Notas iniciais
Queridos leitores de História Sejam bem vindos a mais um capítulo, este último foi escrito bem aos trancos e barrancos pois estive doente e quase não pude me dedicar á fanfiction. Uma anemia me pegou e quase não tive motivações para nada, eu achei que este capítulo nem fosse sair. Mas saiu, bem aquém do que eu gostaria, não ficou como eu esperava mas foi o máximo que pude fazer. Peço desculpas á todos por não apresentar um capítulo tão bom como eu gostaria, mas espero que, ao menos, eu possa ainda emocioná-los como venho fazendo. Lembrando que são os últimos capítulos, não sei ao certo ainda se fecharei com mais um ou dois capítulos após este. Outra observação: teremos problemas de acentuação de palavras no decorrer do texto, peço desculpas á voces mas estou sem alguns acentos, ok? Tem lemon ♥ Boa leitura

Cap 28 — Milo e Camus


— Camus, lhe apresento: Brahman

O cocheiro havia deixado Milo e Camus diante de um jardim suntuoso e enorme a perder de vista. Ao final dele, um gigantesco castelo barroco se descortinava: uma propriedade luxuosa com mais de duzentos comodos se erguia em paredes de pedra e mármore com enormes janelas e muitas torres.
Os dias difíceis de luto haviam se passado, assim como o inverno. A primavera se mostrava colorida e solar em seus primeiros dias

— Milo...eu não posso crer, eu..

Camus balbuciava e Milo ria como uma criança arteira, puxando o amado pelo braço indo em direção á mansão. Era maior e mais imponente que Greenford, muito mais. Passaram lateralmente por um lago enorme e que parecia profundo onde cisnes nadavam despreocupados na água gelada, até chegarem ao caminho principal que levava ás escadarias que davam acesso á entrada principal da mansão. Uma gigantesca varanda tinha a vista de todo aquele vale verde e por além dele o bosque.
Pararam para aspirar aquele ar puro e observar a paisagem linda de lá de cima

— É lindo, mas tens certeza de que é mesmo esta?- perguntou Camus, desconfiado

— É claro que tenho! Está aqui, meu amor, aqui nestes papéis consta tudo certinho

Milo mostrava á Camus pela décima vez as escrituras da mansão contendo o nome de seu pai e que por herança agora eram suas

— Mas porque seu pai nunca falou neste lugar? É uma residência digna de um rei, eu não sei, Milo...

— Camus, pare de racionalizar tudo, eu já te expliquei: papai comprou este castelo para dar de presente á nossa mãe, ele planejava viver com ela aqui. Até que veio a doença e ele abortou a ideia, mantendo a compra da propriedade apenas. Agora venha, vamos entrar!

Milo forçou um pouco a enorme porta principal e por trás dela surgiu um salão onde caberiam sem apertos mais de quintentas pessoas. Seu piso era todo decorado com desenhos geométricos em mármore, suas paredes tinham ornamentos e esculturas nos cantos, fios de ouro nas sancas e desenhos celestes enchiam todo o teto junto a lustres gigantes de cristal. Toda a mobilia estava intacta, coberta apenas por lençóis brancos: sofás e poltronas de mogno e veludo, banquetas e mesinhas além de um enorme piano de calda. E muitas obras de arte pelas paredes e corredores: originais de Caravaggio e Renoir
Isso tudo apenas em uma sala.

— Milo...é impressionante — balbuciou Camus

— É nosso, meu amor. É nosso lar, criaremos aqui nossos filhos e seremos muito felizes

Milo segurou o rosto do amado com as duas mãos e viu, finalmente, se desenhar uma fisionomia mais tranquila em seu rosto. Camus finalmente estava cedendo

— Está certo, podemos viver aqui então

— Hum...eu estou vendo um sorriso

Ambos sorriram e se beijaram, recostando em seguida em uma das inúmeras janelas do castelo de Brahman e admirando a paisagem do lago e o bosque ao fundo

— Agora me conte, o que o senhor e meu pai confabulavam naquela manhã? — inquiriu Camus, sem esquecer do acontecido na manhã seguinte ao enterro de Richard

— Oh querido, perdoe-me, mas eu sei guardar segredos -piscou com ar traquina, fazendo Camus rir de indignação

E assim continuaram conhecendo as demais dependencias da mansão, onde em poucos dias, estariam morando definitivamente.

Horas mais tarde, ao retornarem a Greenford, encontraram Gerrard envolto em papéis, usando emprestado o escritório onde Richard costumava trabalhar.

— Pronto! Aqui está toda a papelada necessária, que bom que regressaram...e então, é de fato uma bela propriedade? — indagou o mais velho, equilibrando sobre a face o par de óculos de lentes finas que usava para manusear papéis

— Bela? Bela é pouco, senhor Garret! Brahman é um castelo de sonhos, a maior mansão que meus olhos já puderam ver — animou-se Milo, com Camus balançando a cabeça em concordancia

— De fato, pai...nunca vimos nada igual. Na verdade apenas o palácio de Luiz XIV, o Palácio de Versalhes, se assemelha em tamanho em imponência

— Minha Santa...imagino a bagatela que Richard pagou em tal mansão. Bom...seja como for, creio que agora dinheiro e bens não serão para voces um problema, definitivamente

— Do que está falando, pai? — Camus alongava os olhos para os papéis que Gerrard tinha sobre a mesa

— Estou dizendo que agora és também um herdeiro milionário, filho. Eu acabo de assinar os papéis que dão a voce e seu irmão a parte que lhes cabe em suas heranças. Decidi fazer isso ainda em vida pois quero que meus olhos desfrutem a felicidade de meus filhos.

— Mas pai...herança? Agora?

Camus estava incrédulo, encarava o pai e Milo, que sorria. O loiro era seu cumplice em tudo

— Então você sabia, estavam macumunados...

— Sim — Milo defendeu-se — mas era uma surpresa Cam...não teria sentido tirar esta felicidade de seu pai

— E a mamãe? Está a par desta loucura?

— É claro que estou — interrompeu a matriarca que entrava no recinto no exato momento- e estou de pleno acordo com o que seu pai decidiu. Eu e ele vamos ficar bem quietinhos em nossa quinta em Aix. Somos felizes lá e não necessitamos de nada, meu amor.

Incrédulo, Camus passou a examinar os papéis e por eles constatou que acabara de herdar um patrimônio inestimável, que incluía não apenas valores indizíveis em dinheiro como também propriedades por toda a França, terras e mais terras no interior, fora as muitas jóias de familia

— Agora voce e Milo acumulam um patrimonio milionário, a junção das familias eleva voces dois ao posto de homens mais poderosos de Londres e alguns dos mais ricos de toda a Europa. Entendem agora porque eu e Richard sempre sonhamos com este momento? Entendem porque a junção de nossas familias seria algo tão grandioso? Filho, eu tremo só de pensar em tamanho poder e fortuna e agora tudo isso é de voces.

Camus encarava o pai, voltava seu olhar á Milo e novamente ao seu pai. Ainda custava a crer que tal poder estava em suas mãos, mas não acabaria aí

— Falta apenas uma última coisa...

— Mais? O que há mais, pai? — indagou, tremulo

— O que sempre amou, e eu lhe tomei

Gerrard estendeu ao filho o documento assinado em que lhe era devolvida sua patente como Primeiro Tenente da Marinha da França. O ruivo estendeu as mãos finas para tomar nelas o documento assinado.
Camus havia voltado a ser um militar condecorado, o respeitado Primeiro Tenente estava de volta. As mãos brancas de longos dedos tremiam ao tocar as medalhas douradas, os brazões e finalmente vislumbrou sua farda.
Foi difícil que uma lágrima não brotasse morna no rosto ruivo. Tudo parecia um sonho, se perguntava em qual momento acordaria e ainda estaria no casebre...os dedos ágeis de Milo colheram a lágrima e Camus se jogou nos braços do amado, finalmente cedendo e ambos comemoraram esfuziantes se abraçando.

Gerrard se juntou á eles e internamente agradeceu aos céus e a seu amigo, onde ele estivesse, estaria feliz.

**

Camus havia reservado algumas horas naquele final de tarde para descansar. Toda a aventura com Milo em Brahman e mais as revelações de que agora seria um herdeiro milionário deixaram Camus levemente exaurido, e já que Milo havia se ausentado para ir á fábrica por poucas horas — ele prometera voltar logo — decidiu tirar aquelas horas para relaxar e tentar ler um pouco.
Em vão...pois apesar das muitas realizações, ainda havia uma última que lhe tirava a calma. Havia ainda algo que não havia recuperado e na qual vinha pensando firmemente naqueles dias. Com isso decidiu não mais esperar, tinha dinheiro o suficiente para adquiri-la, então porque não?

Pulou da cama, vestindo a casaca e as botas. Olhou Hyoga que brincava e avisou á Mayura que sairia por poucas horas, prometendo voltar antes do jantar e antes até mesmo de Milo.

Camus dispensou o cocheiro e a carruagem, cavalgando ele mesmo á galopes rápídos rumo local que não lhe saía da cabeça. Entrou rápido e animado no local onde funcionava a corretora imobiliária

— Muito boas tardes. Vim fazer negócio pela livraria que está á venda

— Boas tardes...

O corretor estendeu a mão, educado, porém sem graça em não saber exatamente a que livraria Camus se referia

— Livraria? Perdoe-me mas...

— A da esquina. A grande, chamava-se Svensson Library e pertencia a uma familia de suecos. Eu tenho posses, quero comprar o imóvel agora mesmo — esclareceu

Camus estranhou a própria ansiedade. Não era do tipo que agia por impulso mas agora se sentia uma criança traquina desejando incontrolávelmente seu brinquedo

— Ah claro, a livraria Svensson. Sinto muito senhor, mas ela acabou de ser negociada. Foi vendida hoje mesmo

— O que? Hoje mesmo? Como isso é possível? Ela esteve disponível todo este tempo e...logo hoje? Quem a comprou?

— Um senhor, saiu daqui não faz muito tempo e certamente foi para o local. Se apressar-se pode ser que encontre-o lá mesmo. O que podes fazer é uma contra-proposta de compra diretamente á ele, mas não sei se terá sucesso senhor Garret...

O homem mal concluiu suas palavras e já não via mais Camus diante de si, o ruivo saíra a passos largos, alcançou rápidamente seu cavalo e saiu disparado na direção da livraria. Quem a teria comprado? O imóvel ficou tanto tempo á disposição para ser negociado justo agora? Fosse quem fosse, Camus estava disposto a fazer uma proposta tentadora, queria aquela livraria a todo custo.
Camus apeou do cavalo e notou que a porta estava aberta. O atual proprietário certamente estava no local, assim como o corretor havia previsto que estaria. Camus entrou, decidido e já preparando-se para confrontar o tal comprador que na verdade era alguém bem conhecido

— Milo! Você....é você?? Comprou a livraria?

— Surpreso? Sim, fui eu — disse o loiro, contente e com ar triunfante — eu a comprei e agora é sua, meu amor

Camus ficou sério, não podia crer que Milo estava mesmo presenteando-o com a livraria que fora dos Svensson

— Você é louco...porque não me disse nada?

— Oras...porque isso estragaria a minha surpresa. Agora vamos, me diga qual será o nome desta bela livraria, hein ruivo?

— Humm...La Boehme — disse, sem titubear muito — obrigado, foi uma linda surpresa, ange!

— Me agradeça mais tarde, com um cálice de vinho...

— Oui, assim será...

**

Naquela noite, Camus havia escolhido um dos melhores vinhos da adega da mansão e levava para a mesa de jantar já posta. Seria uma noite perfeita apenas em familia com Hyoga e seus pais se não fosse a presença levemente indesejada de Kanon que havia vindo trazer alguns papéis para Milo assinar

— Permitam-me atrapalhar, mas o jantar está na mesa, mon cher

Camus os interrompeu, entrando no escritório onde Milo se via envolto em contratos trazidos por Kanon

— Oh meu amor, veio em boa hora. Eu e Kanon já estamos encerrando aqui, e estou faminto

— Todos estamos, querido. Janta conosco, Kanon?

— Ah Camus, que gentileza..claro, eu aceito sim

— Ótimo, eu já escolhi um vinho. Meus pais estão á nossa espera

Milo levantou-se, indo na direção do seu amado, não se furtou da oportunidade de enlaçar-lhe a cintura e roubar um beijo, como gostava de fazer. Fez isso mesmo estando diante de Kanon, que disfarçou o desconforto de presenciar as carícias do casal. Tentava agir o mais natural possível, embora presenciar Milo e Camus se beijando fosse de certa forma ultrajante para ele. Mas Kanon nada podia fazer, o casal estava em casa e debaixo de seu teto ambos se sentiam á vontade para demostrarem o amor que sentiam um pelo outro sem medos.

Todos sentaram-se á mesa e jantaram, despreocupados enquanto conversavam amenidades.

Após o jantar, Milo deu ordens á um cocheiro que fosse levar Kanon em casa. Juntos, Milo e Camus puseram Hyoga na cama e o fizeram dormir contando uma história e depois se recolheram no quarto do casal.

— Que sombra é essa que vejo nos seus olhos, Tenente? — Milo perguntou, servindo mais um calice de vinho á Camus.

O ruivo acomodou-se em uma poltrona acolchoada de frente para a cama

— Kanon...ele sempre virá trazer trabalho pra voce em casa? Não gosto da presença dele.

— Humm...não, ele não virá sempre — Milo desabotoava a própria casaca enquanto falava, se livrando na pesada roupa. Em seguida, passou a abrir os botões da casaca de Camus — vamos relaxar, ruivo...

Milo pegou o cálice das mãos de Camus e sorveu um gole longo de vinho, o ruivo por sua vez, mais relaxado, permitiu que seu corpo se recostasse totalmente na poltrona, com Milo ajoelhado entre suas pernas, já examinava com as mãos o volume por dentro das calças. Ambos trocavam um olhar cumplice. Milo abriu a camisa de Camus e com a lingua passou a acariciar os mamilos rosados, permitiu que seus lábios passeassem pelo peito marcado de salpicada ferrugem, beijando delicadamente aquelas manchinhas que ele amava. Camus estava cheiroso, seu perfume era inebriante e as caricias e Milo o faziam amolecer mais e mais

— Hum...ange...sejá lá o que estiver procurando aí, vai acabar achando — provocou, mordendo os lábios

Milo sorriu e antes que Camus pudesse soltar mais um gemido de prazer, abriu com destreza o cós lateral da calça do Tenente, tirando de dentro dela seu objeto de desejo, teso, ereto como ele desejava. Masturbou-o com as mãos, acariciando ao mesmo tempo que se beijavam. Os beijos do loiro desceram da boca em direção ao falo túrgido ao qual abocanhou e chupou com vontade, saboreando a extenção rosada e dura.

Camus não resistiu e desejou abertamente igual sensação, ordenou impaciente que Milo se erguesse. Com o loiro de pé diante de si, abriu suas calças e arrancou de dentro delas o falo duro, abocanhando-o também. Camus puxava o corpo de Milo para si, chupando-o com devoção, sentindo a saliva lavar-lhe a carne desejosa, da ponta do penis até os testículos redondos. Fazia intervalos para beijar-lhe o umbigo, lamber os gominhos abdominais que Camus amava observar no seu loiro, bem definidos e fortes, sentindo o cheiro forte que vinha do seu ventre. Após saborear-lhe o falo mais uma vez, Camus juntou seu mastro ao de Milo, masturbando-os juntos mais uma vez, esfregando-os com vigor. Os dois amantes gemiam palavras desconexas em frances, delirando de desejo. As roupas foram arrancadas por completo e os dois amantes nus se saboreavam incansáveis, sentindo o toque macio da pele, o cheiro, o gosto. Milo arranhava as cochas brancas de Camus, que mordia levemente as cochas grossas de Milo e nos intervalos beijos estalavam na boca e as línguas bailavam fora delas.

Mas Milo não estava satisfeito e queria proporcionar ao seu amor uma sensação que até então era inédita para ele. O loiro ordenou que seu amado ficasse de bruços, não seria novodade para Camus ser possúído por Milo naquela posição, não seria a primeira vez, no entanto, Milo nunca tinha feito aquele tipo de carícia. Não daquele jeito. Camus sentiu sua entrada ser lavada pela língua ágil e esperta do amado, o ruivinho gemia de prazer com aquelas carícias, Milo o lambia sem trégua, era a sensação mais deliciosa que ele já havia sentido. Logo a língua do amado foi substituída pelo membro rígido, abrindo caminho, pedindo passagem até romper-se totalmente, recebendo em si o falo duro.

— Ohh Camyu, mon amour....

— Ohhh Milo, je t'aime...

Milo não parou enquanto o corpo de seu amado não explodiu em extase, se satisfazendo quando percebeu os jatos de lava quente jorrando do corpo do ruivo. Mas Camus também desejava mais e ao perceber que Milo ainda não tinha obtido prazer, inverteu as posições, dando ao seu loirinho o que ele queria

— Ohh Camyu, Je te veux en moi (eu quero voce em mim)

Camus deu ao seu amor o que ele pedia, penetrando-o com fome e loucura. O ruivo arremetia dentro do loiro com voracidade, até que Milo desfalecesse gozando incansávelmente, para alegria de ambos.

Aquela seria uma das últimas noites em Greenford, pois em algumas semanas o casal estaria se mudando para a gigantesca mansão de Brahman.

Camus abriu os olhops devagar, passou o braço pela cama e percebeu-se sozinho. Passou o outro braço pelo próprio corpo, nu. Olhou pela vidraça e percebeu que o dia amanhacera, Milo certamente já havia ido para a fábrica. Mas Camus decidiu não pular da cama, ao contrário, ficou ali curtindo a preguiça matutina, depois levantou com calma para fazer o desjejum com Hyoga e seus pais.


**


Milo tomou nas mãos uma das latinhas que estava na linha de montagem, observou o pescado dentro dela.

— Kanon, senhorita Pandora, me acompanhem até a minha sala, por favor

Kanon fechou o semblante de preocupação e Pandora sentiu seu coração pular pela boca, já se via demitida por algo errado que teria feito, apenas se perguntava o que seria.
Ao entrarem na sala, Milo colocou a latinha sobre a mesa e provou um pedaço do pescado, fazendo uma quase careta ao mastigar. Em seguida pediu que Kanon e Pandora fizessem o mesmo. Ambos então provaram o pescado e fizeram caras parecidas de desaprovação

— Percebem? Nosso produto está ruim, muito ruim — decretou Milo — Kanon, como estão nossas vendas?

— Er...caíram um pouco, mas ainda lideramos o mercado de enlatados com folga. Fora que, a contaminação de frangos e galinhas e o aumento do preço da carne de vaca alavancaram as vendas da carne de porco outra vez, ficando para os pescados a alternativa a quem não deseja ou não pode comer suínos. Ainda estamos á frente dos presuntos enlatados e dos palmitos

Milo ouviu o relato com atenção e concluiu

— Isso é pouco. Eu não quero que meu pescado venda porque é uma alternativa, eu quero que ele venda porque é bom, porque é gostoso. — após uma longa pausa olhando a latinha, prosseguiu — o que falta aí é algo que envolva este pescado, ele está seco aí dentro, está ruim. Fora o cheiro que não é agradável. O resultado final não é palatável, não me agrada. Se houvesse alguma espécie de líquido que o envolvesse...

— Óleo comestível? — interrompeu Pandora, se antecipando ao que Milo havia pensado mas não falado

— Exato! É isso, óleo comestível. Isso seria perfeito e creio que resolveria nossos problemas. Senhorita Pandora, teria capacidade de desenvolver este óleo?

Kanon assistia ao diálogo dos dois sem nada dizer, apenas os observava vendo até onde ia toda aquela criatividade

— Eu creio que sim, se me der algum tempo posso desenvolver o óleo e testamos em algumas latas — decretou, animada

— Ótimo, ficará responsável por isso e se tiver exito será muito bem recompensada

— Oh, só a reforma que mandou fazer na vila já foi uma recompensa. A vila de operários está outra: muito mais bonita e as casas mais confortáveis

— Muito bom, senhorita Pandora, isso é muito bom. Agora cuide de nosso óleo e deixe eu e Kanon a sós para tratarmos de outros assuntos. Obrigado pela dedicação.

Pandora sorriu satisfeita e saiu já tendo ideias para projetar o óleo comestível e impressionar positivamente deu patrão. Por outro lado, Kanon parecia cético quanto aos planos de Milo e Pandora

— Acha mesmo que uma operária tão humilde tenha tal capacidade?

— Sim, eu tenho certeza que ela vai conseguir — piscou feliz o loiro — e se ela conseguir, creio que posso dar á Pandora um cargo maior. Um cargo de gerencia, como o seu. O que acha?

— O que? Uma mulher, na gerencia?? Isso é um absurdo!!

O grito de Kanon fe z Milo encará-lo, serio e irritado.

(continua...)

Notas finais
Não sei se foi possível notar, mas Brahman é a descrição da mansão de Mr. Darcy, do filme Orgulho e Preconceito. Foi exatamente naquela propriedade que eu pensei ao imaginar a vida de Milo e Camus como dois ricaços europeus. Se nunca viu este filme, veja, é maravilhoso ♥ Quanto a indignação de Kanon sobre Pandora, era comum que um homem naquela época se sentisse ultrajado em dividir sua função de chefia com uma mulher: algo inaceitável para a época. Naqueles tempos mulheres não trabalhavam e as poucas que faziam isso eram serviços menores, ganhavam menos e não tinham reconhecimento. Mulheres não chefiavam, era algo inaceitável. Por isso Pandora está prestes a fazer algo inédito para época e para Kanon, como homem, era uma ofensa divir espaço com uma mulher em iguais condições.