegar o quanto antes no laboratório para escondermos nossos vestígios. Virando a esquina, a um quarteirão do destino, demos de cara com mais pessoas.
Tentaram se comunicar conosco, mas já estávamos fugindo. Então monstros apareceram no caminho e Henrique tropeçou em alguma coisa e caiu. Manuela o ajudava e levantar enquanto eu e Nicolas atingíamos os seres. Isso deu vantagem para as pessoas que conseguiram nos alcançar.
Henrique provou então ser fiel a nós entrando na frente de Manuela protegendo-a das pessoas. Mas então nos surpreenderam. Não fizemos nada além de abaixarem as armas e nos perguntarem se estávamos bem.
Vinham de uma comunidade criada, cuja sede era em meio a uma área florestal em preservação. Nos convidaram para conhecer o local já que, na visão deles, éramos apenas quatro crianças inocentes e que precisávamos de ajuda.
Recusamos, é claro. Afinal não podíamos correr mais riscos.
Fale com o autor