Notas iniciais
Olá cavaleiros e mulheres cavaleiro! Mais um capítulo de História saindo ^^ Agradeço a lindíssima Saint_Aquariius por ter feito este desenho super cute em homenagem a fanfic. Tá aí amiga, ilustrando o capítulo como prometi! Temos também capa nova, fiz uma arte e ela está agora como capa da fanfiction lá no começo. Este capítulo tem lemon (mais uma vez hard), masturbação, linguagem imprópria, nudez. Boa leitura!

Cap 12 — A Livraria Svensson

Já completava a terceira semana desde a partida de Camus e Milo.

A pacata Aix-en-Provence parecia menos colorida, a vivacidade parecia ter deixado aquele lugar no mesmo trem em que o casal se foi.
Ao menos aos olhos de Anete era assim.

A senhora Garret ainda lamentava com lágrimas a ausência de seu caçula, acariciando o que ficou para trás de suas roupas. O velho relógio de bolso e sua farda da marinha eram outros pertences que também haviam ficado e que Anete cultuava, contrariando Gerrard.
Mas que mãe reagiria de outra forma? Era o que Krest sempre perguntava ao pai, sempre que este questionava se a matriarca nunca abandonaria aquele luto de filho vivo.

Krest teve de declinar o convite de Zaphiri, de partir com ele para a capital. Ficar ao lado de sua mãe era para o moreno agora uma missão mais importante. Seu amor entendeu os motivos e partiu sozinho, levando a promessa de que ficariam juntos logo que toda aquela tempestade passasse. Anete não suportaria ver seus dois filhos partirem ao mesmo tempo, e isso fez com que Krest ficasse em casa ao menos até o final daquele ano.

E ainda tinha Gerrard que havia cismado em dar ao primogênito toda herança. Algo que ele recusava, não se julgava no direito de ser dono de tudo não sendo ele filho único. Krest jamais abriria mão de Camus como irmão, o amava demais pra isso e sabia que era amado por ele também.
Animando a mãe chorosa e angustiada, Krest prometeu á ela que logo daria um jeito de irem até onde Camus estava, para que visse seu filho.

Aquela promessa foi a única coisa que fez Anete sorrir naqueles dias.

**

Londres

O sol da manhã, raro naqueles dias cinzentos e nebulosos parecia ter decidido dar o ar da graça em homenagem ao aniversariante do dia. O sol que possuía a cor de seus cabelos e trazia o céu azul limpido como seus olhos.

Aquele nove de novembro prometia ser um dia especial!

Camus já havia pulado da cama para preparar tudo, o deixaria dormir um pouco mais, afinal, era o dia dele. Tendo a vasta bandeja de café da manhã pronta, levou para o quarto e acordou o amado com beijinhos

— Joyeux anniversaire, mon amour!

Milo espreguiçou abraçando o amado e retribuindo os beijos, abriu um enorme sorriso ao ver tudo o que Camus havia preparado para ele

— Nossa, Camyu! Tudo isso é pra mim?

— É claro! É um dia espcial, o seu dia

Milo sentiu-se aquecido, acolhido. Camus era muito mais do que um namorado ou companheiro, era seu parceiro para tudo, sua metade, seu amigo, seu cúmplice. Alguém capaz de tudo para vê-lo feliz.

— Camus... — Milo segurou o rosto do ruivo, seu sorriso deu lugar a uma fisionomia mais séria, porém doce — eu te amo muito. Você é a minha vida, é tudo pra mim. Eu não sei mais viver sem você, meu amor. É tão...tão forte esse amor que dói aqui dentro. Eu te amo ruivo, te amo!

Camus sorriu, emocionado com uma declaração de amor tão contundente e sincera, brincou para não deixar as lágrimas descerem

— Oras, eu que tenho que fazer surpresas hoje, Milo! E você me faz uma declaração de amor assim...e acaba comigo. O que faço agora?

— Eu sei o que você pode fazer agora

Milo sorriu seu sorriso mais traquina, aquele sorriso que Camus sabia muito bem o que significava. Milo apenas mordeu uma maçã, Camus colocou a bandeja em outro canto, abrindo espaço e depois foi pra cima do loiro, mordiscando o fruto junto com ele. Ambos mordiam a maçã vermelha, até que uma gota do sumo da fruta escorreu no queixo de Milo, e Camus prontamente lambeu, fazendo os pelinhos loiros se arrepiarem totalmente.

Enquanto se beijavam, Camus acariciava a ereção que já pulsava dentro das calças de Milo. O loiro quis fazer o mesmo, mas Camus não permitiu

— Uhum...non mon cher, por enquanto apenas eu toco, eu quero lhe dar prazer.

Milo se arrepiou outra vez com o jeito altivo do namorado, que parecia disposto a mostrar tudo o que havia aprendido.

Camus continuava as carícias, percorrendo suas mãos pelo peito, braços, pernas. Beijava o pescoço, os lóbulos das orelhas, descia pelo peito, abdome. Reparava em como os músculos perfeitos eram forrados de uma pele morena clara e pelinhos loiros, bem finos, deixando um rastro de beijos e lambidas por onde passava e fazendo Milo se agarrar aos lençóis desesperado para tocá-lo também. Mas estava proibido, ele não podia retribuir e aquilo o enlouquecia ainda mais.

Milo parecia uma estátua, tamanha a perfeição de sua musculatura, nem muito exagerada, mas na medida certa para o gosto e o tesão de Camus.

— Você parece ter sido feito sob medida pra mim, ange. Tudo no seu corpo se encaixa perfeitamente no meu — Camus declarou, se deliciando no peitoral e lambendo os mamilos do loiro, fazendo-o gemer.

Milo sentiu as mãos ágeis de Camus lhe arrancar a camisa e depois a calça. Seu falo ereto pulou, ficando em pé como um mastro sem bandeira. Camus se ajoelhou e se colocou diante dele, admirando aquele pênis ereto diante de seu rosto. Se permitiu sentir o cheiro da masculinidade que vinha dali, cheiro de homem, de testosterona. Em seguida chupou vigorosamente, como havia aprendido

— Ohh mon amour, tout souce! Il est très bon..ohh!

Milo segurava os cabelos de Camus, e este felava lavando o sexo do amado com sua saliva quente, a ponto de escorrer pelas bolas, as quais acariciava enquanto chupava. Agora deitado, Milo mordia os lábios e se contorcia de prazer na cama, mexendo os quadris devagar. O corpo do loiro serpenteava em desespero enquanto era tomado pela felação ávida que não parava. Camus parecia ter fome e seu objetivo estava próximo: fazer Milo gozar.

E aconteceu, o loiro explodiu jatos de sêmen quente lavando a boca do ruivo. Camus lambia o líquido viscoso, vendo seu amor arfar e ter espasmos pós ejaculatórios, tremendo de prazer.
Ainda quente e tomado pelas ondas viscerais pós orgasmo, Milo puxou Camus para si e tomou sua boca, provando o sabor de seu leite em em beijo intenso. As línguas rodopiavam e Camus sentiu que Milo queria devolver-lhe prazer em igual proporção.

— Bon anniversaire, mon amour. Je t'aime beaucoup

Camus balbuciou, ficando também nu e esfregando sua ereção pulsante na ereção molhada do aniversariante

— Merci, ange. Je't aime aussi

Aquele "eu te amo" fez com que Camus mordesse o lábio inferior e se virasse. Milo lambeu o pescoço branquinho, enchendo-o de beijos e falando mais sacanagens em francês no ouvido do ruivo que tomado de tesão começou a mexer os quadris, esfregando o bumbum no sexo do namorado.

Milo não havia perdido sua ereção nem por um segundo, e se aproveitando do fato de já estar bem melado, penetrou Camus ao mesmo tempo que masturbava seu mastro com as mãos. Milo jogou a cascata de cabelos vermelhos de Camus para frente, deixando as costas do ruivo livres para receber seus beijos enquanto ele o penetrava por trás, ao mesmo tempo em que acariciava o pênis ruivo e suas bolas redondas.

As estocadas cadenciadas da penetração foram aos poucos levando Camus a um estado de êxtase, até que Milo notou que seu amor estava próximo do orgasmo. Rápidamente saiu de dentro dele, virou Camus e se abaixando passou a chupá-lo com muito vigor. Em poucas chupadas Camus inundou a boca do amado, da mesma forma que este lhe havia feito. Depois se beijaram, outra vez dividindo os sabores, limpando um ao outro.

Sujos, suados e ofegantes os dois sorriam satisfeitos. Se beijavam deixando as línguas se misturarem devagar, sorvendo a saliva.
Ambos ainda estavam quentes, Camus colocou o indicador em sua prórpria entrada, queria mais uma vez seu amado ali, ainda sentia seu corpo queimar de prazer e a ereção de Milo permanecia a postos. Camus então levou Milo para a cozinha e deitou-se sobre a mesa, separando bem as pernas e deixando seu anel rosado bem á mostra.

Milo salivou com aquela visão, primeiro lambeu as coxas brancas do amado, deu mais umas chupadas no falo ereto dele, fazendo-o gemer mais

— Ohh ange, vous faites si bon! Ahh!

Depois o penetrou, fazendo Camus sorrir de alegria ao receber o pênis grosso e ereto dentro de si, mexendo os quadris devagar ajudando na penetração. O loiro deixou sua cabeça pesar para trás, enquanto seus quadris faziam movimentos de vai a vem. O ruivo masturbava seu sexo livre enquanto sentia-se sendo preenchido gostosamente pelo seu amado.

Milo explodiu ejaculando na cavidade de Camus enquanto gemia alto, delirando de prazer. Depois ajudou Camus com as mãos ágeis, fazendo o ruivinho gozar outra vez, lambuzando o próprio abdome. Camus buscou com os dedos um pouco do sêmen de Milo que escorria de sua entrada e lambuzou o falo do loiro, masturbando-o. Sentou-se na borda da mesa e Milo o abraçou, ficando os dois ali agarrados longos minutos.

Depois disso se limparam, lavando o líquido viscoso que sujava os dois corpos e se vestiram novamente.

*

Mais tarde, já a noite, uma vizinha soube que era aniversário de um dos moradores do casebre e lhes ofereceu uma garrafa de vinho. Camus recebeu a bebida e agradeceu á senhora.

— Olha aí, você já tem simpatizantes entre a vizinhança, ganhou até um presente!

Os dois abriram a garrafa e sorveram a bebida em copos comuns de vidro, não tinham taças. Mas estarem juntos brindando o aniversário de um deles era a realização de um sonho.

— Agora tenho vinte e dois anos, como você Camyu!

Milo brincou com o fato de Camus ser sempre um ano mais velho que ele

— Por pouco tempo, em fevereiro eu voltarei a ser o mais velho aqui e voltará a me dever respeito!

Os dois riram e trocaram mais beijos e carícias. Talvez ainda tivessem fôlego para mais sexo, naquele dia haviam deixado todos os problemas de lado apenas para curtirem a data especial.

Milo jamais esqueceria do seu aniversário de vinte e dois anos. Que não teve festa, nem qualquer pompa nem grandes convidados.
Normalmente ele comemorava seus aniversários cercado de amigos da alta sociedade, filhos de familias abastadas. Seus companheiros de polo, amigos empresários de seu pai e mais um monte de gente importante que ele mal conhecia, mas estavam ali pelo status de ir a uma festa na mansão dos Bloedorn. Ganhava presentes caros, era bajulado acima de tudo por mocinhas casadoiras loucas para serem escolhidas. Bebia e comia do bom o do melhor, sendo bajulado como um jovem rei.

Mas agora, Milo tinha algo maior do que tudo isso: seu grande amor.

Seu melhor aniversário estava sendo comemorado apenas com uma garrafa de vinho, o casebre e o ruivo, o amor de sua vida.

**

dezembro 1813

O inverno finalmente se estabelece, implacável.

Não ter calefação era agora um problema realmente sério para Milo e Camus. A brasa no fogão de ferro era pouco para aquecer o casebre enquanto do lado de fora a temperatura já estava a baixo de zero. A saída foi vestir muitos casacos, encher os pés de meias e umas boas doses de conhaque. Sem isso, poderiam amargar uma hipotermia e ter sérios problemas.

Mas o frio não era o único inimigo. As economias que ambos trouxeram nas bagagens já estava práticamente no fim, em poucos dias não teriam mais dinheiro para comprar nem mesmo comida. E o mais preocupante: o aluguel. Se não pagassem, estariam na rua. E estar na rua naquele inverno, significava a morte.
Os dois se mantinham abraçados, observavam hora o fogo que parcamente aquecia, hora a neve que caía através do pequeno pedaço de vidro da velha janela. A neve que sempre fora para Camus motivo de festa e alegria trazendo sua estação favorita, agora o preocupava.
Milo acariciava os fios rubros do amado, juntos mantinham-se quentes. Na cabeça do loiro a preocupação com o dia de amanhã. Como comer, como honrar as contas

— Meu amor, se não conseguirmos trabalho, não teremos o que pôr em suas panelas. Eu estou preocupado.

Camus suspirou, tinha a mesma preocupação

— Eu também ange, mas tenho certeza que vamos conseguir. Amanhã cedo vou sair pra ver o que consigo. Talvez tenhamos que fazer um regime forçado — riu, fazendo Milo rir também

Rir para não chorar é um ditado que nunca havia lhes caído tão bem. Mas de que adiantaria se desesperarem? Se não trabalhassem, passariam fome, era fato. Então teriam que conseguir emprego, a todo custo.
Lutar era melhor saída do que se deixar abater pelo desespero. Haviam feito uma escolha, da qual nem assim se arrependiam.

— Nem numa hora como essa se arrepende de ter fugido comigo? Você podia estar levando outra vida, Camyu.

— Nunca. Eu faria tudo de novo, tudo exatamente igual. E se morrermos de fome, morrerei afirmando isso. Eu faria tudo de novo, porque o amor que eu provei com você, compensa qualquer coisa que possa vir daqui pra frente, Milo.

Milo se emocionou com as palavras de Camus, era exatamente o que ele também sentia. Nenhum arrependimento e toda disposição para fazer tudo outra vez. Beijou na boca seu amado, o abraçando mais e não deixando o frio chegar com o calor dos corpos.

Assim adormeceram naquela noite em que a neve cobriu as telhas das casas e ocupou as ruas.

**

O dia mal amanhece e Camus já está vestido para sair á procura de emprego.

Uma casaca marrom clara, das mais bonitas que ele tinha. Calças e botas negras, seus cabelos rubros caíam sedosos pelas costas, sobre a grossa capa de frio.

— Você está lindo! Se não fosse procurar trabalho eu ficaria com ciúmes

Milo brincou, terminando de arrumar a gola da roupa para o amado. Enquanto Camus iria tentar a sorte, ele iria ao bosque próximo extrair mais lenha, iriam precisar para o rigoroso inverno.

— Não seja tolo, não tem porque ter ciumes. Milo, oh ange me perdoe não ir com você retirar a lenha, é um trabalho cansativo na qual eu queria ajudá-lo

— Não se preocupe, posso fazer isso sozinho fácilmente. Agora vá, boa sorte meu amor!

— Obrigado, não esqueça que eu te amo

Camus deixou um beijo longo nos lábios de Milo que o tomou pela cintura, aumentando a intensidade daquele beijo. Línguas e lábios dançaram quentes naquela despedida, logo depois Camus saiu caminhando carregando com ele a esperança de retornar com boas notícias.

*

A neve se acumulava nos cantos das calçadas e nos telhados das casas. Crianças brincavam de jogar pequenas bolas de neve uns nos outros, até que um pequeno esbarrou em Camus, fugindo da brincadeira. O ruivo parou e deu atenção ao menino que não devia ter mais do que seis anos

— Ei, cuidado rapazinho. Não vá se machucar — sorriu ao olhar o rostinho infantil diante dele — qual seu nome, ma petite?

— Oga!

O garoto fugiu tímido ao dizer o nome, correu antes que Camus pudesse dizer qualquer outra coisa

"Oga? Será isso um nome ou apelido?"

Camus riu da traquinagem e do jeito do garoto, torceu internamente para que aquele esbarrão fosse um bom sinal e lhe trouxesse sorte.
Depois de andar quase metade de um dia e sentir a fome se abrigar em seu estômago, Camus avistou algo que poderia ser o que procurava.

Uma linda livraria, bem na esquina entre duas movimentadas avenidas.

A bela construção em estilo vitoriano possuía dois andares e o de baixo era inteiro convertido na livraria. Na vitrine, best sellers famosos e dicionários nos mais variados idiomas. Muitos mapa mundi e globos de papelão decoravam entre os livros.

Assim que empurrou a porta um sininho tocou, lá dentro a figura simpática de um senhor de idade avançada lhe sorriu

— Bom dia meu jovem lord! O que deseja? Literatura? Psicologia? Mitologia? Hum...talvez um dicionário?

Camus ficou encantado não apenas com aquele lugar, mas com a receptividade daquele senhor. Aspirou fundo o cheiro maravilhoso que amava: o cheiro de livros! Pegou o primeiro que viu, o abriu e aspirou outra vez

— Hum...isso é maravilhoso! Não me julgue mal senhor, mas adoro sentir o aroma das páginas, o cheiro de tinta e papel, tocá-las enquanto leio, acariciá-los...livros para mim são como pequenas crianças dígnas de todo cuidado e amor.

O senhor estava ainda mais maravilhado do que Camus. O jovem ruivo era tudo o que ele procurava.

— Impressionante! Qual seu nome, meu jovem?

— Camus Albert Garret, perdão se não me apresentei antes, é que sua livraria realmente me encantou. Era exatamente o que eu procurava

Camus esticou e apertou a mão do ancião diante dele, lhe falando de forma simpática mas sem sorrir. O sorriso era algo que Camus quase nunca mostrava em um primeiro contato, por isso sua fama de frio, austero.

— Prazer jovem Camus, eu sou Frederich Svensson e você também é exatamente o que eu procurava. O que acha de trabalhar aqui?

Camus ficou sério. Nem mesmo havia sido preciso abrir a boca para pedir, o emprego que procurava acabava de cair em seu colo, como num passe de mágica. Era maravilhoso pensar que iria trabalhar o dia inteiro entre livros.

— Senhor Svensson, seria uma honra trabalhar aqui. Realmente me daria o emprego?

— Mas é claro, filho! Eu estava mesmo á procura de um ajudante, mas não poderia ser qualquer pessoa, teria que ser alguém que gostasse de livros e entendesse um pouco deles. Você conhece bastante sobre livros?

O ancião perguntava sem ter noção do conhecimento de Camus, invejável para qualquer jovem na idade dele. Com poucos minutos de conversa, Frederich percebeu o vasto conhecimento que Camus possuía sobre história, filosofia, astronomia, literatura, letras...entre outros assuntos, até mesmo política e religião.

— Menino, você é impressionante para a sua idade!

— Obrigado, mas isso se deve á eles: os livros. Minha paixão pela leitura me deu o conhecimento que tenho, desde muito novo. Mas sei, senhor Svensson, que poderei aprender muito com o senhor.

Além de extremamente inteligente, o jovem ainda era humilde, educado e bonito.

— Perfeito, Camus. O emprego é seu! Trabalhará de dez á cinco, terás almoço todos os dias e os fins de semana livres. Irei lhe pagar dois mil francos mensais, está bom assim?

Camus finalmente abriu seu sorriso, não de forma expansiva e completa, mas um sorriso que demostrava gratidão e alegria.

— Está ótimo! Começo hoje?

— Comece amanhã, tire o dia para organizar sua vida e esteja aqui amanhã ás dez.

Camus despediu-se do senhor Svensson e andou pelas ruas sem poder esconder sua satisfação. Estava louco para dar a boa notícia a Milo.

"Pequeno Oga, e não é que me destes mesmo sorte? Obrigado, ma petite!"

**

— Dois mil!! Camus, isso é maravilhoso! Oh meu amor, eu sabia que conseguiria!

Agora sim, Camus sorria totalmente.

Milo ergueu o namorado no alto, fazendo Camus gargalhar. O loiro estava suado por estar cortando a lenha, mas Camus não se importou, queria comemorar sua conquista ao lado de quem amava

— Milo, ange, eu estou tão feliz! Me beija mais, eu quero você...

— Eu to suado amor, to sujo...

— Não interessa, vamos fazer amor, vamos..

Os dois encheram a banheira com água quente, tiraram suas roupas e entraram nus na imersão

— Só existe uma coisa que eu gosto mais do que os livros

— O que é?

— Fazer sexo com você!

Acomodados na água morna que fumaçava no meio da sala, cada um de um lado da enorme banheira, relaxavam.
Camus tirou o pé direito de Milo de dentro da água e passou a esfregá-lo, as mãos ágeis do ruivo faziam o loiro relaxar ainda mais. Depois Milo se colocou atrás de Camus e passou a esfregar e massagear suas costas alvas, salpicadas com a ferrugem típica dos ruivos. A fumaça de vapor da água bem quente tornava o ambiente nublado e umedecia os vidros.

Mais massagens, alguns beijos e bem relaxados ambos saíram da imersão, secaram-se e se acomodaram na cama, lado a lado. Encostados nos travesseiros e com as pernas esticadas se beijavam, ao mesmo tempo em que as mãos buscavam o alvo do desejo.
Ambos puseram para fora seus membros eretos e passaram a masturbá-los, estavam tão relaxados que não se furtaram de punhetarem juntos, enquanto se beijavam. Ficaram assim, lado a lado, se beijando e se masturbando até ambos jorrarem abundantemente, gemendo e sorrindo.

Satisfeitos, se abraçaram e permaneceram naquela brincadeira erótica de se estimular com as mãos, corpos, bocas...em mais uma pintura dígna de deuses gregos. Os corpos nus, jovens e fortes se misturavam de um jeito que pareciam ser apenas um.

— Existe um livro, chama-se Kama Sutra. Um dia irei lhe mostrar um e vamos fazer algumas coisas que vi naquelas páginas.

Camus sussurrou lembrando do livro indiano que trazia uma visão ampla da sexualidade e da prática sexual.

— Hum, que interessante. É um livro de putaria, Camyu? — Milo perguntava desferindo mais beijos no pescoço do namorado. Camus riu com aquela pergunta, o termo "putaria" usado com tanta naturalidade como se fosse algo banal.

Só mesmo da boca de lábios carnudos de Milo aquela palavra podia ser dita com tanta naturalidade.

— Não seja tão chulo amor, não é putaria, é algo mais profundo. Você vai gostar...

Camus concluiu mordiscando a orelha do loiro, passando para a boca e chupando os lábios de Milo antes de invadir sua boca com a língua quente e ávida.

**

Na manhã seguinte Camus apresentou-se na hora correta em que havia combinado na livraria. Enquanto o ruivo encarava seu primeiro dia no novo trabalho, Milo havia decidido ir até o lugar que era sua segunda casa:

O jóquei clube.

Naquele lugar, o loiro havia alcançado suas maiores conquistas como jogador de polo sobre cavalo. Na época não era um esporte que rendia ganhos e os jogadores não eram profissionais, mas desde aqueles tempos já era reconhecido como um esporte para abastados, praticado apenas por pessoas da alta sociedade, assim como o jóquei era o ambiente perfeito daquela sociedade aristocrata.

Milo foi direto para as baias e passou a admirar os belos cavalos, todos bem fortes e treinados. Puro sangue, árabes, os animais mais caros e imponentes. Não demorou muito para que o senhor Charles Thompson o visse alí. O senhor Thompson era o gerente do jóquei e conhecia muito bem Milo e sua familia. O homem de seus quase cinquenta anos, denunciados pelos fios já grisalhos, possuía o título de Sir e era considerado um nobre. Olhou Milo intrigado e engasgando nas palavras

— Milo Nickolas Bloedorn, então realmente voltou!

Milo olhou o senhor Thompson a quem conhecia desde garoto e lhe abriu um sorriso

— Senhor Thompson, como tem passado? Sim, estou de volta á cidade.

O nobre torceu as mãos, visívelmente nervoso, angustiado. Não conseguia esconder que estava em uma situação complicada. Milo não demorou a entender porque: certamente as notícias sobre o rompimento dele com seu pai já haviam chegado aos ouvidos do velho senhor.

— Eu sinto muito por tudo o que houve, Milo. É com pesar que digo que não pode mais fazer parte da equipe, você não pode mais frequentar este lugar.

Milo franziu o cenho, mostrando agora uma fisionomia séria e ao mesmo tempo triste. Estava sendo rechaçado do time de polo que tantas conquistas ajudou a alcançar únicamente por não ter mais relações com seu pai, e consequentemente, não ser mais um herdeiro promissor. Richard havia dado ordens para que Milo não fosse mais recebido em locais importantes para a sociedade, como era o caso do jóquei. O senhor Thompson havia recebido estas ordens.

— Eu agora sou um simples plebeu, senhor Thompson. Nada mais tenho além de meus sonhos e meu coração. Eu lamento muito, pois os anos que me dediquei a este lugar me foram muito importantes.

O Sir ficou com um nó na garganta, Milo podia ser pobre, mas ainda era um rapaz nobre, distinto e de educação e modos polidos. A nobreza da aristocracia londrina ainda estavam em seus gestos, suas palavras, suas ações. Ainda que o cobrissem de trapos, a honra resplandecia em seu rosto. Ele não queria perder Milo por completo, a presença do jovem era necessária, fosse como fosse.

— Milo, posso te propor algo? Esteja á vontade para recusar se assim desejar.

Milo e o senhor Thompson falavam íntimamente, o Sir havia visto Milo nascer práticamente, viu o menino crescer correndo entre aqueles cavalos e começar a montar ainda muito pequeno. Tinha enorme pesar pelo acontecido e pela dura realidade que agora o mais novo encarava.

— Milo, me lembro de você bem pequeno correndo por aqui, nunca me esqueço daquela criança linda, os cabelos eram brancos de tão claros, os dois faróis azuis bem vivos e você corria tão ágil que a babá ficava louca e não conseguia por as mãos em você! Você gargalhava de alegria enquanto fugia dela.

Milo achou bonito o senhor Thompson se lembrar dele desde tão pequeno, mas queria ir logo ao assunto, impaciente como era típico dele.

— Diga, o que quer me propor?

— O que acha de trabalhar aqui no jóquei? Pode cuidar destes cavalos que tanto adora, ficar responsável pela preparação deles. Sei que é muito pouco diante do que fez em outros tempos, espero que não ache indígno.

Para ajudar Milo, o senhor Thompson estava disposto a desobedecer as ordens do poderoso empresário e dar alí mesmo uma oportunidade á ele.

— Indígno? — Milo sorriu — indígno é roubar, senhor Thompson. Eu aceito sua proposta, não estou em condições de recusar nada. Posso começar hoje mesmo?

— Claro! — o mais velho sorriu de volta — lhe pagarei dois mil francos por mês, mas Milo...deverá usar sempre o acesso de serviçais e empregados. Me perdoe, mas não pode mais circular pelas áreas nobres sendo um funcionário, você me entende?

Milo assentiu com a cabeça positivamente, apesar de ser estranho ter de usar a porta dos fundos onde sempre foi recebido como um rei, era uma boa oportunidade e aquele detalhe não tiraria sua alegria.

Agora ele e Camus poderiam levar uma vida mais tranquila, sem sobras ou supérfluos, mas poderiam honrar os aluguéis do casebre, comer, se vestir...nada mais faltaria.

Á noite, os dois brindaram com vinho suas conquistas, eram as primeiras vitórias naquela nova vida. Relaxados, os dois riam conversando descontraídamente sob a luz da lamparina e o calor do fogão de ferro.

Mais uma vez a neve caía lá fora, densa.

*

Também naquela noite, Julian Taylor saboreava uma dose de absinto ao saber que o alvo de sua paixão estava de volta ao jóquei clube, ainda que como um reles empregado.

"Então ele está de volta, e nestas condições. Pobre Milo, merece coisa muito melhor do que estas migalhas. Ah meu querido...eu posso te dar o mundo!"

Sentado de frente para a suntuosa lareira, em sua sala luxuosa e aconchegante cujo as enormes janelas contavam com cortinas cor de vinho, tapetes persa aqueciam e enfeitavam o chão e móveis de cedro se espalhavam pelo local.
Ele usava um grosso roupão negro de veludo e seus fios loiros e lisos soltos.

Tanto luxo e riqueza não tinham graça diante daquela solidão. Pensou o quão seria maravilhoso ter outro loiro ali com ele, desfrutando daquele conforto e lhe dando prazer.

Julian saboreou o líquido verde, tramando seus planos.

Notas finais
Prevejo treta! Mais uma vez me perdoem se alguma expressão em francês ficou incorreta, estou aberta a correções.