A História de Uma Semideusa - Os Jogos
5 Um Quase Beijo
Notas iniciais
Eu estava em uma sala escura com dois tronos no centro. Não havia teto, mas pude perceber que estava em uma caverna. Provavelmente no Mundo Inferior minha mente palpitou. Um dos tronos era formado por esqueletos, o que eu achei uma coisa muito nojenta. O outro era decorado com flores e muito bonito, eu havia gostado mais dele.
Do nada, apareceu um homem no trono de esqueletos. Ele tinha o cabelo preto um pouco ondulado e o porte forte. Com um susto, percebi que era Hades. Ele usava um elmo, que horas parecia uma coroa, outras uma guirlanda dos esqueletos e outras um elmo normal. Ele vestia uma túnica estilo grego antiga em que mãos pareciam tentar sair e ela se mexia, era muito estranho.
– Não se pergunta por que eu a escolhi para me representar? – ele indagou.
– Sim. – respondi. Minha voz saia como um eco.
– Bem, você se saiu muito bem na Batalha Gelada e eu achei que você merecia.
– A Katie é sua filha legitima, ela merecia mais.
– Mas ela não é, digamos o que se espera dos Jogos. Ela é muito esforçada e incrível, devo admitir, mas não é isso que procuramos quando se trata dos Jogos.
– Eu posso voltar a dormir? Sonhos cansam.
– Senso de humor também deve ajudar nos Jogos, eu acho.
– Só mais uma pergunta.
– Diga.
– Como você fala português?
– Os deuses não falam uma língua. Eu posso estar falando em francês e você vai entender em português.
– Muito legal.
– Meu tempo está se esgotando. Agora ouça. O que os deuses preparam para essa edição dos Jogos é bem complicado. Somente força não será o suficiente. Vejo, infelizmente, que fiz você perder um sonho encantador...
Dizendo isso, a imagem se desvaeceu e eu acordei.
Levantei-me com um salto e coloquei meus óculos.
– Katie. – eu falei, balançando minha colega de quarto. – Hades falou comigo.
Esse comentário a despertou do sono.
– O que? – ela disse se levantando.
Eu lhe contei todo o meu sonho.
A minha manhã foi preenchida pelas duas vezes que eu tive que contar meu sonho. Uma vez para Vector no café e a outra para Sara, que chegou atrasada. John tinha sumido aquela manhã, assim como Leae e eu e minha mente poluída entraram em ação, mas Katie me repreendeu, dizendo que provavelmente eles só estavam namorando em algum lugar. Os mais velhos e suas repreensões estragam qualquer mente poluída!
No almoço eu me entupi de macarrão (#lovespagheti) e tomei sorvete de sobremesa. Durante a tarde, treinei, treinei e treinei. Perto do pôr do sol, eu fui ao lago, para dar uma nadada e ver se isso me ajudava com o desafio do patrono de Poseidon. Meu objetivo era, na verdade, me divertir, mas às vezes a diversão pode ser útil. Porém, quando eu me aproximei do lago, dei de cara com uma cena que eu definitivamente não esperava: John e Leae se beijando.
– Finalmente os dois pombinhos acordaram para a realidade! – exclamei, me sentando na beirada da água e despindo minhas roupas, por baixo eu estava com um biquíni pretinho.
Eles me olharam corados e constrangidos, mas eu falei:
– Podem continuar, eu vou dar uma nadada e provavelmente vocês não vão me ver tão cedo.
Eu mergulhei e comecei a nadar pela lagoa, sempre pelas bordas, porque eu não queria acabar me afogando no fundo. Eu gostava de nadar naquelas águas. Pelo meu parentesco com Poseidon (longa história) os peixinhos ficavam sempre me rodeando. Mergulhei de novo, para arrumar meu cabelo para trás. Comecei a nadar de costas, até que eu bati em alguém.
– Desculpe. – eu falei, me virando rapidamente, então eu vi quem era.
Summy estava parado (lê-se flutuando) ao meu lado. Ele estava sem camisa (coração explodindo em 3...2...1...) e com uma bermuda de praia (lê-se lago). Ele me deu um sorriso bobo, que eu retribui mais boba ainda.
– Não se preocupe com isso. – ele falou.
– Summy! – eu exclamei.
– Treinando muito?
– Muito. Acho que queimei todas as calorias que precisava. – falei rindo.
– Você nem precisava. Está em ótima forma.
– Nem adianta me convencer. Sabe que com mulheres isso é impossível.
– O olhar do Hally te convence?
– Ele é um idiota em minha opinião.
– Ainda bem que você sabe. Eu poderia dar uns tapas nele se você quiser.
– Não será necessário, de acordo com Hades a força não vai ser tudo nessa edição dos Jogos.
– Ainda bem, se não eu estaria mal.
– Nada a ver! Você está até bem fortinho...
Eu corei.
– Tem caras maiores.
– Mas você tem uma coisa que eles não têm.
– O que é?
– Cérebro! Apesar de em alguns momentos como agora eu duvidar.
Rimos. Eu joguei água nele, ele jogou de volta, eu ia jogar outra vez, mas ele mergulhou e me puxou para baixo. Eu afundei junto com ele. A água era profunda. Eu estava embaixo e ele meio que em cima de mim (sem mentes poluídas, por favor, eu só tenho 13, beleza?). Ele parou de sorrir e se aproximou. Estávamos muito próximos, muito próximos MESMO. Ele passou a mão pela minha cintura e me puxou para mais perto ainda (se é que era possível). Nossos lábios estavam quase se tocando, mas então uma voz estrondosa lá fora acabou com tudo.
Levantamos-nos para superfície meio, hum, como eu posso dizer? Tímidos. E ouvimos a voz. Vinha de um alto falante, porque estava ecoando por todo o acampamento. Dizia o seguinte:
– Todos os participantes dos Jogos devem comparecer a mesma clareira de ontem no exato momento.
Eu e Summy nos entreolhamos.
– Acho melhor eu ir buscar as minhas coisas. – falei.
– Eu também. – ele disse, se encaminhando para a margem.
– A gente se vê. – eu falei.
Ele acenou e eu nadei de volta para o lado que eu estava. Encontrei John sentado lá sozinho.
– Depois quero saber de tudo viu? – falei, enquanto vestia a minha roupa ainda molhada.
Dei uma piscadela que fez ele rir, depois eu acenei e adentrei a floresta.
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