A História de Uma Semideusa - Crios
10 Conheço o Fantasma Ladrão
Notas iniciais
Eu e Holl estávamos desenhando o nosso plano de fuga pela milionésima vez na areia negra que cobria o chão quando vimos um vulto se aproximando. Com certeza não era um dos gigantes hiperbóreos, pois eles eram altos e se você estivesse a menos de um quilometro deles já estava batendo os dentes. Era um garoto. Alto. Ele parou em frente às grades e finalmente pude vê-lo. Era Mike. Tive vontade de pegar minha espada e cortar aquele pescoço, mas eu consegui me segurar. Apesar de ser bem difícil.
Ele estava com uma camisa polo e uma calça formal. O cabelo, sempre desgrenhado, agora estava penteado pra trás. Ele estava com um sorrisinho no rosto. Eu me odeio por pensar isso, mas ele estava bonito. Eu o encarei e soltei todo o meu ódio no olhar.
– Vejo que já se conhecem... – ele começou. – Beky, eu realmente sinto muito, mas Híperon me ofereceu coisa melhor do que eu tinha naquele acampamento mixuruca.
– Eu te odeio. – rosnei.
– Já imaginava. Afinal de contas, eu tirei você da vidinha que sempre sonhou!
– Você é um monstro!
– Não. Mas se você não cooperar, irá conhecer os verdadeiros monstros.
– Nunca irei cooperar com seja-lá-o-que que você esteja tramando!
– Irá sim! Se você cooperar, poderá sair daqui.
– Prefiro passar o resto da minha vida aqui do que cooperar com você!
– Então acho que teremos que fazer as coisas do lado ruim.
Dizendo isso, Mike sumiu na escuridão. Eu e Holl nos entreolhamos. Se ele iria abrir a cela, teríamos que colocar nosso plano em ação mais cedo. Ele se escondeu do lado da porta, de modo que quem chegasse não poderia vê-lo. Ele só estava armado com um taco de madeira, mas seria o suficiente pra distrair o inimigo. Eu deixei o meu broche preparado. O plano teria que funcionar, senão estaríamos perdidos. E além do mais, eu não gostava do modo como Mike dissera que teriam que fazer as coisas do lado ruim. Em minha mente se passavam ideias horrorosas das torturas que ele poderia usar para me fazer falar. Tentei apagar esses pensamentos, mas meu lado Hades pessimista me impediu.
Depois do que pareceram horas, Mike voltou com dois gigantes hiperbóreos. Eles destrancaram a cela, nem perceberam que Holl havia sumido. Os dois gigantes se abaixaram para entrar. Já do lado de dentro, eles olharam para Mike á espera de uma ordem.
– Tragam-na – ele disse asperamente.
Os gigantes me seguraram pelos braços. A áurea gelada deles me deu arrepios, fiquei feliz por estar usando um casaco de peles. Quando já estávamos atravessando o portal, Holl agiu. Ele bateu com seu taco no gigante da direita, que assustado, me soltou. Com a mão livre eu armei minha espada e fiz o segundo gigante em pó antes que ele me congelasse. Holl tentava destruir o outro gigante, mas não estava indo bem. Corri para ajuda-lo, mas antes que eu pudesse fazer alguma coisa, Mike colocou a espada sobre o meu pescoço, me fazendo de refém. Holl e o gigante pararam a luta e encararam a cena alarmada.
– Bom plano o de vocês. – Mike disse secamente. – Pena que não deu certo.
Eu tentei pensar em alguma coisa para sair daquela situação, mas não da pra pensar muito com uma espada no seu pescoço. Usei o meu último recurso e mais perigoso: meti meu calcanhar nas partes sensíveis de Mike, que urrou de dor. Livre, eu peguei a minha espada que havia caído quando eu fui feita refém e transformei o gigante em pó. Não antes de ele errar uma rajada de vento e acabar atingindo Mike, que virou uma estatua de gelo em uma posição engraçada.
– Conseguimos! – eu exclamei.
– É. – Holl falou. – Mas ainda temos que sair daqui, o que não vai ser uma tarefa fácil. E além do mais, não podemos deixar essa estatua aqui ou eles perceberão que a gente fugiu.
Juntos, colocamos a estatua de Mike em um canto da cela que estava bastante escuro, o suficiente para os gigantes não o verem. Depois disso, nós começamos a procurar a saída. De acordo com o mapa de Holl, devíamos virar na primeira esquerda e depois seguir reto, até encontrarmos uma escada. Mas não contávamos com os guardas das outras celas. Assim que virou o corredor da esquerda, Holl me parou com o braço e nós encostamo-nos à parede da esquina.
– O que foi? – sussurrei.
– As outras celas estão ocupadas. – ele respondeu. – E tem muitos guardas.
– Então como vamos passar?
– Vocês podem usar isso. – falou uma voz estridente do meu lado.
Eu tive que me segurar para não gritar. Encostado na parede ao meu lado estava um senhor. Ele tinha cabelos grisalhos e segurava um boné que tinha um nome escrito. Na escuridão era difícil de ler, mas estreitando os olhos consegui identificar: Yankees. Não pode ser pensei. Mas felizmente eu estava errada.
– Qu-quem é você? – consegui gaguejar.
– Julius. – respondeu o fantasma. – Mas isso não interessa. Ouvi vocês dizendo que precisam passar despercebidos pelos guardas, mas não tem como. Estão errados. Podem usar o meu boné da invisibilidade, contanto que depois me devolvam.
– Primeiro esse boné não é seu.
– Claro que é! Eu o encontrei em uma viagem que eu fiz a Roma, em uma caverna subterrânea em meio a vários escombros de algum desabamento.
– Mas ele pertencia a uma garota chamada Annabeth Chase. Na verdade ainda pertence, mas você o encontrou.
– E agora é meu! Mas já que você não quer minha ajuda... – ele começou a tremeluzir.
– Queremos sim sua ajuda. – disse Holl, me lançando um olhar reprovador.
– Ótimo! – exclamou Julius, voltando à forma. – Só precisam colocar o chapéu na cabeça...
– Eu sei como funciona! – disse, pegando o boné da mão dele. – Agora teremos que ir um por um, mas como traremos o boné de volta eu não sei.
– Eu posso ajudar. Os guardas já estão acostumados com a minha presença. Só preciso ir com um de vocês, trazer o boné de volta e ir com o outro para pegar meu boné.
– O BONÉ NÃO É SEU!
– Agora é! Vocês vão querer minha ajuda ou não? Já está quase na hora do meu almoço!
– Muito bem, vamos logo com isso.
Notas finais
Cadê meus reviews??????????????????
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