A Hora De Apolo
4 A Hora de Apolo- Especial de Bastidores 1
Notas iniciais
O clima estava tenso na sala de reuniões da TV Hefesto no Monte Olimpo, no 600° andar do Empire State Building, Avenida Ambrosia, número 413. Hefesto estava brincando com algumas ferramentas, fios e alguma espécie de torradeira mortal; Afrodite, com os pés na mesa, se maquiava enquanto canetas dançavam em folhas rasurando vestidos e histórias de amor que seriam utilizadas em pobres mortais mais tarde. Os cônjuges mal se olhavam. Era claro que Hefesto não gostava da esposa traidora trabalhar com ele no programa de Apolo, mas o deus da música exigiu que fosse ela a cuidar de seu figurino.
— porque você está aqui mesmo?— Perguntou Hefesto enquanto faíscas coloridas saiam da torradeira, recém-ligada a fios e algum tipo de bonequinho.
—Não é óbvio? Eu sou a que cuida da parte mais importante do programa: A do figurino. E todas as ideias boas para o programa do garoto surgiram de minha pessoa.
—A entrevista e o trote veio do próprio Apolo, aquele desocupado... E o “Acerte ou Morra” veio de Ares.
—Mas quem criou o desenho daquele lindo terno que ele usou na semana passada?— Retrucou Afrodite
— De você, mas não acho que você deva se gabar de ser uma boa costureira.— Hefesto provocou.
— Queridinho, — Afrodite falava com uma voz doce, porém mortal. Poderia estar usando o charme, mas nada aconteceria; afinal, Hefesto é um deus — Eu não costuro. Quem faz isso é Genovieve, minha assistente.
— Tanto faz. Você só brinca com os sentimentos dos mortais e produz cosmético então.
A torradeira de Hefesto zumbiu por alguns segundos e saiu pulando e latindo pela mesa, arrastando o bonequinho por aí.
—Olha que interessante, Sempre quis um cachorro que faça meu café da manhã.— Afrodite realmente desviara os olhos do espelho ao falar isso, o que significava que ela realmente queria zombar do ocorrido. Hefesto fez gestos obscenos para a esposa.
Nessa hora, uma explosão de fumaça e confetes coloridos aconteceu acima da mesa: Apolo havia chegado, usando uma camiseta regata preta, bermudas cáqui, chinelos e óculos de sol. E fazendo uma pose de galã de cinema, pegou uma torrada que o “cachorro” de Hefesto jogou para o ar. O deus piscou para Afrodite e mordeu o aperitivo.
— Está atrasado. — Disseram Hefesto e Afrodite em uníssono
—Não ligo.— respondeu Apolo limpando confetes do ombro e cabelos.
—Agora que nossa festa particular de carnaval já passou, podemos discutir sobre o seu programa?— Perguntou o deus das forjas olhando torto para o recém-chegado.
— Não liga para ele, gatinho. — Disse Afrodite se levantando e passando uma mão no rosto de Apolo, enquanto com a outra alisava seu abdômen.
— Todos em seus lugares — Disse Apolo batendo palmas. O gesto até fez o cãozinho cozinheiro correr de volta para o colo do dono. — Então? Porque me chamaram aqui?
— Podemos dizer que... — Começou Hefesto
—Você estragou o terno que eu mandei Genovieve costurar para você no segundo bloco do seu programa.
— Quanto a isso. Desculpe-me.
— Tudo bem. Eu já ia usá-lo para acender minha lareira mesmo. —Afrodite recebeu dois olhares confusos dos outros presentes, até a torradeira do marido soltou um ganido de confusão. — Que foi? Vocês conhecem o meu lema: Uma vez usado, fora deverá ser jogado.
—Pensei que seu lema fosse “Homens, amor, compras e brincar com sentimentos de mortais.”— Disse Hefesto.
—Não. Essa é minha filosofia de vida. — Afrodite jogou os cabelos para trás, que naquele dia estava enrolado e castanho.
—O que um lema deveria ser então, cherrie?— Zombou Hefesto.
—Parem, vocês dois. — Gritou uma voz.
Uma aura apareceu de repente. Cabelos lisos e esvoaçantes, e um vestido tomara que caia. Tudo transparente, como auras deveriam ser.
— Olá, Gen.— Disse Afrodite.
— Genovieve? Há quanto tempo. — Cumprimentou Apolo, e virando-se para a deusa do amor— Porque a chamou aqui?
—Achei que você iria querer se desculpar com ela sobre o terno.
—Desculpe. — Apolo abriu um sorriso de remorso
—Tudo bem. Como a Ditie diz: “Uma vez usado, fora deverá ser jogado”.
Hefesto revirou os olhos. Apolo soltou uma gargalhada. E Afrodite mostrou uma cadeira para Genovieve se sentar.
— Bem, Quando eu o chamei aqui, Apolo, eu queria te dizer que teremos que cancelar o seu programa.— Disse Hefesto, sério.
—Cancelar? Mas, por quê? — Apolo sentia lágrimas se formando em seus olhos.
— Em um programa você destruiu nosso estúdio duas vezes, arrumou três confusões e sem contar na bagunça e em todos os funcionários que se feriram ou se demitiram para ficar longe de você.
— Mas se meu programa sair do ar. O que você vai colocar no horário?
— Faremos um especial semanal de melhores momentos de “Percabeth Reality Show”. Assim faríamos uma excelente propaganda do programa e mais pessoas comprariam por ele. Junto com o especial, lançaremos uma promoção. Na compra de um mês, ganhe mais meio mês de extorsão gratuita. — Quem respondeu a pergunta do deus fora Afrodite.
— Extorsão gratuita. Como assim?— Apolo parecia tonto com a notícia do cancelamento de “A Hora de Apolo”.
—Simples. Na compra de um mês do pay-per-view de “Percabeth Reality Show”, aumentaremos mais 50% no preço e não daremos nada em troca. — Afrodite explicou.
—Uau, essa promoção é tão bacana.— Apolo disse, em tom sonhador.
—Posso falar uma coisa?— Genovieve perguntou.
—Não— disse Hefesto, ao mesmo tempo que Afrodite dizia “Sim”.
O deus das forjas arregalou os olhos para a esposa, e esta lhe explicou que Genovieve era “SIM-PLES-MEN-TE PER-FEI-TA em dar conselhos”.
—Porque não dão uma chance para Apolo? Ele deveria dar a vocês cinco motivos para vocês o deixarem continuar com o programa e, mais três quadros que aumentariam a audiência do programa e diminuiria as explosões, batalhas, lutas, e confusões no geral.
—Isso não soa mal.— Ponderou Hefesto
—Ah, que maneiro. Então eu vou ali pensar em, tipo, milhões de motivos para vocês me deixarem continuar com o programa.— Apolo sumiu em uma nova nuvem de poeira e confetes.
***
Duas horas depois, Apolo recrutou novamente os quatro para a sala de reunião(Ele fez questão que a torradeira de Hefesto também estivesse lá).
—Acho que vou te chamar de AUssadeira.— Disse Hefesto, olhando para seu cãozinho.
—É uma torradeira seu idiota. — repreendeu Afrodite.
—Não mais. Olhe novamente.
Afrodite o fez. E realmente AUssadeira não era mais uma torradeira, e sim um fogão de brinquedo para crianças. A deusa já achava estranho uma torradeira latindo e pulando com um bonequinho pendurado pelo pescoço sendo arrastado, mas achou mais estranho um fogão de brinquedo feito de plástico rosa e lilás latindo e pulando com dois bonequinhos pendurados pelo pescoço sendo arrastados. Apolo sorria de ponta a ponta e desenrolou um pergaminho de 2 quilômetros e meio.
—Eu aconselho dormirmos durante a falação. — disse Genovieve
— Somos deuses, nós não dormimos. — Disse Hefesto
—Então boa sorte com esse cara aí. — Genovieve se encostou na mesa, deitou sobre os braços e caiu no sono no mesmo segundo.
—Talvez, o trabalho voluntário que faz para mim seja muito cansativo para ela. Coitadinha. —Disse Afrodite.
—Você não a paga?— Indagou o deus das forjas.
—Não. Ela faz um trabalho voluntário para mim.
—Mesmo?
—Sim. Se você entender como voluntário, aquele que trabalha para alguém porque este alguém tem uma foto bem constrangedora e está disposto a postar na Olympinet.
—Hei! Prestem atenção em mim— Apolo estava começando a se sentir solitário. Ele tossiu algumas vezes para aquecer a voz e voltou os olhos para o pergaminho.— Motivos para Hefesto me deixar continuar com meu programa. Motivo número 1: Eu sou lindo. Motivo número 2: Meu programa é o que mais tem cultura em toda a TV Hefesto. Motivo número 3: Eu sou lindo. Motivo número 4...
943837627542 motivos depois Apolo finalmente tinha terminado sua lista. Ele parecia bem satisfeito com seu trabalho, mesmo com o fato de metade de seus motivos serem “Eu sou lindo”. Depois das apresentações de mais 432432 quadros que poderiam ser feitos durante o programa (Somente três foram aprovados por Hefesto e Afrodite). Apolo finalmente parou de falar e Hefesto, de saco cheio, disse:
—Não, Apolo. Seu programa foi cancelado.
Apolo começou a chorar e jogou-se no chão. Ajoelhado, aos pés de Hefesto ele começou a implorar em nome de todos os deuses menores para ter seu programa de volta. Ele até implorou para Afrodite fazer Hefesto não cancelar o programa. Ele se humilhou o bastante para pedir ao AUssadeira fazer o dono não cancelar “A Hora de Apolo”.
Depois de mais ou menos meia hora de humilhação, Hefesto mandou Apolo engolir o choro e disse que precisava falar algo.
—Então diga, ó mestre. — Apolo tentou bajular o outro deus.
—Era tudo uma pegadinha, você não vai perder seu programa. — Hefesto mostrou todas as câmera escondidas na sala. E explicou a melhor parte da brincadeira: Ela ia ser mostrada no próximo “A Hora de Apolo”.
—O que?—Perguntou Apolo, incrédulo.— Não vou mostrar isso no meu programa.
—Vai sim.—Ameaçou Afrodite— Senão Hefesto não vai hesitar em cancelar seu programa.
Apolo ainda tentou discutir. E depois de alguns minutos, ele cedeu. Será possível. Mesmo fora do programa, ele tinha que se ferrar? Tudo que tem a ver com aquele programa tem que acabar mal para ele? Apolo saiu da sala de reuniões com esse pensamento. Mas logo esqueceu, pensando em seus dois quadros novos que iriam estreiar no próximo programa.
Notas finais
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