A História de Uma Semideusa - Os Jogos
17 Como "NÃO" Beijar Em Uma Árvore
Notas iniciais
– O que você estava fazendo por aquelas redondezas? – perguntei.
Estávamos agora cuidando da minha mãe. Logo depois que nos salvou, Summy nos apresentou a sua mãe, Cassandra. Ela era uma pessoa legal e ficava me lançando sorrisinhos toda hora, o que eu achei estranho. Minha mãe estava bem, ela só estava com uma grande dor no ombro direito, que tinha pegado toda a pancada contra a árvore.
– O mesmo que você. – ele respondeu, apontando para Mel – Salva-la.
– Ainda bem, porque se não fosse por isso eu seria uma pessoa morta.
Ele sorriu daquele jeito brincalhão. Enrolamos uma faixa no braço da minha mãe. Estava perto do meio-dia de acordo com a posição do sol. Eu queria saber por que não tínhamos sido puxados para dentro da capsula, como deveria ocorrer. Acho que o verdadeiro desafio era esse. Levar nossos parentes em segurança até o túnel.
– Como vamos encontrar o caminho de volta? – indagou Summy.
– Achei a Mel subindo em uma árvore. Acho que se eu fizer a mesma coisa dará certo.
– A encontrei do mesmo jeito.
– Então eu vou lá em cima.
– Vou com você.
– Ande logo Tarzan.
Minha piada o fez rir, porque é geralmente ele que faz graça. Juro que vi nossas mães trocarem olhares como se dissessem: “Eles formariam um belo casal.”. Tentei não pensar sobre isso, mas Summy escalando logo abaixo de mim e às vezes tocando no meu pé não ajudava. Logo chegamos ao topo. O sol brilhava acima de nossas cabeças. A floresta se estendia lá em baixo. Era lindo.
– Ali! – eu exclamei.
Um pouco mais na nossa lateral estava um caminho pela mata e se eu estreitasse os olhos conseguia ver a entrada do túnel mais a frente.
– Boa. – ele disse.
Então ele me olhou. Eu olhei para ele. Ficamos nos encarando por um longo tempo, até que ele quebrou o silêncio.
– É lindo, não é? – ele mudou o olhar para a paisagem.
– Muito. – eu concordei.
Estávamos bem próximos. Eu estava sentada em um galho bem em frente para ele. Ele de frente para mim. Nós dois estávamos observando a paisagem. Ele se virou para mim de novo e eu encarei aqueles olhos castanhos. A minha mão estava apoiada em um galho mais alto e de repente a mão dele foi para lá também, em cima da minha. Eu fingi não notar. Ele estava se aproximando lentamente. A mão dele foi subindo pelo meu braço. Ele se inclinou um pouco e...
E ele caiu. Escorregou do galho onde estava e foi parar pendurado no galho de baixo. Eu ri.
– Pode me dar uma mãozinha? – ele perguntou. – De preferencia uma mãozona!
Eu ri de novo, então desci mais um pouco na árvore e ajudei-o a descer também. Chegamos lá em baixo e encontramos nossas mães conversando animadamente.
– Ai Jane, sabe que o Summy sempre foi um garoto difícil de arranjar namorada?! – disse a mãe do Summy, o que fez ele corar.
– A Beky também, ela ficou um ano inteiro gostando de um só garoto enquanto ele não estava nem ai para ela! – falou a minha mãe, o que me fez corar também. – Mas isso foi quando ela tinha 11 anos, agora eu aposto que ela vai achar alguém bom.
– Se nossos filhos namorassem ia ser ótimo!
– Com certeza.
Elas conversavam como se nós não estivéssemos ali, ouvindo tudo. Acho que elas não sabiam que estávamos. Só me desconcentrei da conversa quando Mel puxou a manga da minha blusa. Eu me virei para ela. E caminhamos até o outro lado da árvore, Summy foi atrás.
– O que ouve com o meu irmão? – ela perguntou com a voz doce.
– Ele se machucou e teve que sair. – eu expliquei.
– Mas porque Tia Jane não teve que sair quando se machucou?
– Por que o Brian se machucou mais gravemente. – Summy me ajudou.
– Ele vai ficar bem, certo?
– Claro que vai! – eu exclamei. – Eu prometo que te digo, está bem?
– Hum, hum. – mas ela não parecia muito convencida.
Summy a carregou no colo.
– Agora vamos que temos que levar você para um lugar seguro. E quando os Jogos acabarem Beky promete que vai te levar para tomar um sorvetão!
– Ebaa! – ela exclamou.
– Eu não prometo nada! – falei rindo.
Então rimos e voltamos.
_________________________________________
Estávamos agora caminhando pela trilha. O túnel estava só um pouquinho mais a frente. Foi divertido. Acho que depois dos Jogos vou levar a Mel para tomar sorvete mesmo. Ela é muito fofa. Ela fez várias perguntas no caminho e eu e Summy respondemos quase todas. Nossas mães estavam muito absorvidas em uma conversa sobre as coisas constrangedoras que tínhamos feito. Por que as mães sempre tem que fazer isso?
Então eu fiquei observando Summy enquanto ele brincava com Mel. Ele era ótimo com crianças. Quando ele tivesse filhos, ia ser um ótimo pai. Não sei por que, mas esse pensamento me fez corar. Enquanto brincava com a irmã do Brian, ele olhou para mim. Ele tinha colocado ela de macaquinho no pescoço e agora ela dizia que era mais alta que todo mundo.
Ele ficou me olhando. Eu olhei para ele também. Não dissemos nada. Então eu desviei o olhar, porque olhar e não falar nada me deixa constrangida.
Logo chegamos ao túnel. Summy tinha tirado Mel das costas porque o teto não era alto o suficiente para isso. Estávamos em silêncio enquanto caminhávamos. Até nossas mães tinham parado a conversa. Um pouco depois chegamos a capsula. Estava uma zona. Havia crianças, adultos e os semideuses. Todos conversavam na maior altura.
Sabrina estava com a mãe, uma mulher que não se parecia nada com ela. E parecia ter a mesma ignorância da filha. Mark estava com a tia. Uma mulher baixa e gordinha, mas bastante simpática. Leae estava com o pai. Um homem alto e magro, mas com uma cara de que era daqueles que gostava de fazer palhaçadas. Carol estava com o pai. Ele parecia um daqueles modelos arrancados de uma revista de moda. Grus estava com Geny, os dois namoravam em um canto da sala. Hally estava com a mãe. Ela era a moça que fazia a previsão do tempo no jornal, eu percebi. Bonny estava com uma garota que não se parecia com ela. A garota levava um arco também, então pensei que poderia ser uma Caçadora também. Mandy estava com Sara. Elas não estavam se falando. Estava cada uma virada para um lado. Pude perceber que o olhar de Mark às vezes passava por Sara. Selly estava com o pai. Ele tinha cara de fazendeiro. Não era muito magro e usava botas de couro. Shad estava com a mãe. Uma mulher baixinha muito simpática. Ela sorria e acenava para todos.
Eu me sentei no sofá ao lado de Leae. O pai dela estava em pé. Minha mãe se sentou em uma cadeira próxima e continuou conversando com a mãe de Summy. Já ele se sentou do meu lado no sofá.
– Oi Leae. – eu disse.
– Oi Beky. – ela falou. – Esse é meu pai, Marcos.
– É um prazer senhor Vrestan.
– Oh não! Chame-me de Marcos mesmo. – ele disse, com uma voz que me lembrava de a de um cientista louco. – “senhor” faz parecer que eu sou velho.
– Por que você e o Summy chegaram juntos? – indagou a filha de Atena e eu expliquei para ela.
Um tempo depois a sala começou a descer. Lá em baixo começaram as despedidas. A minha mãe disse que confiava em mim para ganhar os Jogos. Eu agradeci, mas disse que eu não esperava ganhar. Acho que ela não me levou muito a sério, mas concordou. Logo apareceu uma nova porta na sala e os pais foram guiados para fora pelo mesmo mordomo do desafio de Afrodite.
Só então que eu percebi o quanto estava cansada. Dirigi-me para o meu quarto.
Fale com o autor