A História dos Três Homens
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Notas iniciais
Boa leitura!
Havia três homens. Eles nada tinham em comum um com outro. O primeiro era alto e magro. Os cabelos negros escorriam lisos por suas costas e os olhos verdes brilhavam em um fogo vivo. O segundo, mais baixo e gordo que o primeiro, tinha cabelos loiros como o sol. Os olhos, tão azuis quanto o mar. A pele bronzeada como surfistas. O terceiro e último homem era negro. Os cabelos cacheados pendendo por entre as orelhas. O olhar castanho e divertido.
Como eu disse, não tinham nada a ver um com outro, mas mesmo assim ainda havia algo em comum. Os três estavam ali competindo pelo controle daquela cidade. O jovem mestre sábio havia os entregado três bolsas com moedas de prata dizendo que eles deveriam caminhar pela cidade e entregar as bolsas a alguém que eles julgassem merecê-las. Ao fim, deveriam retornar para a igreja para que assim, ele pudesse reverenciar o novo rei.
O primeiro homem, um dos mais ricos da cidade, caminhou apenas por alguns minutos pelo centro, logo entregando o saco de moedas para uma velha senhora que segurava um bebê no colo. Ele logo retornou a igreja.
― Entreguei-a para uma velha senhora que carregava um bebê em seu colo. ― murmurou o homem animado. Ele estava certo que venceria e se tornaria o líder da cidade. ― Assim ela poderia comprar comida e roupas para a criança.
― Um ato nobre, meu bom senhor... ― concordou o jovem sábio e um sorriso surgiu no rosto do homem. ― Porém, ao senhor faltou a perspicácia e intuição. Aquela senhora nem sequer era a mãe ou algo da criança. Ela era apenas uma maníaca que rouba bebês ainda de peito.
O homem, irritado, deixou a igreja para trás quando se voltou a caminhar pelo castelo. Pouco tempo depois, o segundo homem apareceu na porta da igreja. Ele estava suado e suas roupas estavam sujas.
― Entreguei-a a um homem que caminhava entre a sujeira atrás de comida. ― disse o homem ― Assim ele poderia comprar comida o suficiente para si e sua família.
― Uma boa ação, meu senhor... ― disse o homem sábio para o outro. O segundo candidato até sorrira, mas logo o sábio voltou a falar. ― Porém, ao senhor faltou a dúvida e o cuidado. Ele era apenas um homem que caminhava pela região. Sem esposa e filhos e com uma boa casa.
O homem se irritou e seguiu adiante. O jovem sábio permaneceu em pé esperando pelo terceiro e último candidato. Quando a noite já caia, o terceiro homem apareceu na porta da igreja.
― Meu bom senhor, a quem entregou a bolsa? ― perguntou o jovem sábio já imaginando se não haveria nenhum homem sábio como ele para governar a cidade.
― Entreguei-a ao dono da loja da cidade. ― o homem disse sem entusiasmo e o jovem sábio o encarou. O dono da loja da cidade era o homem mais rico de toda a cidade. ― E assim fui capaz de comprar livros e cadernos. Entreguei esses sim as crianças da cidade. Agora estão todas lendo e escrevendo pelos cantos.
O jovem sábio deixou um sorriso alegre escapar por seus lábios.
― Essa ação é realmente bondosa meu senhor. ― disse o jovem enquanto aproximava-se do homem. Uma coroa de louros estava presa em suas mãos. ― Que todos os deuses o saúdem, pois eis o grande governante que esperávamos.
Às vezes nos prendemos tanto no passado e no presente que esquecemos que a vida tem apenas um caminho: o futuro. E nesse futuro, aqueles que são nosso legado são as crianças.
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