A História de Nós Dois
30 Epílogo
Notas iniciais

Epílogo
POV (Milo filha)
Esta é a última página de um diário. Nela irei contar como cresci.
Nasci de pai e mãe desconhecidos e fui criada pelos melhores pais que eu poderia ter. Eles me tiraram do orfanato quando eu ainda era um bebe e me deram uma vida que eu jamais poderia sonhar em ter.
Eu e meus irmãos, hoje dois homenzarrões maiores que eu, fomos criados com muito amor em uma mansão cercados de empregados e de todos os cuidados que crianças precisam ter. Estudamos na melhor escola, aprendemos diversos idiomas, tivemos uma infancia feliz, completa. Tínhamos os melhores sapatos, os brinquedos mais caros. Os meninos faziam esportes, eu tinha tantas bonecas que não podia contar.
Graças a eles e ao amor que nos deram.
Eu e meus irmãos crescemos aprendendo que o amor e o respeito eram a base de tudo, o inicio de todas as coisas, porque era isso que víamos permear a relação deles o tempo todo: amor e respeito. Não que eles não se desentendessem, meus pais tinham suas diferenças, mas eles se amavam tanto e se respeitavam tanto que nunca brigaram na nossa frente e nunca permitiam que alguém falasse mal na frente de qualquer um deles. Não toleravam fofocas e quando acontecia, nos colocavam frente a frente para que disséssemos uns diante dos outros o que tínhamos que dizer, nunca pelas costas.
Nos ensinaram a ser discretos, não deveríamos contar da nossa vida á ninguém. Nada poderia ser dito. Se perguntassem sobre nossos pais, menos ainda poderia ser dito.
Eu cresci vendo meu pai Camus envolto em livros, seja em casa ou na livraria que ele adorava como um segundo lar. Ele não deixou a Marinha, comandava por terra as tropas que iam pro mar. Estava sempre ás voltas com mapas, livros, escritos, estudos. Meu pai era um dos maiores comandantes que a marinha da França havia visto. Por isso tinha o privilégio de poder exercer sua função mesmo estando fora do país.
Por falar na França, sempre íamos visitar nossos avós em Aix. Desde crianças gostávamos de correr naquelas planícies, montar nos cavalos e comer os doces da vovó Anete. Nosso vo Gerrard nos olhava com ternura e encanto, acho que ele desejou que a casa estivesse cheia de netos e por isso fazia todas as nossas vontades quando íamos para lá.
Eu cresci vendo meu pai Milo em meio as máquinas da fábrica, manuseando óleo e assinando contratos. Ele ampliou ainda mais seu império, construindo mais uma fábrica enorme. Ele levava eu e meus irmãos á fábrica e se orgulhava de dizer que tudo aquilo um dia seria nosso. Mas meu pai tinha um outro lado, quando ele saía da fábrica e ia para o jóquei, ele se transformava. Ficava perdido entre os cavalos, ele montava e domava aqueles animais com uma facilidade que encantava.
No entanto, no silencio da noite, meus dois pais deixavam seus respectivos mundos e se encontravam. Eles achavam que ninguém estava vendo, e então eles se abraçavam e se beijavam de uma forma que eu não sei descrever...tamanho o amor que pareciam sentir e compartilhar. Eles se beijavam, e quando os lábios se separavam para tomar ar, eu tenho a impressão que sorriam. E voltavam a se beijar.
Numa dessas noites eu não pude passar despercebida muito tempo, meu pai Camus me descobriu embaixo da mesa da biblioteca. Ele me tomou nos braços, me beijou na testa e os dois me levaram para a cama, me ensinando que eu não deveria vigiá-los mais.
E de fato eu nunca mais voltei a vigiá-los. Mas eu sabia que todas as noites eles estariam juntos na biblioteca. Acho que aquele lugar deve trazer algum tipo de lembrança para os dois.
Meu irmão Hyoga está seguindo os passos de meu pai Camus, se alistou na Marinha e hoje é Segundo Sargento. Já Isaak está estudando para ser administrador, quer ser como meu pai Milo.
Eu...
Bom, eu este ano começo minha faculdade de medicina, em Paris. Estou deixando a casa de meus pais pela primeira vez, ficarei morando na França até concluir os estudos. Vai ser dificil deixar meus pais que tanto amo, está sendo dificil pra eles também, mas eles me apoiam. Apoiam meu sonho.
E lá vou eu, escrever este novo capítulo na minha história.
Olho pela enorme janela os jardins floridos e lá fora vejo dois homens lindos, o sol ilumina seus cabelos longos enquanto se olham. Quem sabe um dia contarei a história deles?
A história de dois homens que largaram tudo para viver um grande amor. A história de um tenente, que abandonou sua noiva no altar para fugir em um trem com seu cunhado. Ou a história de um cavaleiro, que se apaixonou pelo noivo de sua irmã e propos fugir com ele no dia do casamento. A história de dois homens que foram odiados e deserdados pelos seus pais, jogados na mais absoluta miséria. A história de dois homens que conheceram a fome, a pobreza, a doença. A história de dois homens que mesmo com isso tudo jamais se separaram. A história de dois homens que despertaram a ira de Natassia, inveja de Julian, a admiração de Afrodite. Mas que tambem descobriram no percurso novos e valiosos amigos, como os Svensson, Sorento e Pandora. A história de dois homens que sonharam tão alto que com eles ergueram tres pequenos abandonados, sendo o primeiro quando nem mesmo saberiam se teriam o que comer.
E quando contam sua história, meus pais fazem questão de dizer que se tivessem de voltar no tempo, fariam tudo outra vez. Exatamente do mesmo jeito.
Esta é a história de amor mais bonita que eu poderei contar
♥
Fale com o autor