A Horda Final
3 Capítulo 3
No início foram algumas semanas dentro do carro em busca de algum lugar seguro e longe daquelas coisas. Todas as noites, parávamos nos acostamentos das rodovias vazias e tentávamos descansar, o que era difícil com a possibilidade de um ataque de monstros. A primeira noite foi tensa, paramos na grama do lado de uma estrada com carros abandonados. Estávamos em silencio quando ruídos começaram a nos assombrar, com muito medo, delicadamente espiei pelas cortinas improvisadas para os vidros do carro e para nossa sorte era apenas uma raposa. As noites que se seguiram foram mais tranquilas e sem sustos. As cidades pelas quais passávamos estavam destruídas com milhares de pessoas mortas e o pior, “vivas” também.
Foi em um saque a um mercado que encontramos uma garota sendo atacada por um monstro perto das prateleiras, mas seus pais, mesmo correndo, ainda estavam longe. Já sã de que os seres não eram mais pessoas, o matei com uma garrafada na cabeça. Foi a minha primeira vítima. Todos se calaram assustados. E então a menina e sua família se tornaram a nossa também. Seguimos a viagem até a casa de um parente dos Severino.
É certo que aceitar a nova realidade não é algo fácil, mas infelizmente, necessário.
Ou você mata, ou morre.
Ou mata, ou vê a morte de pessoas queridas e em seguida a sua.
Mas o pior de tudo é ela ser imposta de maneira trágica.
Quando chegamos à casa a cidade ainda não estava tomada, mas isso iria acontecer e tínhamos de nos preparar. Conseguir o máximo de suprimentos o possível era nossa missão. Limpamos todos os mercados do pequeno lugar e nos trancamos na casa com cadeados e moveis nas portas e janelas. Algumas horas depois ouvimos gritos, buzinas de carros, barulhos assustadores, e não podíamos fazer nada para ajudar. Conosco estava os Severino e dois vizinhos de Glória e José, foram quem conseguimos avisar e convencer de que uma tragédia iria acontecer.
Um tempo depois os barulhos pararam, tudo estava calmo. Passamos alguns meses na casa.
Em uma noite chuvosa ouvimos ruídos vindos da cozinha. Carlos se levantou e foi ver. O seu pai monstrificado o atacou. Marta pegou uma faca e o matou. Mas ele não havia sido mordido, foi então que percebemos que todos estavam contaminados e se transformariam após a morte. Em seguida fomos ver o quarto onde José dormia com a esposa. Ela estava morta com pedaços da pele arrancados. Marta se preparou para feri-la na cabeça, mas Carlos a impediu e fez o trabalho. Eles estavam aceitando a realidade.
Os dias seguintes foram calmos, mas a atenção era redobrada e os mais velhos eram trancados nos quartos durante a noite.
Então os suprimentos começaram faltar. Nos preparamos para sair e procurar mais, já que toda a rua fora vasculhada por nós. Mas, ao abrir o portão, vimos a horda de seres que se aproximava. A situação foi tensa, pegamos todos os objetos que conseguimos e saímos de lá o mais rápido o possível.
Novamente estávamos nas ruas sem rumo.
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