1897 — Inglaterra

Em um humilde vilarejo em meio as colinas vivia o jovem Serafim, devido a uma asma cronica foi criado confinado dentro de sua própria casa, debaixo de rígidos cuidados, apesar da magreza e a pele branca e pálida, tinha estatura normal para um jovem de 14 anos, seus olhos eram verdes, tinha cabelos cacheados de um tom loiro opaco que batia em seus ombros, algumas leves sardas que marcavam seu rosto logo acima das bochechas que davam-lhe traços delicados.

Serafim era calmo e obediente, o que o tornava uma criança doce e amável, nunca questionou o carcere em que vivia pois sabia que a família o tratava nessas condições para o seu próprio bem, tinha plena consciência de sua saúde débil, por conta disso vivera a vida debruçado sobre as janelas da casa, apenas observando a vida lá fora, vendo as pessoas do vilarejo, as outras crianças correndo e brincando, coisa que ele sempre desejara fazer, mas sabia que era impossível na sua condição.

Devido aos mistérios envolvendo sua criação totalmente fora da sociedade, ninguém sabia do que se tratava sua doença e começaram a surgir rumores de que possuía uma doença contagiosa, incurável, e com isso pouco a pouco todo o vilarejo estava evitando sua família, que começou a enfrentar dificuldade de se manter, forçando o pai de Serafim a procurar trabalho fora da cidade, e com isso passa meses fora de casa, sua mãe para ajudar nas despesas foi trabalhar como governanta para uma família rica da capital que tinha uma casa de campo naquelas redondezas, e como seu marido mal tinha tempo de estar em casa, deixando Serafim aos cuidados de sua avó.

Entre as crianças do vilarejo era conhecido como o "menino fantasma", pois acreditavam que ele era amaldiçoado, diziam que havia morrido mas sua alma não percebera por isso vagava por aquela casa, e se alguém se atrevesse a tocar-lhe teria sua vida sugada e morreria instantaneamente, por isso evitavam ate mesmo passar perto de sua casa, e quando ele aparecia nas janelas como de costume era possível ouvir os cochichos, " lá esta o fantasma, não olhem ou serão amaldiçoados também!".No incio Serafim sentia-se triste e chorava muito durante as noites, mas agora já nem ligava mais.

Em um belo dia enquanto estava fazendo sua parada matinal na janela, sentiu uma batida próxima a perceana, ligeiramente percebeu que se tratava de uma bola, olhando a frente percebeu um grupo de meninos que agora estavam repreendendo um outro garoto por ter chutado a bola naquela direção," viu o que você fez, agora perdemos a bola." disse um dos garotos com muita indignação ajeitando seus óculos remendados no rosto," ninguém aqui quer correr o risco de ser amaldiçoado para ir busca-la!" disse outro garoto mais rechonchudo, foi quando chegou um garoto sorridente um pouco mais alto que os demais, provavelmente alguns anos mais velho, cabelos pretos, olhos azuis e pele bronzeada,e perguntou o que se passava, " Estefan, chutou a bola direto pra casa do fantasma justo quando ele estava na janela." disse o menino de óculos, com olhar de reprovação pelas suas ações o mais velho perguntou: "vocês são idiotas ou o que?".

—Hey! você ai... pode jogar a bola pra cá novamente. — gritou o jovem.

Serafim incrédulo olhou em volta e atras de si mesmo, — V-você está falando comigo?- perguntou timidamente.

—Sim, é com você mesmo. — respondeu o jovem sorridente enquanto os outros garotos saiam apressados dizendo: — Yohan você é louco, quer matar a todos nós!

O mais velho deu de ombros e continuou a olhar para Serafim sem tirar o sorriso, Serafim debruçou-se sobre a janela afim a alcançar a bola no chão e preparou para arremessa-la, mas como expectativa e realidade são coisas bem diferentes seus braços fracos e movimentos desengonçados não conseguiram lançar a bola nem a 2 metros da janela, fazendo com que o garoto fosse até a frente de sua janela pegar a bola.

— HA HA HA você é péssimo nisso hein! — disse o garoto às gargalhas enquanto apanhava a bola no chão.

— N-não ria! — disse Serafim envergonhado.

—Prazer eu me chamo Yohan. — disse o garoto estendendo a mão para Serafim cumprimenta-lo — E você como se chama? tenho certeza que não é menino fantasma!? -completou sorrindo ironicamente.

— Eu me chamo Serafim. — respondeu segurando a mão de Yohan cumprimentando-o ainda incrédulo que alguém realmente viera falar com ele.

— O nome condiz com essa sua aparência.- disse Yohan encarando-o, o que o fez enrubescer.

— O que há com a minha aparecia? perguntou meio incomodado.

— Você se parece mais com um anjo do que com um fantasma. — afirmou Yohan.

— Obrigado — disse ele olhando para baixo completamente sem graça.

— Então meu caro Serafim se não for muita intromissão, qual o mal que te impede de sair? — perguntou Yohan lançando-lhe um olhar curioso. — É algo contagioso?

— Oh! não absolutamente. — respondeu Serafim rapidamente balançando a cabeça negativamente — Sofro de problemas respiratórios que me causam graves crises, afim de não me deixar desamparado e para evitar essas crises minha família acha mais seguro me manter dentro de casa sob cuidados.

— Já que sua família não permite que você saia, e sua doença não é contagiosa, não há mal nenhum eu vir aqui para conversarmos, não é?

— Eu acho melhor não. — Serafim disse constrangido abaixando o olhar novamente.

— Por que não? — perguntou Yohan indignado.

— Você não vê o que aconteceu com minha família, assim como com eles se você se aproximar de mim, você também será alvo de discriminação e logo se afastarão de você, não posso permitir que mais pessoas sofram por minha causa. — a tristeza era visível nos olhos de Serafim.

— Eu não me importo, já estou aqui falando com você, podemos ser amigos, não podemos?

— Não se preocupe comigo, já estou acostumado à solidão.- disse Serafim com um sorriso amarelo.

— Não diga lorotas, você não esta mais sozinho, te vejo amanhã.- disse Yohan sorrindo enquanto se afastava, acenou de longe despedindo-se.

Serafim ainda extasiado com a situação, foi correndo para seu quarto onde deitou-se na cama, seu coração estava acelerado, e em sua mente um turbilhão de pensamentos, "seu primeiro amigo, depois de tantos anos esse era mesmo seu primeiro amigo" ele estava ansioso, feliz e assustado.

Assim como havia dito no dia seguinte Yohan veio novamente conversar com Serafim e assim o fez dia após dia, e como previsto, grande parte do vilarejo já o evitava, porém Yohan parecia nem notar, pra falar a verdade acho que ele não ligava mesmo, ele era do tipo de pessoa que fazia o que bem entendia conforme sua vontade e não se importava nem um pouco com as opiniões alheias, isso era o que mais Serafim admirava nele, para ele Yohan era a verdadeira definição de uma pessoa "livre".

Com o passar do tempo, a amizade entre os dois crescia rapidamente, Yohan já frequentava a casa de Serafim como se fosse a sua própria, presenciou algumas das tais crises, que sempre ficavam piores nas trocas de estações, chegara a dormir algumas vezes debruçado sobre a cama de Serafim de preocupação quando ele passava mal, Yohan era dois anos mais velho que Serafim e tinha com ele todo o cuidado de que um irmão mais velho teria.

Dois ano se passará desde que os dois se conheceram e já eram inseparáveis, como Serafim não frequentava escola Yohan ensinava-o a ler e escrever em casa levando seus livros e lições dos anos passados, Serafim era inteligente e aprendera tudo com muita facilidade. Um dia durante umas das aulas Yohan perguntou ao amigo o que gostaria de fazer no dia do seu aniversario que já estava próximo, — Como assim fazer o que? — perguntou Serafim.

—Não tem nada de diferente que você queira fazer? — disse Yohan sem olhar pra ele.

—Não sei Yohan, não consigo pensar em nada diferente que dê pra fazer aqui em casa que já não tenhamos feito. — Disse Serafim pensativo.

Yohan fechou o livro que estava lendo e o encarou — Já pensou em sair?

Serafim que estava debruçado sobre o caderno na cama deu um pulo e tapou a boca do amigo em sinal de silencio, — Está louco Yohan, se a vovó te ouve! sabe que não posso! — sussurrou Serafim assustado com a ideia absurda.

— Poder você pode, só não deve. -Yohan estava com um sorriso malicioso o qual Serafim já conhecia muito bem, era aquele tipo de sorriso que que o amigo fazia quando ia aprontar algo.

— E se me pegarem! O que vou fazer, o que vou dizer?

— Ora vamos Serafim deixe de ser tão medroso, você já esta fazendo 16 anos e nunca pôs os pés pra fora desta casa, sua mãe acabara de voltar para a casa de campo e seu pai só vira mês que vem.

— Mas e a vovó, como pensa que vou sair sem ela perceber, pensa que não notara minha ausência?! — Serafim já estava quase em panico só de pensar, mas era algo que ele não podia negar que queria muito.

— Pense um pouco Cachinhos dourados, sua avó já está velha e dorme pelo menos duas horas todas as tarde, dá tempo de sobra pra darmos uma voltinha e voltarmos antes mesmo de ela acordar.

— Eu não sei Yohan me parece muito arriscado, e você sabe que a vovó tem o sono leve tenho certeza que se eu tentar abrir a porta ela vai escutar e vir ver oque esta acontecendo.- Disse preocupado.

-Meu caro Serafim porque se preocupa tanto com portas quando existem janelas. — Os olhos de Yohan brilhavam com a ideia.

Durante a semana que se seguiu os dois planejaram como seria a "fuga", na noite anterior passavam os últimos detalhes, " assim que sua avó deitar para tirar sua soneca da tarde você vem para seu quarto vou estar te esperando do lado de fora da janela.", " prepare também uma bolsa com uma garrafa de água e alguns biscoitos, caso você precise recarregar as energias."

—Ok, mas aonde exatamente nós vamos?

—Isso é surpresa terá que conferir por você mesmo. — Yohan sorria fazendo mistério.

Naquela noite Serafim mal pode dormir de tão nervoso que estava, quando o dia começou não havia nada de diferente parecia mais um dia comum e monótono na casa de Serafim, mas ele estava com os batimentos tão acelerados quanto uma garotinha apaixonada quando vê seu amor, como o combinado as 3h da tarde sua avó deitou-se para cochilar e Serafim passou na cozinha e pegou a bolsa com mantimentos que tinha preparado e escondido na noite anterior, seguiu para seu quarto e viu Yohan que já o esperava do lado de fora da janela, estava sorrindo como de costume mas algo nele estava radiante.

—Por que esta todo arrumado assim, passou ate perfume que posso sentir daqui, por acaso vamos a alguma festa? — questionou Serafim.

—Melhor que festa, hoje é o dia da sua liberdade pequeno anjo.- Yohan viva dando-lhe apelidos, todos eram de forma carinhosa, mas não importava quantas vezes Serafim os ouvia sempre corava e ficava sem graças, mas não era algo que lhe desagradava.

Yohan o ajudou a pular a janela que não era muito alta, mas Serafim era tão frágil e desengonçado que parecia que iria de desmanchar assim que entrasse em contato com o mundo, os raios de sol da tarde parecia que refletiam em sua pele branca, Serafim preparou-se para ir em direção ao vilarejo.

—Hey! Aonde você pensa que vai? — perguntou Yoran meio sarcástico.

— Nós não vamos dar uma volta? — disse confuso.

— Você é louco achando que ia levar você ao vilarejo, imagina o caos de verem o menino fantasma andando em plena praça, ai não só sua família mas o pais todo saberia que você saiu de casa.

—De fato, eu não havia pensado nisso.- ele se pôs a pensar um instante- E para onde iremos então?

— Pra lá — Yohan apontou pra uma trilha na mata que iniciava loga atras da casa de Serafim.- E é bom nós nos apressarmos se quisermos voltar antes da sua avó acordar.- lembrou ele.

Seguiram pela trilha, quando Serafim se dera conta já não podia mais ver a trilha nem sua casa muitos menos o vilarejo, "Yohan estamos perdidos!?" ele perguntava agarrando-se a mão do amigo," claro que não, apenas me siga.", a caminhada já durava cerca de 20 minutos e Serafim já estava sem folego e estava tendo certa dificuldade na parte mais ingrime do trajeto, Yohan sentou-o em uma pedra e sacou da sacola a garrafa de água," tome beba um pouco já estamos quase chegando", Serafim estava quase ficando sem ar e era como se iniciavam suas crises, mal conseguia falar, "relaxe e tente respirar fundo, eu estou aqui com você, já estamos quase lá." dizia Yohan acalmando o amigo, assim que se recuperou voltaram a andar ate que chegaram em uma pequena clareira no topo da montanha onde dava pra ver o vilarejo inteiro e ate mesmo os rios que corriam nos arredores, a vista era esplendida e o ar era extremamente puro, Serafim podia sentir seus pulmões se enchendo com aquele aroma dos pinheiros e da terra úmida perto do rio que nascia na montanha.

— É maravilhoso Yohan! — os olhos de Serafim estavam cheios de lagrimas, jamais imaginara ter um visão daquelas, jamais nem sequer pesou que um dia realmente sairia de sua casa.

—Eu disse que valeria a pena, este aqui é meu lugar secreto, vinha bastante aqui pra pensar ou tirar um momento de sossego, sempre quis trazer você aqui.

— É mesmo!? e porque? — peguntou curioso.

—Porque achei que esta vista combinaria com um anjo como você, e eu estava certo. — Yohan sorria — olhando você aqui em meio a essa paisagem divina é como se um pertencesse ao outro.

Serafim estava completamente corado e teve que sentar-se sobre a grama para evitar cair já que suas pernas amoleceram, para ele estava cada vez mais difícil esconder os sentimentos que tinha por Yohan, ainda mais quando ele dizia coisas assim, sentia seu peito arder, era um misto de felicidade e tristeza que travavam uma guerra em seu interior, ele nunca sequer cogitou a possibilidade de contar seus sentimentos para o amigo, tinha medo de ser rejeitado, não se sentia digno, pois sempre achou que morreria cedo, ele acreditava que seria apenas um peso para quem se envolvesse com ele. Lagrimas escorriam pelo seu rosto, o moreno sem saber o que se passava na cabeça e no coração de Serafim sentou-se a seu lado e o abraçou o que o fez o loiro cair em prantos ate que adormeceu nos braços de Yohan de exaustão, tanto física quanto emocional.

—Hey, Acorde!... — bocejo — Serafim acorde! — era Yohan chamando-o.

— Ah meu Deus! eu dormi!? — Serafim acordou-se apavorado — Que horas são?

—Calma ainda temos tempo mas é melhor irmos. — dizia Yohan com a maior calma do mundo mexendo nos cachinhos de Serafim. — Venha eu o ajudo a levantar.

— Obrigado, eu estou bem. — segurando a mão de Yohan que o levantou.

Seguiram tranquilamente o trajeto de volta, Serafim entrou de volta em seu quarto pela janela em que havia saído, Serafim abraçou Yohan através da janela e o agradeceu por aquele dia maravilhoso que com certeza jamais esqueceria, se despediram e assim que Yohan se foi a sua avó acordou, e foi ate o quarto do neto onde ele estava lendo um livro em sua cama, como se nada tivesse acontecido desde que ela foi dormir, assim que se retirou do quarto, o loiro deixou o livro cair sobre seu rosto apenas pensando no dia que havia passado, aquele sem duvida foi o segundo melhor dia de sua vida.

Conforme os meses foram se passando as escapadinhas de Yohan e Serafim foram se tornando cada vez mais frequentes, Serafim agora corria com mais firmeza, tinha força nos braços e pernas, ate sua saúde melhorou com o ar da montanha e suas crises se tornaram algo raro, a família acreditava que a melhora de Serafim era devido aos anos de cuidados confinado em casa, mal sabiam eles que seu filho saia toda a semana, ele dizia a sua avó que tinha lições realmente difíceis para estudar com Yohan e não queria ser interrompido ate que ele abrisse a porta do quarto com isso ganhavam tempo para seus passeios que já não duravam mais apenas 2h e sim 5 ou 6 horas.

No verão decidiram subir a montanha a noite para ver as estrelas, enquanto todos dormiam eles escaparam, a vista era realmente fantástica daquele lugar, era o segredo deles, o maior tesouro que eles partilhavam, era como se a galaxia toda estivesse ali em frente a eles, Serafim queria que aquele momento fosse eterno, os dois ali deitados na grama ao lado um do outro sob o céu estrelado, por alguns instantes ficou observando o rosto do amigo, parecia as estrelas refletiam no olhar de Yohan, Serafim queria beija-lo era o que mais desejava naquele momento, dentro de si estava reunindo coragem pra falar sobre seus sentimentos.

Yohan percebeu que estava sendo observado, e virou-se pra Serafim.

— O que foi? o que se passa nessa cabecinha dourada?

— Estava pensando como queria que esse momento durasse para sempre.- Serafim respirou fundo.

— Tem uma coisa que eu quero lhe contar! — disseram os dois ao mesmo tempo.

O loiro já com os batimentos acelerados disse ao amigos que falasse primeiro.

— Eu estou apaixonado. — proceguiu Yohan.

— E por quem seria? — Perguntou Serafim sentindo uma pontinha de esperança, será que o amigo também sentia o mesmo por ele.

—Estella Fiore da familia Aquila. — disse ele com um rosto radiante.

— A italiana filha do ferreiro — Perguntou Serafim com estrama dor e desgosto.

— Sim ela mesmo, estava pensando em trase-la aqui, assim posso apresenta-los também. — dizia Yohan radiante.

— Yohan desculpe mas não estou me sentindo bem, vou voltar para casa. — disse Serafim tirando o amigo de seus devaneios.

— Eu te levo ate lá, o que esta sentindo? é uma crise? -perguntou ele preocupado levantando-se do gramado.

Chegando em casa Serafimd deitou-se em sua cama, com extrema vontade de chorar, ele podia suportar que seu amigo se apaixonase por uma garota, mas não suportaria ter que dividir aquele lugar que era quase um santuario para ele, era o segredo que eles dois partilhavam não havia espaços para mais uma pessoa.

Infelizmente a vida de Serafim não era um conto de fadas e os seus dias de felicidade eterna ao lado do seu amor platonico estava com os dias contados, Yohan agora já com 18 anos logo seria mandado para a capital para casa de sua tia que era de uma casse social mais avantajada e ofereceu-lhe ajuda completar seu estudos e tentar uma vida mais bem sucedida, além de estar apaixonado por uma jovem camponesa, sem duvida estava de coração partido, mas ele não podia culpar Yohan por isso, sendo que ele nunca lhe revelou seus verdadeiros sentimentos, não podia impedir que o amigo seguisse com sua vida.

O tempo ia pansando e as visitas de Yohan iam diminuindo, as escapadas se tornaram raridades, o amigo já não tinha mais tanto tempo assim para o loiro, já que agora tinha que pensar em escapadas com a sua namorada, pois sua familia era totalmente contra aquele namoro, ja que a jovem vinha de uma classe mais baixa, e passaram a namorar as escondidas, Serafim sofreu muito com isso, as vezes passava semanas sem se quer ver Yohan e assim se passaram 6 meses, Yohan completaria 19 anos na proxima semana e sua familia ja havia comprado sua passagem de trem para a capital, fazia um mes e meio que Serafim já não o via.

Na véspera do aniversário do amigo Serafim subiu ate a montanha a noite, ate o lugar secreto deles, a noite estava agradável e o céu estrelado, se perguntara quantas vezes já havia feito aquele trajeto sozinho desde que foi deixado de lado, foi quando escutou vozes que o tiraram de seus pensamentos, eram as vozes de Yohan e sua amada, que planejavam uma fuga juntos para o dia seguinte," não diga nada a ninguém, eu também não direi, seremos felizes longe daqui, só nós dois..." era a voz de Yohan que proferia essas palavras, Serafim não pode conter as lagrimas e voltou correndo para sua casa, Estela e Yohan ouviram o barulho e ficaram alarmados mas como no ouve mais ruídos acharam se tratar de algum bicho da floresta e seguiram seu caminho cada para sua acada.

Serafim não conseguia segurar o choro, sentiu seu peito arder e dor o sufocando, fazia muito tempo que não tinha um crise tão forte,debatendo-se sua avó veio socorre-lo,mas Serafim já estava inconsciente.