A História de Uma Semideusa - Os Jogos
14 As Cinco Poções
Notas iniciais
Esta bom Beky, calma. Pensei. A única coisa que eu podia fazer agora era ler o bilhete e descobrir uma maneira de sair dali. Peguei a folha de papel e vi o que tinha escrito.
A mais alta é a primeira
A segunda é a terceira
A segunda é a mais baixa
E a quinta é a quarta
A média no fim falta
Era a ordem dos copos, percebi. O mais alto deveria ser o primeiro. Coloquei-o na frente. O que estava antes como segundo, deveria ficar em terceiro. Pu-lo no lugar certo. O segundo tinha que ser o mais baixo. O quinto era o quarto. Percebi que o terceiro e o quarto tinham tamanhos iguais. O que não era nem o mais alto, nem o mais baixo, nem tinha igual a ele era o último. Mais embaixo na folha tinha a ordem das porções.
A primeira é a cor do fogo
A quarta a cor da água
Se juntarmos esses opostos
A quinta se esvaia
A terceira, se juntada com a quarta
Forma uma relva molhada
E esta é a cor
Da segunda flor
Estava bem claro. O frasco com a poção vermelha deveria ser colocado no primeiro copo e foi o que eu fiz. O frasco com a poção azul tinha que ficar no quarto copo, onde eu o coloquei. Vermelho e azul davam roxo, que deveria ficar no último copo. A terceira tinha que ser amarelo, porque amarelo e azul da verde, a cor da relva. E a poção verde eu coloquei no segundo copo. Não sabia mais o que tinha que fazer. Então eu virei o papel à procura de instruções, que foi o que eu encontrei.
A primeira bebida fogo será
Mas com a segunda, se apagará
A terceira a fará desaparecer
Mas com a quarta, voltará a viver
A quinta por fim, de volta a trará
Para o lugar que tanto quer estar
Eu estava apreensiva. Nunca gostei de poções. Sempre tive medo delas. Acho que Atena sabia disso, por isso que escolheu esse desafio para mim. Mas o que eu podia fazer? Só tinha um jeito de sair dali. Mas e se eu tivesse entendido alguma coisa errada? E se alguma dessas poções me matasse? Não tinha como saber. Só tinha uma coisa para fazer: tentar. Rezei para todos os deuses cujo nomes eu me lembrei naquele momento. Arranquei um cílio e fiz um pedido (mesmo eles nunca se realizando) e finalmente me senti pronta para o verdadeiro desafio.
Bebi a primeira poção. Senti meus músculos queimarem. A minha pele estava quente. Tinha uma luz laranja por todo o meu corpo. Bebi o segundo copo. O fogo relaxou, mas tudo começou a ficar muito frio. Eu tremia. Meus dedos ficaram imóveis. Eu consegui com muito esforço, beber a terceira poção. De repente meu corpo não era mais visível. Eu senti como se cada molécula estivesse sumindo do mundo. Adiantei-me para a quarta poção. Voltei, mas estava sentindo uma dor imensa. Era como se tivesse tomado todas as poções ao mesmo tempo. Levei o quinto copo aos lábios e bebi.
Senti o puxão costumeiro e me vi de volta a sala plataforma. Consegui sorrir. Não fora tão fácil como eu havia pensado, mas também não havia sido tão difícil. Eu estava viva e era isso que importava. Fechei os olhos e suspirei. Depois que abri de novo, comecei a observar quem estava ali. Leae estava em uma das cadeiras. Ela parecia bem, exceto por estar com os olhos vidrados. Eu me aproximei dela e passei a mão na frente do seu rosto. Isso pareceu desperta-la.
– Eu... Onde... O que...? – ela murmurou assustada.
– Leae, sou eu. – falei calmamente. – O que houve com você?
– Muito traumático. – ela afirmou. – Não quero falar sobre isso.
– Tudo bem.
Eu me sentei em uma cadeira em frente dela. Ela continuou em silencio. Os olhos voltaram a ficar vidrados. Eu decidi esquecer um pouco. Pelo menos ela esta viva. Pensei. Só tinha eu e ela na sala, o que significava que os outros não tinham terminado seus desafios. Fiquei preocupada com Summy. Ele parecia bastante amedrontado quando veio falar comigo. Lembrei-me do beijo na bochecha e em como eu tinha resistido à tentação de escorregar mais um pouquinho para o lado.
Então Mark se materializou na sala. Ele se jogou no sofá. Estava com cortes pequenos por todo o corpo e cheirava a peixe. Aproximei-me dele e perguntei:
– O que aconteceu com você?
– Eu era um peixe. – ele falou, com os olhos arregalados. – Tinha uma rede de pesca horrível e... E os pescadores puxavam muito fortes. Eu quase... Quase...
– Esta tudo bem. – tentei acalma-lo. – Acabou.
– O que houve com ela? – ele apontou para Leae.
– Alguma experiência traumática que a mãe dela teve a ingratidão de preparar para ela. Ela não quis me contar detalhes.
– Pelo visto todos passamos por experiências bastante desagradáveis. Como foi seu desafio?
– Tive que beber cinco poções depois de coloca-las na ordem correta. A primeira me fez pegar fogo e a segunda me congelou. Literalmente. A terceira me fez desaparecer e a quarta trouxe as dores de todas as outras de volta. A quinta me trouxe aqui.
– Pelo menos você não era um peixe.
– Acho que eu acharia melhor.
– Tenho certeza que não. Aquelas redes parecem arame farpado. Dói muito encostar nelas.
– Por isso os cortes?
Ele só assentiu com a cabeça. Então Grus se materializou. Ele estava com uma flecha encravada na perna. Ele gritava de dor. A cena era horrível. Eu corri até ele.
– Sente-se. – falei. – Deixe-me ver sua perna.
Ele fez o que eu mandei. Era muito horrível ver aquela flecha encrava nele. Eu puxei ela lentamente, o que fez ele gritar mais ainda. Então eu rasguei a borda da minha calça de ginastica, dos dois lados, e enrolei no ferimento, para parar o sangramento. Quando a dor diminuiu e Grus já não gritava mais, eu me sentei do lado dele e Mark perguntou:
– O que ouve com você?
– Era uma sala cheia de armadilhas. – ele disse. – Consegui desativar quase todas, menos essa. A flecha me atingiu em cheio bem na hora que eu consegui chegar ao outro lado. Então eu vim para cá.
– Atena deve estar de mau humor hoje. – falei.
– Ela tinha que descontar na gente? – perguntou uma voz conhecida.
Virei-me e dei de cara com Summy. Ele parecia bem, exceto pelo corte no braço e um inchaço na perna. Ele mancou até o sofá e se sentou do lado de Mark.
– Lutar contra um exercito zumbi? – ele perguntou. – Não sei de onde a deusa da sabedoria tirou essa ideia. Mas eu já estava bem mal até descobrir que todos eles imitavam um só, que era o mais fortão e horrendo. Felizmente, consegui mata-lo antes de ser morto.
– Pelo menos você não virou um peixe. – confirmou Mark.
– Ou não teve que destravar um monte de armadilhas. – continuou Grus.
– E não bebeu uma porção que fez você pegar fogo. – completei.
Aos poucos, os outros semideuses foram chegando. Todos que estavam dispostos a contar seus desafios (Brian, Selly (ela gritou na verdade), Bonny e Hally) tiveram muita dificuldade em completa-los. Quando todos já estavam na sala, essa desceu. Fui direto para o meu quarto. Lá encontrei uma refeição completa me esperando. O próximo desafio só seria às duas da tarde e ainda era meio dia. Depois de tomar um banho e colocar a farda dos Jogos, eu fui para a sala plataforma.
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