A História de Uma Semideusa - Crios
22 O Acampamento Retorna Á Batalha
Notas iniciais
Como é a experiência de viver uma batalha contra um exercito de gigantes gelados? Fria, literalmente. Imagine um monte de gigantes cuspindo gelo e congelando os seus amigos. A batalha foi mais ou menos assim. Em menos de alguns minutos, o pátio estava cheio de estatuas de gelo dos meus amigos.
Os que ainda lutavam estavam tendo dificuldades. Tive um vislumbre da sombra de Mandy protegendo a estatua de Sara de ser destruída pela luta. Vi Grus levantando um machado e destruindo inimigos. Um dos gigantes congelou o chão diante dele e ele escorregou, perdendo a luta. Leae e John estavam atrás de mim, destruindo vários gigantes. John perdeu a espada e agora lutava com uma adaga que ele tinha tirado da bainha de Leae.
Vi Summy e Vickie esmagando um gigante com murros, quando outro veio por trás e os jogou longe. Com sorte, eles teriam só batido a cabeça. Vi Katie usando seus poderes de filha de Hades para convocar um exercito zumbi, mas isso a deixou muito cansada. Peter, Vector e mais um monte de sátiros estavam retirando as estatuas do campo de batalha e levando para outro lugar, evitando que as estatuas se quebrassem.
Os centauros estavam parados, formando uma linha na orla da floresta, como se não estivessem vendo o massacre. Eu estava abrindo espaço entre os gigantes e só tinha um objetivo: chegar até Crios. Então dois gigantes investiram contra mim na mesma hora. Eu brandi minha espada, pronta pra detonar com eles, mas John e Leae vieram na minha frente. Leae enfiou sua lança no primeiro gigante, deixando uma pilha de pó no lugar dele. John não ia bem. O gigante dele o lançou pelos ares e ele foi para dentro da fonte que usávamos para mandar mensagens de Íris.
Eu continuei andando e percebi que Leae hesitou. Ela olhava para John.
– Vá lá. – eu disse. – Pode deixar que me viro a partir daqui.
Ela me olhou agradecida e correu em direção ao nosso amigo. Eu esperava estar certa e poder me virar. Corri na direção onde eu vi mais estatuas, bem perto da entrada. Desviei dos gigantes, não tinha tempo pra luta. Um deles congelou meu pé e eu tive que abandonar meu all star favorito. Então eu o vi.
Crios estava bem no final da confusão. Vários gigantes hiperbóreos os cercavam, formando uma espécie de guarda pessoal. Como ele era? Dois grandes chifres escuros brotavam do lado da sua cabeça, o que o fazia me lembrar do Minotauro. Ele tinha a pele como rocha e ao me aproximar, senti mais frio do que quando eu estava no Templo de Gelo. Da cintura pra baixo, ele tinha a pele azul escura que lembrava a noite e percebi que a função dele era exatamente essa.
Assim que me viu, Crios ergueu uma sobrancelha. Eu também ficaria intrigada se visse uma garota de meias brandindo uma espada. A minha intenção não era lutar com ele, mas sim, atrai-lo para a floresta, onde estava o Lorde dos centauros.
– Ei! – eu gritei. – Você é tão fraco que tem que ficar atrás dos seus guardas?
Ele rosnou pra mim.
– Também é tão bobo que não consegue nem dar uma resposta!
Isso definitivamente irritou Crios.
– Quem é você garota estupida? – ele berrou.
– Beky Dalins. A proposito estou destinada a te matar. – eu falei.
Isso foi à conta. Crios saiu do seu circulo de proteção e correu na minha direção. Eu corri em direção à floresta, a respiração pesada. Com um pouco de sorte, eu conseguiria correr mais rápido do que ele. Com um pouco mais, meu plano daria certo.
Abri espaço entre as linhas de centauros, que, segundos depois, foram esmagados pelo titã. Adentrei pela floresta, seguindo a trilha que eu me lembrava. Vi a mesma árvore rachada de antes e segui naquela direção. Era complicado, porque eu não podia correr rápido demais, a fim de deixar Crios me seguir, e também não podia ir devagar demais, a fim de não virar uma Beky-amassada.
Virei mais umas duas curvas e desviei umas cinco vezes do caminho para não ser atingida pelas árvores que o meu inimigo quebrava. Finalmente, cheguei à clareira. O centauro estava sentado lendo o livro, mas quando me viu, se levantou com um salto e agitou seus cascos.
– Trouxe o inimigo para mim? – ele perguntou desafiador.
Um urro surgiu não muito longe.
– Se isso responde a sua pergunta... – eu disse, saindo do caminho bem na hora que Crios invadiu a clareira.
Ele notou o centauro e não ficou menos raivoso.
– Então meu velho amigo aqui estamos nós de novo. – disse o centauro.
– Mas dessa vez você não vai ter tanta sorte! – urrou Crios.
Eles se olharam ameaçadoramente e a luta começou.
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